“Será um presente para os goianos se José Eliton ganhar a eleição”

Presidente da Agetop defende que o interesse é estimular uma campanha plebiscitária, pautada nas propostas e nos resultados das ações do governo

Jayme Rincón: “Quando Caiado diz que está tudo errado e que ele é o certo é porque não tem o que mostrar” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, tira férias do cargo durante o período eleitoral e assume a campanha em Goiânia de reeleição do governador José Eliton e ao Senado do ex-governador Marconi Perillo. Convencido de que não há candidato melhor para comandar o Estado pelos próximos quatro anos, Rincón aposta todas as fichas na defesa de José Eliton por meio das propostas contra um adversário que trabalha o cenário do quanto pior melhor. “Você quer continuar morando em um Estado que cresceu acima da média nacional nos últimos 20 anos ou dar um tiro no escuro?”

Augusto Diniz – O sr. assume a campanha em Goiânia de reeleição do governador José Eliton (PSDB) e se afasta da presidência da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). O que falta ser definido?

Já está definido. Governador José Eliton me convidou para coordenar a campanha da coligação do PSDB na capital, que devo assumir na próxima semana. Tenho mais de 60 dias de férias vencidas na Agetop. Até porque nunca fui de tirar férias. Apro­veitarei esse período para me afastar do governo e me dedicar integralmente à campanha em Goiânia. É um desafio interessante e grande, mas estou animado e otimista.

Patrícia Moraes Machado – O presidente Jalles Fountoura [Saneago] fará igual?

Jalles cuidará da parte política. Também está verificando a forma jurídica correta para se afastar da presidência da Saneago. Mas deve tirar férias ou se licenciar do cargo.

Patrícia Moraes Machado – Na entrevista do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à Globo News, o tucano foi bombardeado porque o centrão declarou apoio à sua pré-candidatura, inclusive o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson. Alckmin disse que o eleitor vota no candidato, não nos partidos. Como o grupo do PSDB avalia o candidato José Eliton, que, segundo Alckmin, não avaliará o partido ou coligação, mas o candidato?

A força dos partidos tem diminuído a cada ano. Pouquíssimos partidos ainda têm alguma raiz, uma ponta de ideologia, programas. O grande problema do País é a quantidade de partidos. É um absurdo. Partido virou ne­gócio, moeda de troca. Não há co­mo uma democracia funcionar com tantos partidos e os interesses que estão envolvidos. A mãe de todas as reformas é a política profunda. Como estamos, partido virou entidade de aluguel. Na maioria dos casos, mandato virou negócio. Antigamente, quando a pessoa queria dar um rumo na vida criava uma empresa. Hoje muitos tentam conseguir um mandato.

O mandato passa a ser a empresa, o negócio. Temos de reverter isso imediatamente através de uma reforma política mais abrangente. Concordo com o ex-governador Alckmin que as pessoas irão votar nos candidatos. Na propaganda de TV, se você olhar a quantidade de letrinhas que estão naquelas coligações, as pessoas nem sabem o que aquilo significa. A não ser os partidos tradicionais, o resto não existe. Isso não muda nada.

Alckmin está certo. Temos de votar nos candidatos e nas suas propostas. Uma administração exitosa como a do tempo novo, do governador Marconi Perillo e do governador José Eliton, deverá ser reconhecidas pela população. Temos efetivamente o que mostrar. Diferente de nossos adversários. É um ponto positivo. É o que nos entusiasma em relação à reeleição do governador José Eliton.

Patrícia Moraes Machado – Qual é o perfil de José Eliton como candidato? O que o governador tem para mostrar?

Temos de partir para uma eleição plebiscitária. Qual mensagem temos de levar para o eleitor? Você quer continuar morando em um Estado que cresceu acima da média nacional nos últimos 20 anos, o PIB cresceu acima da média nacional, a balança comercial cresceu acima da média nacional, que tem uma das melhores malhas rodoviárias do País, tem um sistema de saúde avaliado positivamente, temos secretários de saúde e governadores da maioria dos Estados brasileiros vindo conhecer, que tem os programas sociais que deram origem aos demais programas que existem no Brasil e que foram aperfeiçoados e modernizados ao longo do tempo?

Você quer continuar morando em um Estado assim ou você quer dar um tiro no escuro? Você quer entregar a administração – vamos focar exclusivamente no candidato que lidera as pesquisas – a alguém que não tem absolutamente nada a mostrar, que a família milita na política há mais de cem anos, que são políticos tradicionais, que sempre viveram na política e da política e que nunca fizeram nada por Goiás? Senador Ronaldo Caiado (DEM) é um dos políticos mais antigos de Goiás. O que ele fez por nosso Estado ao longo de sua trajetória política? Nada. Não consegue mostrar absolutamente nada.

Que experiência administrativa Caiado tem? Nenhuma. Como você entregará a administração do Estado a esse cidadão? Para dar um tiro no escuro? Que proposta o senador tem para Goiás? Nenhuma. Não apresenta nenhuma proposta. Caiado diz que está tudo errado, “o certo sou eu”. Se é realmente um candidato que se preocupa com o Estado, deveria dizer: “Isso aqui está errado por isso, por isso e por isso. O certo seria esse, esse e esse e é assim que vou fazer”.

Patrícia Moraes Machado – Por que não atuou enquanto estava no governo como aliado?

Exatamente. Não vamos comparar com o tempo em que Caiado estava no governo. Vamos pegar a história do senador. Independente do lado em que estivesse. Quando Caiado diz que está tudo errado e que ele é o certo é porque não tem o que mostrar. Não está tudo errado. Da mesma forma que não está tudo certo. Existem equívocos, mas dizer que está tudo errado é muito cômodo. Caiado deveria dizer o que está errado. O certo seria isso, mas o senador não fala.

Caiado fala que vai acabar com a corrupção. É um senador da República. Se tem conhecimento de corrupção o senador tem obrigação de mostrar onde é que existe. Como presidente da Agetop, já ofereci ao Caiado os meus sigilos, de todos os diretores e processos de contratação, pagamentos e medições de janeiro de 2011 até hoje. Se o senador tem dúvida – sei que é um senador ocupado –, que determine alguém de sua confiança que vá à Agetop averiguar.
Dizer que está tudo errado e é rolo não levará Caiado a lugar algum. Precisamos discutir o futuro do Estado. O País vive um momento de crise sem precedentes e não podemos correr o risco de Goiás embarcar em uma aventura. Não tenho dúvidas de que a candidatura e o governo – que tenho certeza de que não acontecerá – de Ronaldo Caiado serão aventuras.

Patrícia Moraes Machado – O deputado federal Daniel Vilela se enquadra mais como oposição do que Caiado e representaria de fato uma alternativa?

Daniel, ao menos o grupo político que é formado pelo pai e outras li­de­ranças importantes do MDB, é mais representativo. Tem mais o que mostrar. Maguito Vilela foi um bom go­vernador. Saiu com avaliação alta. Foi senador, deputado federal, vice-go­vernador, governador, ocupou cargos importantes em Brasília. Maguito é um político sério, homem equilibrado. Imagine amanhã Caiado governador tratando com o presidente do Tri­bunal de Justiça, presidente da As­sembleia, presidente do Tribunal de Contas ou com as entidades organizadas da sociedade. Sabemos como é.

Tanto é assim que Caiado está sozinho. DEM foi um partido grande em Goiás. Saiu todo mundo e ele ficou sozinho. Absolutamente sozinho no partido. Por que essas pessoas saíram ao longo do tempo? Por que [presidente da Assembleia] José Vitti (PSDB) saiu? Por que Vimar Rocha (PSD) saiu? PSDB recebeu uma infinidade de políticos que estavam no DEM e saíram, como o deputado Helio de Sousa. A relação e convivência com Caiado são muito ruins. Tanto é que está sozinho. Quem está com ele? PROS é um partido recém-criado que não tem identidade nenhuma com Goiás.

Nenhum partido tradicional está com Caiado. Os que eventualmente estão conversando ou firmando aliança são partidos de aluguel ou de oportunismo, porque o senador lidera as pesquisas. Temos de ter um cuidado muito grande. Não acho que Daniel seja a real oposição. Daniel tenta apresentar um projeto alternativo, diferente do Caiado, que não tem projeto de nada. É uma incógnita. Caiado está caindo vertiginosamente nas pesquisas exatamente por conta disso. Discurso de bravata, ódio, de que está tudo errado, tem prazo de validade.
Não se engana mais o cidadão com gritos, ameaças, tentativas de perseguição. Vimos as reações do Caiado em relação ao Estado. Tivemos dois episódios muito importantes. Caiado trabalhou violentamente para inviabilizar o financiamento da Caixa Econômica Federal que viria para concluir uma série de obras que foram iniciadas. Que compromisso o senador tem com Goiás? Disse que se ele quisesse poderia acompanhar a aplicação, centavo por centavo, do recurso. Na criação do fundo no Judiciário, Caiado fez ameaças no Poder Judiciário. Foi a Brasília entrar com ação para inviabilizar. Que compromisso esse cidadão tem com o Estado de Goiás? Até porque ao fazer isso, amanhã ou depois, Deus me livre e guarde de ele virar governador, está dando o direito de fazerem o mesmo. É uma visão tão pequena, tacanha, de querer o quanto pior, melhor, “vou crescer em cima do ruim”.

Se Caiado fosse realmente um bom candidato, deveria ter propostas que convencessem o eleitor e fossem melhores do que as nossas. Não querer dificultar nosso governo para eventualmente ganhar a eleição em cima de uma dificuldade do Estado.

Patrícia Moraes Machado – O sr. acabou de dizer que Caiado inviabilizou o empréstimo da Caixa para a conclusão de obras que foram lançadas. Essa política não tem que ser modificada? As obras não deveriam ser lançadas com expectativa de recurso sem ter de buscar empréstimos para evitar o ciclo de não conclusão de obras?

Se não tivermos uma reforma fiscal e tributária, os Estados nunca terão capacidade de investimento. Não é só Goiás, são todos os Estados brasileiros. Temos de fazer a reforma urgentemente. É inconcebível governos gastarem mais de 60% da arrecadação com folha de pagamento. É um absurdo. A reforma da previdência deveria ter sido feita há muitos anos, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e não foi feita até hoje.

Estados e União não suportam mais o custo da previdência. Se nós não fizermos isso, os Estados não terão capacidade de investimento e dependerão cada vez mais de financiamentos. Por isso há descompasso entre o início de uma obra e sua conclusão. O próximo governo terá um grande desafio: fazer com que o Brasil dê certo. Teremos mais uma chance. Se não houver comprometimento de fazer todas as reformas necessárias – terá de ser um governo firme que possa efetivamente fazer.

Se você disser para qualquer cidadão “vou mexer na previdência e você vai perder…”, ele não concorda. São temas difíceis e polêmicos. Mas se não fizer, chegará o dia em que ele não receberá o dinheiro da aposentadoria porque não haverá dinheiro. Outra questão é a estabilidade de funcionário público, que tem de ter uma proteção, mas não estabilidade absoluta em que não se pode fazer absolutamente nada. Ele trabalha se quiser, da forma que quer, com a produtividade que quer. Para termos uma máquina mais eficiente, a pessoa tinha de ter medo de perder o emprego, como na iniciativa privada, e seria com certeza muito mais eficiente. Com estabilidade absoluta, o servidor trabalha contra o setor público. Não tem cabimento pegar a riqueza gerada por 6 milhões de habitantes e entregar para 160 mil pessoas a cada dia em busca de mais privilégios. Esse é o grande problema. Quando se conquista um privilégio, imediatamente se busca outro.

Os funcionários públicos são fundamentais para o progresso do Estado. Se você for à Agetop e perguntar da minha relação com os colaboradores e quais conquistas tiveram verá que sou quase unanimidade. Eles gostam muito de mim. Faço uma ressalva das mudanças que o Brasil tem de fazer. Em momento algum sou contra funcionário público ou a importância deles. Mas existem reformas de origem estrutural que devem ser feitas.

Augusto Diniz – O sr. disse que a candidatura do Caiado defende o quanto pior melhor. Mas como o sr. explica o senador ter no mínimo 35% de in­tenção de votos em todas as pesquisas?

Caiado tinha 42% em todas as pesquisas e está com 35%. Vimos e ouvimos em todas as pesquisas e de todos donos de institutos: há mais de um ano o senador está com 42%. De um ano para cá, ele já rodou o Estado 20 vezes. E está caindo. Quanto mais as pessoas vão conhecendo Caiado, mais votos ele vai perdendo. E vai continuar caindo. Caiado não terá tempo de televisão, não tem programa de governo, não tem estrutura partidária ou de prefeitos no interior.

Estava neste patamar porque estava surfando sozinho. Era um candidato contra ele mesmo. A candidatura do governador José Eliton foi efetivamente colocada e começou-se a trabalhar quando ele assumiu o governo. Sempre disse que a sombra do governador Marconi é muito grande. Enquanto era vice-governador do Marconi estava escondido. A partir do momento que veio para o primeiro plano saiu de 6% para 17%. A última pesquisa, da TV Record, mostra 35% a 17%. Pode anotar: ao final do mês de agosto o governador José Eliton estará na faixa de 25% e Caiado abaixo de 35%. No início do período eleitoral. Não tenho dúvidas de que iremos reverter isso.

Vamos para uma eleição plebiscitária. Temos problemas? Temos. É o melhor dos mundos? Não. Mas considerando toda a crise do País e tudo o que os outros Estados estão vivendo, somos quase uma ilha. Isso tem que ser reconhecido. Um Estado que cresceu acima da média nacional em tudo. O Estado que tem uma das melhores malhas rodoviárias do País, uma rede hospitalar que rivaliza com a rede particular não de Goiás, mas de um Estado como São Paulo, que tem programas sociais que foram incrementados e modernizados ao longo do tempo. Isso tem que ser reconhecido pela população. O que tem nosso opositor? Nada. Absolutamente nada. Não tem absolutamente nada para mostrar para o eleitor goiano. Pelo contrário, com discurso de ódio, raiva, rancor, perseguição e de que está tudo errado.

Augusto Diniz – A chapa do DEM tem como vice um político que era da base até pouco tempo, o deputado estadual Lincoln Tejota (PROS). Como a mudança do Lincoln da base para apoiar Caiado foi recebida, tanto pelo PSDB quanto pelo grupo que apoia José Eliton?

Sou amigo pessoal do deputado Lincoln Tejota e do pai dele, o conselheiro Sebastião Tejota, meu amigo de longas datas. Tenho um carinho muito grande pelo Lincoln e pelo pai. Mas cometeram, talvez, o maior equivoco da vida deles. Disse isso a eles, inclusive. Politicamente, não agregou em absolutamente nada. Estrate­gicamente, um erro primário do Caiado de ter montado a chapa 20 dias antes do prazo. É primário. Ninguém faz isso. Nossa chapa e do Daniel estão abertas até hoje [sexta-feira, 3], nas vésperas.

Caiado viu quando fechamos aliança em 2010 com o DEM, no último dia as 23 horas. As atas estavam sendo feitas. Foi um erro primário ter feito a chapa com essa antecedência.

Qualidade da chapa dele, de candidato a governador e ao senado, nada. Pegou Jorge Kajuru (PRP), que é um ser exótico pronto para fazer muitas confusões. Não acredito na eleição do Kajuru. Ele terá uma votação expressiva, mas não acredito que seja eleito. Se eleito, não seria o senador dos sonhos de nenhum dos goianos. Encaro o voto do Kajuru muito mais como de protesto do que um voto consciente, de preocupação com o Estado.

Wilder Morais (DEM), outro que é meu amigo pessoal, uma pessoa do bem. O senador fez e está fazendo um excelente trabalho, mas não tem a densidade eleitoral para agregar nada na chapa do Caiado. Tanto é que não agregou. A ida do PROS para a chapa do Caiado não mudou absolutamente nada para nós.

“Pode anotar: ao final de agosto José Eliton estará na faixa de 25% e Caiado abaixo de 35%”

Augusto Diniz – A mesma pesquisa, Real Time Big Data/TV Record, mostra Kajuru em segundo lugar, à frente da senadora Lúcia Vânia (PSB). Não preocupa a base Kajuru ultrapassar Lúcia Vânia?

Não. Isso reflete muito Goiânia. A eleição para o Senado, exatamente como a eleição de governador, depende muito de bases no interior. O prefeito na eleição ao Senado tem uma força muito grande. Kajuru não tem essa propriedade no interior do Estado. Kajuru tem muito mais votos de protesto do que voto consciente. Temos de trabalhar exatamente isso. Senadora Lúcia Vânia tem história de serviços prestados a esse Estado. Sempre foi uma parlamentar atuante, séria, comprometida, que defende os interesses do Estado como ninguém. Dizer “você quer exatamente uma senadora que briga pelo seu Estado ou alguém que vai fazer caretas, caras e bocas no Senado?”. É isso que temos de colocar.

Augusto Diniz – As pesquisas de intenção de voto têm mostrado esse perfil do voto de protesto na frente. Jair Bolsonaro (PSL) em primeiro lugar para presidente se Lula da Silva (PT) não for candidato, a virada de Kajuru sobre a Lúcia Vânia e Caiado liderando para governo. Como trabalhar a antítese do voto de protesto?

Partindo para eleições plebiscitárias, vamos mostrar quem fez o que, que compromisso um tem que o outro não tem. Esse é o cuidado que devemos ter.

Patrícia Moraes Machado – Perguntaram ao Bolsonaro no Roda Viva o que o presidenciável fez para o Rio de Janeiro. Ele respondeu que não se aliou ao ex-governador Sérgio Cabral, e por isso ele não conseguiu fazer nada, além do partido ser pequeno no Congresso. Essa seria uma resposta do Caiado?

Lógico. E o tempo que ele esteve conosco?

Patrícia Moraes Machado – DEM é um partido forte?

Não mais porque Caiado acabou com o DEM. Mas era forte em Goiás. DEM teve todas as oportunidades para crescer. Vamos supor que ele diga isso. Caiado nem tentou. Pergunte a qualquer eleitor goiano qual imagem ou lembrança tem de Caiado como deputado ou senador. Brigando com alguém. Chamando Eduardo Braga para ir lá fora resolver no tapa ou na bala. É o que lembramos do Caiado. A senadora Lúcia Vânia brigou intensamente por conta da convalidação dos incentivos fiscais.

Patrícia Moraes Machado – O Ato Médico quem liberou foi a senadora Lúcia Vânia.

Exatamente. Pegue o que Lúcia fez por Goiás e o que Caiado fez. Está fácil de compararmos. Não tenho muito receio nessa eleição porque nossa base é forte. Nossa turma está com a faca nos dentes. Não querem perder para Caiado. Além de tudo, tem esse lado motivacional de “não quero perder para ele e não vamos perder”. Essa eleição está entre José Eliton e Daniel Vilela, com uma diferença muito grande para José Eliton.

Quando nosso exército sair para a rua… Não ganhamos todas essas eleições durante esse tempo à toa. Temos do nosso lado, e chefiando nosso grupo, o maior político da história de Goiás. Marconi venceu todas as eleições que disputou. Todas, sem exceção. As que não disputou elegeu o sucessor. Por exemplo, o saudoso Alcides Rodrigues.

Patrícia Moraes Machado – Até domingo o exército vai com quais partidos?

A dúvida que há hoje é PP e PRB. São os dois que ainda estão em processo de conversa e negociação. Pelo histórico do PP, a tendência natural é ficar conosco. O PP é originário de Arena e PDS.

Patrícia Moraes Machado – Esse histórico vale até hoje?

No interior vale. UDN e PSD antigo. Isso é passado de pai para filho. É algo muito claro. Essa é a grande dificuldade do PP em ficar com o MDB.

Patrícia Moraes Machado – O sr. acredita que o PP continua com José Eliton?

Sim.

Augusto Diniz – Qual o impacto do anúncio do PDT em apoiar a candidatura do Caiado?

PDT não agrega mais nada para nós em tempo de televisão. A deputada Flávia Morais, que disputará a reeleição, é forte e faz um trabalho interessante, tanto ela quanto o marido dela. Mas são só os dois. Politicamente não altera absolutamente nada. O que pode agregar na chapa do Caiado? A união de dois grupos mais ou menos antagônicos. Aliás, coerência Caiado já jogou para o espaço há muito tempo.

A partir do momento que se uniu ao Iris, que é o maior adversário que tiveram ao longo da vida. Na época de Pedro Ludovico com os Caiados, depois com Iris. Coerência não existe. Não acredito que o PDT possa agregar nada, a não ser a força eleitoral da candidata Flávia Morais, que tem uma base muito forte na estrutura do governo. As lideranças que apoiam Flávia têm uma ligação histórica conosco. Não acredito que ela consiga transferir o apoio dessas lideranças ao Caiado. Acredito que Flávia e Jorge foram sozinhos.

Augusto Diniz – Há algum temor quanto à possibilidade do PP se aliar a Daniel Vilela?

Se for é natural e faz parte do processo. Daniel não deve estar isolado. É um candidato competitivo e tem de participar do pleito com uma estrutura mínima. O ideal para o processo eleitoral seria que Daniel estivesse com mais um ou dois partidos representativos para dar um pouco de consistência à sua candidatura.

“Ideal para o processo seria que Daniel estivesse com mais um ou dois partidos representativos”

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Augusto Diniz – Quando o sr. cita Ronaldo Caiado a crítica é pesada. Mas quando fala sobre Daniel Vilela, que também é um candidato de oposição, parece haver uma relação de conivência. O eleitor não pode entender que há uma relação diferente entre a base aliada e Daniel?

Mas há uma relação diferente. Maguito sempre foi um político de oposição e fez oposição séria, com respeito, elegância, discutindo propostas e alternativas. Maguito está preocupado com o Estado. Tanto é que foi um bom governador. E tem experiência. Maguito deve ter sentido na pele o quanto a oposição é irresponsável. Caiado adota a tática de que oposição tem de acabar com o Estado. Procura não construir nada, só destruir ou atrapalhar o que está sendo feito. Daniel é oposição e faz oposição clara a nós. Mas faz oposição como tem de ser feita.

Augusto Diniz – Não abre margem para interpretação de que Daniel seria uma segunda opção do governo?

Jamais. A história do Daniel mostra que não. Dizer em campanha ser mais oposição do que o outro candidato é uma discussão inócua. Vão brigar para ver quem xinga mais? Não é assim que se vence uma eleição. Não tenho dúvida de que Daniel convence e empolga mais o eleitor do que Caiado. Por isso Caiado está no teto. Ninguém quer mais xingamento, rancor, cara de ódio, aquele olhar cínico. Aquilo é muito ruim.

Patrícia Moraes Machado – Como é o Caiado médico?

Caiado é um bom médico. Na área dele é referência nacional. Não sei como está a relação do Caiado com a medicina hoje, mas sempre foi um bom médico. E acredito que como governador Caiado seria um bom médico.

Patrícia Moraes Machado – Caiado utiliza muito o argumento de que é ficha limpa. O sr. acredita que isso interfere na decisão do voto?

Qual nossa diferença em relação ao Caiado? José Eliton é ficha limpa, Marconi é ficha limpa. O fato de você estar respondendo a um processo não quer dizer que foi condenado. Marconi está respondendo a processos exatamente por uma indicação de pessoas que disseram ter feito a mesma coisa com Caiado. Recebeu dinheiro da OAS e da Odebrecht do mesmo jeito que nós recebemos. Por que o dinheiro dele é limpo e o nosso é sujo? É a mesma origem. Quando as doações foram feitas estavam rigorosamente dentro da legislação vigente.

Na delação da Odebrecht eles foram claros: “Não houve nenhuma contrapartida do governo estadual. O que nós ganhamos aqui, se referindo a licitação da Saneago, foram as licitações mais disputadas da história da empresa”. O lance mínimo era R$ 90 milhões na outorga da subdelegação da Saneago. Eles entraram com R$ 240 milhões. Se tivesse algum benefício teriam entrado com R$ 91 milhões. O segundo lugar ofereceu R$ 150 milhões. Se fosse uma licitação dirigida, com o intuito de beneficiá-los, eles teriam entrado com R$ 92 milhões e o segundo lugar com R$ 91 milhões.

Já viu empresário rasgar dinheiro? Rasgar mais de R$ 100 milhões? As mesmas práticas que está nos acusando Caiado fez. Por que é diferente da gente? Caiado acha que a relação dele com OAS, com o sr. Carlos Suarez, que ele sabe exatamente quem é, é diferente da nossa? Em momento algum disse que a doação que ele recebeu é propina ou foi para Caiado defender interesses da OAS ou Odebrecht no Congresso Nacional.

Acredito que Caiado também tenha recebeu dentro da lei. Dizer que é ficha limpa e nós ficha suja eu não concordo. Não fomos condenados. O fato do Marconi ter sido investigado, obviamente porque tem uma carreira política diferente de Caiado, era governador de Estado. Governadores são processados por todo tipo de bobagem. Outro dia pegaram uma relação de processos do José Eliton. Governadores recebem processos pelas maiores idiotices do mundo. Por sermos gestores, vira e mexe querem entrar com processos contra nós. Que condenação nós temos? Somos tão ficha limpa quanto ele. Se Caiado quiser dizer que somos ficha suja, somos tão ficha suja quanto ele. Nossa situação é exatamente a mesma.

Rafael Oliveira – No PSD, os deputados estaduais declaram que preferem permanecer na base, mas o presidente do partido ainda não fez anúncio oficial [até sexta-feira, 3]. A chapa de José Eliton ainda tem duas vagas abertas, que são de vice-governador e a suplência de Marconi. Como estão as conversas? As vagas podem ser ocupadas por PP e PSD?

Está tudo em aberto. A discussão tem sido feita praticamente na linha que você apresentou. Diferente do Caiado, onde não há espaço para mais nada, preencheu a toque de caixa.

Felipe Cardoso – Os coordenadores de campanha de José Eliton têm ressaltado que o foco será o ser humano. Tem sido expressado de maneira muito intensa esse foco na humanização. O que tem sido feito para trabalhar a imagem do José Eliton nesse sentido?

As ações como governador foram direcionadas ao ser humano e na melhoria da qualidade de vida. Governos são cíclicos. Cada um tem de focar em determinada área. No primeiro e segundo mandatos do governador Marconi houve foco na reestruturação do Estado, nas bases e projetos que serviram de alicerce para o Estado chegar onde chegou. Batemos recordes em todas as áreas. Ficamos em primeiro lugar no Ideb, nossa educação melhorou, os colégios militares, que hoje são unidades aprovadas por todo mundo. Crescemos em todas as áreas.

Nos dois primeiros mandatos de Marconi foram criados programas e projetos que deram sustentação para que o Estado pudesse chegar onde está. No terceiro e no quarto, Marconi investiu pesadamente na infraestrutura do Estado e na construção de grandes obras. São etapas diferentes. José Eliton investirá pesadamente na melhoria da qualidade de vida do cidadão goiano. E temos que aperfeiçoar muito a prestação de serviço do Estado para os cidadãos. O Estado é nosso funcionário e tem de melhorar a condição de vida, mas principalmente o serviço que presta para nós. Passa por essa reestruturação.

O que José Eliton fez pela segurança pública? Polícia nos terminais, o que praticamente zerou as ocorrências nesses locais. Terceiro turno na saúde, a melhoria dos programas sociais em todas as áreas. José Eliton focará muito nisso porque as grandes obras foram ou estão sendo realizadas. No próximo mandato, com certeza José Eliton não será o governador das grandes obras. Na área de saneamento e de água, por exemplo, estamos caminhando rapidamente para a universalização. Isso é melhorar a qualidade de vida do cidadão. Esse será o foco dado no próximo governo de José Eliton.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. vê Marconi hoje? Houve enriquecimento nos cargos públicos que o ex-governador ocupou?

Se tem alguém que sabe do enriquecimento do Marconi na política sou eu. Porque ele não tem nada. Não tem mais como esconder riqueza. Não existe mais aquela história de que as pessoas mantinham contas secretas. Marconi tem uma casa para morar. Tem um sítio em Pirenópolis que é herança da Valéria Perillo, que depois Marconi comprou mais um pedaço. A despesa de um governador do Estado é quase zero. Tudo é pago. Com salário dele e da Valéria, os dois têm uma renda da propriedade rural em Pirenópolis, da parte que é aberta a visitação pública, e que aos finais de semana está entupido de gente. Onde está a riqueza do Marconi? Ele não tem nada.

Por isso que fico muito bravo quando as pessoas falam em corrupção. Mas falam onde tem corrupção. Onde roubou? Com quem ele fez negócio? De onde vem a propina? Onde está aplicada? As pessoas deveriam conhecer Marconi na intimidade como eu conheço para ver que uma pessoa que foi quatro vezes governador ter a “riqueza” que tem é a maior prova. Marconi vive dificuldades financeiras eventuais como todos nós. De ter de tirar dinheiro em banco, brigar com filho por fatura de cartão de crédito, diminuir mesada. Essa relação é igual à nossa. Marconi é uma pessoa pobre? Não. Mas não passa nem perto de ser rico. Quem está há 20 anos debaixo de um bombardeio como Marconi se tivesse riqueza já teria vazado há muito tempo. Mesmo que tivesse feito não teria conseguido esconder. Isso para mim está mais do que claro.

“O que se fez em infraestrutura não tem parâmetro na história do Estado de Goiás”

“Estado não tem de gerar nem distribuir energia. No mundo quem cuida disso é a iniciativa privada”

Augusto Diniz – O sr. citou que a sombra de Marconi sobre a figura de José Eliton era muito grande. Como a imagem do José Eliton terá de ser trabalhada para mostrar que é o governo de José Eliton e não mais de Marconi?

Isso já está sendo feito. Não esperávamos que fosse com tanta rapidez José Eliton já ter sua identidade como administrador. Como governador, já há o jeito José Eliton de ser.

Patrícia Moraes Machado – Qual é o jeito José Eliton de ser?

José Eliton é extremamente ativo. Muito disciplinado. Muito organizado. Só não é mais organizado do que Marconi. José Eliton tem uma capacidade muito grande de assimilar as coisas. Principalmente preocupado com detalhes. José Eliton está fazendo uma administração muito mais micro do que Marconi. Marconi sabia e sabe de tudo do Estado, mas sempre tratou as coisas de uma forma mais macro. José Eliton vai mais no detalhe. Ele já pegou o jeito de governador. Será um presente para os goianos se José Eliton ganhar a eleição. Tem sido em um prazo curto, mas será um excelente governador.

Patrícia Moraes Machado – José Eliton não tem a prática política. Houve inclusive uma resistência na base ao nome dele.

Não sei se o jeito do José Eliton de fazer política é ruim. A forma de fazer política no Brasil está mudando e terá de mudar muito rápido. Hoje os conceitos e valores políticos são outros. As práticas políticas também têm de ser outras. Não que Marconi tenha adotado alguma prática política que não fosse correta. Se tivesse feito isso não estaria onde está. A mudança passa inicialmente pela história dos partidos. Se não mudarmos não chegaremos a lugar nenhum.

Augusto Diniz – Especificamente sobre o trabalho da Agetop, o que dei­xou de ser feito no prazo e precisará de mais tempo para ser entregue?

Vou começar pelo o que foi feito. Quando entramos no governo em 2011, não tínhamos uma rodovia transitável em Goiás. Nos primeiros dias recebi o dono da Viação Moreira, que fazia a rota Goiânia-São Miguel do Araguaia. Ele me disse que tinha parado de fazer a rota há mais de seis meses porque o ônibus não passava mais. Isso em uma rodovia pavimentada. Estávamos com o Estado parado. Não tinha como ir para lugar nenhum. Mas as pessoas não se lembram disso.

Quando recebi o relatório me perguntei “o que eu estou fazendo aqui?”. E não tinha alternativa. Criamos o programa Rodovida e o Fundo de Transporte. Falo isso com muito orgulho. Em uma pesquisa recente Serpes/O Popular, 86% dos entrevistados disseram que uma marca do governo Marconi era o Rodovida. Ainda temos problemas. Até porque estava muito ruim. Pensei que era algo que faríamos em quatro ou cinco anos, não conseguimos terminar até hoje. Mas já avançamos muito.

Já reconstruímos mais de 6 mil quilômetros de rodovias. Isso significa ir e voltar a São Paulo três vezes. Olha o tamanho dessa obra que foi feita! Quando entramos em 2011 tínhamos 18 quilômetros de rodovias duplicadas. Hoje estamos com mais de 300 quilômetros. O que se fez em infraestrutura não tem parâmetro na história do Estado. As obras que estão em andamento ou paralisadas dependiam fundamentalmente do empréstimo da Caixa ou do fundo.

Os dois foram inviabilizados pelo senador Ronaldo Caiado. É bom que os prefeitos de cada uma dessas regiões saibam que obras importantes para as cidades, para o Estado e para a economia estão paradas em decorrência de uma ação do senador Ronaldo Caiado. Esse é o senador que quer virar governador. Fizemos e continuamos a fazer. Governador José Eliton vai concluir tudo.

Augusto Diniz – Que avaliação é feita do programa Goiás na Frente? Qual retorno eleitoral pode haver para José Eliton?

No programa Goiás na Frente, 90% das obras os prefeitos indicaram para realização de recapeamento ou asfalto novo. Em 2011 estávamos como estão todas as prefeituras do Estado. Se o Estado não tivesse criado o programa Goiás na Frente para socorrer os prefeitos, as cidades iriam acabar. Não tinha mais como andar. Toda cidade do interior tinha problema sério nessa área. Esse é um diferencial muito grande: um governo municipalista.
O governador Marconi Perillo e o governador José Eliton sempre tiveram essa característica municipalista. Os dois são do interior. José Eliton é de Posse o Marconi de Palmeiras de Goiás. Eles viveram no interior e sabem as dificuldades que as prefeituras vivem. Mais importante do que isso, a importância que a ajuda do Estado tem. Caiado não conhece Goiás. Está andando agora.

Patrícia Moraes Machado – Por que até hoje não foi terminada a biblioteca do Centro Cultural Oscar Niemeyer?

Está pronta. Obra do Oscar Niemeyer é extremamente complicada para construir e para manter. Estamos terminando a reforma.

Patrícia Moraes Machado – Foram 16 anos?

16 anos. Tem coisas que não têm explicação. Por uma série de fatores. É um problema burocrático aqui, uma licitação que não deu certo. Funcionou esse período inteiro, agora está parado porque está em reforma. A biblioteca não. Esse que é o problema. Com os livros comprados. Não tinha como colocar, porque na hora de fazer a instalação o projeto era antigo. Precisou quebrar para readequar ponto de energia.

Augusto Diniz – A história do erro de cálculo do prédio da biblioteca é verdadeira?

Não existe. Isso é um mito. Não tem nada disso. Governo tem coisas que andam rapidamente e outras que não. Quando me procuram, sempre explico que é preciso entender as particularidades de governo. Tem coisas que não andam porque não andam. Por mais que haja esforços para acontecer, aparece um problema. Infelizmente isso aconteceu com o Oscar Niemeyer. E é uma obra emblemática. Não falta empenho. São coisas muito particulares de uma obra do Oscar Niemeyer. Goiás tem o privilégio de ter uma obra maravilhosa do Oscar Niemeyer, o maior arquiteto brasileiro de todos os tempos. Mas o ônus disso é a dificuldade de manutenção, problemas que surgem durante o uso e uma série de coisas. Mas felizmente está indo.

Augusto Diniz – A discussão do comitê da bacia hidrográfica do Rio Meia Ponte sobre uma possível necessidade de racionamento de água na Região Metropolitana pode gerar problemas eleitorais?

Acredito que não. As ações que poderiam ser tomadas pelo governo estão sendo adotadas. A crise hídrica não é local, é nacional. É mundial, mas agora muito mais nacional porque parece que o brasileiro está começando a se atentar para esse problema seriíssimo. Sempre tivemos muita abundância de água. Por isso nunca demos o valor que a água tem. O que o Estado podia ter feito, como a barragem do Ribeirão João Leite, foi feito com antecedência e planejamento.

Podemos ter algum problema pontual por causa da bacia do Meia Ponte, que é um problema que precisa ser enfrentado. Quando começa a enfrentar o problema, mexe com o interesse de alguém, como os usuários da bacia do Meia Ponte, principalmente quem produz às margens e tem outorga para irrigação. Isso tem de ser revisto. A cada ano, o período de estiagem é maior, com mais falta de água. Não falta ação do governo. Falta agora uma reciclagem e mudança no que estava colocado. Se não fizermos uma ação de imediato no Meia Ponte, o problema vai se acentuar cada vez mais.

Digo a mesma coisa em relação ao Rio Araguaia. Frequento o Araguaia há 40 anos. Sou da época que o Araguaia era um rio pujante, com muita água, muito bicho. O Rio Araguaia está acabando e as pessoas não estão vendo.

Patrícia Moraes Machado – Caiado disse que vai resolver o problema do Rio Araguaia.

Caiado vai resolver tudo. É a primeira vez que foi ao Araguaia. Foi lá para tirar foto. Não conhece nada. Já sugeri, inclusive ao governador Marconi, unir esforços dos governadores do Tocantins, Mato Grosso e Goiás para discutir uma política para o Rio Araguaia. Não adianta só fazer em Goiás. Temos de ter uma política de reflorestamento da margem do Rio Araguaia, que foi desmatada de forma irresponsável. O rio está assoreando há bastante tempo. É preciso proibir a pesca de qualquer ordem por no mínimo cinco anos. Quando o Rio Araguaia acabar vão dizer “que pena”. Vimos isso acontecer no mundo inteiro.

Augusto Diniz – Alguns candidatos ao governo têm proposto a reestatização da Celg.

O governo federal está privatizando a Eletrobras. Vai na contramão da história mundial. Isso é irresponsabilidade, joguinho eleitoreiro. A Celg não é atividade do Estado. O Estado não tem de gerar nem distribuir energia. No mundo inteiro quem cuida disso é a iniciativa privada. Essa lorota de que vão reestatizar. Vão arrumar dinheiro de onde para fazer isso? Já mentiram porque não têm dinheiro para fazer isso. Se fizessem, seria muito irresponsável investir dinheiro nisso ao invés de colocar em saúde, segurança pública e educação. Essa história não existe, é conversa fiada. É o mesmo que Caiado questionar a venda da Celg. Se fosse governador ele faria a mesma coisa. As companhias que estavam na mão dos governos estão sendo vendidas. Por que iríamos contra o que o Brasil inteiro tem feito? Isso é lorota!

Patrícia Moraes Machado – Caiado tem uma rejeição muito grande entre as mulheres. Sebastião Tejota disse que fará uma radiografia das ações do governo para as mulheres. Pode um conselheiro ter uma ação política tão direcionada?

Tem de perguntar para ele. Poderia até fazer isso se o filho dele não fosse candidato a vice-governador. A partir do momento em que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) atua dessa forma, ele extrapola. Gosto muito do Sebastião Tejota, que é experiente e sensato. No lugar dele, eu não faria. Não pega bem.

As mulheres são mais sensatas. Elas pensam um pouco mais antes de definir o voto. Por essa sensatez que elas não se empolgam muito com as bravatas do Caiado. Não só em políticas voltadas para as mulheres, mas Marconi com certeza foi quem fez mais em todas as áreas: valorização, participação de governo, criação de programas. Marconi sempre teve uma ação muito forte e uma votação muito expressiva no eleitorado feminino. Mulher nenhuma gosta de homem que diz que vai bater, matar, prender.

Sebastião Tejota deveria fazer isso rapidamente porque vai encontrar muitas ações voltadas para as mulheres. Um governo que foi reeleito quatro anos é porque com certeza tem muita coisa para mostrar em todas as áreas. Por isso eu defendo a eleição ple­biscitária. Nós temos o que mostrar.

Augusto Diniz – As pesquisas internas têm apontado quais temas pautarão o debate eleitoral em Goiás?

Saúde e segurança. A saúde de responsabilidade do Estado é referência. Caiado como médico deveria nos ajudar na área de saúde visitando nossos hospitais para dizer o que está errado e sugerir. Mas faça isso com Iris Rezende (MDB), aliado dele, também. A grande dificuldade é que o cidadão quando é atendido em uma unidade de saúde não sabe distinguir se é uma unidade do município, do Estado ou da União. O governador é xingado por todos os problemas encontrados.

Já vi em pesquisas qualitativas em que o pesquisador informava a pessoa que a determinado problema não era atribuição do Estado. A resposta que surge é “mas o governador deveria ajudar”. Mesmo não sendo, existe a ideia de que tudo é culpa do governador e tudo deveria ser resolvido por ele. Nosso grande desafio na saúde é mostrar que nós temos uma saúde de primeiríssima qualidade. Essa reclamação do cidadão por uma saúde melhor não é de responsabilidade nossa, é dos municípios. Em 2011, eu falei para o governador Marconi: “Nós precisamos assumir a regulação”.

“Meirelles seria um grande presidente, mas a chance é praticamente zero”

Jayme Rincón em entrevista aos jornalistas Felipe Cardoso, Augusto Diniz, Patrícia Moraes Machado e Rafael Oliveira: “Grande incógnita é o Bolsonaro” | Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Augusto Diniz – Como está a disputa pela regulação em Goiânia?
Iris criou caso. O prefeito devia liberar. Primeiro que ele ficaria livre do problema e depois porque nós sabemos fazer melhor. Essa regulação deveria ser entregue para o Estado. Como não se tem controle da entrada de pessoas na sua rede hospitalar? Como não se sabe o que é e o que não é prioridade? Quais critérios são usados para transferir pacientes para a rede estadual? Não sabemos. O desafio na campanha é mostrar que nós cuidamos da saúde bem cuidado. José Eliton disse que não quer mais saber de quem é a responsabilidade, não quer mais saber de jogo de empurra. “Não é atribuição minha? Não. Mas eu vou fazer.” Esse é o estilo dele, o que é altamente positivo.

Na segurança temos conseguido reduzir todos os índices. O problema de segurança é nacional. A origem é muito mais complicada. Temos um sistema prisional que hoje é o maior indutor. A maioria dos crimes nasce nos presídios. José Eliton defende a federalização dos presídios no Brasil e tirar do centro urbano das cidades. Não há como ter um presídio dentro de Aparecida. É uma escola do crime e de lá controla-se tudo que acontece do lado de fora. Condenado é condenado. Presídios agrícolas fora de município. Mas como fica a família do preso? O Estado dá ônibus para ir visitar no final de semana.

Augusto Diniz – O que aconteceu que foram devolvidos R$ 19 milhões em recursos para o sistema penitenciário?
Era recurso do governo Alcides Rodrigues. Nós não devolvemos nada. O Estado de Goiás é o que está com o cronograma de construção de presídios mais adiantado no Brasil, das obras financiadas pelo Depar­tamento Penitenciário Nacional (Depen). Somos o que está mais adiantado. E com todos os problemas. Obras quando são executadas com recurso federal em contrapartida são construções mais complexas e demoradas, porque é preciso prestar a conta de uma etapa para haver a liberação do recurso seguinte. Faz-se a contrapartida para que seja liberada a outra parcela. Estamos investindo em seis presídios. Estamos investindo pesado no sistema prisional e ainda ficará aquém.

A segurança ostensiva nas ruas melhorou. As pessoas têm notado a presença da polícia nos terminais de ônibus. Mas é preciso ir na origem do problema, que inclui fronteira mal vigiada pelo governo federal, onde entra de tudo, e o sistema carcerário brasileiro que é um caos. A pessoa é presa. Se não entrar para uma das facções criminosas é assassinado. Pode ser a pessoa mais séria e bem intencionada do mundo, entrou no presídio vira bandido ou acabam com a vida dele. É assim que funciona.

A mudança depende de uma política nacional, a criação de um fundo pelo governo federal e entrar para valer na questão dos presídios. Outra coisa é a lei penal, em que um condenado que cometeu um delito leve convive com um bandido que matou 20 pessoas. É preciso aplicar penas alternativas. Não é possível prender todo mundo no Brasil por qualquer coisa. Sempre defendi que preso tem de ser quem causa motivo de risco para a sociedade. O resto é preciso trabalhar penas alternativas.

Patrícia Moraes Machado – Henrique Meirelles (MDB) confirmou na quinta-feira, 2, sua candidatura à Presidência da República. Como o sr. avalia a disputa nacional e qual seria o melhor nome para governar o País?
Meirelles seria um grande presidente. Mas a chance de eleição do Meirelles é praticamente zero. Alckmin também seria o presidente certo na hora certa. O resto é resto. Todo mundo diz que o PT vai colocar um candidato no segundo turno. E fortíssimo. Se for o Fernando Haddad, que foi um bom prefeito em São Paulo, seria dos males o menor. Pelo o que está colocado até o momento, a chance de Alckmin virar presidente é muito grande.

Augusto Diniz – Em entrevista ao Jornal Opção, o cientista político Alberto Carlos Almeida defendeu que o histórico das últimas quatro eleições presidenciais aponta para uma tendência de segundo turno entre PSDB e PT neste ano. Mesmo com Lula preso, a formação do segundo turno tende a ser mesmo PT e PSDB?
Vai depender muito do desempenho do Bolsonaro. A grande incógnita desta eleição é o Bolsonaro. Se ele conseguir manter o que já tem até agora e criar uma perspectiva de poder, o que faria como que ele passasse a contar com um apoio inesperado até para ele, de grupos empresariais e políticos, Bolsonaro poderia mudar o rumo das eleições. Se mantiver os 20% de intenções de votos que têm hoje, Bolsonaro está no segundo turno.

Augusto Diniz – Imaginando um cenário em que José Eliton seja reeleito e Bolsonaro se torne presidente, como ficaria a relação do governo de Goiás com a União?
Não vejo dificuldade por se tratar de relação institucional. José Eliton é muito republicano. Vejo dificuldade do Bolsonaro em governar o País.

Augusto Diniz – Para Alckmin, é melhor disputar só com Bolsonaro ou com Bolsonaro e Lula nas urnas?
Acredito que com Bolsonaro. A relação é de risco. Estamos vendo o mundo indo para uma direita mais forte. Lula não. Estão tentando antecipar o julgamento para antes do dia 15 e impedir que ele registre candidatura. Dificilmente Lula conseguirá registrar sua candidatura. Até porque se registrasse e ganhasse seria muito difícil governar da cadeia, fazer reunião de ministério e as outras decisões.

Patrícia Moraes Machado – O DEM apoiou Alckmin, mas e nos Estados?
Cada Estado é um caso.

Patrícia Moraes Machado – Como Caiado vai se posicionar? Não vai apoiar Alckmin?
Não. Cada Estado tem sua particularidade. Estamos tendo problemas sérios em Minas Gerais. Essa é a salada partidária que vivemos.

Rafael Oliveira – Marconi foi figura importante para trazer o apoio do centrão ao Alckmin. A vice na chapa com a senadora Ana Amélia (PP) também pode ter tido o dedo do ex-governador de Goiás. Isso facilita a manutenção do PP na base estadual? É possível verticalizar as alianças?
É muito difícil verticalizar pela particularidade de cada Estado.

Rafael Oliveira – O trânsito nacional do Marconi facilita no Estado?
Facilita, mas não ajuda.

Augusto Diniz – Qual é o sentimento do governador José Eliton de enfrentar nas urnas um ex-aliado, que inclusive o colocou no cargo de vice-governador na chapa em 2010?
É um sentimento muito forte, com uma segurança muito grande. Quando discutimos coligação, José Eliton sempre repete “eu quero disputar com Caiado”. Muito seguro. Extremamente seguro em relação a disputar a eleição com Caiado. Talvez por ter convivido o tempo que conviveu com Caiado. “Eu quero uma eleição plebiscitária com Caiado. Eu quero um debate meu com ele.”

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.