Santana mesmeriza público nos 50 anos de aniversário de Woodstock

Entre cantos, solos e batuques, Santana exalta o espírito de igualdade, tolerância, paz e música que norteou o primeiro festival, e evoca nomes de grandes artistas

Talmon Pinheiro de Lima, em Bethel Woods

Especial para o Jornal Opção

Sábado, 20 de agosto de 2019. 20h54 — Santana e sua banda adentram ao palco. Uma chuva fininha cai sobre as 15 mil pessoas aglomeradas defronte ao palco, parte em uma arena coberta e com cadeiras, e a maioria sentada num amplo gramado. O solo de guitarra único e a percussão frenética ecoam fortemente e a multidão delira. Tocam-se os acordes de “Soul Sacrifice”, um dos hinos do Woodstock de 1969, e a emoção toma conta de todos. Era o início de um show antológico, recheado de recordações e expectativas (a)guardadas por 50 anos, especialmente por mim, que, por longo tempo, esperei este momento tão desejado e que se materializava na minha frente.

Santana, um dos reis de Woodstock

Foi um dia emocionante que se iniciou desde quando partimos para um viagem de duas horas da cidade de Nova York com destino a Bethel Woods, cidadezinha ao norte do Estado de Nova York, e local onde se realizou o festival original, e que hoje abriga um museu de música e artes que preserva o legado daquele memorável evento.

Para se chegar a Bethel Woods utiliza-se um estrada duplicada e plana, ladeada nos 160 quilômetros por um floresta de árvores típicas da região conhecidas por folhas de bordo, que com seu verde exuberante, compõe um cenário perfeito para uma viagem tão especial, Ao aproximar do local, deparamos com os Estados Unidos rural, onde destacam-se fazendas, minúsculos povoados e sua população de nativos, especialmente de homens judeus da comunidade amish, identificáveis por causa de suas roupas pretas e cabelos com as costeletas encaracoladas.

Entramos no amplo e moderno espaço que é cercado por uma bela paisagem, onde destacam-se gramados, colinas e um belo lago. Vimos no local inúmeras lembranças do festival de 1969, especialmente fotos das suas estrelas, além de uma legião de pessoas vestidas à moda dos anos 60, com batas, túnicas, bandanas, tiaras e camisas coloridas com o tradicional símbolo do movimento hippie.

Santana continua hipnotizando a multidão. Toca uma sucessão de músicas que imortalizaram sua participação no Woodstock original. Seguem-se hits como Evil ways, Oye como va e Black magic woman, sob o delírio da todos.

Entre cantos, solos e batuques, Santana faz discursos emocionados, exaltando o espírito de igualdade, tolerância, paz e música que norteou o primeiro festival, e evocou nomes de grandes artistas, e que eram ativistas da causa por um novo mundo. Citou, dentre tantos, Jimi Hendrix, Bob Marley e John Coltrane.

23h20 : O show acaba ao som de Get Togheter, música daqueles tempos, e que fala do combate às desigualdades mundiais e a todas as formas de guerra e de opressão, e que exalta o amor e a paz, bandeiras essas que forjaram gerações dos tempos sequentes, que continuaram a acreditar que o mundo pode e deve ser melhor, mais justo, mais igualitário e livre das amarras repressivas e dominadoras.

Uma chuva de fogos de artifícios de 30 minutos colore o céu de lua cheia. A multidão se despede, e vai saindo, calma e devagar, saboreando os últimos momentos deste dia mágico de reencontro com as nossas utopias.

Mas o sonho não acabou e nunca acabará, porque Woodstock simboliza uma bandeira eterna para todos nós. Que venham os próximos 50 anos!

Talmon Pinheiro de Lima é advogado.

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