O prazo dado pela Justiça para a saída dos ocupantes do Morro da Serrinha, em Goiânia, terminou na última sexta-feira, 6, e a Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) vai desocupar os moradores na próxima segunda-feira, 16. Os moradores, no entanto, relataram ao Jornal Opção que não receberam nenhum auxílio e terão que voltar para as ruas.

“Uma tenda já foi desocupada e a outra vai ser derrubada na segunda-feira. Nós não recebemos nenhum auxílio e os lotes foram distribuídos somente para a pastora da Tenda Primeiro é Deus. A polícia disse que vai vir aqui na segunda e tirar todo mundo a força”, relatou Patrick Sales, ocupante do Morro. Além dele, cerca de 15 pessoas ainda residem no local.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que acompanhou o processo de desocupação, informou que a maioria já deixou o local. “As pessoas em posição de vulnerabilidade, constantes nos relatórios que existem no processo administrativo. A informação que eu tenho é que elas foram ouvidas. Foram atendidas e cadastradas nos programas sociais. A igreja que lá permanece se afastou voluntariamente da negociação”, explicou Anderson Máximo, desembargador que atua no caso.

A tenda Instituição Grupo Resgaste Almas para Cristo (Igrac) não aceitou o acordo, segundo o TJGO. Aqueles que não aceitaram a proposta foram inscritos no Cadastro Único para que tivessem acesso aos benefícios ofertados pelo governo federal para pessoas em situação de vulnerabilidade social, como o Bolsa Família e programas voltados para emprego, saúde e documentação pessoal.

O Jornal Opção procurou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da Vila Redenção, que tem acompanhado a desocupação do Morro do Serrinha e tentado garantir alguns direitos para os moradores do local. Residindo em situação de vulnerabilidade, cerca de 40 pessoas tiveram seus nomes cadastrados em auxílios, mas nenhum foi beneficiado, segundo a assistência social do Cras.