Em seu novo filme, os “vai-idosos” Didi e Dedé mostram que ainda conseguem cativar seu público

Augusto Rodrigues, de 42 anos, e seu sobrinho Pedro Maia, de 16, escrevem, a quatro mãos, crítica sobre os “novos” Trapalhões mostrando as percepções de duas gerações de espectadores

Dedé Santana eRenato Aragão, ao lado da atriz Letícia Colin: “Os Saltimbancos Trapalhões” leva o circo ao cinema, conseguindo agradar diferentes gerações de fãs | Foto: Divulgação

Pedro Maia e Augusto Rodrigues
Especial para o Jornal Opção

Atuação, canção, músicas e filmes. Animais falantes, pessoas silenciosas? Talvez tudo junto, talvez, não, com certeza, “to­dos juntos”. Um espetáculo, um mu­si­cal, estrelado por Didi Mocó Son­ri­sal Colesterol, cheio de imaginação, con­tos de fadas, fábulas que vêm de ou­tro século e o que mais vier às suas cabeças.

Um reboot? Um remake? Ou uma nova criação? Um pouco dos três, pois “Os Saltimbancos Trapa­lhões: Rumo a Hollywood” foi uma nova visão nostálgica para o público antigo e um picadeiro de incríveis descobertas para um admirável público novo.

Infância é dentro da gente. Esta, a maior lição deixada pelos Trapalhões, nos idos dos anos 80. Década de roupas extravagantes, cabelos projetados, rock mal tocado e bem letrado. Mas, aos domingos, às 19 horas, quatro vo­zes ecoavam nos lares do Brasil. Tu­do acontecia nos improvisos, nas pa­ródias chaplinianas e críticas políticas. Um circo que cabia no écran – nome pomposo para pequenas tvs que, muitas vezes, precisavam de Bombril em suas antenas para funcionar.

Vale ressaltar a surpresa do público antigo sem Zacarias e Mussum, marcantes para aquela geração, que voltam ao cinema depois de tantos anos. Para os filhos, que estão conhecendo os comediantes agora, poderão saber como era o trabalho da é­po­ca. A dupla cômica retorna com mui­ta química. Didi e Dedé, vai-idosos, ainda guardam o tempo das piadas, a percepção um do outro e ex­pressão corporal capaz de contagiar o pai na plateia e a criança que conhece o circo, muitas vezes, numa tela.

A história se desenvolve a partir do momento que a filha do Barão retorna de seus estudos na cidade grande para o Circo Sumatra. Ela se depara com uma crise da arte circense, ocupada por eventos, comícios e leilões, prefeitos, gerentes e barões.

Na primeira cena, a Festa d’Os Cara (e não do Oscar!), os atores são paródicos, as estrelas decalques cômicos e o prêmio vai para um pato de desenho animado. Este sonho tupiniquim aconteceu n´Os Saltimbancos Trapalhões de 1981. Eles foram a Hollywood, invadindo sets de “Guerra nas Estrelas”, passando pelo “Tuba­rão” de Spiel­berg, rememorando divertidamente, antes de Tarantino, clássicos do Fa­roeste. Os motes para o cinema li­terário continuam sendo “Os músicos de Bremen” e “Os Sal­timbancos” de Chico Buarque e Ser­gio Bardotti. As novas interpretações emocionam quem cresceu as­sistindo o Jumento, o Cachorro, a Galinha e a Gata nas sessões da tarde.

Uma pirueta, duas piruetas, maxipiruetas; uma cena, duas cenas, supercenas; um sonho, dois sonhos, mega-sonhos foram formando tão esperado espetáculo. Vamos a Hollywood?
O figurino, roteiro e trilha sonora de “Saltimbancos – rumo a Hollywood” – são muito bem postos, bem montados e bem-feitos. As performances dos bailarinos, músicos e artistas circenses – que realmente vivem essa atmosfera no tablado de Marcos Frota – evocam à franquia de Os Trapalhões um novo começo. Franquia que já teve mais de 120 milhões de espectadores e que continua com velhos da época (Roberto Guilherme, nosso Sargento Pincel) e jovens atores de agora, como Alinne Moraes atuando no papel de Tigrana. Passam, ainda, pelas tomadas, nem circenses, nem atuantes, Emílio Dantas e Rafael Vitti. Lívian Aragão, ainda aprendiz, divide cenas com um pai admirado. Há belo tratamento das imagens, enquadramentos certeiros, movimento de cenas e cortes eficazes. Os diálogos-monólogo de Didi com animais – realidade computadorizada – demarcam o formato escolhido pelo diretor João Daniel Tikhomiroff. Nesta versão temos três núcleos: a dupla cômica, o musical com memórias do filme anterior e a presença da atriz Letícia Colin que, inexplicavelmente, ocupa grande parte da trama.

Mas o filme tem gargalhada? Tem sim senhor! Tem muita estrada e tem muita dor. Mas a “maquina” de escrever e a película rodam pra fazer serão, pra ficar contente, pra comer macarrão. Que emocionante o trapalhão escritor rodeado de palavras, personagens e folhas voando. As teclas, tá que tá que é bão, tecladas por um trapalhado saltimbanco que viveu de humor e de alegria. Didi Mocó – Renato Aragão, completando 50 filmes – continua hipopotizando crianças e convidando o público da arquibancada ou das cadeiras de uma sala escura a enfrentarem, todos juntos, os barões que sempre voltam. Todos juntos puderam trazer nostalgia e descoberta para o novo formato de algo que podemos chamar de teatro, show, filme, programa, comédia, verdadeiro espetáculo de saltimbancos trapalhões.

Por fim, (fechar da cortina do texto e the end do filme) as aparições, de gravações antigas, de Zacarias e Mussum, geram a emoção e alegria no público e no incrível Renato – palhaço que chora dentro do filme.

O resto é linha, margem, etcétera e tal.

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