Em 31 de outubro, houve um lançamento a partir do Iêmen de um míssil que percorreu mais de 1.000 km em direção ao sul de Israel, estabelecendo alguns novos recordes. Foi a primeira vez que o sistema de defesa de mísseis balísticos de Israel derrubou um míssil em um ambiente de combate. Além disso, foi a primeira interceptação de míssil em combate no espaço e, talvez o mais importante de tudo, foi o lançamento de míssil balístico de maior alcance em uma guerra que já vimos.

Os mísseis lançados pelos proxy do Irã no Oriente Médio hoje em dia têm a capacidade de atingir alvos tão pequenos quanto um veículo, com níveis de precisão sem precedentes. Esses níveis de precisão seriam um desafio para os Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros países da OTAN há apenas 25 ou 30 anos. O que isso significa é a capacidade de atacar seus inimigos a distâncias sem precedentes.

Atualmente, Israel é capaz de interceptar a maioria dos foguetes disparados por seus adversários. No entanto, o problema com as tendências atuais é que, se os mísseis se tornarem mais numerosos e se mais deles se tornarem guiados com precisão, Israel poderá enfrentar dificuldades para derrubar todos esses mísseis na próxima guerra que enfrentar com o Hezbollah no Líbano.

Essa mudança no panorama dos mísseis balísticos representa um desafio significativo para a segurança e a estratégia militar, já que nações e grupos com recursos limitados estão adquirindo uma capacidade cada vez maior de atingir alvos com precisão a longas distâncias. Isso requer uma revisão constante das estratégias de defesa e uma consideração cuidadosa das implicações para a estabilidade regional e global. À medida que essas capacidades evoluem, a comunidade internacional enfrentará desafios crescentes na manutenção da segurança e na prevenção de conflitos.

Foto: Acervo Pessoal / Antônio Caiado

A crescente ameaça representada pelos mísseis balísticos de longo alcance e alta precisão no Oriente Médio requer uma resposta coordenada dos Estados Unidos e seus aliados na região. Os Estados Unidos, com sua presença militar e alianças estratégicas na área, desempenham um papel central na proteção da segurança e estabilidade da região.

Uma das maneiras pelas quais os Estados Unidos podem contribuir é fornecendo assistência em termos de sistemas de defesa antimísseis. Sistemas como o Patriot e o THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) podem ser implantados para ajudar na interceptação de mísseis hostis. Isso oferece uma camada adicional de proteção para países aliados, incluindo Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Além disso, a cooperação em inteligência desempenha um papel crucial na detecção e neutralização de ameaças de mísseis. Os Estados Unidos podem compartilhar informações de inteligência com seus aliados para ajudá-los a rastrear e responder a lançamentos de mísseis inimigos. A cooperação regional entre os aliados no Oriente Médio também pode ser aprimorada, criando assim uma rede de defesa mais eficaz.

No entanto, existem desafios substanciais que os Estados Unidos e seus aliados enfrentam ao abordar essa ameaça crescente. A implantação em larga escala de sistemas de defesa antimísseis pode ser custosa, representando um desafio financeiro para os países aliados. Além disso, à medida que os atores hostis continuam a desenvolver mísseis mais avançados, a adaptação tecnológica constante é necessária.

A complexidade política da região do Oriente Médio também representa um desafio. Rivalidades políticas e conflitos em curso podem dificultar a cooperação efetiva entre os países aliados. Além disso, dilemas éticos e estratégicos surgem, como o uso de sistemas de defesa antimísseis em áreas densamente povoadas.

Antônio Caiado | Foto: Acervo Pessoal

A resposta ao aumento da precisão dos mísseis requer sistemas de defesa antimísseis ainda mais sofisticados e precisos. À medida que os adversários aprimoram suas capacidades, os sistemas de defesa também precisam evoluir constantemente para permanecer eficazes.

*Antônio Caiado é brasileiro e atua nas forças armadas dos Estados Unidos desde 2009. Atualmente serve no 136º Maneuver Enhancement Brigade (MEB) senior advisor, analisando informações para proteger tropas americanas em solo estrangeiro.

@oantoniocaiado
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