Poemas que leio, poetas que admiro: Sylvia Plath

A poesia de Sylvia Plath dialoga com episódios de uma vida marcada pelo sucesso intelectual contrastante com uma série de experiências traumáticas e a sua recusa em aceitar o papel socialmente imposto às mulheres do seu tempo

Sylvia Plath com o marido Ted Hughes, em 1956

Sylvia Plath com o marido Ted Hughes, em 1956

Rafael Teodoro
Especial para o Jornal Opção

Na Literatura dos Estados Unidos da América, Sylvia Plath é reconhecidamente um dos grandes nomes da poesia modernista. Com a publicação póstuma de “Ariel”, em 1965, Plath também foi alçada à condição de ícone feminista. Sua beleza extraordinária, entretanto, escondia uma mulher de sensibilidade extremada e fortes problemas psicológicos, que, com o tempo, só se agravaram, especialmente em face do casamento conturbado que manteve com o poeta britânico Ted Hughes (1930-1998) — que sempre foi um marido infiel.

A poesia de Plath dialoga com episódios de uma vida marcada pelo sucesso intelectual (ela sempre se destacou pela sua inteligência literária, vindo a receber vários prêmios enquanto estudante universitária) contrastante com uma série de experiências traumáticas, qual a morte do pai, a competitividade artística com o marido (Hughes gozava de maior prestígio junto à crítica literária da época) e a sua recusa em aceitar o pa­pel socialmente imposto às mu­lheres do seu tempo (dona de casa).

Condenada pela sua tendência imanente ao fatalismo trágico, e atormentada pela sua depressão crônica — terrivelmente agravada pela humilhação e dor excruciante que os sucessivos casos de infidelidade do marido lhe causavam —, Plath tentou mais de uma vez o suicídio. Então, numa manhã gelada de 1963, no apartamento em que vivia em Londres, poucos meses após se separar do marido, Plath dirige-se até a cozinha, coloca sua cabeça no interior do forno com o gás ligado, a morrer logo em seguida. A poeta tinha apenas 30 anos quando tirou a própria vida.

Abaixo, separei o poema “Lady Lazarus” (a tradução para o português é de Marina Della Valle), um dos maios famosos de sua curta obra poética, e que revela em plenitude o imenso talento literário de uma alma feminina atormentada pela ideia da morte e do suicídio.

Rafael Teodoro é advogado e crítico de música e literatura.

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via Revista Bula

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