Mortes no Líbano ultrapassam 4 mil mesmo após cessar-fogo entre Israel e Hezbollah
21 junho 2026 às 17h50

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O número de mortos em decorrência da ofensiva militar de Israel no Líbano ultrapassou a marca de 4 mil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde Pública libanês. O balanço mais recente aponta 4.057 vítimas fatais e 12.121 feridos desde o início da escalada do conflito, em 2 de março.
Somente nas últimas 24 horas, as autoridades de saúde registraram 83 mortes e 141 feridos após novos bombardeios israelenses contra regiões do sul e do leste do país. Entre as vítimas estão três crianças.
As cidades de Nabatiyeh e Harouf foram as mais atingidas pelos ataques, registrando 17 e 10 mortes, respectivamente. O Ministério da Saúde alertou que os números podem aumentar à medida que equipes de resgate avançam nas áreas afetadas.
Entre os mortos está um integrante das Forças Armadas libanesas, que não resistiu aos ferimentos sofridos durante um ataque na cidade de Touline, no distrito de Marjayoun, no sul do país. Outro militar também morreu neste sábado após um bombardeio atingir a região por onde trafegava.
Escalada ocorre apesar da trégua
Os ataques foram registrados mesmo após a entrada em vigor de um novo cessar-fogo entre Israel e o grupo xiita Hezbollah. O acordo havia sido anunciado na sexta-feira, 19, e o movimento libanês confirmou oficialmente sua adesão.
Apesar disso, o Hezbollah acusou Israel de desrespeitar os termos da trégua e afirmou que ocorreram cerca de 180 violações em apenas um dia. Segundo o grupo, os ataques resultaram em aproximadamente 20 mortes e atingiram diversas localidades do território libanês.
Em comunicado divulgado por seus canais oficiais, a organização classificou como falsas as acusações israelenses de que teria iniciado ataques após o início do cessar-fogo.
“O que está acontecendo não pode mais ser considerado apenas uma violação da trégua, mas sim a continuidade da guerra em todos os seus aspectos”, afirmou o grupo.
Troca de acusações
Por sua vez, as Forças de Defesa de Israel afirmam que o Hezbollah lançou mais de 50 projéteis contra posições israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo. O Exército israelense sustenta que as operações militares têm como objetivo neutralizar ameaças na fronteira norte do país.
O Hezbollah, no entanto, afirma que suas ações foram uma resposta à presença de tropas israelenses em áreas consideradas território libanês ocupado.
A organização também acusou Israel de descumprir acordos anteriores firmados em novembro de 2024, abril de 2026 e outros entendimentos negociados nos últimos meses com mediação internacional.
Apelo por pressão internacional
Diante da continuidade dos confrontos, o Hezbollah pediu que a comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, pressione Israel para cumprir os acordos firmados e interromper os ataques.
O grupo também responsabilizou o governo israelense pela manutenção da escalada militar e afirmou que autoridades do país já manifestaram publicamente resistência à retirada de tropas de áreas ocupadas no sul do Líbano.
A nova deterioração da segurança aumenta a preocupação internacional sobre a possibilidade de ampliação do conflito no Oriente Médio, especialmente em um momento de tensão regional envolvendo Israel, Irã e grupos armados aliados de Teerã.
Enquanto as acusações entre os dois lados continuam, milhares de civis seguem expostos aos efeitos dos confrontos, que já provocaram uma das maiores crises humanitárias da história recente do Líbano.



