“A consoada”, um belo soneto de Wladimir Saldanha para ser lido no Dia das Mães

“A consoada” foi publicado na segunda parte do livro Natal de Herodes, do poeta baiano Wladimir Saldanha, lançado pela editora Mondrongo, de Itabuna (BA), em 31 de março deste ano.  É dedicado à estudiosa de literatura russa, poetisa e mãe Lorena Miranda Cutlak (autora do livro de poesias O Corpo Nulo, lançado em 2015 pela mesma Mondrongo).

Apreciem!

A consoada


Para Lorena Miranda Cutlak

O menino põe tudo na boca:
põe na boca o fio de feno,
põe na boca o grão de incenso,
ouro e mirra põe na boca,

Mal nasceu, deixa a mãe louca!
Não pode ser já venha dente
coçando na gengiva, crente
da Palavra que dirá tal boca…

Será engraçado contar-lhe num
dia sagrado, dia de jejum,
como a criança era esfomeada:

como quase comeu, bicho, o feno;
humano, o ouro; místico, o incenso
e a mirra; e quão total, a consoada.

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Adalberto de Queiroz

Bravo!

ADALBERTO DE QUEIROZ

Aos fiéis (e infiéis) leitores que se deleitaram com o soneto de Wladimir Saldanha – um dos maiores talentos da recente poesia brasileira, diga-se que a coda é uma lição de cristianismo. Consoada: “leve refeição noturna, sem carne, que se toma em dia de jejum”. Aqui não se jejua poesia, nos esbaldamos com um manjar poético. Bravo! Wladimir.