A plataforma de viagens Uber lançou nesta semana a funcionalidade Uber Mulher, voltada para usuárias do sistema. A ferramenta permite que mulheres e pessoas não binárias solicitem viagens apenas com motoristas mulheres. A medida integra uma iniciativa da empresa para combater a violência de gênero e promover maior conforto às passageiras.

Além de Goiânia, a funcionalidade estará disponível em outras 12 capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife, Manaus, Fortaleza, Belém, João Pessoa, São Luís e Cuiabá.

Segundo a diretora-geral da Uber no Brasil, Silvia Penna, a novidade busca atender a uma antiga demanda das passageiras por mais tranquilidade e segurança durante as viagens. “Sabemos que essa é uma demanda das brasileiras há bastante tempo. Em vários lugares que vou, muitas pessoas me procuram e contam como ficam felizes quando entram no Uber e veem uma motorista mulher, pois se sentem mais tranquilas ali no banco de trás”, afirmou.

A ferramenta funciona em três modalidades: definição de preferências no perfil, agendamento prévio de corridas e solicitação imediata por meio de uma categoria específica. O objetivo central, segundo Silvia, é otimizar a experiência feminina na plataforma.

A motorista de aplicativo Elizeth Moura comemorou a medida como um avanço em segurança e conforto tanto para passageiras quanto para motoristas. Segundo ela, muitas mulheres se sentem mais tranquilas ao viajar com outras mulheres. “As mulheres sempre gostam de viajar mais com outras mulheres. Elas se sentem mais seguras”, afirmou.

Elizeth também acredita que a ferramenta pode atrair usuárias que atualmente deixam de usar o aplicativo por medo. Ela cita o exemplo de uma passageira que relatou evitar corridas sozinha por insegurança, mas que passaria a utilizar o serviço caso pudesse solicitar apenas motoristas mulheres.

Por outro lado, a motorista Kleidiane Custório apresenta uma visão mais crítica e pragmática da funcionalidade. Para ela, a ferramenta pode não ser vantajosa para as motoristas, pois “limita muito” a demanda da plataforma. “Em outros aplicativos com função similar, enquanto se fazem três corridas no modo normal, faz-se apenas uma no modo exclusivo para mulheres”, afirmou.

Kleidiane também pondera que viajar com uma motorista mulher não é necessariamente sinônimo de segurança. Segundo sua experiência, em alguns casos mulheres são usadas como “iscas” para atrair motoristas para assaltos cometidos por homens.

Ela ainda destaca uma redução no número de motoristas ativos na plataforma, associada aos altos custos de combustível, às taxas cobradas pelos aplicativos e às despesas com manutenção dos veículos. “Eu mesma, por exemplo, voltei para a minha área de pedagogia. Hoje estou em uma coordenação escolar, e a Uber virou um bico para complementar renda”, disse.

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