O que era só uma canjica pode virar um alerta: festas juninas ajudam a identificar alergias alimentares
12 junho 2026 às 15h01

COMPARTILHAR
Com a chegada das festas juninas, mesas repletas de pamonha, curau, canjica, arroz doce, bolo de milho, pé de moleque e paçoca passam a fazer parte da rotina dos goianos. Mas, junto com os sabores tradicionais da época, aumenta também a atenção para alergias e intolerâncias alimentares, já que muitos dos ingredientes presentes nessas receitas estão entre os principais causadores de reações adversas.
Especialistas observam que o período costuma levar mais pessoas aos consultórios por causa de sintomas que aparecem após o consumo de alimentos típicos. Em muitos casos, porém, o desconforto não está relacionado a uma alergia alimentar.
Segundo o médico alergista, imunologista e otorrinolaringologista Márcio Niemeyer, as festas juninas costumam expor as pessoas a alimentos consumidos com pouca frequência ou em quantidades maiores do que o habitual.
“Durante períodos festivos, como as festas juninas, é comum que as pessoas consumam alimentos que não fazem parte do dia a dia ou em quantidades maiores do que o habitual. Muitas vezes, isso acaba revelando sintomas que estavam passando despercebidos”, afirma.
Após exageros alimentares, sintomas como gases, inchaço abdominal e desconforto digestivo são comuns. No entanto, essas manifestações nem sempre indicam alergia. Enquanto as intolerâncias costumam provocar sintomas gastrointestinais, as alergias alimentares podem causar coceira, urticária, inchaço, vômitos, chiado no peito e até quadros graves de anafilaxia.
“A anafilaxia é uma emergência médica. Ela pode surgir rapidamente após a ingestão do alimento e levar à morte se não for tratada adequadamente”, alerta o especialista.
Dados de entidades médicas apontam que as alergias alimentares afetam cerca de 6% das crianças e até 3% dos adultos em todo o mundo. No Brasil, a falta de notificações dificulta um levantamento preciso, mas especialistas observam aumento gradual dos casos. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia estima que entre 6% e 8% das crianças menores de três anos apresentem algum tipo de alergia alimentar.
Outro fator que chama atenção dos especialistas é o crescimento do autodiagnóstico. Nas redes sociais, conteúdos que relacionam sintomas diversos ao consumo de glúten, lactose ou alimentos considerados inflamatórios têm levado muitas pessoas a adotar restrições alimentares sem orientação profissional.
“Existe uma tendência crescente de demonizar determinados alimentos. Algumas pessoas passam anos evitando leite ou glúten sem necessidade real. Além dos prejuízos nutricionais, isso pode dificultar a identificação da verdadeira causa dos sintomas”, afirma Niemeyer.
De acordo com o médico, o diagnóstico de alergia alimentar deve ser feito com base na avaliação clínica e, quando necessário, complementado por exames específicos. A orientação é buscar acompanhamento médico antes de eliminar alimentos da dieta por conta própria.



