Entenda a teoria dos golfinhos suicidas no conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos
13 maio 2026 às 08h17

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Uma pergunta inusitada chamou atenção durante uma entrevista coletiva no Pentágono, no último dia 5 de maio, em meio às discussões sobre o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã: afinal, o Irã estaria usando “golfinhos suicidas” na guerra?
A questão foi feita por um jornalista do jornal americano The Daily Wire ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Em tom descontraído, ele respondeu:
“Não posso confirmar nem negar a existência dos nossos próprios golfinhos suicidas, mas posso confirmar que eles não têm nenhum.”
O comentário foi reforçado pelo general Dan Kaine, que ironizou a situação. “Parece a história dos tubarões com raios laser, não?”
A brincadeira surgiu após uma reportagem do jornal The Wall Street Journal afirmar que autoridades iranianas cogitavam usar “golfinhos equipados com minas” para atacar navios americanos no estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
O uso militar de golfinhos é real?
Apesar de parecer cena de filme, o uso militar de golfinhos existe há décadas. Países como Estados Unidos e Rússia já desenvolveram programas para treinar mamíferos marinhos em missões militares.
Os animais são treinados para localizar minas submarinas, detectar mergulhadores inimigos e proteger bases navais. Em alguns casos, relatos antigos também mencionam treinamentos para ataques contra embarcações.
Nos anos 1990, surgiram informações de que o Irã teria comprado golfinhos treinados da antiga União Soviética, após o colapso soviético provocar cortes de verba nos programas militares.
Segundo reportagens da época, os animais teriam sido levados da Crimeia para o Golfo Pérsico junto com focas, leões-marinhos e até uma baleia beluga.
Como funcionavam os treinamentos?
Os golfinhos eram treinados por especialistas russos para missões militares específicas. Entre as funções atribuídas aos animais estavam localizar minas submarinas, identificar mergulhadores inimigos, proteger embarcações, carregar explosivos presos ao corpo e ajudar na captura de invasores em áreas marítimas.
Relatos da época diziam ainda que alguns golfinhos conseguiam diferenciar submarinos aliados de embarcações inimigas pelo som das hélices.
EUA e Rússia ainda usam golfinhos militares
Os Estados Unidos mantêm há décadas um programa de mamíferos marinhos em San Diego. Já a Rússia intensificou o uso desses animais no porto de Sebastopol desde o início da guerra na Ucrânia, principalmente para proteger embarcações e combater mergulhadores.
Além deles, há especulações de que países como a Coreia do Norte também tenham estruturas semelhantes, após imagens de satélite mostrarem instalações para golfinhos.
Ex-presidente do Irã negou uso militar
O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani chegou a comentar o assunto em suas memórias. Ele confirmou a chegada de animais marinhos vindos da Ucrânia, mas negou que fossem usados para fins militares.
Segundo Rafsanjani, os golfinhos e outros animais seriam apenas atrações e estudos marinhos. Ainda assim, ele descreveu os mamíferos como extremamente inteligentes e obedientes aos treinadores.
Uma observação curiosa feita pelo ex-presidente chamou atenção:
“Os golfinhos obedeciam a quase todas as ordens. Mas, quando colocavam música, eles simplesmente não obedeciam.”
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