Romance conta história de grupo terrorista que se organiza pra matar deputados corruptos

Livro “Os Terroristas”, do escritor Leandro Osterkamp Pedrozo, narra a saga de Os filhos do Brasil, cuja meta é assassinar parlamentares acusados de corrupção

Mariza Santana

Especial para o Jornal Opção

As vítimas eram deputados acusados de corrupção que continuavam desempenhando suas funções parlamentares impunemente. Os justiceiros integravam o grupo chamado “Os Filhos do Brasil”, jovens que pretendiam vingar os ataques aos cofres públicos feitos por políticos inescrupulosos. As armas, fuzis de alta precisão e mira telescópica, contrabandeados do Paraguai, via Foz do Iguaçu (PR). No encalce dos “justiceiros”, Lucas Simon, um investigador inteligente e perspicaz, cuja missão era evitar os crimes e prender os terroristas.

Esses são os ingredientes do livro “Os Terroristas — Uma Audaciosa Vingança Que Irá Abalar o Congresso”, do médico e escritor gaúcho Leandro Osterkamp Pedrozo, que tem em São Luís do Maranhão o epicentro (palavra que ficou famosa com a pandemia da Covid-19) do romance. Mas os criminosos e outros personagens passam por outros cenários: São Paulo (onde um deputado acusado de corrupção é assassinado), Teresina (local de um atentado a granada que mata outros parlamentares), logicamente Brasília (o centro político do País), e ainda a cidade de Imperatriz (MA) e o interior maranhense.

O líder dos Filhos do Brasil é um jovem médico recém-formado. Marcos é filho adotivo de um político (e aí mora a contradição da história), mente brilhante, de temperamento frio e enigmático. Ele adota o codinome de João de Santo Cristo, personagem da famosa música da banda Legião Urbana — “Faroeste Caboclo”. O protagonista se une a alguns amigos para elaborar um plano com o propósito de vingar o povo brasileiro da ação de deputados notoriamente corruptos.

Depois do primeiro atentado bem-sucedido na capital paulistana, e a explosão da sede da Polícia Federal em Teresina (PI), os Filhos do Brasil lançam um manifesto denominado “Carta aos Brasileiros”. No documento, assumem a autoria dos crimes e ameaçam a integridade física de outros parlamentares envolvidos em casos de corrupção. É o sinal para que a Polícia Federal inicie uma verdadeira caçada aos terroristas.

Ao mesmo tempo, o leitor acompanha a história do jovem leiteiro Magaiver, no interior maranhense, que tem uma vida pacata e simples, como tantos outros brasileiros. Mas nem assim ele está livre dos efeitos da violência tão comum em todo o País. E então o leitor se pergunta: qual a relação do garoto interiorano com os Filhos do Brasil? Como essas histórias poderiam se cruzar, a despeito da diferença entre interior e capitais? Entretanto, somente no final do livro se terá essa resposta.

Leandro Osterkamp Pedrozo, escritor e médico| Foto: Reprodução

A trama do romance “Os Terroristas” é envolvente, embora deixe alguns pontos, na minha avaliação, mal conectados. O principal deles é a motivação para que o anti-herói João de Santo Cristo decida abandonar a vida tranquila de filho de político, com todas as mordomias, para entrar em uma cruzada teoricamente “cívica” (e criminosa) contra a corrupção (e os deputados corruptos), o que pode lhe trazer sérias consequências.

O mesmo raciocínio se aplica a seus amigos, principalmente ao advogado Carlos, descrito como medroso e bipolar. De fato, ele não seria a pessoa indicada para integrar um grupo terrorista. E, mais ainda, ser o responsável pela compra dos armamentos pesados de contrabandistas no Paraguai. Certamente, personagens contraditórios são importantes para compor a narrativa literária. Muitos de nós somos, muitas vezes, contraditórios em nossas escolhas. Mesmo assim, fica esse questionamento.

A motivação para a realização dos ataques terroristas apresentada no romance também me pareceu inconsistente. Esse fato acaba prejudicando o desfecho da história, que tem uma linha mestra interessante. Mas vale como narrativa ficcional e, principalmente, como entretenimento. Isso porque o romance alimenta um desejo de boa parte dos brasileiros, que é o de punir severamente os políticos corruptos deste Brasil. Mas, certamente, a ação terrorista não é o caminho correto em um Estado de Direito. Para isso existem as leis e a Justiça.

Mariza Santana, jornalista e crítica literária, é colaboradora do Jornal Opção.

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