De Goiás para as telas: João Vitor estreia no cinema nacional com “Colegas e o Herdeiro”
12 agosto 2026 às 11h03

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Durante 40 dias, o goiano João Vitor de Paiva, de 25 anos, viveu uma experiência que, por muito tempo, era apenas um sonho. Em 2023, ele deixou Goiás e foi para Porto Alegre participar das gravações de “Colegas e o Herdeiro”, filme dirigido e roteirizado por Marcelo Galvão. Agora, quase três anos depois, ele finalmente poderá se ver nos telões. A produção estreia nos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira, 13.
A oportunidade surgiu de uma maneira que João Vitor não esperava. O diretor conheceu seu trabalho por meio das redes sociais, se interessou pelo conteúdo e o convidou para fazer um teste. Ao Jornal Opção, o influenciador contou que o nervosismo tomou conta durante os testes, mas não foi suficiente para fazê-lo desistir. “Naquele momento eu pensei se eu ia ou não passar no teste e fiquei meio nervoso. Como eu gostava de atuar desde pequeno, sempre gostei de atuar, eu quis aproveitar essa oportunidade”, conta.
No filme, João Vitor interpreta Duda, um jovem romântico, aventureiro e determinado a realizar seus próprios sonhos. Para ele, a identificação com o personagem foi imediata. “O Duda é romântico, como eu sou na vida real. Ele sempre quer conquistar seus sonhos e, no filme, ajuda outras pessoas também a se divertir, com muita aventura”, explica.
O influenciador também relatou que a rotina de filmagens não foi simples. À reportagem, ele contou que o processo de decorar as falas para as cenas foi bastante desafiador. No entanto, o apoio do diretor e dos demais atores o ajudou a se adaptar à rotina e ao ritmo das gravações. “Foi um pouco difícil no começo, mas eu consegui depois decorar as cenas. O Marcelo me ajudou. Os colegas sempre foram atenciosos comigo em todos os momentos”, lembra.
A história de “Colegas e o Herdeiro” aposta justamente em uma mistura de aventura, diversão, romance e sonhos. A produção dá continuidade ao universo de “Colegas”, filme lançado em 2013 e vencedor do Festival de Gramado. Além de João Vitor, o elenco reúne Ariel Goldenberg, Breno Viola, Gabriel D. Lazzari, Henrique Fernandes, Luiza Godoi e Rafaela Fontanetti.
Mas, para o ator goiano, o filme representa mais do que a realização de um projeto profissional. A presença de pessoas com síndrome de Down e autistas em posições de destaque no cinema também carrega um significado pessoal.
João Vitor é formado em Educação Física pela PUC Goiás, atua como influenciador digital, palestrante e jovem ativista do UNICEF. Ao longo dos últimos anos, tornou-se uma voz pela inclusão das pessoas com deficiência. Por isso, ocupar uma tela de cinema nacional tem, para ele, um peso que vai além da atuação. “Outras pessoas com deficiência precisam atuar, precisam trabalhar, precisam realizar seus sonhos e nunca desistir”, afirma.
O jovem defende que a inclusão não fique restrita aos filmes que abordam a deficiência. Para João Vitor, é necessário que pessoas com deficiência estejam também em frente e atrás das câmeras, além de ocupar diferentes funções dentro da indústria audiovisual. “Eu quero que todas as pessoas com deficiência sejam incluídas, atrás das câmeras, para atuar. A gente tem que ter inclusão na sociedade e não excluir essas pessoas com deficiência”, diz.
O preconceito que ficou na memória
A defesa pela inclusão não nasceu apenas da atuação ou de seu trabalho nas redes sociais. João Vitor conhece, na prática, situações de exclusão que ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas com deficiência.
Durante a entrevista, ele se emocionou ao lembrar de episódios vividos na escola. Um deles aconteceu enquanto jogava futebol com colegas. Mesmo chamando os amigos para receber a bola, ele era deixado de lado. Em outras situações, ele relata que acabava sozinho na hora de formar grupos para realizar trabalhos escolares. “Eu tinha meus amigos, que estavam junto comigo, mas eles não queriam passar a bola para mim. Eu ficava querendo chamar a atenção deles para chutar para mim e eles não chutavam. Para fazer as tarefas também eu ficava meio que sozinho, não ia fazer grupo com os amigos. Acabei ficando muito excluído”, relata.
Aos 25 anos, João Vitor olha para essas experiências sem esconder a tristeza, mas também sem permitir que elas definam o que ainda pretende conquistar. “Eu fico triste ao ver que até hoje tem isso na sociedade, mas a gente precisa melhorar. A gente tem que fazer alguma coisa para acabar com o preconceito, com o capacitismo”, afirma.
Ele também chama atenção para uma atitude que pode parecer pequena, mas que revela o quanto ainda falta avançar na convivência cotidiana. Segundo João Vitor, é comum que pessoas se dirijam à mãe ou a quem esteja acompanhando uma pessoa com deficiência, em vez de conversar diretamente com ela. “Às vezes a pessoa vem na gente e não conversa com a gente. Conversa com a nossa mãe do lado, conversa com outra pessoa. Eu já sofri muito preconceito na minha trajetória toda”, conta, emocionado.
A trajetória, porém, também mostrou a ele que as situações vividas no passado não precisam determinar o futuro. Hoje, aquele garoto que muitas vezes era deixado de lado na escola ocupa espaços que talvez os antigos colegas jamais imaginassem: dá palestras, produz conteúdo, atua e chega às salas de cinema de todo o país. “Como eu tenho esse sentimento que eu carrego comigo, isso nunca vai me impedir de fazer alguma coisa”, resume.
Um convite para lotar os cinemas
Em Goiânia, “Colegas e o Herdeiro” já está confirmado nas programações da Cinemark, Cinépolis e Kinoplex. No Cinemark, o lançamento terá a promoção “Cinema 2 em 1”, em que o espectador compra um ingresso e recebe outro para levar um acompanhante. A rede também programou uma Sessão Azul para o próximo sábado, 15, com iluminação parcialmente acesa e volume de som reduzido.
A Cinépolis terá sessões no Shopping Cerrado, enquanto o filme também integra a programação do Kinoplex, no Goiânia Shopping. Os horários podem variar conforme cada complexo e devem ser consultados nos canais de venda das redes.
Para João Vitor, depois de esperar tanto tempo para ver o resultado do filme, chegou a hora de dividir a experiência com o público. Ele prefere não revelar qual foi a cena que mais o emocionou durante as gravações e deixa a descoberta para quem for ao cinema. “Eu quero que o público assista ao filme para descobrir qual cena que eu mais gostei, que me emocionou.”
E o convite final é direto: que as salas fiquem cheias.
“Eu quero que todos assistam ao filme ‘Colegas e o Herdeiro’ para se emocionar, se divertir, com muita aventura. Quero que lote os cinemas de todo o Brasil”, afirma.
Para João Vitor, o filme pode ser uma aventura no cinema. Para quem acompanha sua trajetória, a estreia representa também a chegada de um garoto que sempre quis atuar em um dos maiores palcos que poderia imaginar, sem deixar para trás a luta para que outros também tenham a oportunidade de chegar lá.
Confira o trailer oficial
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