“Sinto-me totalmente preparado para governar Goiás”

Pré-candidato do PMDB na sucessão estadual, deputado aposta na tecnologia como um trunfo para melhorar gestão e serviços públicos

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Daniel Vilela já provou, pelo acúmulo de atribuições em sua ficha, que há algum tempo deixou de ser “o filho do Maguito Vilela” no xadrez da política goiana. A figura de seu pai, que governou o Estado de 1995 a 1998, certamente o ajudou no início da caminhada política e continua como referência de seu perfil – assim como o ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida, o deputado federal também costuma ser diplomático em suas declarações e é avesso a ataques pessoais – mesmo na posição de oposicionista, opta por críticas programáticas.

Eleito vereador em 2008, Daniel tornou-se deputado estadual em 2010 e chegou à Câmara Federal em 2014. No ano passado, assumiu a presidência do PMDB em Goiás, derrotando, com 73% dos votos, o candidato apoiado por Iris Rezende. Foi o sinal de que, definitivamente, tinha entrado no jogo dos “peixes grandes” da política. E é dessa forma que se coloca como postulante à vaga de candidato do partido à sucessão estadual.

Para se tornar o primeiro filho de ex-governador a assumir o cargo desde Mauro Borges Teixeira, ele tem se dividido entre o trabalho em Brasília no meio de semana e encontros nas mais diversas regiões do Estado no tempo livre. Ao mesmo tempo em que luta pela ampliação de suas alianças, enfrenta uma batalha com o senador Ronaldo Caiado (DEM) pela hegemonia de candidato oposicionista e conversa também com personagens da base aliada insatisfeitos com seu espaço para 2018. Articulações que só podem ser conduzidas com quem tenha maturidade para tanto. E o que Daniel Vilela pensa de si mesmo sobre essas tarefas e a eventual oportunidade de governar Goiás aos 35 anos — a mesma idade com que Marconi Perillo (PSDB) assumiu seu primeiro mandato. “Sinto-me totalmente preparado. E, logicamente, se eu não estiver preparado, certamente não vou ser escolhido pelas pessoas para governar o Estado”, afirma, com convicção.

Euler de França Belém — O sr. é pré-candidato ao governo de Goiás. Se um eleitor lhe perguntar se o sr. estaria maduro e qualificado para governar, qual seria a resposta?
Tenho plena convicção disso. Jamais seria pré-candidato se não tivesse a certeza e a segurança de que posso fazer uma gestão que atenda às expectativas e que seja contemporânea e eficiente. Jamais teria essa pretensão se não tivesse noção dos problemas e das dificuldades que Goiás apresenta. Também não seria candidato se entendesse que haveria outros nomes mais bem-preparados do que eu, com a cabeça mais aberta e que fossem mais atualizados com as ferramentas de gestão que existem hoje, que tivessem uma sensibilidade social mais aguçada do que a minha. Sinto-me totalmente preparado. E, logicamente, se eu não estiver preparado, certamente não vou ser escolhido pelas pessoas para governar o Estado. Serei conhecido pelas pessoas nas eleições, onde terei de mostrar por que quero ser governador e quais são meus predicados.

Euler de França Belém — Se o PMDB fechar com Alckmin para 2018, como fica o palanque aqui em Goiás? O sr. subiria em um palanque do PSDB para apoiar Alckmin?
Isso já ocorreu várias vezes e o PMDB goiano se resolveu. O PMDB nacional é convicto de suas características de regionalidade. Nunca fui um cara de não ter posição e, se isso acontecer, vou tomar a minha, mesmo sabendo que vou agradar a alguns e desagradar a outros. Não tem como ser candidato a governador e não ter posição em relação à candidatura presidencial.

Marcelo Mariano — Tem chance de PMDB e PSDB comporem chapa em Goiás para 2018?
Não, zero. Chance zero (enfático). O PMDB vai apresentar um projeto antagônico ao atual governo.

Marcelo Mariano — E PMDB com Ronaldo Caiado [DEM-GO senador e pré-candidato ao governo estadual], tem chance?
Claro que tem chance. É uma aliança que fizemos em 2014 e creio que fomos fundamentais para o sucesso da eleição dele ao Senado. De repente, talvez Caiado tenha o mesmo papel na eleição de um nome do PMDB como nós tivemos para ele em 2014.

Elder Dias — O PMDB terá candidato a governador em 2014?
Teremos candidato a governador.

Euler de França Belém — Já falaram que o sr. pode ser vice na chapa de Caiado. Existe alguma chance ou é chance zero?
É zero. Tenho feito esses encontros partidários desde o início do ano justamente para extrair o sentimento majoritário do partido. Não tenho nenhum encontro em que a posição da maioria dos municípios representados defendesse abrir mão de candidatura própria. Todos entendem que pela força do partido e sua representatividade — número de prefeitos, de vereadores, de deputados estaduais e federais — não tem como ser diferente. Estivemos em Catalão recentemente e foi avassalador o que vimos nesse sentido. Da mesma forma, foi quase unânime o discurso de respeito ao senador Caiado, de continuar com essa aliança, mas que queremos a retribuição de seu apoio fundamental para 2018, nos apoiando em nosso projeto como nós o apoiamos de forma fundamental em 2014.

Elder Dias — É zero a chance de Caiado se filiar ao PMDB?
Não posso responder por ele. O que posso dizer é que já fizemos esse convite diversas vezes e, em todas, ele foi muito convicto ao dizer que essa possibilidade não existe.

Euler de França Belém — O prefeito de Catalão, Adib Elias (PMDB), diz que o apoia, mas sempre coloca um condicionante, como “mas é preciso unir a base”…
Essa união eu defendo também, portanto esse discurso não serve para mim. Quero toda a oposição junta e quero ir além, quero ampliar essa união. Já disse em outras oportunidades, inclusive ao próprio senador Caiado, quando ele disse que era preciso manter a aliança vitoriosa pela oposição em 2014. Só que nós não fomos vitoriosos em 2014. Quem foi vitorioso em 2014 foi o projeto do senador, apoiado pelo PMDB. Nosso projeto era a eleição de Iris ao governo. Se não foi suficiente há três anos, continua não sendo suficiente hoje. Não adianta o PMDB e o DEM contra todo mundo do outro lado. Se for assim, vamos perder de novo. Precisa nos unir e ampliar nossa base.

Euler de França Belém — Desta vez vocês tentam unir não apenas a oposição, mas também parte da situação. Há conversas com a senadora Lúcia Vânia (PSB), com o secretário Vilmar Rocha [titular da Secretaria Estadual de Meio Am­biente e Cidades e presidente estadual do PSD]. São conversas efetivas ou só para cacifar diante da base governista?
Estamos tentando unir quem queira construir um novo projeto. O fato é que não podemos ser hipócritas e negar que haja nisso uma forma de se cacifar, de se fortalecer. Em março ou abril teremos um cenário mais claro, não dá para prever muita coisa agora. Ao mesmo tempo — e Adib fez essa colocação em Catalão, ao dizer que não acreditava que Lúcia Vânia ou Wilder [Morais, senador e presidente estadual do PP] pudessem vir para nosso lado —, não podemos deixar de procurar. O próprio Adib, quando foi candidato no ano passado, teve o apoio do PTB de Jovair Arantes [deputado federal e presidente da sigla em Goiás], coisa que ninguém acreditava.

Tenho visto, dentro de nossas conversas, que é plenamente possível que haja alguns acordos, porque há projetos de seus partidos que talvez não tenham espaço na base do governo. Simples, é um pouco de pragmatismo da parte deles, todos querem sobreviver politicamente. Porém, isso só vai se definir lá na frente.

Euler de França Belém — Nomes do PT goiano, como o ex-prefeito Antônio Gomide e o deputado estadual Luis César Bueno, dizem que aceitam compor com o PMDB em Goiás, desde que o partido dê palanque para Lula [pré-candidato à Presidência]. O sr. toparia isso?
Mas Lula é candidato? Ninguém tem embasamento para afirmar com certeza. Não dá para trabalhar com situações imprevisíveis. É uma questão para ser discutida lá na frente, sem qualquer pressa. Penso que as alianças têm de se dar por afinidades de projetos. No momento certo vamos fazer isso com todos.

Euler de França Belém — O sr. tem bom relacionamento com Gomide…
Tenho uma relação excepcional, com ele e com Rubens [Otoni, deputado federal e irmão de Antônio Gomide]. Tenho conversado constantemente com Gomide, é um sujeito muito equilibrado, muito moderado e foi um gestor destacado em Goiás. As pessoas se esquecem de que ele foi o prefeito mais votado do Brasil em 2012, em sua reeleição. Não pode ser desprezado, com certeza é um “player” da política. Rubens Otoni não está na Câmara há quatro mandatos à toa. É trabalhador, se dedica, tem suas causas e teses. Vamos estar juntos no ano que vem? Não sei, pode ser que estejamos, pode ser que não. Não estando, não vou deixar de reconhecer as qualidades que eles têm. De fato, pelas questões nacionais, hoje eu diria que é mais difícil estarmos alinhados em 2018.

Marcelo Mariano — Em 1994, os três principais candidatos ao governo foram seu pai, Caiado e Lúcia Vânia. Foi uma eleição de tom agressivo. Dá para pensar em uma união entre esses personagens para 2018?
Isso já foi superado. Tivemos uma eleição em 2014 que mostrou isso. Estivemos ao lado de Ronaldo Caiado e as duas cidades em que ele foi mais bem votado proporcionalmente ao Senado foram Jataí e Aparecida [cidades com prefeituras ligadas ao PMDB]. Precisa dizer mais alguma coisa sobre nossa lealdade a ele em 2014? De 1994 para cá, sempre tivemos uma boa convivência com Lúcia Vânia e caminhamos juntos em Apare­cida, com o PSB. Tudo, então, já foi superado, como eu disse.

Alexandre Parrode — O PMDB tem tradição de vencer as eleições estaduais em Goiânia e Aparecida, os dois maiores colégios eleitorais de Goiás, mas tem dificuldade em outras regiões, especialmente no Entorno do Distrito Federal, com mais de meio milhão de eleitores. O Entorno se transformou em um “cinturão” do PSDB e aliados ao governo, que tem quase todos os prefeitos das maiores cidades de lá em sua base. Como fazer para pelo menos reduzir o gigantismo da força governista nessa região?
Estamos fazendo ações estratégicas pontuais em cada um dos municípios do Entorno, buscando ganhar musculatura eleitoral. Em segundo lugar, mesmo com esse “cinturão”, se fizer uma pesquisa hoje de avaliação do governo no Estado, talvez seja no Entorno sua pior avaliação. Mais uma coisa: se você for em qualquer cidade, se perguntar quantos votam em Goiás em qualquer reunião política, de 50 pessoas somente umas 10 levantam o braço. Há uma confusão de eleitorado entre Goiás e DF muito grande. Por isso, também, teremos de impor uma estratégia muito diferenciada lá. É preciso também fazer parcerias com candidatos do GDF [Governo do Distrito Federal], até porque ninguém sabe onde está o voto de Brasília e o de Goiás. É um problema sério, mas no fim das contas as pessoas vão se definir. Temos de chegar até elas, seja por meio da propaganda de TV e rádio, seja por meio de nossos líderes. Um componente diferencial das eleições no Entorno eram as estruturas financeiras. Na próxima, esse componente terá um peso bem menor, embora continue relevante.

Euler de França Belém — Teremos uma campanha mais barata em 2018?
Acredito que sim, será mais barata e mais conceitual. Por mais que essa reforma eleitoral não tenha sido a desejada e a necessária, ela colocou uma série de mecanismos que dificultam os gastos exorbitantes. O fim do financiamento empresarial já vai diminuir as despesas. Campanha será feita basicamente com o fundo eleitoral e doações de pessoas físicas. Isso reduzirá os gastos significativamente.

Marcelo Mariano — E qual será a importância das redes sociais na campanha?
Será altíssima. Continuo achando que ter um programa eleitoral de TV deverá ter muita relevância ainda, mas um trabalho de rede social feito de forma inteligente também será muito importante.

Euler de França Belém — O casal Iris [Rezende e Araújo] está realmente firmes com o sr.? Vão abandonar Caiado por uma candidatura sua?
Tenho certeza absoluta que Iris Rezende e Dona Iris estarão no projeto do PMDB. Não tenho a menor dúvida disso. Iris sempre foi muito claro e sua relação de vida com o PMDB mostra isso. Mas Iris está certo no momento, não é hora de ele se manifestar, tem sérios problemas para administrar na Prefeitura de Goiânia. Ano que vem, estaremos juntos, com certeza.

Euler de França Belém — Seu grupo vai apoiar Dona Iris [pré-candidata a deputada federal] no próximo ano em Aparecida ou isso é ficção?
Existe, sim, a possibilidade de ela ter apoio de nossa base política em Aparecida. Por toda a sua história, Dona Iris merece ganhar as eleições e voltar ao Congresso. Ela é uma política muito ativa, participou de momentos importantes de nosso Estado e o partido precisa reconhecer isso.

Euler de França Belém — Uma pessoa de Morrinhos me ligou há algum tempo e me pôs para ouvir uma gravação em que Samuel Belchior [ex-deputado estadual e ex-presidente do PMDB em Goiâ­nia, muito ligado a Iris Rezen­de] diz que o PMDB tem de apoiar Ronaldo Caiado. Por que um peemedebista se tornou coordenador de encontros de Caiado?
Não posso responder por ele, é uma pergunta que tem de ser endereçada a ele.

Euler de França Belém — Mas o sr. é presidente do PMDB em Goiás.
Mas não sou um presidente ditatorial, sei compreender as divergências de pensamento. Tenho uma boa relação com Samuel Belchior e conversei com ele recentemente. O que Samuel me alegou é que não está como coordenador de Caiado, que tem se dedicado a suas atividades empresariais e que, como ajudou a construir a aliança com os pequenos partidos que estão na Prefeitura de Goiânia, alguns líderes pedem para que ele participe de encontros. A mim, disse ainda que continuaria firme no projeto do PMDB, independentemente de quem fosse o candidato, no que pudesse ajudar. Essa foi a fala dele para mim e vou acreditar no que ele me disse.

Euler de França Belém — Caiado nunca teve penetração muito grande entre os evangélicos. De repente, tornou-se um nome muito forte entre eles. O sr. também mantém uma boa relação com esse grupo?
Tenho uma boa relação, sim. Minhas relações são naturais, construídas por afinidades, não por outro tipo de interesse. Sou amigo de Agenor Mariano [secretário municipal de Planejamento Urbano em Goiânia e ex-vice-prefeito da cidade], que tem ligação com o meio evangélico, especialmente com a igreja Videira; também, da mesma forma, com Luiz do Carmo [PMDB, suplente de senador, na vaga de Ronaldo Caiado], um sujeito excepcional e que foi meu colega na Assembleia Legislativa. É natural que a boa relação do senador com a Assembleia de Deus, ligada ao pastor Oídes [José do Carmo], se dê por conta de Luiz ser seu suplente. É natural, também, que a igreja queira a eleição de Caiado ao governo, para ter Luiz como senador.

Há uns seis ou oito meses, Luiz do Carmo me chamou até sua casa e me pediu para entender o fato de ele não me apoiar, que era o projeto da igreja. Eu respondi que gostava dele além da política e que não poderia impedi-lo de sonhar em ser senador da República. Não tenho como condená-lo, não vou expulsá-lo do partido por isso.

Alexandre Parrode — Uma das críticas à oposição — e quem a faz são os governistas — é de que ela não tem projetos. Como o sr. avalia essa crítica sobre falta de projeto? Qual projeto o sr. teria para implantar no primeiro dia de governo?
Em primeiro lugar, é uma crítica do governo para sair da defensiva sobre as críticas em relação ao que foi prometido e não está sendo feito. Em segundo, projetos têm de ser apresentados em período eleitoral, não agora. Agora, pelo contrário, quem tem de mostrar a que veio é quem está no governo, que ganharam as eleições passadas e estão governando. Não têm de nos cobrar isso agora e nosso projeto vamos apresentar no momento certo. Obviamente, temos desde já de nos diferenciar do que está aí, para ajudar a população a fazer sua escolha. Tenho percebido que hoje existe no Estado algo crescente em relação à demanda de desigualdade social, algo que a gente já havia superado há algum tempo e que está voltando. Volto a dizer que pode ser algo nacional, mas é um problema sobre o qual precisamos pensar em políticas públicas contemporâneas para superá-lo.

Vejo certas tecnologias que, independentemente da área — saúde, educação, segurança etc. —, precisam ser utilizadas. São ferramentas modernas em que acredito muito. A tecnologia é fundamental para reduzir o custo da máquina pública. Só por meio do uso tecnológico intensivo vamos melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos. Não temos como fazer tudo da iniciativa Não vou falar mais para não perder o ineditismo e a exclusividade do debate mais à frente.

Existe uma pauta que que todo candidato defende, mas que nos governos nunca se torna prioridade: é a do meio ambiente. Vivemos uma situação crítica no Cerrado, em que as áreas remanescentes estão sendo ocupadas pelo agronegócio e outras, em parques, estão sofrendo com incêndios. Tudo isso tem muito a ver com a crise hídrica que assola grande parte do Estado, inclusive a região metropolitana de Goiânia. Sabemos que os políticos, no geral, se “esquecem” da prioridade do tema ambiental ao tomar posse de seu cargo. Com que nível de seriedade o sr. pretende encarar a pauta do meio ambiente?

É uma pauta fundamental e que não é de futuro nem de presente, é emergencial. O problema específico da região metropolitana de Goiânia, especialmente de Aparecida, é falta de planejamento, entre outras coisas. Não fizeram a ligação, o chamado “linhão”, que faria a distribuição da água do reservatório para Aparecida e uma parte de Goiânia. A barragem foi inaugurada 10 ou 15 vezes e o “linhão” não foi feito, o que foi uma irresponsabilidade causada pela falta de planejamento do Estado e da Saneago nos últimos anos.

O Araguaia está em situação de calamidade. Todos os que foram passar a temporada lá este ano voltaram falando que nunca viram o rio tão seco. Agora há pouco, o ex-prefeito de Santa Helena Judson Lourenço, uma pessoa excepcional, me retornou uma ligação que fiz por ocasião de seu aniversário, dizendo que estava em sua propriedade, nas proximidades do Rio Turvo. Eu perguntei que dia poderíamos pescar lá e a resposta foi: “Quando tiver água”. E me relatou que não tem como passar de canoa, acabou a água do Turvo. Outras pessoas relatam a mesma coisa de outros lugares.

No Congresso, fui presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas e com ela participei do Acordo de Paris [sobre aquecimento global]. Hoje sou vice-presidente e devo ser presidente ou relator no próximo ano. Por quê? É um assunto que eu gosto e que acredito, acho fundamental que a gente discuta.

Elder Dias — Goiás é um Estado cuja economia depende fundamentalmente do agronegócio. Como resolver essa equação com o meio ambiente?
É preciso harmonizar a relação entre ambientalistas e produtores. Uns dependem dos outros e vice-versa — os produtores nos abastecem com seu trabalho e os ambientalistas coíbem os excessos e exageros em relação ao meio ambiente. Apresentei um projeto que deu muita polêmica e que acabou sendo rejeitado por meio de trabalho da Frente Parlamentar do Agrone­gócio, da qual eu faço parte, apesar de tentar argumentar com o grupo: era a transformação do Araguaia em um rio-parque. Não era um projeto meu, mas do ex-deputado Euler Morais [PL nº 1077/99, criação da Área de Proteção Rio-Parque Araguaia], que, quando ele saiu, acabou sendo arquivado. Até ser aprovado, haveria um cronograma para ouvir todos os envolvidos, com audiências públicas, mas, logo que eu o apresentei novamente, veio um mundaréu de gente ligada ao agronegócio o combatendo, porque estabelecia diretrizes para as margens do rio, para promover sua conservação, identificando pontualmente as particularidades de cada região. Mas o projeto foi novamente para o arquivo.

Agora eu fico vendo o que estão fazendo com o Araguaia, por meio de matérias do Jornal Opção e de outros veículos. Não estão fazendo desvios para irrigação simples, mas são novos rios dentro de fazendas. Agora, os mesmos produtores passam por uma série de problemas, porque acabou a água do rio. Não adianta resolver o próprio problema, porque, se for assim, no fim não vai ter água para ninguém. O agronegócio depende de um ambiente equilibrado ou vai lá para baixo.

Tenho interesse nessa pauta e vamos encontrar soluções em nosso plano de governo para atender as exigências emergenciais que enfrentamos, até porque o principal ativo turístico de Goiás vem do meio ambiente. Se os agentes políticos e o poder público não perceberem isso, vamos ter um prejuízo enorme.

“Governo federal precisa agir contra crise hídrica”

Elder Dias — E o que o sr. pensa sobre a Bacia do Meia Ponte?
Há uma série de projetos sobre a bacia e a Saneago, obviamente, precisa se preocupar com a situação atual. Hoje, temos o reservatório do Ribeirão João Leite, que em tese deveria resolver o problema de abastecimento pelo menos em médio prazo em toda a região, mas para o qual faltou planejamento. Não foi feito o principal, que é fazer a água chegar à residência das pessoas. Quando meu pai era prefeito de Aparecida, ainda em seu primeiro mandato, ele já antevia a necessidade da construção do “linhão”. A gestão dele iria iniciar o programa de asfaltamento, mas não tinha como enquanto não se fizesse pelo menos a chamada “rede seca” [dutos subterrâneos], já que a canalização para esgoto poderia ser feita pela calçada, fazendo depois só as travessias.

A Saneago autorizava a fazer a rede seca, mas não tinha água. Lembro-me de que, ainda em minha campanha para deputado estadual, em 2010, cheguei para uma reunião em um bairro às 11 horas da noite e tinham umas 200 pessoas nos aguardando. O que eles nos falaram era que não queriam saber de asfalto nem de outra coisa, o que queriam era resolver o problema da água. Disse que eu, apesar de integrar a oposição, poderia trabalhar junto à Saneago para encaminhar a questão. Ou seja, é um problema de quase dez anos e que não se resolve.

Cezar Santos — O sr. não vê também uma omissão grave do governo federal em relação à questão hídrica? Não se vê nenhum trabalho maior da União em relação aos rios.

Elder Dias — E o Araguaia, por exemplo, é um rio federal.
Realmente, o governo federal poderia agir mais. Ocorre que estamos tendo tantos problemas e tanta falta de recurso para resolvê-los que os governos acabam tendo de priorizar as emergências. Claro, esse é também um problema emergencial, não tenho dúvida de que haveria também essa necessidade. Mas veja a questão da segurança pública: a maior fonte de recursos está com a União, não tem como o governo se omitir em relação àquilo que, como esse setor, foi estabelecido para ser responsabilidade dos Estados ou dos municípios — há essa incongruência na Cons­tituição, ao transferir muitas atribuições a essas esferas administrativas e não transferir recursos na mesma proporção.

Marcelo Mariano — Em quanto tempo a gente poderia resolver o problema da água, se é que ele pode ser resolvido?

Elder Dias — O problema é que água não dá voto.
Não dá, mas tira, principalmente numa situação como a atual. Vejo que há falta de prioridade, falta de foco da gestão, entre outros fatores, como a própria corrupção, falta de qualificação e de planejamento nas obras. Tudo isso pode ocorrer e aqui em Goiás ocorre muito. O governo atual se mostra cansado, indisposto. O governador viaja para oferecer trem-bala, mas não consegue levar água à torneira da população. É isso que leva ao sentimento de insatisfação e de revolta, porque, enquanto falta água aqui, ele está na Espanha falando em trem-bala. Ora, um estudo da semana passada mostrou que o trem-bala é inviável entre São Paulo e Rio de Janeiro, imagine, então, que viabilidade teria entre Goiânia e Brasília. Isso precisa ser apresentado à população para ela entender definitivamente a necessidade da alternância de poder, não só no governo estadual, mas também nos municípios em geral, nos demais Estados e também no poder federal. Quem fica muito tempo na cadeira acaba se perdendo.

Quando meu pai foi prefeito eu vivi muito a gestão. Na passagem do primeiro para o segundo mandato havia muita coisa para ser feita, muito recurso federal, mas as coisas estavam amarradas, com pouco avanço na execução. Colocamos tudo no papel e estabelecemos as prioridades. Eu e um amigo, chamado George, que tinha uma empresa de desenvolvimento de softwares — hoje ele está trabalhando na Apple e é um dos principais líderes de desenvolvimento de aplicativos — e desenvolveu um aplicativo para acompanharmos em um mapa tudo aquilo que tínhamos de demanda. Não era nada genial ou diferente, mas muito funcional. Com isso, fazíamos o gestor de cada área ficar em estado de alerta, porque o prefeito queria saber o andamento a cada 15 dias. Gestão tem muito disso, é preciso cobrar e estar focado, senão nada acontece, a morosidade e até a corrupção tomam conta.

Cezar Santos — Evidentemente, o governo não tem condições, mas o sr. acha inviável que haja uma ligação por trilhos entre Goiânia e Brasília, em uma parceria público-privada (PPP), por exemplo?
Não considero inviável, mas é algo que tem de ser pensado no futuro. Não dá para falar nisso agora como prioridade, quando temos uma série de problemas. Sobre PPP, é difícil falar, porque temos aqui a concessão da rodovia entre Goiânia e Brasília (BR-060), em que a empresa não está cumprindo suas obrigações e está a entregando de volta. Pegaram a rodovia já em bom estado, duplicada, mas não estão dando conta de tocar. E é uma empresa grande. Como então pensar que alguém terá condições de bancar uma linha ferroviária com viabilidade? A empresa privada só vai entrar se tiver algum tipo de lucratividade. Eu acho que é algo ainda muito distante de nossa realidade. Se eu fosse o governador hoje, focaria em ter um projeto executivo pronto para a obra. Esse é o primeiro passo. Depois, avançaríamos de acordo com a progressão econômica do Estado e do País.

Elder Dias — Diante da situação do Brasil e, particularmente, de Goiás e sua crise hídrica, cuja resolução é de primeira necessidade, falar em trem-bala parece algo como uma cortina de fumaça.
Veja só, aqui tínhamos o projeto do VLT (veículo leve sobre trilhos, que seria implantado na Avenida Anhanguera) para Goiânia. Se o governo quisesse, já que a alegação foi de que não havia recursos para o projeto, o investimento de R$ 1,5 bilhão no VLT não seria nada para quem está bancando R$ 9 bilhões no Goiás na Frente [programa de obras do governo estadual para todos os municípios goianos]. E um VLT seria muito mais razoável do que o trem-bala.

Euler de França Belém — O Brasil vive crise realmente séria, com desemprego alto e alta turbulência política. Michel Temer conseguirá reorganizar o País para que voltemos a crescer e as empresas possam ter confiança para investir?
Se há algo de positivo no governo Temer é a recuperação econômica, que já se mostra. A equipe conduzida por Henrique Meirelles [ministro da Fazenda] está dissociada do componente político e a inflação e os juros estão caindo. Meirelles diz que vamos virar o ano com crescimento trimestral na ordem de 3% para o fim do ano que vem. É isso que sustentou o presidente diante das duas denúncias que foram apresentadas à Câmara dos Deputados. Tem muita coisa para ser feita, sem dúvida, e Temer tem sido determinado para enfrentar o que, em uma situação normal, qualquer governante teria dificuldades e, creio eu, tem tido sucesso, relativamente.

Cezar Santos — Vencida a segunda denúncia, Temer está apostando em avançar a reforma da Previdência. Ele tem condições de tocá-la?
Acho muito difícil. Logica­mente, se o governo não apresentar pautas, ele acaba por si só, é engolido. Ele precisa insistir com o Congresso para efetivá-las, até para sua própria sobrevivência.

Cezar Santos — Temer virou um refém de Rodrigo Maia [DEM-RJ, presidente da Câmara], que vai ditar o ritmo das pautas e de suas votações?
Maia sempre deu declarações favoráveis à reforma da Previ­dência. Para mim, desde o começo houve um erro muito grande. É inegável que haja distorções em nosso modelo previdenciário atual que precisam ser corrigidas, como a inexistência de uma idade mínima. Todos os países a têm, mas o Brasil, não. Ocorre que mandaram um projeto de reforma que se tornou um bode na sala. Só que era um bode tão fedido que, mesmo de tirar o bode, o cheiro não sai. Hoje, na concepção da maioria dos brasileiros a reforma da Previdência é algo danoso, punitivo às pessoas, e ninguém consegue tirar isso do inconsciente da população. Desde o começo se sabia que era impossível aprovar tudo o que estava no projeto. Alguns até entendem que era o quadro de necessidades que existia, outros não. No fim, acho que o governo vai tentar, com apoio de Rodrigo Maia e outras figuras do Congresso, aprovar a idade mínima. Acho difícil aprová-la, mas, se tem algo possível de ser votado, é a idade mínima.

Euler de França Belém — E o que o sr. defende em relação à reforma da Previdência?
Idade mínima é algo que, de fato, precisa ser estabelecido. Não podemos ter aposentadorias aos 40 anos. Mas é preciso ter alguns recortes. A idade mínima para o homem seria de 65 anos? É muito, talvez 63? De qualquer forma, será um avanço. É preciso ter uma diferenciação para a mulher, também, bem como para o trabalhador rural. Mas o que não dá é picotar tudo, pois não haverá impacto ao fim, entre receitas e despesas com a Previdência. É preciso combater as distorções, que são muitas e impactantes, como acúmulo de pensões e outros itens.

Euler de França Belém — O que o sr. pensa entre a aposentadoria na iniciativa privada e no setor público?
O principal ponto é esse, mas pelo menos a idade mínima vai valer para os dois. O grande problema hoje é, sem dúvida nenhuma, o setor público. Se não criarmos previdências complementares, a pessoa pode não perder agora, mas uma hora isso vai ocorrer. A população precisa entender que, se não tivermos a reforma, em um determinado momento vai ficar sem ter como receber. É melhor ir para uma previdência complementar como garantia, principalmente para os que ganham mais, do que apostar na manutenção de um quadro que não se sustenta.

Sou relator de um projeto que o próprio Ministério do Planejamento pediu para que eu o conduzisse. É o Funpresp [fundo de previdência complementar dos servidores da União], que aprovamos na primeira comissão e deveremos levar a plenário agora. Criaram um modelo de governança bem blindado às ingerências políticas dos que poderiam ocupar os cargos de direção. Tem dado resultado muito satisfatório em um período curto, já é um “case” de sucesso. O Funpresp tem quadros qualificadíssimos na direção. É possível termos quadros do mesmo nível para o quadro dos servidores públicos em Goiás? Talvez tenha, porque nosso quadro é qualificado, mas a maioria dos Estados e quase todos os municípios não têm como manter um fundo bem gerido e blindado politicamente. O projeto, então, vai permitir com que qualquer Estado ou município possa aderir a esse fundo de previdência complementar para gerir os recursos dos servidores.

Estive conversando com um servidor da Casa Civil, com remuneração alta e já mais antigo — teoricamente já garantido para o resto da vida com alto salário no regime geral do INSS —, que aderiu ao Funpresp, abrindo mão do regime geral. Perguntei o porquê e ele me disse que tinha convicção de que a Previdência, como está, é insustentável e não queria correr riscos. Terminou elogiando bastante o Funpresp. No fim das contas, a criação de fundos complementares qualitativos e bem geridos será um ponto que fará as contas se equilibrarem.

Cezar Santos — Então, tudo o que já passou pela Comissão Especial sobre a reforma da Previdência será alterado, não será aprovado em plenário?
Exatamente, não há chance de aprovação daquele texto.

Marcelo Mariano — O sr. acha possível estabelecer, na reforma da Previdência, uma diferenciação de idade mínima para as regiões do Brasil, já que um trabalhador do Norte-Nordeste tem uma expectativa de vida menor do que no Sul-Sudeste?
É uma discussão interessante e que tem sido pontuada por muitos congressistas, que dizem que só votariam a favor do estabelecimento da idade mínima com essa diferenciação. Não sei todos os argumentos, mas quem lidera o projeto diz que não há como consolidar isso dessa forma, atendendo às diferenças regionais. É fato que há essa discrepância de expectativa de vida, mas até hoje não tiveram a criatividade necessária para sanar esse problema no texto.

Cezar Santos — A menor votação pró-Michel Temer na segunda denúncia contra ele não é sinal de diminuição da base aliada?
Se você levar em conta que boa parte dos que estavam ausentes fizeram isso para beneficiar o governo, vamos encontrar o mesmo patamar, que, no entanto, não é suficiente para aprovar uma PEC. Ao mesmo tempo, tem gente que votou contra Temer e defende algumas reformas. Temos de ver também as divergências regionais, que vão se aflorando agora com a proximidade das eleições. Em alguns Estados, o PSDB é aliado do PMDB, em outros, não. Cada votação será algo muito pontual, mas creio que essa base se manterá.

Elder Dias — Para enfrentar essa dificuldade na votação de PEC, há mesmo a estratégia do governo de implantar medidas importantes a partir de projetos de lei com votações simples?
Sim, algumas coisas podem ser mudadas por projeto de lei. O problema é que nem tudo pode ser votado assim.

Elder Dias — Como o sr. avalia a polêmica em torno do voto impresso?
É algo ridículo. Em primeiro lugar, o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] já tinha dito que não teria como implantar o sistema para 2018, então criaram uma válvula para adiar. Seriam gastos R$ 2,5 bilhões — mais do que o fundo eleitoral que foi criado — para mudar todas as urnas. Em segundo lugar, era uma situação provisória, para testar se a urna eletrônica realmente funciona corretamente. Se estiver tudo certo, voltariam às antigas máquinas. Ou seja, gastariam mais R$ 2,5 bilhões para comprar de novo. Uma coisa ilógica, das mais atrasadas, que estava sendo liderada por Jair Bolsonaro [PSC-RJ, deputado federal e pré-candidato à Presidência].

Estaríamos menosprezando uma tecnologia na qual somos um “case” mundial. Eu cheguei a falar com Eduardo Bolsonaro [PSC-SP, deputado federal], com quem tenho uma boa relação, que eles estavam negando a própria votação que tiveram. Ora, o pai dele teve quase meio milhão de votos no Rio de Janeiro [Jair Bolsonaro teve 464.572 votos em 2014]. Será que teve fraude nisso? Então ele sabe o caminho da fraude? E, então, o questionei sobre onde tinham visto algum indício palpável de fraude, mas ele veio com uma conversa de que “ah, lá na Venezuela”. Outro deputado, que eu admiro muito, Esperidião Amin [PP-SC], também fez uma defesa do voto impresso e eu também o questionei. É um sujeito à frente de seu tempo, e por isso disse a ele que muito me surpreendia o apoio à ideia. Mesmo assim, veio com uma história de que, em uma determinada urna, houve um problema e ela não computou os votos. Ora, então a questão não é fraude, mas um problema na urna, que teria de ter sido trocada.

Alexandre Parrode — Alguns políticos moderados, com ideias mais à direita, com o desgaste do PT, dos movimentos sociais e da esquerda em geral, estão adotando o discurso raivoso — ou pelo menos se aproximando dele. Isso não é prejudicial ao País?
Com certeza. O problema é que o populismo está sendo um fator atrativo para muita gente hoje. Não vou citar nomes, mas tem político que só vota em plenário depois de consultar a rede social, de acordo com o que vai render mais apoio eleitoral. Tem muito político assim.

Cezar Santos — O populismo tomou conta do País desde 2002.
O populismo sempre existiu, principalmente em países em desenvolvimento. Ocorre que nós vínhamos em uma escala de qualificação da classe política, ainda que não na velocidade ideal, mas existia esse avanço. As redes sociais, porém, deram margem para o ressurgimento do populismo em uma nova forma. Muitos usam esse discurso agora para sobreviver eleitoralmente.

Elder Dias — O sr. diria que há algum pré-candidato ao governo de Goiás que tenha um perfil mais próximo do populista?
Acho que essa é uma análise que os jornalistas têm de fazer, não os políticos. Vou pontuar os pré-candidatos quando eles forem candidatos e eu também. Aí, obviamente, eu mostrarei minhas diferenças em relação aos demais. É difícil antecipar essa análise.

Alexandre Parrode — Como encarar as eleições presidenciais em um cenário de extremos?
Temos de rezar e torcer para que as pessoas sejam chamadas à razão no momento de definição de sua escolha. Aliás, algo que sempre acabou acontecendo, temos vários exemplos disso. Na hora do “vamos ver”, a população pensa duas vezes. O sujeito, com seu discurso, pode até representar a raiva que o cidadão tem da classe política, mas este vai pensar, sim, se aquele tem condições de ser o chefe do Executivo. O brasileiro tem um histórico de, nessas horas, tomar uma decisão mais sensata.

Marcelo Mariano — Nesta semana apareceu uma pesquisa que coloca Jair Bolsonaro na 2ª colocação das intenções de voto em todos os cenários. O sr., que convive com ele na Câmara, acha que o projeto eleitora dele tem condições de se viabilizar?
Não tenho tanta proximidade dele, conheço melhor seu filho, Eduardo, como eu já disse, com quem jogo futebol de vez em quando. Como o filho, Jair é um sujeito extremamente educado. Quando se conversa com ele, não dá para imaginá-lo com o estereótipo que se faz dele. Mas, pessoalmente, de maneira alguma acredito na viabilidade de sua eleição. Quando a população for chamada à razão, os 30% que talvez ele tenha hoje vão cair para 10% ou 15%.

Alexandre Parrode — Quem o sr. avalia com chance de ir para o segundo turno, se Lula for mesmo candidato?
É o que eu digo, o quadro está imprevisível. Não dá para saber muita coisa agora. O que posso dizer é que, se Lula for candidato, estará no segundo turno.

Alexandre Parrode — E quem estaria com ele?
Hoje, se for candidato, eu diria que Geraldo Alckmin (PSDB, governador de São Paulo), a não ser que surja um nome diferente dos que estão aí. E, se for esse o segundo turno, Alckmin tem mais chances por causa da grande rejeição que atinge Lula. Em outro cenário, se o opositor de Lula no caso fosse Bolsonaro — o que, como já disse, não acredito —, penso que o petista ganharia a eleição.

Euler de França Belém — Henrique Meirelles pode surgir como um candidato forte?
Já conversei com algumas pessoas em Brasília, inclusive do partido dele. Não sabem ainda a percepção que a população tem ou teria de Meirelles numa eleição. Parece que vão fazer um trabalho entre o fim deste ano e o começo do próximo para ter essa avaliação de viabilidade. Vejo que, pessoalmente, ele teria muita dificuldade; por outro lado, seu currículo facilita as coisas.

Porém, estamos vivemos um momento tão atípico na política que, há três meses, João Doria [PSDB, prefeito de São Paulo], estaria eleito presidente. Era o mais inteligente, o mais moderno, o mais esperto, o melhor cara do mundo. E vou dizer: se ele não sair agora candidato a governador ou a presidente, aposto que ele perderá a reeleição para prefeito.

Alexandre Parrode — O sr. está apostando que haverá, para presidente, novamente a dicotomia entre PT e PSDB. Mas os tucanos não perderam muito espaço com a indecisão entre apoiar ou não o governo Temer?
Sem dúvida, mas isso acaba sendo superado na hora da eleição, tudo acaba caminhando para a figura do projeto e do candidato. Nesse sentido, Alckmin é um candidato razoável para o PSDB.

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luiz Lereia

Parabéns. Daniel Vilela., mesmo sendo um jovem, demonstra estar atento as dificuldades que irá enfrentar diante de um estado que este atual governo irá deixar, quebrado, vamos juntos mudar nosso estado pra melhor. Daniel Vilela governador 2018.

Celene Lenine Rodrigues Queiroz

Tomara a Deus
Que nem pra vereador vc Daniel Vilella, vai ser eleito . Apoia o temer . E o povo que te elegeu não conta. Vai pedir pro seu partido vota em vc . E esquece o povo .

joão

A verdade é que chegou a vereador, deputado estadual e, posteriormente, deputado federal graças ao seu pai, caso contrário, não teria sido eleito a nenhum desses cargos. O que ele fez de positivo nessa sua curta e meteórica trajetória política??????