DVD

Reprodução/Tumblr

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Paulo Lima
Especial Jornal Opção

Tudo o que eu sei aprendi da minha mãe, sempre presente, e com uma ajuda extra do meu pai, um tanto ausente.
Ela me acompanhou nos primeiros passos, me ensinou a brincar sozinho e com os primos e coleguinhas, me levou para a escola, tomou as tarefas, viu meu primeiro gol marcado pelo time do bairro. Antes disso, passou noites em claro me dando de mamar, me fazendo arrotar, ninando para que eu dormisse aquele soninho gostoso. Infelizmente, meu pai não participou de nada disso…
Ele sempre foi muito objetivo comigo, como se estivesse o tempo todo correndo contra o tempo. Os assuntos eram os mais variados: estudos, amizade, sexo, respeito, mamãe, família, drogas, honra, natureza, Deus… Tratava tudo num tom de aconselhamento, mas eu entendia e respeitava o ponto de vista dele. Era a forma que ele encontrou de me preparar para a vida, mesmo na sua ausência forçada.
Nunca conversamos sobre um tema que eu mesmo tivesse escolhido. Era sempre ele quem iniciava e terminava o assunto. Preparava o discurso e imprimia o ritmo. Eu não passava de um ouvinte atento. Não totalmente passivo, mas um ouvinte.
Nunca senti o calor de sua mão, pois nunca passeamos de braços dados pelo parque. Não tive o prazer de apresentá-lo aos meus colegas de escola. Ele jamais me carregou nos braços para a cama, como muitos pais fazem. Apesar de tudo, tenho certeza de que nenhum pai amou tanto um filho como ele.
Só o conheci em DVD. Cresci assistindo as mensagens que ele pacientemente gravou em vídeo, antes que o câncer o levasse, um mês antes de eu nascer.

Paulo Lima é redator publicitário desde 1988, caminhando para 26 anos de atividades ininterruptas. Contista por natureza, vocação ou sina, escreve desde mini contos a contos maiores. Nesse balaio, inclui algumas crônicas.

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