João Cezar Pierobon não era um, era vários, era múltiplo. Era um engenheiro competente — da estirpe dos sábios — e um intelectual de primeira linha (leitor do crítico literário Harold Bloom e apaixonado pela música revolucionária e reverberante de Schoenberg). Ele era capaz de fazer tantas coisas — como literatura e ensaios: “Condutor de Tochas”, “Ausência e Presença” e “Anjos Quebradores” (seus livros eram como filhos temporãos) — que os amigos (como o jornalista Wilson Silvestre) chegaram a sugerir, brincando, que era imortal. Não era, infelizmente.

O goianiense João Cezar Pierobon morreu na sexta-feira, 26, aos 84 anos. Ele teve um AVC, foi internado e teve um infarto. Ele era casado com a economista Sônia Pierobon, que dedicou sua vida, em larga medida, ao setor público, sempre com eficiência e descortino.

Formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Cezar Pierobon foi professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Ele trabalhou em vários projetos na área de recursos hídricos, como o Projeto de Transposição do Rio São Francisco para o Nordeste Setentrional. Depois de ter brilhado na Saneago, como auxiliar direto do presidente da companhia, Geraldo Félix de Sousa (já falecido), João Cezar Pierobon foi para a Codevasf (nos bons tempos deste órgão).

João Cezar Pierobon era membro da Associação Goiana de Imprensa e da União Brasileira de Escritores-Seção de Goiás. Ele nasceu, em Goiânia, em 26 de novembro de 1938.

A despedida — Poema de João Cezar Pierobon

Sempre foi partida. Despedida.

sempre foi distância.

Angústia de nunca mais! Ah! Adeus!

Sempre foi presença. Ausência.

Sempre foi proximidade. Separação.

Amor, vencedor de todos os meus Eros.

Nos olhos. As lágrimas.

Nos lábios. O silêncio. Adeus!

No coração a chama.

A volta! A volta!

Nas mãos. Nos corpos.

O estar ali. No abandono.

Um dedo na boca que não fala.

Adeus!