Parte da proposta de reestruturação da taxa judiciária foi revista pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) após críticas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). A nova versão do projeto reduz alíquotas previstas inicialmente e estabelece uma cobrança menor para processos de valores mais baixos. A mudança foi apresentada após a entidade questionar os possíveis impactos financeiros da medida e a falta de diálogo com a advocacia.

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, afirmou que o Tribunal demonstrou sensibilidade às reivindicações da Ordem, especialmente em relação às ações de menor valor, que, segundo ele, são importantes para garantir o acesso à Justiça de quem mais precisa.

“Quero aqui registrar a sensibilidade do Tribunal de Justiça, que compreendeu a demanda e nos trouxe algo inédito, que é redução das custas finais, redução das taxas judiciárias para os primeiros valores de entradas, ações de até R$ 40 mil”, afirmou.

O projeto original previa mudanças na forma de cálculo da taxa judiciária cobrada em processos cíveis. Além disso, a proposta ampliava de três para sete as faixas de cobrança, com alíquotas progressivas de acordo com o valor das causas. A nova redação mantém a divisão em sete faixas, mas modifica os percentuais aplicados.

De acordo com Rafael Lara, as alíquotas que estavam previstas em 0,30% e 0,35% foram reduzidas para 0,25% em determinados trechos da cobrança, o que diminui o valor final pago pelos jurisdicionados. A revisão também prevê aumentos menores em faixas intermediárias e evita reajustes que estavam projetados para causas de maior valor.

Na proposta original, a taxa judiciária poderia aumentar até 43,9% em determinadas faixas, especialmente em processos com valores entre R$ 30 mil e R$ 800 mil. Com a revisão, ações de R$ 40 mil e R$ 50 mil passam a ter previsão de redução da cobrança, em vez do aumento inicialmente estimado.

Além da revisão das alíquotas, o TJGO se comprometeu a criar um grupo de trabalho com participação da OAB-GO para discutir outros pontos relacionados às despesas processuais. Entre os temas que a entidade pretende levar ao grupo está o projeto “Criança Não Paga Custas”, voltado a facilitar a cobrança e a execução de pensões alimentícias.

A iniciativa busca evitar que despesas judiciais dificultem o acesso de crianças aos valores necessários para seu sustento. Para o presidente da Ordem, a discussão precisa ir além da taxa cobrada no início dos processos e alcançar outras despesas que podem pesar sobre os cidadãos.

“Então essas vão ser trabalhadas nesse grupo de trabalho”, disse Rafael Lara, ao mencionar a possibilidade de rever custas de inventários e taxas recursais, inclusive nos juizados especiais.

Segundo ele, a discussão sobre as taxas recursais ainda não faz parte da alteração imediata em debate. A expectativa é que o grupo de trabalho permita analisar essas cobranças e construir propostas de revisão.

OAB-GO cobra redução definitiva das custas

Apesar do avanço nas negociações, Rafael Lara avalia que o problema das custas judiciais em Goiás está longe de ser resolvido. Segundo ele, o Estado continua entre os que cobram os valores mais altos do país, o que exige uma discussão mais ampla sobre o modelo de cobrança adotado pelos tribunais brasileiros.

“As custas em Goiás continuam sendo uma das mais altas do país”, afirmou à reportagem.

Para o presidente da OAB-GO, uma solução definitiva depende de um debate nacional sobre o tema, com a uniformização dos critérios utilizados pelos tribunais para estabelecer as despesas judiciais.

A entidade havia criticado a tramitação inicial do projeto por considerar que a proposta foi encaminhada à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sem diálogo prévio com a advocacia e sem a divulgação dos estudos de impacto financeiro que embasaram a mudança.

Após as críticas, o TJGO abriu espaço para negociação e apresentou a revisão. Na avaliação de Rafael Lara, a mudança de postura pode contribuir para uma relação mais próxima entre as instituições.

“Acho que o cenário que nós temos é que o Judiciário entendeu a sensibilidade do tema, abriu as portas da advocacia, foi sensível com o assunto. Acho que a gente abre portas importantes de diálogo para esse debate”, afirmou.

Projeto ainda depende de votação

A proposta de reestruturação da taxa judiciária segue em discussão na Assembleia Legislativa. A revisão dos percentuais não encerra o debate sobre o impacto das cobranças, e deputados defenderam mais tempo para analisar o substitutivo apresentado pelo Tribunal.

A matéria recebeu pedido de vista coletiva na Comissão Mista. A audiência pública, inicialmente marcada para esta quarta-feira, 21, foi reagendada para 3 de novembro, conforme informações divulgadas pela Alego.

A expectativa da OAB-GO é que o texto revisado avance, mas a entidade pretende continuar acompanhando a tramitação e discutir outras formas de reduzir os custos para quem precisa recorrer à Justiça.

Se aprovada e sancionada, a proposta alterará a sistemática de cobrança da taxa judiciária em Goiás. Até a conclusão da tramitação legislativa, porém, as mudanças ainda não podem ser tratadas como definitivas.

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