O mercado imobiliário de Goiânia encerrou o primeiro semestre de 2026 com mais imóveis vendidos do que lançados. Entre janeiro e junho, 7.323 unidades foram comercializadas, enquanto 6.606 chegaram ao mercado, considerando empreendimentos residenciais, horizontais e comerciais. Com a demanda acima da entrada de novas unidades, o estoque disponível recuou 6% em relação ao fim de 2025.

Os números fazem parte de levantamento da Brain Inteligência Estratégica divulgado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) e mostram um mercado aquecido, mas com redução gradual da oferta disponível na capital.

O desempenho foi puxado principalmente pelos imóveis residenciais. Foram 7.219 unidades vendidas no primeiro semestre, crescimento de 42% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa o maior volume de vendas residenciais registrado em um único semestre na série histórica local.

O avanço em Goiânia também ficou acima do observado nacionalmente. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam crescimento de 5,4% nas vendas residenciais no país no mesmo período. Em volume comercializado, Goiânia apareceu na 4ª posição entre as capitais.

Na outra ponta, os lançamentos perderam ritmo. O número de novas unidades colocadas no mercado entre janeiro e junho foi 16,4% menor que o registrado no segundo semestre de 2025.

Mesmo com a diferença entre oferta e demanda, o Valor Geral de Vendas (VGV) permaneceu próximo ao registrado um ano antes. O mercado movimentou R$ 4,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, ante R$ 4,2 bilhões entre janeiro e junho de 2025.

Marista concentra novos investimentos

É nesse cenário de queda do estoque e avanço das vendas que novos projetos começam a chegar ao mercado. Um deles será apresentado pela UP Incorporadora no Setor Marista, uma das regiões que concentram a maior oferta e alguns dos imóveis mais valorizados de Goiânia.

A incorporadora reunirá corretores na terça-feira, 29, às 8h, para apresentar o novo empreendimento, que será construído na Rua 144. O lançamento para o público está previsto para outubro.

O projeto ficará próximo à Avenida 85 e em frente a uma praça. A localização está inserida em uma região marcada pela concentração de restaurantes, comércio e serviços, além da ligação com importantes vias da capital.

O Marista está entre os bairros que ajudam a puxar para cima o preço médio dos imóveis em Goiânia. Em junho, o metro quadrado residencial na capital chegou a R$ 11.681, aumento de 7,4% em relação ao fechamento de 2025. No bairro, o valor ficou próximo de R$ 14 mil por metro quadrado.

Marista e Bueno, juntos, respondiam por 31,8% dos imóveis disponíveis para venda na cidade, segundo levantamento da Ademi-GO.

Projeto aposta em integração com o entorno

De acordo com a incorporadora, o projeto da Rua 144 prevê áreas de convivência, paisagismo e utilização de princípios da biofilia, conceito arquitetônico que busca aproximar os ambientes construídos de elementos naturais.

A proposta também considera a relação do empreendimento com a praça localizada em frente ao terreno e com a própria dinâmica do bairro.

Para o CEO da UP Incorporadora, Mateus Japiassu, o comportamento dos compradores tem levado o mercado a considerar outros fatores além do tamanho e da localização dos apartamentos.

“Localização e metragem continuam sendo importantes, mas hoje existe uma busca muito maior pela sensação de pertencimento. As pessoas querem morar em lugares que dialoguem com a forma como desejam viver, com mais natureza, segurança, conforto e espaços que favoreçam encontros”, afirma.

O empreendimento está sendo desenvolvido com parâmetros de duas certificações internacionais. A EDGE estabelece critérios relacionados à eficiência no consumo de energia, água e materiais, enquanto a Fitwel considera aspectos ligados à saúde e ao bem-estar dos ocupantes. Segundo a empresa, a intenção é buscar as certificações ao longo do desenvolvimento do projeto.

Antes do lançamento, o terreno onde o edifício será construído também vem sendo utilizado para atividades abertas ao público. O local recebeu um painel em grafite e, às terças-feiras, abriga a Feira UP Marista, com expositores de gastronomia, moda, artesanato e pequenos negócios.

Leia também: Mercado imobiliário de Goiânia movimenta R$ 4,1 bilhões, mas burocracia trava habitação popular