O prefeito Sandro Mabel esteve presente nesta terça-feira, 30, no viaduto na Leste-Oeste com a Castelo Branco, em Goiânia, para detalhar os problemas enfrentados na obra parada, que teve início em 2023, na gestão passada.

Vistorias foram realizadas no local e comprovaram que o pouco que foi construído está comprometido. Segundo explicou Mabel, durante coletiva de imprensa, estudos técnicos estão sendo feitos para que seja possível salvar toda a estrutura sem que haja a necessidade de refazer do zero. “O problema que existe, é problema estrutural, tanto na ponte em si, como também nas placas que seguram o aterro. Se você olhar para o viaduto, você vai ver que ele está um pouquinho barrigado já, então elas precisam ser trocadas, porque elas não passam pelo teste que deveria ter de segurança. O viaduto, da mesma forma, nós então estamos fazendo esses estudos para que a gente possa fazer o reforço ou, em caso extremo, não tem jeito de fazer o extremo, vai demolir o viaduto”, explicou.

Prefeito diz que laudos vão definir se o elevado poderá ser recuperado, enquanto a prefeitura libera vias laterais para melhorar o fluxo de veículos | Foto: Mylenna Scheidegger/Jornal Opção

O prefeito também chamou a atenção para o desperdício de recursos, apontando que o prejuízo financeiro e estrutural é considerável. “Antes de você demolir uma obra dessa mal feita, uma porcaria de uma obra dessa daqui, você tem que tentar salvar, porque isso foi dinheiro público, quase 20 milhões de reais que foram empregados aí. Então nós não podemos simplesmente, ah, vamos derrubar e pronto”, desabafou.

Mabel apontou que, na visão de especialistas consultados, o erro foi tanto de execução quanto de qualidade do material, o que impediu inclusive o avanço de outras etapas da construção. “Olha a barriga que está fazendo bem na sua direção. Então não adiantava encabeçar do lado de cá. Nem do lado de lá está completo. Tudo faz parte da obra. Não fizeram do lado de cá porque detectaram que as placas não resistiam”, apontou, emendando que “é mais caro você refazer uma porcaria do que você fazer uma nova”.

A intenção da prefeitura é acionar a área jurídica para cobrar e executar judicialmente a empresa responsável pelos erros. “Se ela recusar pagar, uma cobrança judicial vai atrás do dono da empresa, mas nós não podemos ficar presos a isso, a cidade não pode ficar parada por causa dessas coisas”, garantiu. Diante disso, Mabel admitiu que já não foca no prazo final do laudo da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra). ” Eu já não estou nem trabalhando com esse prazo, que eu estou irritado com esses laudos, isso, aquilo, aquilo outro. Isso aí está por parte da Seinfra. Eu falei, eu quero que o contrato seja melhor. O contrato melhor dê uma solução definitiva. Enquanto isso, eu vou fazer a cidade andar”, afirmou. 

Para fazer a cidade andar, a administração municipal foca na construção e liberação das vias laterais para desafogar o trânsito da região, uma intervenção que deve levar entre 60 e 90 dias, caso não surjam novos contratempos. Para dar andamento aos trabalhos, concessionárias como a Equatorial e a Saneago já foram acionadas para realizar intervenções na sequência da obra. Mabel ressaltou que as vias marginais já faziam parte do plano original. “O viaduto, de qualquer forma, terá a via lateral. Isso não é uma improvisação que nós estamos fazendo, é uma via lateral que tem que ser construída de qualquer forma, então nós vamos construir as vias laterais e, enquanto se resolve, o que vai se fazer com esse viaduto.”

A decisão de priorizar as pistas laterais passou pelo crivo dos próprios goianienses por meio de uma consulta popular que ouviu cerca de 300 mil pessoas, das quais 90% concordaram com a liberação do tráfego pelas marginais enquanto o impasse do viaduto é resolvido. 

Outros entraves

Outro imbróglio antigo herdado pela atual gestão envolve processos de desapropriação que travaram o andamento dos trabalhos e resultaram em situações complexas no traçado da via. “Eles fizeram um viaduto com umas casas no meio aqui, como essa casa aqui, que já está com uma medida judicial de muito tempo. Nós tiramos aqui, você pode ver que foi demolido, umas outras que estavam aqui no meio e essa casa aí persiste, que já deveria ter sido feita a negociação lá atrás, antes de começar a obra”, criticou Mabel. Para solucionar o impasse sem estender a disputa nos tribunais, a prefeitura firmou um acordo amigável com a proprietária. “Não adianta ficar brigando na Justiça. Nós viemos aqui, fizemos um acordo com ela, vamos construir uma outra casinha para ela e tirar essa casa que está no meio do caminho aqui.”

Questionado se o local viraria um “monumento” às falhas da gestão passada, Mabel subiu o tom das críticas. “A cidade em si é um monumento de coisas erradas que foram feitas nessa administração anterior. Aí vai as escolas. Vai a intervenção que nós assumimos na saúde. Vão uma série de ruas, sinalizações e outros gastos que se faziam aqui na cidade. Por isso que nós pegamos essa cidade colapsada. Agora nós estamos conseguindo fazer a cidade funcionar”, disparou, citando gargalos antigos que pretende solucionar, como as rotatórias do Hugol e da Praça Síria-Lisita, além da finalização da Avenida Goiás Norte. “Não adianta eu largar a Leste-Oeste pela metade. Quantos anos faz que se constrói essa Leste-Oeste? Vou acabar com ela. Ponta a ponta.”

Em relação à mobilidade urbana na região da Castelo Branco, o prefeito assegurou que o fluxo de veículos será otimizado graças à tecnologia e que o transtorno será mínimo. Diferente do cenário de anos atrás, quando a retenção de veículos era severa na região, a Secretaria de Mobilidade implementará um sistema de semáforos sincronizados. “Com viaduto ou sem viaduto, a cidade vai andar na mesma velocidade quase que ela daria com viaduto. Então não interfere na Castelo Branco. E a Leste-Oeste também terá pouca interferência. Só a volta que a pessoa tem que fazer hoje, só de passar aqui já ele vai ganhar um tempo danado”, garantiu. 

“Para a Castelo Branco não tem problema nenhum, é como se tivesse o viaduto, vamos dizer assim. Agora para a Leste-Oeste ela vai ter uma parada, mas também será sincronizado. Então nós estamos acompanhando não só essa Leste-Oeste com a Castelo Branco, mas as ruas perpendiculares que têm a elas, paralelas, vamos sincronizar tudo.”

Ao fim da vistoria, Mabel defendeu que intervenções viárias e na saúde, como o plano de lançar oito novas UPAs na capital, demandam pulso firme. “Uma administração, não basta ser bom administrador, você tem que ter coragem de fazer. Então essa coragem que Deus me deu pela experiência que eu tenho de tempo de trabalho. Essa coragem que vai fazer nós darmos uma arrumada nessa cidade, concluiu, citando o sucesso obtido nas mudanças de trânsito na Região da 44 e o rearranjo das vias T-55 e T-10 como exemplos de sua postura. “Então é, essas coisas você tem que ter coragem, a gente tem muito estudo, nós temos uma equipe boa fazendo isso, não só nessas áreas, mas em todas as áreas.”

Na época, com orçamento inicial de R$5,5 milhões, o prazo de execução seria de 180 dias. O projeto previa a construção de um elevado de aproximadamente 350 metros de extensão na Leste-Oeste, transportando a Avenida Castelo Branco, além da implantação de 845 metros de sistema de drenagem de 13 mil metros quadrados de pavimentação.

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