Nega Lilu Editora na busca por autores inéditos

Até janeiro seguem abertas as inscrições para edital que publica novos escritores literários goianos. O desafio da vez é mobilizar nomes do interior do Estado

Yago Rodrigues Alvim

As celebrações foram mui­tas e ternas. Pais e fi­lhos, amigos e namoradas e namorados comemoravam o feito dos jovens que ali se estampavam em páginas, fossem elas de poemas, de contos ou crônicas. Lem­bro-me bem de dançar no quarto, ao ver pouco mais de um ano antes o meu nome listado entre os selecionados no edital, que publicaria as antologias “Os olhos do bilheteiro” e “As dores de Josefa”.

Os títulos vieram, então, um ano depois, ao público, em agosto de 2016, pelo selo Na­duk, da goiana Nega Lilu Editora. Marcava ali uma nova etapa da jornada empreitada por Larissa Mundim, ela que prenunciava “fazemos livros lindos” em 2013, quando deu início à editora, com o romance “Sem Palavras”. Suce­deram-se títulos. E, no ínterim, a cadeia da produção literária rangeu suas necessidades nos dentes.

Projetos de ações formativas e de fomento de novos autores ao escoamento da obra e de estímulo à leitura foram laborados e colocados em pauta e prática, em diversos cantos da cidade. O edital, que deu à luz as duas antologias e, ainda, ao selo, vestiu feito luva a essa vontade de fazer de Nega Lilu uma editora que entende o mercado livreiro tupiniquim.

Na epígrafe, “fazer sem saber que era impossível” diz a respeito dos 22 novos autores, que concorreram ao edital de 2014 e 2015. “Os olhos do bilheteiro” reúne poesias, já “As dores de Josefa”, contos e crônicas. Alguns autores foram convidados por Larissa, que lança agora uma nova chamada. A busca é por novos textos literários para comporem o volume 2 da Coleção e/ou, da qual fazem parte ambas as obras.

As inscrições seguem até 17 de janeiro de 2017. O desafio da vez é mobilizar, além dos goianos da capital, os escritores inéditos, ou ainda os éditos com até três anos de atuação no campo literário, do interior de Goiás e os escritores que nele residem. Sem custo, as inscrições são realizadas por meio eletrônico. No site da editora, encontra-se o novo edital.

O que a Nega Lilu alcançou com as duas antologias?
Com a publicação dos editais de 2014 e 2015 e com o lançamento das antologias, avaliamos que o número de inscritos con­firmou a efervescência na produção literária, em Goiás, sobretudo na poesia. Ou seja, há potencial de renovação. As obras inauguram a Coleção e/ou, que tem por objetivo reunir novos talentos da literatura goiana e escritores convidados, em antologias de poesia e pro­sa, e ainda o catálogo do Selo Naduk, que é dedicado a novos autores e a projetos editoriais com caráter experimental.

O processo também colaborou para a criação do Coletivo e/ou, um grupo que trabalha intervenção urbana por meio da literatura e das artes visuais. O grupo está em atividade e, durante o período eleitoral, por exemplo, realizou intervenção em bairros periféricos de Goiânia, provocando reflexão sobre o prazer de votar bem.

Dentre os impactos mais positivos do processo, destaco a criação de um programa permanente de atividades de formação e qualificação de novos autores. Desde 2014, a editora promoveu mais de 50 ações, juntamente com parceiros diversos: bate-papos com escritores, cursos, oficinas, palestras, feiras de publicações independentes.

E o que a editora busca, agora, com a nova chamada?
Para o edital de 2016, um de nossos desafios é alcançar de forma mais ampliada a produção literária de qualidade que está ativa fora da capital e da região metropolitana de Goiâ­nia. As duas primeiras antologias publicadas fazem registro do trabalho de jovens escritores residentes em municípios como Bela Vista de Goiás, Anápolis, Trindade, Apa­recida de Goiânia, Senador Canedo, bem como de goianos residentes em outros Estados e no Distrito Federal. Agora temos a ambição de ir mais longe.

Isso, de ir mais longe, significa não somente mobilizar aspirantes a escritores nas outras regiões do Estado, mas avançar no mapeamento de autores e autoras ativos, em Goiás, promovendo a conexão desta rede. Como editora, a Nega Lilu se interessa, naturalmente, pela produção literária, mas apoia iniciativas que impactam na cadeia produtiva integralmente, ou seja, iniciativas que visam a qualificação de leitores, articulação entre autores e entre autores e leitores, além da circulação da obra literária em todo o Brasil.

E qual a expectativa, quanto a uma nova obra, e o que se propõe desvendar desses novos autores?
Nossa expectativa é de realizar um trabalho ainda mais qualificado: processo democratizado de seleção, com critérios bem definidos, conselho editorial legítimo, divulgação ampliada pela imprensa. A realização de um trabalho qualificado, de ponta a ponta, nos oferece boas condições de aprovação deste projeto junto aos mecanismos de incentivo à Cul­tu­­ra, como ocorreu no volume 1 de prosa e poesia.

Também esperamos acessar trabalhos inéditos que sejam capazes de melhor posicionar Goiás no mapa da literatura contemporânea brasileira. A editora tem interesse em investir no voo solo de autores que possam ser “revelados” na publicação de antologias, como já também ocorreu no volume 1.

E qual a expectativa do edital, que ficará um tempo maior aberto e que já conta com a divulgação, por meio do caminho andado com as obras do volume 1?
Desta vez estendemos o prazo de inscrição para fazer um trabalho ampliado de divulgação no interior do Estado. Esperamos também que três meses seja um tempo generoso para que os autores e autoras revisitem seus textos, se encorajem a participar do concurso, com condição de nos enviar poemas, crônicas e contos de alta qualidade.

O conselho editorial promete uma seleção ainda mais criteriosa do que nos editais anteriores. Isso porque o potencial da produção está confirmado e queremos fazer da Coleção e/ou um registro de quem tem reais condições de renovar a cena literária goiana.

E quanto aos autores do interior do Estado, o que isso significa?
Queremos ter notícias da literatura que está sendo feita em todas as regiões do estado. A Coleção e/ou é instrumento estratégico que colabora para amenizar a invisibilidade de quem escreve também fora da capital. Acredito nisso e pretendo fazer um trabalho de divulgação ampliada, que deverá impactar em outros projetos que temos, como a e-cêntrica, que busca formas alternativas de circulação da literária independente e tem como ideia o mapeamento de autores independentes e de nano editoras em atividade em Goiás.

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