Vinte municípios goianos foram selecionados para participar da elaboração de planos de adaptação às mudanças climáticas, em uma iniciativa que busca preparar as cidades para enfrentar eventos extremos como secas prolongadas, ondas de calor, enchentes e incêndios florestais. A proposta integra o programa federal AdaptaCidades, ao qual Goiás aderiu em 2025.

Entre os municípios escolhidos estão Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Catalão, Trindade e Senador Canedo. A seleção levou em conta fatores como incidência de queimadas, alterações no regime de chuvas, ausência de vegetação nativa e densidade populacional — critérios usados para identificar cidades mais vulneráveis aos impactos climáticos.

“Embora só 20 municípios tenham sido selecionados, a Semad reforça que todos os outros podem participar da jornada de adaptação climática e acessar os conteúdos formativos disponibilizados. A proposta é ampliar a cultura de planejamento climático em todo o estado, fortalecendo a resiliência urbana, a segurança hídrica, a proteção ambiental e a qualidade de vida da população goiana”, afirma Natália.

Na prática, os municípios já iniciaram a chamada trilha de conhecimento do programa, com acesso a cursos voltados à elaboração dos planos de adaptação. A próxima etapa prevê capacitação técnica de gestores e equipes municipais para diagnosticar riscos locais, definir prioridades, estabelecer metas e estruturar estratégias de prevenção e resposta a eventos extremos.

A expectativa é que cada cidade desenvolva um plano próprio, alinhado às suas características regionais e às diretrizes nacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.

Em Goiás, os efeitos da crise climática já aparecem principalmente no aumento das temperaturas e na redução da disponibilidade hídrica. Mudanças no padrão das chuvas, períodos mais longos de estiagem e o avanço das queimadas no Cerrado estão entre os principais desafios ambientais enfrentados pelo estado.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da plataforma MapBiomas indicam que o Cerrado está entre os biomas mais afetados por incêndios no país. O aumento das temperaturas, aliado à intensificação dos períodos secos, amplia o risco de novos focos.

No campo dos recursos hídricos, a irregularidade das chuvas compromete o abastecimento em diferentes regiões. O calor mais intenso também aumenta a perda de água do solo por evaporação e pela transpiração das plantas, agravando o estresse hídrico e impactando o consumo humano, a produção agropecuária, a indústria e o equilíbrio dos ecossistemas.

A Semad destaca ainda que a preservação da vegetação nativa é estratégica para aumentar a capacidade de adaptação dos territórios. Essas áreas influenciam diretamente a infiltração da água no solo, a proteção de nascentes e a conservação da biodiversidade.

Outro ponto considerado na análise é a densidade populacional, que permite identificar municípios onde os impactos climáticos podem atingir mais pessoas e orientar melhor a aplicação de recursos e políticas públicas, com foco em adaptação e justiça socioambiental.

Cidades selecionadas:

  • Águas Lindas de Goiás
  • Anápolis
  • Aragarças
  • Bom Jesus de Goiás
  • Caldas Novas
  • Catalão
  • Ceres
  • Cidade Ocidental
  • Goiânia
  • Goianira
  • Goiatuba
  • Hidrolândia
  • Iporá
  • Itumbiara
  • Nerópolis
  • Palmeiras de Goiás
  • Pires do Rio
  • Rio Verde
  • Senador Canedo
  • Trindade

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