Júnior Kamenach e PH Mota
Colaboração de Felipe Fulquim

A banda de rock brasileira CPM 22 se apresentou, neste sábado, 27, em Goiânia, pela turnê que comemora 25 anos de carreira. Hoje, a banda tem 28, mas o projeto teve início antes da pandemia e precisou ser interrompido durante as comemorações. O show ocorreu no Centro Cultural Oscar Niemeyer e contou com um repertório mesclado de clássicos e músicas novas.

Após a apresentação, o vocalista do CPM 22, Fernando Badaui, falou com o Jornal Opção sobre a turnê da banda e o longo tempo de carreira. Para ele, escolhas certas e o amor pela música podem ser os segredos de quase três décadas de sucessos.

Badauí refletiu ainda sobre novos objetivos para o grupo e sobre a relação da música com a política no país.

Percebi que você deu uma mesclada no repertório. Como fazer para se manter atual?

Acho que é o que eu sempre digo: amor pelo trabalho, escolher os passos certos. São milhões de decisões grandes e micro, no dia a dia, que a gente tem que saber o que está fazendo, sempre valorizando a marca, sendo verdadeiro com nossa postura. Se você olhar, 28 anos tocando esse tipo de música é uma marca grande, mas foi construída passo a passo, dia a dia, entre altos e baixos. Então, realmente é uma coisa que é definida pelas escolhas que você faz. A gente sempre procura acertar e ser fiel ao tipo de música que a gente ama. Hoje em dia é um pouco mais fácil também. Não é fácil a palavra, é um pouco menos complicado, porque a gente sabe a identidade que tem, experiência suficiente para saber o que está fazendo, mas mesmo assim nunca é uma certeza. Então, acho que sempre ser fiel ao que você se propõe a fazer desde o começo e manter a nossa verdade, o que acredita. Não tem muito segredo.

Badauí conversou com Jornal Opção, no camarim, após o show | Foto: Juliana Brockestayer

No show percebemos que tinha muitos pais e filhos. Como é tocar para mais de uma geração?

Quando a banda faz sentido ao longo de tantos anos, quase 30, você vê que esse público continua com a gente. O cara sai de casa, vai ver o show. E espero que não seja só o CPM 22, mas com as bandas similares a gente, que estão no mesmo contexto. Isso também é até uma situação que me deixa confortável, porque hoje a gente sabe para quem fala, para nossa base, então acho que ver pais e filhos assim no nosso show enche de orgulho.

Durante o show você falou a respeito do sentimento que você queria que o país tivesse com a banda de rock. Como é essa questão de posicionamento político para a banda?

Acho que a gente pode ter diferenças de ideais, visões diferentes, desde que seja dentro da democracia, que exige diálogo. O coração da democracia é você ter pensamentos diferentes, mas que haja diálogo, porque quando deixa de ter vira uma coisa autoritária. Isso pode ser em um governo de extrema direita, quanto em um de extrema esquerda, porque temos também exemplos no mundo. Em relação ao que falei do sentimento, você vê nas redes sociais uma lavação de ódio, você posta uma coisa qualquer e as pessoas começam a te xingar do nada. Sei que tem muita gente que vem no show, gosta da banda e de repente não concorda com uma visão ou outra minha. Entendo, desde que tenha argumento, respeito, saiba ouvir. Então, o que eu falo em relação a isso nos shows é justamente para poder viver em harmonia.

CPM 22 chega a quase 30 anos de carreira com destaque no rock nacional | Foto: Felipe Fulquim

Com 28 anos nessa turnê comemorativa, o que vocês ainda não fizeram e ainda sonham em realizar?

Não sei dizer como banda, porque a gente é uma banda realizada. Posso ter um reconhecimento internacional, sem ser para brasileiros, mas não depende do CPM e sim da cultura do mundo, porque o inglês é a língua principal do mundo. Às vezes você vê banda de metal que tem mais essa abertura, porque quer ouvir o som mais agitado, mas não sabe muito o que está falando, mas realmente a gente tem uma língua que não é tão privilegiada nesse sentido de poder falar com outros países. Já fiz várias turnês fora do Brasil, mas sempre para brasileiros. Acho que é o sonho que tenho, não só para o CPM, mas para toda música brasileira.