Embora seja um dos países mais atingidos por raios no mundo, os incêndios florestais registrados no Brasil provocados por esse fenômeno natural são mínimos. Os incidentes representam 5% contra 95% de ação humana (intencional ou não). A informação é de uma pesquisa da Análise do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e divulgada pelo jornal O Globo, neste domingo, 26.

Para se ter ideia, no Pantanal o percentual de fogo causado por raios é baixo. O percentual chega a apenas 1% do total. As informações são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ). Já na Amazônia, que nos últimos anos bateu recorde de incêndios, as descargas elétricas, de acordo com o ELAT, não causam incêndios florestais significativos. Além disso, se tornam menos frequentes.

“A quantidade de incêndios causada por raios é mínima no Brasil. Além disso, é extremamente difícil que raios provoquem incêndios de grandes proporções. Quase a totalidade dos focos de fogo é muito pequena”, enfatiza o coordenador do ELAT, Osmar Pinto Júnior.

Ele salienta que o motivo de menos fogo é que os raios costumam estar acompanhados por chuva, o que impede a propagação das chamas pela vegetação. Por isso, Pinto Júnior pontua que a maioria dos focos se extingue sozinha ou é suprimida sem se alastrar.

Incêndios pelo mundo

No País, que há discrepância entre clima, como quente e úmido, o perfil para incêndios florestais é bastante associado aos raios. Isto se diferencia, por exemplo, de outros países, como o Canadá. Lá, as descargas elétricas naturais causam 50% dos incêndios florestais. Assim também, nos EUA, onde representam de 15% a 20%, segundo o ELAT.

Nesses países são apontados fatores como tipo de vegetação e solo, o que influencia significativamente a maior vulnerabilidade ao fogo. Outro fator é que há menos incêndios provocados por ação humana.

Campeão de raios

O Brasil é campeão mundial em descargas elétricas atmosféricas. O ELAT lembra que, no ano passado, foram registrados a queda de 191.419.672 raios. De janeiro a outubro deste ano, foram 172.355.248 descargas, mais do que os 147.187.088, registrados no mesmo período de 2022. Entretanto, na Amazônia a ocorrência ocorre ao contrário, quando queda de raios recua ano a ano.

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