Para tentar compreender um pouco sobre os conflitos históricos entre judeus e palestinos, a História bíblica sobre a origem do povo hebreu não pode ser ignorada. De acordo com a bíblia sagrada, o pai espiritual tanto do povo judeu, como dos árabes, é o patriarca Abraão. No livro de Gênesis, o primeiro da Bíblia, está narrada a história dos dois povos.

Segundo está escrito na Bíblia, Deus disse a Abraão que ele teria um filho com sua mulher, Sara, que era estéril — ambos já estavam na velhice. Sara com aproximadamente 65 anos e Abraão com 75, quando Deus lhes fizera a promessa. Portanto, o filho seria um milagre.

Com o passar do tempo e a promessa não se cumprindo, Sara resolveu tentar ajudar na solução do problema, oferecendo sua serva Agar para se deitar com o marido e assim o tão esperado filho chegasse. De fato, a escrava engravidou-se do patrão e o menino recebeu o nome de Ismael.

No entanto, quando Sara completou 90 anos e Abraão 100, que ela mulher engravidou-se de forma milagrosa e nasce aquele que seria o filho da promessa e que daria continuidade ao clã israelense, Isaac.

Com o nascimento de Isaac, a Bíblia relata que Sara ordenou ao seu esposo que expulsasse Agar e seu filho de casa, por estar enciumada com a presença do filho da escrava e temendo que Abraão amasse mais o primogênito do que o filho do casal, Isaac.

A egípcia Agar saiu em busca de refúgio no deserto, mas o livro bíblico esclarece que a mão do Senhor estava sobre a vida deles para os guardar, sendo que Deus garante a Abraão que faria de Ismael uma grande nação. Os relatos bíblicos informam que a mãe e o filho se instalaram no vale árido de Becá, de onde descende o povo árabe.

Portanto, de Isaac nasce o povo de Israel e de Ismael os árabes. Daí em diante, a Bíblia expõe várias situações de conflitos entre os dois povos e que se estendem até os dias atuais. Os descendentes de Ismael jamais aceitaram o fato de Isaac ter sido escolhido pelo pai em detrimento daquele que era o herdeiro legítimo, por ser o primogênito de Abrão, Ismael.

Porém, esses conflitos se perpetuam pelo fato de grupos árabes extremistas ao longo da história não aceitarem a existência de Israel como nação. Para tanto, não somente a bíblia explica sobre esses povos, mas também a história cotidiana tem muito a revelar sobre o assunto.

Histórico

Durante várias negociações de paz na região, Israel quase sempre aceitou as decisões tomadas, ao passo que os árabes em geral não. Tudo começa com a derrota do império Otomano na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a Inglaterra ocupando aqueles territórios. Em 1936 acontece a primeira revolta árabe contra os judeus e os ingleses. Na oportunidade, é formada uma comissão que chega à conclusão de que havia realmente a necessidade da existência de dois Estados.

Na época, foi proposto que 80% do território em disputa ficariam com os palestinos e 20% com os judeus. Judeus concordaram e palestinos, não. Em 1947, os ingleses consultaram a Organização das Nações Unidas (ONU), e outra vez chegam-se a mesmo desfecho, que de novo é aceita pelos judeus e recusada pelos árabes.

Logo em seguida Jordânia, Egito, Líbano, Síria e Iraque atacam Israel. Em 1967 acontece a famosa Guerra dos Seis Dias, pela qual Egito, Síria e Jordânia tentam destruir o povo judeu. Nesse momento começa a ocupação da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, como forma de uma proteção contra os ataques futuros.

Nesse mesmo ano, a Liga Árabe marca um encontro no Sudão e declaram os famosos três nãos: Não a paz com Israel; Não ao reconhecimento internacional a Israel e Não às negociações com Israel. Em 2000, em Camp David, Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, tenta um acordo de paz, que foi rejeitado pelo representante palestino Yasser Arafat.

O presidente americano chegou a dizer que, nos 14 dias de tentativas de paz, a única palavra que o líder palestino dizia era “não”. Logo após, acontece vários ataques suicidas vitimando mais de 1000 israelenses. Em 2008, uma nova tentativa de paz é aberta, porém, como sempre, os israelenses aceitam, e os palestinos não. Ao todo, foram cinco rejeições de criação de um Estado Palestino.

Na verdade, o que os terroristas do Hamas (e não estou falando de todo o povo palestino, que, no fundo, só quer paz) e do Hezbollah perseguem não é a criação de um Estado. A briga não é por território. O que os grupos terroristas querem é a extinção de Israel. O Hamas, por exemplo, não esconde esse desejo. A criação de dois Estados é defendida por toda pessoa que tenha o mínimo de sensatez, menos pelos terroristas sunitas (Hamas) e xiitas (Hezbollah).

O grupo Hamas, que possui ligação com o movimento político islâmico sunita, chamado Irmandade Muçulmana, foi criado em 1987. O Hamas não aceita a presença dos judeus, tanto que o grupo defendeu a aniquilação do Estado de Israel em 2000. Ademais, o Hamas aplicou um golpe na Autoridade Palestina — passando a controlar a Faixa de Gaza.

Agora me perguntem: sou a favor da matança de inocentes na Faixa de Gaza? De maneira alguma. Defendo a paz entre israelenses e palestinos. As forças internacionais, lideradas pela ONU, têm mesmo de interferir para proteger a vida de inocentes.

Leia também:

Defesa do Hamas por minorias é incoerent

Netanyahu diz ‘não estar disposto a cessar-fogo’ em conflito com Hamas