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O menino não mora mais aqui

[caption id="attachment_16252" align="alignright" width="260"]M. File M. File[/caption]

O começo como se conta O tempo se leva com os ventos. As ventanias da vida, os redemoinhos do mundo, para onde nos levam? Aonde foi aquele menino encantado com as curicacas e o vento nos guizos dos arrozais? Por onde foram os meninos, como foi que se perderam de nós? Perguntas se perguntam, respostas se inventam, verdade o que se conta.

Dobras do tempo, sombras. Não era ele, aquele menino? Será que ainda se encanta com o cicio dos cachos de arroz? Ainda lhe apraz extrair, com o polegar e o indicador, o verde assovio ao liso das folhas na touceira de grãos? Ainda se lembra de seus bois de mangas verdes, sabugos e caramujos? Provável que já nem seja mais como antes. Perdido no tempo sombrio, pode que seja outro, diferente de ontem, podendo que a vida revele sua real(idade).

Bem-te-vi avisou, insistiu que viu o menino passar por ali, ao amanhecer. Já o murmúrio da coruja acusara-lhe a passagem, em hora escura. Levado embora a cavalo da noite. Os vultos silentes dos cavaleiros. Os cascos dos cavalos ressoando no solo. Noite adentro, sertão afora. Longe, o mundo estranho. As mãos agressoras do mundo. O riso de quem rosna. As hienas da Terra. Do porvindouro percurso de vida do menino, que se conta mais adiante, recorte-se, antecipando a figura paterna, o dia em que um sanfoneiro cantava assim, dirigindo-se justamente ao pai do garoto:

O senhor, Seo Valdemar, escuta o que vou falar, não fui eu, não fui eu que matei seu canarinho, no galho da laranjeira, no derradeiro galhinho.

Noites seguintes, dias adiantes, anos seguidos. Procura-se o menino. “Mora não senhor. O menino não mora aqui mais não. Saiu da­qui do Desemboque e desapareceu.” O fio da conversa alinhavando as palavras. Um modo pe­culiar de falar, fluindo simplicidade e sapiência. “A vida, o senhor sabe como é: anda e desanda. A vida mesma se perde na própria vida.”

As curicacas nas redondezas gritam que o menino foi uma criança in­feliz. Que mal teve infância, desde a­quela noite. Um caco de lua minguante, nenhuma estrela no céu. “Muita vez o destino entorta o focinho e desatina. A vida vai de mau jeito, como um salto de botina acalcanhado, pisando torto pelos caminhos.”

Desvãos cinzentos da memória Os bois ali à sombra do arvoredo, ao lado do curral, perto de umas ro­chas negras, brotadas da terra fei­to fossem tubérculos gigantes e abru­ptos, de natureza mineral. “Não se sabe do menino. Nunca que dele se soube mais não. E pouco se lembra.”

Do que mal se conta e muito não se acrescenta. Cinzento é o tempo da memória. Desvãos. Que mal se lembre, o tempo esquece. O dia não clareia, a noite não esclarece. Assunto delicado, de desacerto familiar. Ao certo é que era um menino claro, alourado, e tinha olhos azuis, o mesmo que ver bolinhas de vidro. E havia outros. Eram quatro, ao todo: três meninos e uma menina. O mais velho também tinha olhos azuis. Só eles dois puxaram pelos olhos do pai.

Os outros tinham os olhos castanhos da mãe. O menino foi na garupa da montaria do pai, e sua irmãzinha, aos cuidados de outro cavaleiro. Iam a passos compassados. A noite ao redor e a noite pela frente, numa noite só. Os homens calados. As duas crianças foram entregues a uma tia, irmã do pai; já o mais velho ficou com outra tia, e o mais novinho deles foi deixado com a mãe, de nome Sebastiana, que dali também se foi.

“Ficou aí a casa vazia. Foi construída em 1935. Compramos essas terras já de um outro dono, e construímos a casa nova. A casa velha agora abriga um peão nosso, com mulher e filho. O peão, vocês cruzaram com ele, na vinda pra cá; a mulher e o filho foram ver uns parentes.”

O fantasma da velha casa A conversa se desenrola de um novelo. Fala-se de velhos tempos, sem que se fale muito ao certo, por incerto o incerto mesmo. Difuso o tempo confuso. Ouvissem, do passado, o riço dos cachos de arroz soprados pelo vento, algo parecido com o chocalho das cascavéis. Avistassem a alma-de-gato, ou alma-perdida, com o seu penacho e as penas de sua longa cauda, pousada no mandiocal. Um encanto de ave, muito bonita, todavia agourenta, aviso de morte para breve, como se acredita. Mas o certo é que a infância se foi e o menino cresceu. Bem-te-vi de outras terras viu o menino já crescido passar acolá.

Agora o berro de um boi. Um familiar aroma no ar. O cheiro da terra, da relva e do seco esterco das vacas. O contentamento de voltar ali, passados mais de sessenta anos. A casa antiga, ao lado, ainda é a mesma, salvo um puxado que não tinha, e vitrôs ao invés dos janelões que havia.

Por trás da casa, os dois irmãos chupavam manga escondidos da mãe, enquanto ela cozinhava o almoço; vigiavam-na pela janela da cozinha e, às pressas, se lambuzavam com a fruta. “Limpa a boca”, sussurrava o mais velho. Iam lá dentro da sala, pra mãe não desconfiar, daí voltavam, sorrateiros, pra se lambuzarem de manga novamente. A doce infância!

Avulta-se o fantasma do passado. Espectro o próprio aspecto da casa. O que alegra os dois irmãos, ali chegar, também os entristece, só de olharem a casa por fora. Tomados pela comoção, ou como se deles mesmos saísse, liberta, aquela aparição.

O berço vazio Envelhecidos e grisalhos, foram rever o chão de suas origens. O berço. Lá no fundo do tempo, por onde corre o ribeirão Desemboque, e de onde as lembranças são as mais remotas que guardaram de si mesmos. Aquelas que não se apagam nunca. Mais dolorosas as que mais profundamente se guardam. Espaço e tempo houvesse a contento para tudo se contar.

A terra perdida, enfim reencontrada. Uma viagem sentimental, profundamente gratificante. E lá estavam as curicacas, como se fossem as mesmas de antes, ainda sobrevoando aquele chão de ausências. Tinham-nas, iguaizinhas, retidas nas retinas da memória.

O retorno às origens mistura sen­timentos: contentamento, nostalgia, melancolia. Dorzinha sutil, feito farpa miúda. Fragmentos, lascas de histórico de família, de coisas que se guardam. Pudessem recompor o antigo lar, recolocar a mobília. E o pai, a mãe, os filhos. Refiar os fios. Reatar os laços de afeto. De resto, o que resta, senão pedaços de recordações? O berço é uma terra vazia. Não há ninguém. Nenhum deles por ali.

Não olhe para trás A tarde debulha seus minutos. Os dois visitantes precisam ir embora, recusam o convite pra mais demora. Voltarão, um dia, numa outra hora. Cocos secos e ocos de muito tempo, de bacuri e guariroba, um dia mascados pelo gado e agora cinzentos de pó, foram recolhidos do chão pelo irmão mais novo, próximo ao ribeirão, e guardados nos bolsos, como lembranças do regresso à terra da infância. Comentou que, se pudesse, se mudaria de volta. “É um belo lugar — completou —. Tem mais coisas do que supunha a minha memória, assim de encher os olhos e se derramar com o ribeirão que passa bem ali, rente aos fundos da casa”.

A casa. A profunda emoção de revê-la, e agora o pesar de deixá-la, como quem se separa do seio materno. Ainda antes da despedida, o mais novo caminhou até o ribeirão, molhou as mãos e lavou o rosto com água fresca, só pra dizer que tinha voltado, e sentir o gostinho da volta. Se se demorasse um pouco mais por ali, seria bem capaz de ouvir um menino chamando pelo pai e pela mãe. Então se despediram e saíram já com vontade de voltar, e de chorar.

Suspiros dobrados, sentidos, vindos do fundo da alma. “Ah, não olhe para trás! Dói demais, de tanta saudade e tristeza. E dá um vazio danado na gente”. Disse o mais novo ao irmão, ou mais para si mesmo, e enxugou os olhos na manga da camisa.

Para sempre separados (Álbum de família) A morte o levou em 26 de janeiro de 2007. A família quase toda, de vidas separadas, agora se junta. Ali, onde as diferenças se igualam e os extremos da vida se tocam e se cobrem de terra fúnebre. Só ali, e só então, se dá o momento da reunião. Quatro coveiros de uniforme azul aguardam. Três enxadas e três pás de prontidão. Os familiares em volta, à beira do chão aberto. A família desunida, enfim reunida. O que a vida separa, a morte reúne. A cova escancarada e ali o fundo do fim. Quatorze blocos de concreto, quinze tijolos e os calços de sustento. A camada retangular do reboque e cinco placas de laje que fecham o jazigo. O senhor Lá­zaro, “responsável pelo campo-santo”, como se identifica, supervisiona o serviço.

A terra é vermelha no Parque Memorial. Os vivos pisam na grama. São quinze horas e trinta minutos agora. Quadra 02, Módulo 5, Jazigo 01. Valdemar se foi. O pai. Uma vez mais, ele se vai, como de outras vezes se foi. “O pai de vocês tomou chá de sumiço”, a tia dizia. “Comeu pé de cachorro e sumiu no mun­do”, dizia. “Parece que virou passarinho, que voa e desaparece”, concluía. Casado pela segunda vez, e pai de dois outros filhos, repegou dois do primeiro casamento: o menino em questão e a menina. Acabou que não deu certo. A madrasta não quis. Escorraçava-os, cometia-lhes horrores; por isso foram levadas de volta para a tia.

De alma boa, a tia, justiça seja feita, fez tudo por eles, não mediu sacrifícios; foi-lhes a mãe (e o pai) que não tiveram. Pra começar, foi ela quem lhes acendeu a luz do saber; ensinou-os a ler e escrever, e eles já entraram na escola sabendo, adiantados. O menino, certa feita, na verdade já rapaz, adoeceu e ficou cego; chegou a ser desenganado pelo médico sobre voltar a enxergar. A tia, desesperada, mas decidida, e ainda pela ciência do doutor, logrou salvar das trevas, e da morte, o filho enfermo. Mo­mentos críticos.

Violentas convulsões do rapaz. Aos gritos e choro de desespero, clamando pelo Divino Pai Eterno, ela o trouxe de volta à vida. Foi como se o tomasse dos braços da morte, no último instante — a ele que, logo que se “viu” cego, não demonstrou desespero, mas pensou em suicídio. Saiu das sombras do vale da morte, transpôs o portal de intensa claridade e emergiu com os olhos inundados de luz. A luz da providência divina, segundo a tia, imbuída de fé.

A boa tia, porém, sofria dos nervos e havia vezes em que os tratava, aos meninos, com excessiva fúria, às cegas. Depois vinha com a salmoura do remorso, a banhar os ferimentos; e o menino até condoía-se dela em seu ar sofrido, tomada pelo arrependimento. De tudo, ficam as marcas, de certa forma confusas entre o sentimento de gratidão e de magoado perdão. Fica sempre um resquício de ressentimento, enfurnado e surdo, num escaninho da alma; fica lá, feito um morcego, no seu esconderijo, respirando e se remoendo no escuro. Repisar tudo isso, denuncia o resquício. Mas fica, sobretudo, o reconhecimento do bem que se recebe, e fica o afeto compartilhado, ainda que de forma defeituosa. Prevalece a falta que fica, o vazio da ausência: a tia-mãe já falecida.

Após devolver os meninos à tia, o pai andou sumido com a outra família. Cerca de oito anos sem dar notícia. Sem que se soubesse por onde andava. Nesse tempo foi que o menino cresceu.

A mãe Sebastiana morreu primeiro. Vivia ela só com o seu silêncio e sua solidão. Analfabeta e de pouco assunto. Conversa avulsa, quando muito. Quedava-se contemplando o filho já rapaz que a visitava, e vinha-lhe um riso curto e repentino, seguido por comentário relacionado a ele quando criança; coisa de que ela se lembrava e achava graça. A voz tirante a grave; o rosto de traços rústicos; o sobrecenho carregado, o olhar cor de terra sombria. O semblante fechado e um ar pensativo de quem parecia aceitar resignadamente o rumo tomado por sua vida. Vê-la assim era doloroso para o filho, por conta do sentimento de compaixão que o perseguia.

A mãe tinha uma violinha velha, ponteava trechos de modinhas e era comovente. Lembrava-se de seus tempos de moça. Isso também doía no filho, incomodava-o imaginar a mocidade da mãe e seus sonhos perdidos. A pobre mãe. Morava numa casinha simples, humilde, em cidade do interior, onde preferia ficar. Não se da­va bem na capital em que o filho re­sidia. Em sua pró­pria ca­sa, mantinha sobre uma pequena mesa a “máquina de costura de mão”, como então se dizia da máquina sem pedal, tocada a manivela; e costurava por encomenda, a mãe. Por certo que também tinha lá sua vida particular, algum namorado ocasional. Tocava sua vida. Já o filho caçula numa vida andarilha, buscando seu próprio caminho.

A terra cobre a sepultura no Parque Memorial. Valdemar se foi. O pai. Aonde vai agora, assim sozinho? Ouve-se pelo “campo” o voar de um passarinho.

O sopro do vento Mas, olha só, o menino que se foi com os demais, deixou seus rastros por aqui, escritos no pó, como se a dizer que um dia os ventos voltam e os tempos se reencontram. Os meninos por escrito. Demiro, Divino, Aparecida, Valdinho. Folga sabê-los ainda vivos. Saídos do tempo cíclico para o tempo interior da ficção, a cavalo de letras, com a língua de trapo do fio narrativo. O conto como se conta pelo fio, num colar de contas-de-lágrimas.

Os ventos que voltam, que cinzas sopram agora? Os tempos de volta, o que contam do que foi embora um dia? Que rosto de dor agora se contrai e se mostra dos meninos? Que rosto lhes resta, em ruínas?

“Que mal pergunte, o se­nhor é parente do me­nino que está procurando? É mes­mo?! Mas então é o se­nhor mesmo?! O­ra, ora, quem ha­ve­ria de imaginar? Esse mundo dá mesmo suas voltas.”

Ele mesmo que se procura, um pouco se reencontra. A velha casa ali ao lado, soturna, silenciosa. Um livro que se fecha no tempo. Por dentro, quem sabe? O espírito do passado, por suposto que não inteiramente morto. “Vivo! Ele está vivo! Abriu os olhos! Mexeu ali!” Os gritos das curicacas. Que o menino virou personagem de livro. Ali, feito fantasma. Uma sombra que se move no desemboque das palavras.

Valdivino Braz é jornalista e escritor.

Nota: o conto aqui publicado, misto de prosa poética, foi vencedor da primeira etapa, em seleção regional (Centro-Oeste), da 14ª Edição do Concurso Cultural Talentos da Maturidade, promovido, em âmbito nacional, pelo Banco Santander (Santander Cultural/Ministério da Cultura). Agora revisto e reestruturado, posteriormente o conto será acrescido de uma segunda parte, ainda em processo de elaboração. O título do conto inspira-se no nome do filme norte-americano “Alice Não Mora Mais Aqui”, de 1974, dirigido por Martin Scorsese, com roteiro de Robert Getchell.

O tempo passa como um rio que nos olha sem parar

[caption id="attachment_16251" align="alignright" width="620"]Lori McNamara Lori McNamara[/caption]

Graça Taguti Especial para o Jornal Opção

Era um folguedo antigo, lembra? Jogar bolas de gude, no cimento da pra­ça. Ou tampinhas de refrigerante. Como é também um tanto desbotada a palavra folguedo, mas que goza, entretanto, de um frescor artesanal. Frescor que passeia livre em nossas pueris lembranças.

Nossos olhos já brincavam de ziguezaguear à toa, se intrometendo em nossas infâncias, algumas travessuras mescladas ao sumo de maduras carambolas, roubadas gostosamente do pé da casa das tias ou vizinhas.

Depois nossos olhos cresceram, adolesceram e foram jogar boliche, sempre redondas, pesadas e incertas bolas, buscando acertar metas no longo corredor comprido e encerado. Diversão noturna, regada à cerveja, azarações, alguns eventuais ficantes no pulsar das madrugadas promissoras.

Mais tarde, entramos na sinuca dos bares. Jeito cool, meio mafioso, as bolas, o taco nem sempre preciso, a bola sete, estratégias e desvios simultâneos no entrechoque destes olhos rolando a esmo na mesa de feltro.

Sem que imaginássemos, porém, perdemos certa vez nosso dinheiro e, com estas bolas-olhos-de-viver-aos-solavancos, fomos com um esfaimado sorriso circense exercer malabarismos nos nevrálgicos abre-e-fecha dos sinais de trânsito.

Eram todos olhos metafóricos os nossos aqui descritos. Você já reparou? Os da infância, perdidos em superfícies cimentadas. Glóbulos de retina exposta a aventuras inexperientes e verdes ainda, piscando buliçosas e irrequietas traquinagens.

O boliche, a sinuca, o fascínio da sedução redonda, ultrapassando sinais de trânsito, definiam eventuais percursos ou distrações dos nossos olhos. Até então a malícia estava em greve, sonolenta, desconhecida e distante dos nossos neurônios e da nossa curiosa visão — sentido, aliás, explicitamente alerta, filtrando cores e fatos, acoplados nas membranas de paisagens do mundo.

Aí nossos olhos tomaram outros rumos. Foi quando a maturidade bateu à porta de nossa razão afoita e já um tanto embebida em inaugurais malícias. Os olhos esconderam-se ladinos na saliva ambiciosa de porta-joias, na conta corrente surrupiada do quase noivo. Na gula adornada por azeitonas importadas, em tentação nos couverts de restaurantes caríssimos, untados a pompa, elegância e cardápios únicos.

Nossos olhos também, sem mandar recado, escorregaram em relacionamentos fortuitos e se perderam rapidamente nos muitos outros rondando à nossa volta. Olhos que eram teus, por acaso. Eles ansiavam gritar “Amor, amor”, mas sem quaisquer sinais de emissão sonora.

Gritar em silêncio vítreo e corajosamente honesto, algum assustado sentimento, desatrelado das tecnologias do século 21.

A fuga, contudo, anunciava-se embutida neste encontro, quando nossos olhos se adesivaram a outros e aos teus.

Sim, porque, havia aqueles olhos outros, aficionados no redondo das bolas de futebol, rolando no milionário gramado junto aos pés dos nossos ídolos. As irresistíveis luvas e prêmios dos clubes internacionais.

Até que os smartphones invadiram nosso presente e a premência de atualíssimas intenções touch, apartadas da simples, aveludada e erótica tatilidade entre humanos.

Telas de amoled, sistemas operacionais velocíssimos. Os olhos se hipnotizaram com as premissas de tantos aplicativos e viagens nas redes virtuais.

De novo pularam fora as órbitas. Rejeitaram namoros licorosos em eloquente início. Saltaram para micro telas reluzentes e obedientes, afixadas em nossas mãos e dedos, nossas incansáveis e polivalentes gueixas digitais.

Atualmente circula nas ruas de países aflitos ardorosa campanha cingida aos retornos dos olhos à sua função de olhar, poetizar, admirar, contemplar as luzes e suas sombras no decorrer dos tempos e das horas mortas.

Olhos que aplaudam encantados todas as nuances de estações provisórias, aterrissadas nos vastos continentes da imensa geografia do planeta.

Que se intrometam em jogos de praça, bolinhas de gude inocentes, ou painéis digitais-eletrônicos consoles sofisticados e ultrassensíveis, viciados no comando de games complexos.

Mas que não desistam, estes olhos de vidro, de se recolarem plenos aos nossos rostos sedentos por contato. Que insistam sempre, estes olhos úmidos, em cerrar as pálpebras devagar. Não apenas durante o sono. Que fiquem à espera de delicados e mornos beijos.

Porque estes beijos e estes olhos macios ainda existem e resistem hoje . Mesmo que você duvide, eles existem e insistem. São carinhos apaixonados, embora sutis às vezes. E felizmente nada tecnológicos.

Graça Taguti é escritora e jornalista.

via Revista Bula

Nova pesquisa coloca Miranda com 14% à frente de Sandoval

t1Na pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), realizada pela empresa Vetor, o candidato a governador Marcelo Miranda (PMDB) aparece com 48% das intenções de voto, contra 34% de seu principal adversário, governador Sandoval Cardoso (SD). Uma vantagem, portanto, de 14%. Foram entrevistados mil eleitores, distribuídos em 39 municípios do Estado, entre os dias 20 e 22 de setembro de 2014. A Vetor assegura que a margem de erro é de 3,1% para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TER) sob o número 00035/2014. No quesito rejeição, Miranda aparece com 19% dos eleitores consultados e Sandoval com 20%. Os menos rejeitados, porém menos conhecidos, foram Luiz Cláudio (PRTB), Eula Angelin e Carlos Potengy, todos com 5%.

Senador

Para o Senado, a candidata Kátia Abreu (PMDB), que tenta a reeleição, continua também na dianteira, com 44% das intenções de voto, seguida de Eduardo Gomes (SD), com 19%, e Sargento Aragão (Pros), com 10%.

Críticas infundadas sobre exonerações

O governador e candidato à reeleição Sandoval Cardoso (SD) foi infeliz ao criticar o seu adversário Marcelo Miranda (PMDB), quando este falou que vai exonerar todos os servidores comissionados da administração. Primeiro, admitiu num ato falho, que Miranda será eleito; e, segundo, que em toda mudança de mandato, no novo chefe do Executivo, por força da lei, tem que encerrar todos os contratos especiais e também goza do privilégio de nomear os seus assessores de confiança. Isso é praxe na administração pública. Pode até ser que ele aproveite alguns servidores técnicos de carreira a sua gestão. “Eu vou fazer uma mudança radical. Todos os servidores comissionados terão que entregar os cargos, eu quero receber o Estado sem pessoas em cargos em comissão”, disse Miranda na entrevista que concedeu ao Jornal do Tocantins, na semana passada.

Descaso com os produtores culturais

No encontro com a classe artística, Marcelo Miranda quetionou o fato do atual governo ter desmontado a Secretaria Estadual da Cultura e a Fundação Cultural, além de abandonar todos os projetos do setor, a começar por não honrar os compromissos de aplicação do Fundo Estadual de Cultura, uma lei criada quando da sua administração. O candidato relembrou as bibliotecas que instalou em sua administração, bem como as reformas que fez em parceria com a Funarte em vários espaços culturais e, de forma especial, citou o projeto Brasil-França, em que pôde levar vários artistas do Estado para que se apresentassem em Paris. Marcelo Miranda também adiantou que vai voltar com o Salão do Livro e criar um canal permanente de diálogo com artistas e produtores culturais.

“O tempo da perseguição está chegando ao fim”

A senadora Kátia Abreu assegura aos eleitores tocantinenses que o tempo de perseguição e incompetência está no fim, e que vai ajudar o governador Marcelo Miranda a criar projetos que vão resgatar a cidadania do povo do Tocantins, com um governo disponibilizando saúde de qualidade, educação de tempo integral, com cursos técnicos e uma gestão compartilhada e valorizando a vocação agropecuária do município e de toda região. “Este atual, governo criado através de um golpe de Estado, com renúncias que deixaram revoltados todos os tocantinenses, está prestes a ter fim, e vamos começar um novo tempo”, apregoa Kátia Abreu.

Balanço da atuação parlamentar

No balanço que faz de sua atuação parlamentar pelo interior do Tocantins, durante contatos com a população e lideranças regionais, Kátia Abreu cita que conseguiu junto à presidente Dilma recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de cinco hospitais no Estado, o de Araguatins, de Augustinópolis, de Araguaína e de Palmas, e lamenta que até agora as obras não tiveram início por absoluta incompetência e má vontade do governo.

Senadora quer o TO como Estado da logística

A senadora e candidata à reeleição Kátia Abreu (PMDB) defende que para o Tocantins se tornar o Estado da logística – e tem potencial para isso – precisa lutar para construir todas as rodovias e pontes que fazem a integração regional. A Senadora frisa que o Tocantins se destaca em nível nacional como a última fronteira agrícola do mundo e que as obras de infraestrutura são indispensáveis, pois são fatores de incremento à produção e redução dos custos.

Motoristas podem entrar em greve

Os motoristas do Estado podem entrar em greve, caso o governo não apresente uma solução definitiva para o pagamento das diárias atrasadas, nesta segunda-feira, 29. “Caso não haja uma solução até aquela data, os motoristas ameaçam cruzar os braços até que todas as diárias atrasadas sejam pagas”, afirma.

Postura demagógica

Com uma postura eminentemente eleitoreira, só agora no final da campanha eleitoral, Sandoval Cardoso vem dizendo que pretende fazer ajustes na máquina administrativa, incentivando os servidores para que o Estado possa aumentar sua arrecadação. Por que não tentou fazer isso antes, quando assumiu o governo numa eleição indireta? À época, o próprio Sandoval admitiu que a administração não estava bem.

Aragão defende novo pacto federativo

O deputado Sargento Aragão (PROS), candidato ao Senado, vem defendendo o fortalecimento dos municípios num novo pacto federativo. Aragão destaca que é preciso descentralizar as verbas da União e critica a falta de um pacto federativo que beneficie as comunidades e não o poder central.

Sandoval perde a estribeira

O governador e candidato à reeleição Sandoval Cardoso pisou na bola mais uma vez. Em um debate na TVE, emissora oficial afiliada da TV Cultura, na semana passada, disse que a candidata a governadora Eula Angelin (Psol) é “laranja” e está a serviço da candidatura de Marcelo Miranda. Eula pediu provas disso e deixou o governador em maus lençóis. “Sintoma de desespero. Estou tomando medidas eleitorais possíveis, porque ele não teve ética. Se eu não fiz pergunta ao Marcelo Miranda é porque ele não compareceu ao debate. Não cabia o governador ter atacado somente a mim”, disse a candidata do Psol.

Miranda garante incentivo à cultura

O candidato a governador Marcelo Miranda (PMDB) assinou um compromisso que, dentre outras coisas, prevê a recriação da Secretaria Estadual da Cultura, a real aplicação dos recursos do Fundo Estadual da Cultura, durante recente encontro com a classe artística do Estado. Miranda defendeu uma maior participação da sociedade civil no Conselho Estadual de Cultura e o respeito à política de editais de cultura como forma de democratizar e dar transparência ao financiamento público de projetos no setor.

Prodoeste perde R$ 160 milhões

A senadora Kátia Abreu informou que só do Prodoeste, (Programa de Desenvolvimento do Sudoeste do Tocantins), o Estado está perdendo 160 milhões de Dólares. “Só por causa de uma contrapartida, que existe em qualquer parceria pública, o nosso povo do está perdendo um dos maiores programa de agricultura irrigada do mundo, conquistado por todos nós com sacrifício”, disse.

Deputado ataca senador

Durante sessão ordinária de terça-feira, 23, na Assembleia Legislativa, o deputado Stalin Bucar (SD) chamou o senador e candidato a governador Ataídes Oliveira (Pros) de moleque. Isso porque o senador havia criticado os deputados durante debate na TVE, no dia anterior. Ataídes havia acusado o governo do Estado, durante a gestão do ex-governador Siqueira Campos (PSDB), de desviar dinheiro do Igeprev para pagar mensalão aos deputados tocantinenses, visando garantir a eleição indireta de Sandoval Cardoso. “Um sujeito desses (Ataídes) que está eleito senador porque passou na porta do cemitério, não teve voto, fica falando do Siqueira, cuspindo no prato que comeu. Vem num debate em público acusar todos os parlamentares. Quando fazemos uma denúncia, nós dizemos quem é. Esse senador é um moleque, é um adjetivo que encaixa bem nele”, revidou Stalin Bucar.