Antônio Caiado

No panorama geopolítico do Oriente Médio, estruturas como a “Torre 22”, na Jordânia, desempenham papéis críticos. A Torre 22 é localizada no extremo nordeste do país, perto das fronteiras com a Síria e o Iraque, e ganhou notoriedade após um ataque de drone em janeiro de 2024, que resultou na morte de três soldados americanos e ferimentos de pelo menos 34.

Originalmente uma instalação de vigilância jordaniana, a Torre 22 evoluiu para um importante ponto de apoio logístico para os Estados Unidos, particularmente após a entrada das forças americanas na Síria em 2015. A base abriga cerca de 350 militares dos EUA, incluindo pessoal do exército e da força aérea, engajados em funções de engenharia, aviação, logística e segurança.

Os interesses geoestratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio, ilustrados pela presença em bases como a Torre 22, são multifacetados. Em primeiro lugar, há o objetivo de combater grupos extremistas como o Estado Islâmico, que ameaçam a estabilidade regional e a segurança internacional. A base de Tower 22, ao lado de outras instalações na região, serve como um ponto estratégico para tais operações antiterrorismo.

Além disso, a presença militar dos EUA na região é crucial para contrabalançar a influência de potências regionais como o Irã. Com o aumento das tensões entre Washington e Teerã, bases como a Torre 22 são vitais para monitorar e, se necessário, agir contra as movimentações militares iranianas, especialmente no que diz respeito ao apoio a grupos militantes na região.

Outro aspecto importante é a manutenção da segurança e estabilidade dos aliados regionais dos EUA, especialmente Israel, Arábia Saudita e Jordânia. Estas bases oferecem apoio logístico e de inteligência, além de servirem como dissuasão contra possíveis agressões externas.

Por outro lado, a presença dos EUA no Oriente Médio está ligada à segurança das rotas de energia global. A região é rica em recursos petrolíferos, e a estabilidade do fornecimento de petróleo é de interesse vital para a economia global. Assim, bases como a Torre 22 ajudam a garantir que essas rotas de energia permaneçam abertas e seguras.

A localização estratégica da Torre 22 é fundamental para as operações militares dos EUA na região. Essa proximidade com o posto avançado americano em al-Tanf, na Síria, a apenas 12 milhas de distância, é particularmente importante. Al-Tanf tem sido um ponto chave na luta contra o grupo Estado Islâmico e no monitoramento de potenciais rotas de transporte de armas iranianas.

Além da importância militar direta, a presença de bases como a Torre 22 no Oriente Médio tem implicações geopolíticas mais amplas. A Jordânia, um aliado-chave dos EUA, serve como uma base significativa para as tropas americanas, com cerca de 3.000 soldados normalmente estacionados no país. Essa presença militar, contudo, pode provocar tensões entre a população local, especialmente considerando o conflito Israel-Palestina e a grande população de refugiados palestinos na Jordânia.

O ataque à Torre 22, reivindicado pelo grupo Islamic Resistance in Iraq, apoiado pelo Irã, ilustra a complexidade da região. Ele foi visto como uma resposta ao apoio dos EUA a Israel nas ações em Gaza. A administração Biden prometeu responsabilizar os autores, enquanto o Irã negou envolvimento.

Antônio Caiado | Foto: Acervo Pessoal

Este incidente destaca o delicado equilíbrio de poder no Oriente Médio, onde instalações militares como a Torre 22 não são apenas pontos estratégicos militares, mas também símbolos e alvos em um xadrez geopolítico complexo.

Antônio Caiado é brasileiro e atua nas forças armadas dos Estados Unidos desde 2009. Atualmente serve no 136º Maneuver Enhancement Brigade (MEB) senior advisor, analisando informações para proteger tropas americanas em solo estrangeiro.

@oantoniocaiado
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