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Os “12 mais” para deputado federal de Goiás na eleição de outubro deste ano

[caption id="attachment_6497" align="alignleft" width="400"]Iris Araújo, Rubens Otoni e Giuseppe Vecci: favoritíssimos | Fotos: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção Iris Araújo, Rubens Otoni e
Giuseppe Vecci: favoritíssimos | Fotos: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] O Jornal Opção ouviu líderes políticos de vários partidos e pediu para que elegessem os “12 mais” para deputado federal na eleição de 5 de outubro deste ano. Tanto na situação quanto na situação há a aposta de que, com ou sem desgaste nas bases do PMDB, Iris Araújo tende a ser a mais bem votada. Há quase um consenso de que Giuseppe Vecci (PSDB), Thiago Peixoto (PSD) e Rubens Otoni (PT) vão disputar o segundo lugar. O petista é, aliás, o mais cotado para o segundo posto, mas pode até superar Iris Araújo. Depois do pelotão de frente, Daniel Vilela (PMDB) é apontado como um dos favoritíssimos — ao lado de Alexandre Baldy (PSDB). Este é citado como o “candidato da estrutura”. Em seguida, foram mencionados Jovair Arantes (PTB) e Magda Mofatto (PR) — que, acredita-se, podem figurar entre os mais votados. No pelotão intermediário aparecem, com louvor, João Campos (PSDB), Olavo Noleto (PT), Antônio Faleiros (PSDB) e Pedro Chaves (PMDB). É óbvio que lista de favoritos não é, nem poderia ser, uma lista de eleitos. Alguns dos mencionados pelos líderes partidários podem ficar de fora. E, como a lista incluiu apenas 12 nomes, e existem 17 vagas, há outros favoritos, mencionados, mas não como “estrelas supremas”. Eis os nomes: Eduardo Machado (se disputar), do PHS, José Mário Schreiner, do PSD, Marcelo Melo (se disputar), do PMDB, Sandes Júnior, do PP, Roberto Balestra, do PP, Armando Vergílio, do Solidariedade, Heuler Cruvinel, do PSD, Paulo do Valle, do PMDB, Waldir Soares (PSDB) e Gilvan Máximo (PRB).

Daniel Vilela pode ser o grande nome do PMDB para a disputa do governo em 2018

Em tempo de Copa do Mundo de Futebol, não custa lembrar que, quando o técnico da Seleção Brasileira de 1958 disse “você pega a bola e dribla o primeiro beque. Quando chegar o segundo, você dribla também. Aí vai até a linha de fundo, cruza forte para trás, para o Vavá marcar” (o gol), Garrincha, o craque chapliniano, replicou, certeiro: “Tudo bem, [Vicente] Feola, mas o sr. já combinou com os russos?” Júnior Friboi disse a um deputado federal e a um deputado estadual que é jovem — tem 54 anos — e pode esperar para disputar a eleição para governador em 2018 pelo PMDB. O problema é que falta combinar com os russos, no caso os peemedebistas, notadamente a família Vilela. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, quer disputar mandato de senador naquele ano. As duas vagas devem ser disputadas pelo peemedebista e pelo governador Marconi Perillo. Mas Maguito pode apostar mais alto e bancar seu filho, o deputado Daniel Vilela, para o governo.

Grupo de Heuler Cruvinel aposta que, sem apoio direto de Friboi, Paulo do Valle não oferece perigo

O deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) andava meio macambúzio, acreditando que a candidatura do médico e empresário Paulo do Valle (PMDB) poderia contribuir, ao dividir os votos de Rio Verde, para uma possível derrota eleitoral. Ao perceber a intensa divisão do eleitorado local, saiu em busca de apoios em outras cidades, até na distante Goiânia. Entretanto, com a renúncia de Júnior Friboi, que estava bancando a candidatura de Paulo do Valle, Cruvinel tranquilizou-se. O peemedebista deve manter a candidatura. Mas, sem o apoio direto do empresário da JBS, que não deverá ter presença ativa na campanha, tende a desidratar-se.

Líder do PHS diz que Aécio Neves pressiona Marconi por vaga para Caiado na chapa majoritária

O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, diz que o governador Marconi Perillo é o lutador de boxe que está no ringue, sozinho, à espera dos adversários — que, por enquanto, não têm coragem de enfrentá-lo. “A eleição de 5 de outubro deste ano vai ser a mais fácil da vida de Marconi. Os adversários estão batendo-cabeça e não têm projetos para ampliar a modernização de Goiás”, afirma.

Nas conversas com Marconi, o líder do PHS afirma que o sente “leve”, “feliz” e “tranquilo”. “Há, não um processo de acomodação, e sim a sensação de dever cumprido.”

Sobre a composição da chapa majoritária, Eduardo diz que o presidenciável Aécio Neves está pressionado para que Marconi abra uma vaga para o deputado federal Ronaldo Caiado. “Mas, pelo que sei, não há nada definido. Até porque a política local se define no local. Evidente, porém, que o tucano goiano quer se manter em bons termos com o senador mineiro.”

Aliado afirma que Marconi aposta que desistência de Friboi tem a ver com baixos índices nas pesquisas

Um aliado do governador Marconi Perillo pediu sua opinião sobre a desistência de Júnior Friboi, mas o tucano-chefe não estava muito interessado em discutir o assunto. Como o aliado insistiu, o tucano-chefe teceu um breve comentário. Ele acredita que o empresário desistiu porque as pesquisas mostraram que não tinha viabilidade eleitoral.

Com dados do “DataFriboi”, instituto fictício, Friboi andou dizendo que já tinha 22% das intenções de voto — o que nenhum instituto sério confirma.

Se Marconi for reeleito, Jayme Rincon deve ser candidato a prefeito de Goiânia

[caption id="attachment_4849" align="alignleft" width="300"]Foto: Fernando Leite/Jornal Opção Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] A eleição de 2014 vai criar um novo tempo na política de Goiás. Se o governador Marconi Perillo for reeleito, o presidente da Agetop, Jayme Rincon (PSDB) — conhecido pelo empresariado como Jayme Gestor e Jayme Resolve Tudo (tal sua eficiência e agilidade) — provavelmente será candidato a prefeito de Goiânia, em 2016, com a vereadora Cristina Lopes (PSDB) ou o vereador Virmondes Cruvinel (PSD) na vice. O deputado federal Sandes Júnior (PP) disse ao Jornal Opção que gostaria de ser vice de Jayme Rincon. A disputa possivelmente será com candidatos do PT e do PMDB. Dificilmente os dois partidos vão se unir na próxima disputa, devido ao conflito de 2014.

Eduardo Machado avalia que Iris Rezende pode bancar Vanderlan Cardoso para o governo

O presidente do PHS nacional, Eduardo Machado, é sobretudo um formulador político. Eis uma de suas teses: “Não ficarei surpreso se, amanhã, entre o dia 14 e o dia 30 de junho, Iris Rezende, do PMDB, e Vanderlan Cardoso, do PSB, anunciaram uma composição político-eleitoral”.

Agora, a informação diferenciada: “Todos dizem que Iris não abre da candidatura ao governo. Porém, e ele surpreender, provando que não é tão ortodoxo, e bancar Vanderlan para o governo e disputar mandato de senador? Não ficarei espantado. O sonho de Iris é derrotar o governador Marconi Perillo. Para tanto, faria qualquer acordo político”.

Iris Rezende pode enfrentar Vanderlan Cardoso e Jayme Rincon pela Prefeitura de Goiânia em 2016

O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, do PDT, pode ficar tranquilo: se for derrotado na disputa pelo governo de Goiás, o empresário Vanderlan Cardoso, do PSB, dever transferir o domicílio eleitoral para Goiânia. O líder socialista deve disputar a prefeitura da capital.

A disputa pela Prefeitura de Goiânia tende a ser acirrada. Porque o PMDB, se Iris Rezende for derrotado para o governo, deve bancá-lo. Se Iris não concorrer, o candidato deve ser Agenor Mariano, atual vice-prefeito.

O PT também lançar candidato, possivelmente o deputado Humberto Aidar (grupo do deputado Rubens Otoni) ou a delegada de polícia Adriana Accorsi (grupo do prefeito Paulo Garcia). O PSDB tende a bancar o presidente da Agetop, Jayme Rincon.

Tempo de televisão do PSD e do PP pode ser mais importante do que ter DEM na chapa majoritária

O programa de televisão dos candidatos deve continuar decisivo nas eleições deste ano. Quanto mais tempo, desde que bem utilizado, mais oportunidade um candidato a governador tem de se apresentar ao eleitor e mostras suas propostas. Por isso, o governador Marconi Perillo, do PSDB, pode optar por uma composição com o PSD do deputado federal Vilmar Rocha e com o PP do vice-governador José Eliton.

PSD e PP têm mais tempo na programa de televisão do que o DEM, hoje um partido nanico.

 

PROS era aliado de Friboi, passou para Gomide e saltou para Marconi. É a democracia!

O PROS era dado como certo na composição de Júnior Friboi, do PMDB. Depois, passou a ser mencionado como definido ao lado do pré-candidato do PT, Antônio Gomide. Como tem ministério no governo da presidente Dilma Rousseff, era dado como certo o apoio ao petista goiano.

Na semana passada, era dado como apoio certo ao governador Marconi Perillo.

Armando Vergílio deve ser candidato a deputado federal

O presidente do Solidariedade em Goiás, deputado federal Armando Vergílio, confidenciou a um presidente de outro partido que deve ser candidato à reeleição. Ele teria dito que podem pensar que está “chegando tarde”, mas tem estrutura para bancar uma grande campanha. Na eleição passada, teria sido eleito praticamente sem o apoio de prefeitos.

Armando teria frisado que pode ser candidato a vice na chapa do pré-candidato do PT a governador de Goiás, Antônio Gomide.

O líder do outro partido diz que ficou sabendo que Armando também articula com o governador Marconi Perillo, do PSDB. “Mas, curiosamente, o político que ele mais criticou foi exatamente o tucano goiano.”

 

PMDB tenta forçar adesão do PT, que vai flertando com os nanicos

[caption id="attachment_6484" align="alignright" width="620"]Antônio Gomide e Iris Rezende: juntos em uma chapa? Pouco provável que isso aconteça | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção Antônio Gomide e Iris Rezende: juntos em uma chapa? Pouco provável que isso aconteça | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Todas as análises políticas feitas em volta do PMDB resultaram inúteis, uma vez que o resultado em si se mostrou o mesmo previs­to em eras passadas: Iris Rezende é o candidato ao governo. Nada de Friboi. E a mesma força que colocou o líder peemedebista em seu lugar de “direito”, cometeu outro delize ao dar um ultimato ao PT do ex-prefeito de Anápolis, Antônio Go­mide: tinha até o dia 8 para aceitar uma aliança, revogando, assim a candidatura de Gomide, ou o partido votaria em bloco para o fim da aliança local. Quando questionado sobre a questão, Gomide tratou o tal ultimato co­mo um “equívoco político” e ensinou ao PMDB como fazer política. Sua fala concedida em entrevista ao Jornal Opção Online é clara: “Vão votar contra o próprio partido porque o vice [Michel Temer] é do PMDB. Isso é um equívoco, porque esse projeto entre PT e PMDB dá sustentação política aos dois partidos não só no nacional como nos Estados.” O ultimato foi, com certeza, uma ação desesperada por parte dos peemedebistas, assim como o anúncio precoce da candidatura de Iris no fim de março para impedir a descompatibilização de Gomide em Anápolis. É bom lembrar que, dias antes do primeiro anúncio, o próprio Iris disse que não seria candidato. E, após uma ida, uma volta e um retorno de candidatura por parte de Iris, o PMDB tenta, por meio da força, inutilmente, espremer o PT contra a parede. Para o PT, seria bom ter o PMDB na chapa — desde que não fosse na cabeça —, e os próprios petistas querem tal aliança. O prefeito de Anápolis, João Gomes, por exemplo, vê com bons olhos uma aliança com o PMDB, “por ser bené­fica para o partido tanto na chapa majoritária quanto na proporcional”. Principalmente na proporcional. É certo que alguns nomes não precisam se preocupar tanto, caso de Rubens Otoni, que já tem votos certos e estrutura suficiente para se reeleger. Mas neófitos, caso de Edward Madureira, por exemplo, precisam e muito. Ou seja, o cenário não é da forma como vem sendo desenhada nas mentes peemedebistas, até porque, como já disse o próprio Gomide, em relação a tempo de TV, por exemplo, o PT tem tempo suficiente para fazer campanha. A questão fica por conta de outros fatores (leia-se R$), ou mesmo estrutura partidária — a qual o PMDB tem mais. O que os peemedebistas não perceberam ainda é que o PT tem flertado com os “nanicos” e não com os grandes. É certo que Antônio Gomide tem conversado com vários partidos, sendo a maioria deles pequenos, como: PHS, Pros, Solidariedade, PPL, PTC e PSDC, fora PDT e PCdoB. Desses, o diálogo mais proveitoso, segundo dizem, está sendo feito com o Pros, que inclusive pode aparecer na vice — espaço que já foi oferecido ao PHS de Eduardo Machado. Isso mostra claramente que o vice de Gomide tem tudo para sair de um partido pequeno, fato que o PMDB não viu ou não quer ver.

Lei da Palmada institui a paternidade análoga à escravidão

Idealizada por pesquisadores da USP, com o apoio da ONU, a criminalização da palmada tem como objetivo abolir o pátrio poder, impondo às famílias a tutela totalitária do Estado José Maria e Silva O casamento, longe de ser uma expressão do amor romântico, é uma instituição do contrato social. A tradicional frase “enfim sós”, que os noivos se dizem mutuamente ao iniciar a lua de mel, não passa de uma figura de retórica. A rigor, desde o instante em que o casamento é celebrado, no cartório ou na igreja, os casais jamais ficarão a sós – a sociedade sempre estará entre eles. O casamento é uma espécie de triângulo social, formado pelos noivos que disseram “sim” e pela sociedade que lhes dirá “não” sempre que um deles quiser infringir o contrato social firmado diante dela. Mesmo quando se revela a própria chave da felicidade íntima, concretizando o amor romântico, o casamento nunca fecha totalmente suas portas à sociedade – ela está sempre espreitando o casal por meio das regras morais da religião, das leis civis do Estado e ou do legado familiar de cada um. Por isso, é natural que o Estado brasileiro, como qualquer outro Estado do mundo, queira se intrometer na vida dos casais. Essa intromissão é necessária devido aos filhos, que compõem o perfil da maioria das famílias. Por delegação da sociedade, o Estado, juntamente com outras instituições, tem o dever de zelar para que os filhos sejam educados e assistidos pelos pais até se tornarem capazes de cuidar da própria vida. No Brasil, a lei que deveria zelar pela saudável convivência familiar é o Estatuto da Criança e do Adoles­cen­te (ECA), promulgado em 13 de ju­lho de 1990. O problema é que ele não foi criado com o objetivo de fortalecer as relações familiares, prescrevendo deveres mútuos para pais e filhos, à luz dos costumes da própria sociedade; pelo contrário, o ECA é a principal arma dos movimentos revolucionários que usam o Estado capitalista para criar o utópico “homem novo” socialista. Prova disso é a chamada “Lei da Palmada”, que acaba de ser aprovada no Congresso Nacional e criminaliza os pais por uma simples palmada nos filhos.

Uma lei da universidade e da ONU
O Estatuto da Criança e do Adolescente, que se torna ainda mais nocivo com a Lei da Palmada, não foi pensado para atender os interesses da criança cordata, que respeita pai e mãe, mas para fazer as vontades do filho pródigo, que se rebela contra as normas familiares. O ECA não nasceu dos anseios legítimos da sociedade brasileira, mas de uma obsessão ideológica dos movimentos de esquerda com os menores de rua, que, a partir de meados da década de 1970 e até o final do século passado, tornaram-se a principal massa de manobra revolucionária, ocupando, na época, o papel de sementeiras de conflitos sociais que usuários de drogas e moradores de rua exercem hoje. Por isso, eu não fiquei surpreso nem indignado com a aprovação da “Lei da Palmada” pelo Congresso – o que me surpreende e indigna, de fato, é a sociedade não perceber que o Estatuto da Criança e do Ado­les­cente já continha, em si, o ideário da “Lei da Palmada” e não se revoltar contra ele. Sem atacar diuturnamente o Estatuto, é impossível evitar a aprovação de leis como essa. [caption id="attachment_6475" align="alignleft" width="768"]Presidente do Congresso, Renan Calheiros: senador se comporta como monarca levando neto ao Senado | Foto: Pedro França Presidente do Congresso, Renan Calheiros: senador se comporta como monarca levando neto ao Senado | Foto: Pedro França[/caption] A Lei da Palmada não nasceu no Congresso Nacional muito menos de uma inusitada sinapse do cérebro de Xuxa, transformada em sua garota-propaganda pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-comunista do PCdoB que se especializou em lavagem de reputação pública por meio do uso de artistas globais. Essa perniciosa lei é uma criação dos intelectuais universitários brasileiros, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e se inspira em leis similares de países europeus. A primeira tentativa de aprová-la partiu do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), por meio do Laboratório de Estudos da Criança, que, há décadas, vem produzindo campanhas contra qualquer agressão física a crianças e adolescentes. O problema é que os psicólogos da USP confundem ralho e palmada com agressão física e opressão psicológica e vinham tentando aprovar no Congresso Nacional a criminalização da palmada – o que finalmente conseguiram, após convencerem a bancada evangélica. [caption id="attachment_6477" align="alignright" width="300"]Xuxa Meneghel: madrinha da Lei da Palmada polindo a reputação de políticos | Foto: Divulgação/ Globo Xuxa Meneghel: madrinha da Lei da Palmada polindo a reputação de políticos | Foto: Divulgação/ Globo[/caption] A primeira tentativa concreta de transformar em lei a criminalização da palmada ocorreu há dez anos, por intermédio de um projeto de lei da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que veio a ser ministra dos Direitos Humanos no governo Dilma Rousseff e deixou o cargo em abril deste ano para disputar o Senado Federal pelo PT gaúcho nas próximas eleições. Em 2 de dezembro de 2003, Maria do Rosário apresentou o Projeto de Lei 2.654/2003, que modificava o ECA e o Código Civil, estabelecendo o direito de crianças e adolescentes “não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos”. Como se vê, a criminalização da palmada – que se inclui entre os “castigos moderados” – era explícita, por isso o projeto da deputada gaúcha enfrentou forte resistência, não só da bancada evangélica no Congresso Nacional, mas também de articulistas laicos nos meios de comunicação. Há alguns anos, quando o assunto foi amplamente debatido na imprensa, levando à rejeição do projeto original de Maria do Rosário, os adversários da proposta acreditaram que ela estava completamente enterrada. Proibir os pais de darem, de vez em quando, uma mera palmada educativa nos filhos parecia uma ideia absurdamente radical, sem a menor chance de se transformar em lei. Com raras exceções, os articulistas que se insurgiram contra a Lei da Palmada não foram capazes de perceber que ela estava longe de ser uma proposta folclórica de uma parlamentar xiita – pelo contrário, era a tradução literal do pensamento predominante nas universidades brasileiras e, mais cedo ou mais tarde, haveria de ressurgir das cinzas, como fênix. Um intelectual universitário jamais desiste de suas ideias, por mais absurdas que sejam – elas são seu oxigênio e ganha-pão, pois seu salário mensal não depende do acerto de suas teses. Mesmo que professe teses socialmente deletérias (como o chefe do Departamento de Artes e Estudos Culturais da Univer­si­da­de Federal Fluminense, professor Daniel Caetano, que defendeu o evento sadomasoquista “Va­gina Satâ­nica”, realizado na ins­tituição), um docente de universidade pública continuará ven­do o seu bom salário cair religiosamente na conta todo final de mês. Por isso, mesmo rejeitada por ampla maioria da população brasileira, como provam as enquetes isentas sobre o assunto, a Lei da Palmada acabou vingando. É que a proposta original não era somente da deputada Maria do Rosário – ela foi respaldada pela “Petição por uma Pedagogia Não Violenta”, uma campanha multinacional do Laboratório de Estudos da Criança da USP, que teve início em 1994, portanto há 20 anos, e colheu mais de 200 mil assinaturas de apoio no Brasil, Peru e Argentina. Essa campanha teve o apoio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que, em 2005, publicou o livro “Direitos Negados: A Violên­cia Contra a Criança e o Adoles­cen­te no Brasil”, uma coletânea de artigos escritos por diversos pesquisadores. No artigo que abre o livro, as pesquisadoras Maria Amélia Aze­vedo e Viviane de Azevedo Guer­ra, ambas do Instituto de Psi­cologia da USP afirmam: “A luta mun­dial pela abolição de castigos imoderados e moderados (inclusive o famigerado tapinha no bumbum) já é vitoriosa em onze países: Suécia (1979); Finlândia (1983); Dinamarca (1983); Noruega (1987); Áustria (1989); Chipre (1994); Letônia (1998); Croácia (1999); Alemanha (2000); Israel (2000) e Islândia (2003)”.
Psicólogos da USP escreveram projeto de lei
Ora, o mundo tem quase 200 países. Isso significa que, apesar de toda a pressão exercida pela ONU, menos de 10% das nações dedicaram leis especiais contra castigos físicos em crianças. O que a maioria dos países pune – e com toda razão – é o espancamento dos filhos pelos pais, algo que o Código Penal Brasileiro e o próprio Estatuto da Criança e Adolescente também já condenam. Além disso, nos países citados pelas pesquisadoras, os menores de 18 anos que cometem crimes violentos não costumam ser inimputáveis como no Brasil e não têm o rosto totalmente protegido nas reportagens que relatam seus feitos. Sem contar que raramente um país impõe tantas restrições ao porte de arma como no Brasil, fazendo com que os bandidos, menores ou adultos, se comportem com a máxima ousadia e detenham o monopólio da pena de morte no País. Impor a um caldeirão de violência chamado Brasil, com quase 200 milhões de viventes, as mesmas leis de aldeolas escandinavas com menos de 5 milhões de habitantes, como fizeram os pesquisadores da USP com a Lei da Palmada, é não ter o mínimo senso de proporção. O que as pesquisadoras da USP chamam de “luta mundial pela abolição dos castigos imoderados e moderados em criança” é, na verdade, uma minoritária guerrilha intelectual pela abolição do pátrio poder, colocando as famílias sob o poder totalitário do Estado. A força dessa guerrilha – que se tornou hegemônica no meio acadêmico – não resulta do apoio que desfruta na sociedade, mas das fartas verbas que recebe de ONGs, fundações internacionais e da própria ONU. Desde a redemocratização, o Brasil se tornou o laboratório preferencial dos arautos do homem novo, uma espécie de projeto-piloto em forma de país, no qual os ideólogos de esquerda testam suas leis revolucionárias, como a Lei da Palmada, sem levar em conta as culturas locais. Prova disso é que a primeira versão da Lei da Palmada, apresentada em 2003, não foi redigida pela deputada Maria do Rosário, mas por uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Estudos da Criança do Instituto de Psicologia da USP. [caption id="attachment_6478" align="alignleft" width="736"]Maria do Rosário: Lei da Palmada elaborada por pesquisadores da USP | Foto: Antônio Cruz/ABr Maria do Rosário: Lei da Palmada elaborada por pesquisadores da USP | Foto: Antônio Cruz/ABr[/caption] “A proposição que estamos apresentando à Casa foi elaborada pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) da Universidade de São Paulo (USP), sob a responsabilidade das coordenadoras, Dra. Maria Amélia Azevedo, Dra. Flávia Piovesan, Dra. Carolina de Mattos Ricardo, Dra. Daniela Ikawa e Dr. Renato Azevedo Guerra, e, como pode ser verificado na argumentação supra, está amparado por pesquisas e análises comparativas com as legislações mais avançadas do mundo” – escreveu a deputada Maria do Rosário na justificativa de seu projeto, ao apresentá-lo na Câmara no final de 2003. Como o seu projeto era lobo com garras e dentes expostos, dizendo já na ementa e reafirmando em seu primeiro artigo que até os castigos moderados estavam proibidos, ele acabou não vingando no Congresso, devido, sobretudo, à resistência da bancada evangélica. Então, sete anos depois, o Executivo tomou para si a tarefa de aprovar a Lei da Palmada e, em 14 de julho de 2010, um dia depois do aniversário de 20 anos do ECA, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou à Câmara um novo projeto de lei nesse sentido.
Exército público de delatores profissionais
Esse projeto de lei do Executivo, que acabou aprovado na semana passada, é lobo em pele de cordeiro. Ao a­crescentar três artigos ao Estatuto da Criança e do Adolescente, ele estabelece: “A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los”. Em seguida, a lei define “castigo físico” como a “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou adolescente”. E define como “tratamento cruel ou degradante” a “conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou adolescente”. Como se vê, a nova versão da Lei da Palmada, rebatizada casuisticamente de “Lei Menino Bernardo”, parece não oferecer nenhum perigo para as famílias. Quem pode ser a favor do “tratamento cruel ou degradante” de uma criança, expressão que mais se destaca quando se lê o primeiro parágrafo da lei? Ocorre que essa expressão entrou aí justamente para ofuscar a criminalização da palmada, que continua embutida na expressão “castigo físico”. Afinal, se “castigo físico” fosse apenas sinônimo de espancamento e não abarcasse também uma simples palmada, não haveria necessidade de acrescentar “tratamento cruel” ao texto. Além do mais, a lei ainda prevê que os direitos da criança nela previstos deverão ser objeto de ampla campanha e integrar os temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC. Ou seja, na interpretação da lei que será disseminada na sociedade, a definição prática de castigo físico vai abranger a palmada – algo que, sem dúvida, será corroborado pelo Ministério Público, ainda que um ou outro promotor, individualmente, possa pensar e até agir de forma contrária. Mas até isso será difícil, pois a lei também prevê que o profissional da saúde, da educação ou da assistência social, bem como qualquer pessoa que exerça cargo ou função pública, tem a obrigação de comunicar às autoridades competentes qualquer suspeita ou confirmação de castigo físico de uma criança, sob pena de incorrer em multa que varia de 3 a 20 salários mínimos. Ou seja, a lei cria um exército público de delatores profissionais, que, com o tempo, irão consolidar a criminalização da palmada, ainda que ela não esteja explicitamente escrita no texto da lei. Em breve, cada filho será o senhorzinho do lar e teremos a paternidade análoga à escravidão. Alguns parlamentares, como o senador Magno Malta (PR-ES), não se deixaram enganar pela Lei Menino Bernardo e denunciaram o seu caráter subjetivo, que continua criminalizando todo tipo de castigo físico, mesmo uma leve palmada. E o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) criticou a presença de Xuxa como madrinha da lei, lembrando o seu passado de protagonista do filme “Amor, Estranho Amor”, de Walter Hugo Khouri, em que protagoniza cenas de nudez com uma criança. Ditatorialmente, o partido de Eduardo Campos tomou as dores de Xuxa e destituiu o deputado da Comissão de Constituição e Justiça. O clima bananeiro em que foi aprovada a Lei da Palmada pode ser medido pela entrada de Xuxa Meneghel no plenário do Senado. Ela trazia pela mão um garoto que, depois, se revelou ser o neto do presidente do Senado, Renan Calheiros. Num acintoso desrespeito aos rituais da República, o menino foi posto sentado à mesa diretora da Casa, entre o avô e Xuxa, como se o Brasil fosse uma monarquia, em que o poder se transmite hereditariamente e não há distinção entre o público e o privado. A transformação do neto de Renan Calheiros numa espécie de reizinho da República é reveladora da miséria moral reinante – simboliza a privatização da coisa pública e a estatização da vida privada, numa mistura que relembra a Itália fascista de Benito Mussolini. A Lei da Palmada já é consequência dessa indistinção entre um Estado cada vez mais possuído pelos grupos organizados e uma sociedade cada vez mais destituída de vida privada. É como se os bedéis do Estado, que batem ponto burocraticamente nas repartições, pudessem cuidar da educação de todas as crianças brasileiras – uma missão que exige dos pais de carne e osso enormes sacríficos, inclusive em madrugadas insones, quando velam pela saúde e o bem-estar de seus filhos.
Duplo grau de jurisdição na família
Os intelectuais bem-nascidos querem aplicar a todo mundo os seus próprios princípios de vida, sem levar em conta as circunstâncias em que vivem os destinatários de suas leis utópicas. O ideal é que uma criança jamais precise levar sequer uma palmada e aprenda a obedecer a um simples olhar. Mas esse é um ideal, que nem sempre pode ser posto em prática, especialmente nas classes mais pobres, em que a vida é muito dura, e os pais, machucados pela própria desesperança, nem sempre são capazes de dialogar com os filhos, depois de mais uma dura jornada de trabalho, em que enfrentam ônibus lotados para voltar ao barracão minúsculo onde a família se amontoa. Em famílias assim, uma palmada, um beliscão, um cascudo são quase inevitáveis e chegam a ser uma forma de diálogo, uma espécie de rude carinho físico entre pais e filhos, especialmente em famílias arcaicas em que beijos e abraços são raros ou inexistem. Uma pesquisa do próprio Laboratório de Estudos da Criança da USP mostrou que mais de 70% desses castigos físicos são aplicados pelas mães – um fator de desespero para os pesquisadores uspianos, que, volta e meia, promovem palestras, exibição de filmes, apresentações de teatro, concursos de desenhos e várias outras atividades educativas tentando evitar que as mães distribuam palmadas em seus rebentos. Eles nem se dão conta de que as famílias, instintivamente, criam e aplicam uma sábia justiça doméstica que reproduz um dos pilares do processo civilizatório – o duplo grau de jurisdição. A mãe, pelo fato de ficar mais tempo com o filho e, sobretudo por tê-lo carregado no ventre, tende a ter com ele uma relação muito mais emotiva, consequentemente mais fadada à impaciência, aos ralhos, às palmadas. Mas, como diz o provérbio, pé de galinha não mata pinto. Prova disso é que mal acaba de levar uma palmada da mãe, a criança já busca o seu colo para chorar, como se a palmada fosse o prenúncio do carinho. Só quando essa primeira instância da justiça familiar não surte efeito, é que entra a segunda instância – a justiça paterna. Mas o pai, ao contrário da mãe, deve ter maior distanciamento e evitar o castigo físico. Como sabiam os antigos, a mão do pai é pesada. Ele é o juiz de segunda instância, que só deve interferir nos casos mais graves, fazendo valer sua autoridade com um olhar severo, uma palavra firme e, no mais das vezes, com sua simples presença. Quando o pai precisa castigar fisicamente o filho, é porque esse duplo grau de jurisdição familiar está falhando e, nesse caso, sim, a criança tem grande chance de se tornar um filho rebelde, malcriado, às vezes um adulto traumatizado e sem rumo. A Lei da Palmada, ao proibir todo tipo de castigo físico, inclusive quando praticado afetivamente pela mãe, acaba com esse sábio sistema de pesos e contrapesos entre mãe e pai, privando a criança de seu primeiro e educativo contato com a Justiça – que é, antes de tudo, uma hierarquia moral de valores, em que a severidade das sanções é graduada pela gravidade dos atos. Ao desconsiderar essas nuances das relações familiares, a Lei da Palmada chega a desumanizar a criança, como se ela não passasse de um corpo sem alma, cujo maior sofrimento é a dor passageira de uma simples palmada.

Eduardo Campos saiu de Goiás acreditando que teria o apoio de Iris

O candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos, saiu de Goiás acreditando que poderia obter o apoio de Iris Rezende, virtual candidato do PMDB a governador, para sua campanha.

Mais hábil, Vanderlan Cardoso, pré-candidato do PSB de Goiás, sugeriu que era mais adequado esperar um pouco. O socialista tinha e tem razão: Iris, embora esteja mais preocupado com seu projeto local do que com qualquer projeto nacional — seja da presidente Dilma Rousseff, seja doe ex-governador de Pernambuco —, tende a fechar com a candidatura da petista, mais por pressão da cúpula do PMDB (leia-se Michel Temer e Valdir Raupp),

A disputa pela atenção eleitoral do povo anapolino se torna cada vez mais visível

[caption id="attachment_6481" align="alignright" width="200"]Marconi Perillo: presença em Anápolis Marconi Perillo: presença em Anápolis[/caption] Todos os governadoriáveis querem estar perto de Anápolis, mas poucos têm as chances de conseguir um excelente resultado como Antônio Gomide (PT) e Marconi Perillo (PSDB). O primeiro porque tem um popularidade invejável no município devido à sua gestão e o segundo por seu constante — levando em consideração seus três mandatos à frente do Executivo goiano — favorecimento à cidade. E a disputa pela atenção eleitoral do anapolino começa a se tornar ferrenha. Gomide tem estado pouco na cidade, pois precisa concluir seu ciclo de viagens, o que tem feito com vigor, afinal foram 15 cidades visitadas apenas nos últimos três dias. Aproveitando essa “ausência”, o governador tem marcado bandeira em Anápolis. Pela terceira semana consecutiva, há algum evento no município. No fim da semana passada, foi a 34ª edição do Gover­no Junto de Você, que aconteceu no Jardim dos Ipês. É a segunda vez, apenas no atual mandato, que o governador transfere o governo estadual para Aná­polis, com a oferta de vários serviços públicos à população. E no evento ele tornou a afirmar que o governo estadual investiu mais de R$ 700 milhões em Anápolis, fora a política de atração de empresas. Essa mesma fala foi usada quando da visita da presidente Dilma Rousseff (PT) para a inauguração do trecho Palmas-Anápolis da Ferrovia Norte-Sul e da visita técnica ao Centro de Convenções, que reuniu os três últimos secretários de Indústria e Comércio de Goiás. Fora isso, o governador ainda anunciou a construção de 38 quadras cobertas nas escolas estaduais do município. Sem contar a autorização da abertura de linhas de crédito da GoiásFomento com a Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia). Além disso, o último encontro do PSDB antes das convenções será realizado em Anápolis, onde Marconi deverá ser anunciado oficialmente como candidato. Isso mostra de modo claro aquilo que já vem se percebendo há algum tempo: todos querem a atenção do povo anapolino.