“Sempre tive muita convicção do que sou capaz e acredito para o Estado”

Deputado federal do MDB afirma que é natural haver divergências e pessoas que não conseguem ter uma visão ampla do processo e do poder de coligação da chapa

Deputado federal Daniel Vilela (MDB), candidato a governador | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Candidato a governador pelo MDB, o deputado federal Daniel Vilela diz entender a falta de visão de filiados de seu partido que não conseguiram enxergar a força de construção de alianças que sua chapa teria. No último dia das convenções, o concorrente emedebista ao governo de Goiás trouxe para o o seu lado o PP, do ministro das Cidades Alexandre Baldy, e o PRB, do deputado federal João Campos. “Às vezes as pessoas se deixam seduzir por números que estão descontextualizados da eleição”, observa.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia a posição dos emedebistas que não acreditaram na sua candidatura e nem que conseguiria formar chapa?

Tiveram falta de visão ou pecaram por falta de conhecimento. Em todos os partidos grandes como o MDB é natural ter divergências e pessoas que não conseguem ter uma visão ampla do processo e do que pode acontecer. Às vezes as pessoas se deixam seduzir por números que estão descontextualizados da eleição. Vejo com muita tranquilidade, não tenho nenhum tipo de rancor com aqueles que fizeram qualquer julgamento de forma precipitada. Sempre tive muita convicção do que sou capaz, acredito para o Estado e as razões que me colocaram como pré-candidato. Tudo isso me motivava a não me abalar com qualquer situação interna ou externa ao partido.

Gosto muito de ler e conhecer a história da política. Percebemos que as grandes mudanças e vitórias sempre foram precedidas de disputas com muitos desafios. Disputas que exigiram daqueles que foram os líderes das mudanças sacrifício, obstinação muito grande, determinação forte. Tudo isso através da convicção de que eram capazes e de que era preciso aquilo para o Estado ou para o partido.

Meu pai [Maguito Vilela] quando foi candidato a governador em 1994 passou anos tendo questionada a sua capacidade de ser candidato, se conseguiria reunir as condições para ser ele o candidato. MDB tinha uma força muito grande, com muitos líderes importantes que pleiteavam aquela candidatura. Iris quando disputou o governo no passado ganhou as eleições e também teve muitos desafios que foram superados até que obtivesse as vitórias.

É natural e me deixa feliz. De alguma forma estou dentro de um contexto vitorioso, daqueles que conseguiram passar por tudo isso para vencer. Se estivesse tudo muito fácil é que eu deveria estar preocupado e avaliar se não há algo errado.

Patrícia Moraes Machado – Parte dos seus opositores no partido continuam no MDB, como é o caso do prefeito Adib Elias, de Catalão.

A filiação do Adib está suspensa. O processo de expulsão está sendo conduzido pelo conselho de ética do partido. Essa é uma questão superada. Não vou me atentar a isso. O nosso foco é a eleição.

Euler de França Belém – O que muito se comentava era a sua dificuldade de montar uma chapa consistente. De repente, o sr. conseguiu montar uma chapa forte tanto na eleição majoritária quanto no cenário proporcional. Como a montagem dessa chapa se deu? Qual foi a interferência do presidente Michel Temer (MDB)? Foi made in Goiás?

Completamente made in Goiás. Esses questionamentos eram uma contrainteligência por parte de quem os fazia. Sempre soube que tínhamos uma chapa para deputados estaduais muito boa com condição de eleger seis a sete candidatos do MDB. Para deputado federal também muito boa, com uma condição muito melhor, por exemplo, do que a do DEM, que tem quatro candidatos a deputado federal. O questionamento era muito mais um receio de que eu pudesse construir uma aliança com outros partidos.

Era mais um desejo de outras pessoas de que eu não construísse uma chapa competitiva do que uma realidade daquele momento de que não teríamos uma chapa. Apostavam nisso e usavam esse argumento como uma forma de atrair apoio às outras coligações. Interessante de tudo é que eu era o alvo nos últimos três meses dos outros pré-candidatos, tanto do governador José Eliton (PSDB) quanto do senador Ronaldo Caiado (DEM). O grande objetivo dos dois era enfraquecer a minha candidatura. Não havia a tentativa de um enfraquecer a pré-candidatura do outro, era sempre a tentativa de minha a minha pré-candidatura.

Tentaram fazer com que não tivéssemos a determinação necessária e acabássemos cedendo. Há uma razão para que eu esteja bastante motivado. Por que um candidato que é governador, que tem toda uma máquina a seu dispor, e outro que lidera as pesquisas não queriam nosso fortalecimento, não queriam que construíssemos uma aliança consistente como construímos?

Euler de França Belém – Como foi a montagem dessa aliança?

Tem uma série de coisas que fazem com que uma aliança se construa. Óbvio que há os interesses pessoais políticos de cada um dos principais membros do partido. Eu tinha o interesse de ter o PP. Deputado Heuler Cruvinel, do PP, tinha o interesse em ser candidato a vice-governador. Heuler é meu amigo e entende que temos a possibilidade de construir juntos um projeto novo. O ministro Alexandre Baldy (PP) por estar em um governo do MDB torna-se um componente para consolidação da chapa. Mas Baldy nunca escondeu a necessidade de promover uma recomposição política, de promover uma mudança no status quo do sistema partidário e das alianças em Goiás.

Vanderlan Cardoso (PP) tem um papel fundamental para que pudéssemos construir essa aliança. Vanderlan tem uma boa relação comigo e acredita que podemos de fato representar a renovação das práticas administrativas e políticas. Queria ser candidato a senador e conosco. Deixou claro nas conversas que teve nas últimas duas semanas, inclusive com o governo do Estado, que gostaria de ser candidato a senador ao nosso lado. Tudo isso se somou aos fatores que culminaram com essa aliança. Nossa chapa também era mais compatível com os candidatos do PP, PRB e PHS.

Na chapa do governo são oito deputados que vão para a reeleição com muita força. Isso inibe alguém de migrar para o lado do governo porque passa a ter uma necessidade de votos bem maior. Tudo isso convergiu para que pudesse dar certo. E a nossa disposição e determinação de dialogar e construir para fazer uma aliança que seja horizontal. Ninguém tem interesse de construir um grupo político no qual haja uma figura em torno da qual todos tenha de gravitar e alimentar a vaidade dessa pessoa. É possível fazer um grupo que seja horizontal, de compartilhamento dos espaços e decisões. É um fator que também foi levado em consideração.

Euler de França Belém – A dissidência do PP está superada?

É normal que alguns integrantes do PP não integrem a campanha, quem têm suas relações municipais divergentes ao MDB. Estamos tentando construir, mostrando para todo mundo que não queremos praticar política única e exclusivamente partidária nos municípios. É possível tentar integrar e construir projetos. Da mesma forma que entendemos que é possível construir e compartilhar projetos no Estado, também nos municípios. Ainda há resquícios de alguns que se prendem ao fato de o MDB em determinada cidade sempre ter sido adversário. Mas quando se analisa a situação descobre-se que há dois lados de grupos qualitativos com pessoas preparadas. Qual a razão de continuar a ter enfrentamento só porque durante a história houve enfrentamentos partidários? Não é a política contemporânea.

É preciso estar todo mundo junto ocupando os espaços. Tem espaço para todo mundo. As circunstâncias momentaneamente às vezes colocam alguém em uma condição melhor de ser candidato, mas daqui quatro anos será outro que disputará a eleição. Tentamos mostrar um espírito coletivo com união e compartilhamento especialmente aos líderes do PP e do MDB do interior para que possamos promover uma integração completa e eleitoral do partido.

O deputado federal Roberto Balestra (PP) é uma das figuras que mais admiro da nossa base. Converso com Balestar constantemente e me sinto um privilegiado de ter dialogado constantemente com o deputado. É uma figura extraordinária, que tem uma história de serviços prestados pelo Estado, de lealdade e de amizade. Tentamos construir para termos efetivamente uma aliança entre todos dos partidos.

O deputado João Campos é para mim também uma grata satisfação da aliança. Convivia com João Campos nos últimos anos na Câmara, mas não o conhecia profundamente. Fiquei maravilhado com a capacidade de trabalho, o preparo intelectual, a forma sincera de conduzir todas as decisões. Ele nunca mentiu, omitiu ou fez jogo. É uma pessoa extremamente transparente. Um dia estávamos conversando eu, ele e Vanderlan, o telefone do João Campos tocou e era a secretária do governador José Eliton. Ele disse “pois não, eu atendo o governador. Estou aqui ao lado do Daniel e do Vanderlan, mas posso falar sim com o sr., assim que sair daqui vou ao seu encontro”.

Com João Campos não existia a história de “conspirar contra” ou “fazer escondido”, era uma questão de diálogo. É algo que vale muito na nova política. Todos sabem quais são os objetivos políticos e partidários de cada um. Qual é a razão de omitir ou esconder? Na política não tem segredo. Você vai conversar com uma pessoa de manhã sabendo o que aconteceu na noite ou na madrugada anterior. João Campos é um sujeito extraordinário. Estou muito feliz porque sempre disse que gostaria de ter uma aliança que fosse convergente de espírito público e de inovação na política. Acredito que consegui isso.

Caiado fez a opção de receber apoio de todos os tipos de partidos pequenos e loteou o governo e já fez compromissos que precisam ficar à margem de compromissos políticos. Tudo isso apenas para ter número de partidos, sem nenhum tipo de afinidade ou convergência daquilo que pensam para o Estado. Se é que alguns têm interesse em praticar uma política para o Estado. Estou muito realizado com nossa aliança. Tivemos as bênçãos de Deus para que as coisas convergissem para essa aliança.

Augusto Diniz – Que tipo de diálogo precisa ser feito com o deputado Roberto Balestra para trazê-lo para o seu lado?

Nós já temos dialogado. É fato que Balestra tem grande parte de sua base eleitoral muito ligada ao governo do Estado. Ele sempre colocou ser refém da decisão da maioria do seu grupo político. Estamos conversando para ver a possibilidade de integrar nosso grupo. Não sei se isso será possível, mas não vou deixar de admirá-lo e reconhecer suas virtudes em razão de amanhã Balestra decidir não caminhar conosco.

Augusto Diniz – Dois quadros do MDB deixaram o partido, que são os deputados estaduais José Nelto e Lívio Luciano, agora no Podemos. Os dois defendiam a união das oposições como possível de acontecer até o momento das convenções. Houve a negociação até o prazo final das convenções?

As conversas aconteceram até abril. Houve diálogo para que pudéssemos estar juntos. Já disse isso em outras oportunidades: Ronaldo Caiado nunca me convidou para uma conversa em que estivéssemos para debater o que pensávamos ou queríamos para o Estado. Todas as conversas se deram em razão de ganhar a eleição. “Temos de nos juntar para ganhar a eleição.” Isso não faz parte da nova política. Pelo contrário, é uma política ultrapassada, atrasada. A atividade fim da eleição é o governo, é a realização, são os projetos. Não a pessoa ganhar a eleição. Eleição é o primeiro ato para isso.

Nunca houve nenhum tipo de diálogo no sentido de unir para ganhar a eleição e depois pensar na montagem do governo. Tenho testemunhas que sabem que nunca foi algo com a intenção de se construir um projeto para o Estado. Havia um pouco de rancor, raiva, ódio, disputa de vaidades com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Essas sempre foram as razões da candidatura do Caiado. E sempre foi a razão de não estarmos aliados.

Euler de França Belém – Caiado tem tentado impor um discurso de que seria a verdadeira oposição pelo fato de que Maguito sempre teve uma grande relação com o ex-governador Marconi Perillo e teriam sempre se frequentado. Caiado é de fato a verdadeira oposição?

Chega a ser risível Caiado dizer isso. Nas últimas cinco eleições, em quatro Caiado esteve ao lado do governo. Governador José Eliton foi indicado por ele. Do ponto de vista político, ninguém no Estado conhecia José Eliton, quando de repente na convenção do Democratas ele foi indicado para ser vice do Marconi. Caiado não pode negar que José Eliton é cria dele. Foi Caiado quem estabeleceu essa indicação. Ninguém pode negar a presença e participação de Caiado nos 16 anos que ficou no governo.

Maguito teve relação administrativa como prefeito. Nunca frequentou palácio para jantar, almoçar, sempre esteve lá para dialogar as demandas do município. Nunca apoiou Marconi em nenhuma eleição. Nas últimas duas eleições, Iris Rezende (MDB) teve vitórias acachapantes em Aparecida de Goiânia. Ninguém pode questionar isso. Caiado é criador de José Eliton. E é também criador do Marconi. Foi um dos principais pilares da candidatura do ex-governador em 1998.

A verdade é que só veio para a oposição em 2014, se juntou ao MDB em razão de não ter tido a oportunidade de ser o candidato a senador do lado do Marconi. O que Caiado queria era ser candidato ao lado do Marconi. Os senadores Aécio Neves (PSDB) e José Agripino Maia (DEM) vieram a Goiânia a pedido de Caiado para convencer Marconi a aceitá-lo como candidato a senador. Só quando Caiado teve o não definitivo que veio se aliar a Iris. Isso foi muito claro, as pessoas conseguem perceber isso.

Talvez Caiado se coloque como oposição porque é adepto da política do quanto pior melhor. Você já viu Caiado ser oposição em algum lugar? O senador sempre é oposição. Oposição a todos os governos. Sabe jogar pedra, mas nunca consegue ser propositivo do ponto de vista do desempenho dos seus mandatos. Basta ver nos últimos 30 anos como deputado o que Caiado fez por Goiás. Vamos ver se alguém aqui sabe alguma realização dele, especialmente para as pessoas mais humildes. Não tem.

Do ponto de vista legislativo, ter esse papel é importante. Ninguém quer governador para brigar, que não tenha diálogo. Ninguém acredita que se governa batendo a mão na mesa. Não é dessa forma. Não é fazendo discursos verborrágicos. Política é diferente. É preciso ter capacidade de gestão, de diálogo, de reunir um time de pessoas determinadas a aplicar as boas práticas de gestão. É bem diferente.

Patrícia Moraes Machado – Seu discurso está todo embasado na nova prática da política. No entanto, seu discurso é o mesmo do Caiado de que José Eliton vem do Marconi. Se a figura do Caiado fica ligada ao caiadismo da cidade de Goiás, sua imagem pode ser atrelada ao Maguito. Todos políticos têm um passado. A crítica, nesse caso, também não está atrelada à política velha?

Não. Há o debate político e o das práticas de gestão. Quando estou no debate político, não vou ignorar que José Eliton representa o grupo que está há 20 anos e perdeu a capacidade de inovar, perdeu a capacidade de praticar uma gestão eficiente no Estado. Estão os números para mostrar, estão os goianos demonstrando uma rejeição histórica ao governo.

Patrícia Moraes Machado – Mas faz-se uma crítica ao governo, não a José Eliton. É uma crítica ao Marconi que o sr. faz.

Mas quem é o governador? Quem foi vice-governador nos oito anos? Foi José Eliton. Não fui eu que ocupei o cargo de vice-governador por oito anos. Não sou cúmplice nem responsável pelo o que praticaram nos últimos anos. São eles. Têm de assumir isso. Se o Estado está em más condições, principalmente do ponto de vista fiscal, a responsabilidade é deles. Falta de planejamento, gestão, boas práticas. Isso tudo precisa ser colocado. Se não for colocado, qual a razão da população nos escolher? Se estiver tudo bem vai ficar quem está.

O papel da oposição é questionar o que está errado. Hoje há uma série de erros e eles são responsáveis por isso. Um era governador, o outro vice-governador e agora o vice virou governador. São eles os responsáveis por isso.

Felipe Cardoso – Qual grupo o sr. representa?

Um grupo de pessoas que querem ter a oportunidade de levar o seu conhecimento, a sua capacidade e uma gestão contemporânea para Goiás. Uma gestão que leve em consideração a competência e o mérito da ocupação dos cargos públicos e não única e exclusivamente a condição política. Hoje Goiás tem o maior número de comissionados do Brasil, fruto apenas de atendimento político eleitoral. O comissionado existe para trazer de fora do setor público pessoas que tenham condições e habilidades específicas para desempenhas aquelas funções. É isso que nós queremos. É essa a nova política. Essa é a gestão contemporânea, é agregar essas pessoas com os talentos que temos entre os servidores de carreira.

Inclusive uma proposta que assumi é que 50% dos cargos comissionados do Estado sejam assumidos por servidores de carreira. Vamos criar um processo de certificação e habilitação dos servidores de carreira para que eles possam ocupar também os cargos de chefias comissionadas. O Estados tem em determinadas áreas pessoas que conhecem, têm experiência, expertise, mas que são subordinadas a pessoas que não têm o mínimo de qualificação para exercer aquela atividade.

Esse é o grupo político que queremos construir, um grupo político que leve em consideração a necessidade de o setor público se tornar eficiente através do mérito e da competência das pessoas que vão assumir as responsabilidades no Estado. O governador não tem a obrigação de saber detalhadamente todas as áreas e especificidades que tem um governo. Mas tem a obrigação de tentar colocar a melhor equipe possível, as pessoas que reúnem as melhores condições técnicas para desempenhas seus papeis.

“Não teremos um sistema público de saúde de qualidade se não for promovida a integração”

Augusto Diniz – Quais erros são esses e o que o sr. fará para mudar a situação?

Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Temos reunido uma série de técnicos altamente especializados. Fizemos o diagnóstico do Estado em todas as áreas, principalmente na questão fiscal. Estamos terminando de elaborar nosso projeto de gestão para trazer soluções para os problemas que foram identificados em Goiás. Dentro do que é possível ser realizado, do que é verdadeiro. Goiás não quer mais uma campanha de propostas mirabolantes, demagógicas, hipócritas, que não são exequíveis.

Não se pode falar mais em promover investimento em infraestrutura de saúde sendo que há uma série de hospitais que estão inacabados e nunca são concluídos. Não dá para falar na segurança pública em imediatamente equilibrar o número necessário de agentes da segurança se não há recursos para isso. É preciso otimizar os recursos existentes para tentar melhorar a qualidade, sufocar o crime com investimentos em inteligência e tecnologia. É preciso encontrar soluções que são plausíveis. Soluções reais, verdadeiras.

E é o que nós vamos apresentar. Apresentamos os sete eixos, que são transversais em todas as áreas. Esses eixos, a partir do seu conteúdo, vamos tentar integrá-los e tentar apresentar soluções dessas áreas. Os eixos que apresentamos são conectar, gerir, cuidar, conhecer, empreender, amparar e proteger. Todos eles são transversais em todas as áreas. Cidadão para chegar a um posto de saúde de um hospital entra no conectar. É preciso estar em um sistema, um prontuário eletrônico, no qual o sistema saiba quem ele é, onde mora, o histórico de saúde. Depois vem o gerir, que é a forma de ser recebido e atendido. E vem o cuidar, que é onde efetivamente vem o profissional da saúde para remediar e atender.

Muito mais por uma questão eleitoral, o Estado apresentou como proposta a construção dos hospitais regionais e a maioria deles não foi concluída. Vamos ter de concluir para ter uma rede pronta a ser utilizada. É preciso ter recurso para terminar esses hospitais. Só que o Estado disse que cuidaria daquilo que é a responsabilidade dele, que é a média e alta complexidade, e os municípios que se virem no atendimento básico a saúde. Hoje a grande reclamação é o atendimento exatamente nas pontas.

O Estado se omitiu dessa integração. Não teremos um sistema público de saúde de qualidade se não for promovida a integração. Deixar sob responsabilidade apenas dos municípios aquilo que constitucionalmente é responsabilidade deles, mas é preciso ter um sistema integrado que te dê uma informação para criar uma política de prevenção. Para que o Estado seja o indutor da política pública de saúde. Para que o Estado seja o big data de informações que possam gerar a construção de políticas públicas.

Além do sistema, a cereja do bolo que estamos propondo é uma integração da rede pública com a rede privada. Aconteceu um fenômeno nos últimos anos que é a criação de clínicas populares no interior do Estado e também na capital. Devido a ineficiência do Estado e o péssimo atendimento, os médicos se unem, montam uma clínica popular e oferecem atendimento e exames a preços acessíveis a uma população de baixa renda. Por que não o Estado usar essa rede que existe? Por que não integrar com essa rede?

Para o cidadão não importa se será atendido pela rede pública ou particular. Ele precisa ser atendido e bem atendido. Às vezes há um custo na rede privada que é razoável, gera um lucro para a rede particular e ainda assim é mais barato que a rede pública. É criar um sistema no qual o cidadão vai se autorregular. A pessoa terá um aplicativo, o prontuário dele estará inserido. É tão simples, é como se fosse o Uber da saúde. Quando você vai instalar o aplicativo do Uber, você tem de dar seus dados. Com o prontuário eletrônico, você coloca a especialidade médica que precisa e o sistema te oferece as opções de horário, local e até mesmo de médico para que você possa ser atendido mais próximo à sua casa ou ao seu trabalho.

Isso evita que aconteça o mesmo que em Goiânia, onde os hospitais estavam indo à falência. Criaram-se os grandes hospitais públicos e acabaram com os convênios. Com o sistema também é possível controlar os convênios com a rede privada para não ter nenhum tipo de fraude ou de desonestidade por parte de alguns da rede privada. Isso dá transparência, celeridade, conforto e empodera o cidadão para que ele possa definir o que quer de melhor. Tudo dentro de um sistema.

Ter filas virtuais de cirurgias acaba com os jeitinhos. Vai ser possível saber quem está na fila, qual é a posição na espera. De acordo com as necessidades, é lógico que há a necessidade de uma central de regulação para classificar os casos mais graves. Cria-se a condição de a pessoa ter acesso às informações. O cidadão vai ter condições de saber quais pacientes estão ocupando as vagas de UTI em Rio Verde, onde ele precisa de uma vaga e saber se todas as vagas estão de fato ocupadas e precisa de procurar em outro local.

É preciso dar transparência a esse sistema. Essa integração, tendo o Estado como formulador da política pública e o sistema gestor da saúde no Estado facilita muito, principalmente com a integração da rede privada.

Augusto Diniz – Prefeitura de Goiânia e governo estadual disputam o controle da regulação da saúde na capital. Qual seria a solução para esse impasse?

Construir um sistema que seja integrado em todo o Estado. Você sabe por que Goiânia tem hoje a regulação de quase todo o Estado? Porque só Goiânia tem um sistema de regulação. O Estado não tem. O governo inventou que queria tomar a regulação da noite para o dia, sem ter sistema, sem o mínimo de condição. Seria um caos. Do ponto de vista político seria um desastre para o governo. Mas como temos responsabilidade, principalmente o prefeito Iris Rezende e a secretária de Saúde, entenderam que aquilo seria o caos com a transferência imediata. Se o governo chama todos os polos médicos do Estado, as grandes cidades que têm a média e alta complexidade, constrói um sistema com todas as mãos, que seja interligado não vai ter briga para saber se a regulação tem de ficar com um ou outro governo.

O município vai ficar aliviado de não ter de fazer a regulação. Porque Goiânia recebe pedido de regulação do Estado, de outros Estados. Temos em Goiânia quase 1,5 milhão de habitantes. E temos 4,5 milhões de cartões SUS. E são 4,5 milhões de usuários do SUS. Não entram nesse número os usuários de planos de saúde da iniciativa privada. Falta essa sistematização e informatização. É muito simples. Basta ter vontade, gestão, pessoas inovadoras com capacidade de trabalho e de realizar. É esse o nosso interesse e o nosso objetivo. Tenho certeza que apresentando e construindo esse sistema, os municípios não terão dificuldade em promover essa integração.

Euler de França Belém – Dá a impressão de que o sr. é muito condescendente com o prefeito Iris Rezende e muito crítico ao governo do Estado na saúde. Goiânia é o caos absoluto nessa área.

Não sou. Até porque são funções diferentes. Mas Goiânia tem muita dificuldade em razão da quantidade de usuários. São 4,5 milhões de cartões SUS para atender, que estão no atendimento básico, no posto de saúde. Perto da casa do cidadão, onde ele precisa. É normal ter esse nível de crítica mais aguçado, porque quando o cidadão precisa do atendimento de saúde fica revoltado com a falta de celeridade e de condição de ser atendido.

No Estado, por exemplo, você não pode parar o carro no Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia] passando mal e querer ser atendido. Vão te encaminhar para uma UBS [Unidade Básica de Saúde] ou uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento] para ser atendido, ser for caso cirúrgico depois você será regulado novamente para o Hugo. Não estou dizendo que isso está errado. Mas se não for feita a integração, o Hugo ficará ocioso com pagamento caro pelo serviço de uma OS [Organização Social] e um atendimento ruim e precário nos municípios. É por isso que insisto na integração. O Estado não pode se omitir de ser partícipe dessas decisões e do atendimento por parte dos municípios.

Euler de França Belém – Se o sr. for eleito vai retirar as OSs dos hospitais?

Não. Nunca fui hipócrita, demagogo. Nunca fiz política sem inteligência, populista, de criticar sem conhecer. O modelo de contrato de gestão é um modelo que precisa ser expandido. Pode ser feito um contrato de gestão com todos os órgãos do Estado, com a própria administração direta. Não precisa do terceiro setor. Mas tem locais que o terceiro setor desempenha com melhor qualidade. O que vamos fazer especificamente a área da saúde é instituir um corpo técnico, que não existe no Estado.

Temos a Agência Goiana de Regulação [AGR] que regula tudo, de transporte intermunicipal ao contrato de gestão com as Organizações Sociais na saúde. Vamos construir um corpo técnico para que possa regular de forma mais eficiente para otimizar melhor os recursos das Organizações Sociais. Aquelas que não estiverem cumprindo com o que está contratualizado teremos de recontratar ou buscar outras alternativas. Mas é um modelo interessante, eficiente, que depende da Organização Social.

Qual é a razão de trazer uma OS para o setor público? Essa OS tem uma expertise, tem um know-how naquela área, trabalhos desenvolvidos. O que aconteceu em Goiás com algumas é que foram criadas da noite para o dia. Como alguém cria uma Organização Social hoje e amanhã o Estado contrata aquele serviço se não há qualquer experiência para desenvolver aquele trabalho? Experiência demonstrada, capacidade executada. Foi feito de forma abrupta entregando todos os hospitais para as Organizações Sociais.

Poderia ter começado com um hospital, vendo o desempenho, adquirindo a expertise da regulação e depois ampliar. O fato é que as Organizações Sociais assumiram grande parte ou quase todos hospitais e assim que assumirmos vamos regular de forma mais eficiente. Mas acredito no modelo como bem sucedido e que gera eficiência para o Estado.

Augusto Diniz – Como candidato a governador pelo MDB, o sr. será confrontado durante a campanha pela gestão Iris Rezende em Goiânia. Será um problema para a sua candidatura?

Nenhum. Iris é a maior referência do nosso partido, é extremamente bem visto pelos goianienses e pelos goianos. Um homem que nenhum dos políticos goianos de hoje tem a folha de serviços prestados que Iris tem. Inclusive o reconhecimento por parte dos goianos. Há pesquisas que mostram que Iris é o político que mais respalda qualquer candidatura. Para mim é motivo de orgulho ter alguém como a figura do Iris nos avalizando para representar o nosso Estado.

Augusto Diniz – Mas vão explorar o fato de que o MDB em Goiânia tem feito uma péssima gestão comparada com a folha de serviços prestados que sr. lembrou que Iris tem.

Isso é muito relativo. Temos sinais de que a prefeitura já se faz mais presente, consegue realizar investimentos que estavam sendo desejados pela população goianiense. Iris pegou a prefeitura em uma situação fiscal muito difícil e está colocando o dedo na ferida. Não só a questão fiscal, mas a saúde, que tem uma reclamação muito grande. É falta dessa sistematização que não existia, a falta de uma gestão mais qualificada. Isso traz inicialmente um transtorno. É inevitável. Mas tenho certeza, e começa a ser demostrando, que Iris vai, mais uma vez, realizará uma gestão que será vista pela população goianiense como uma gestão bem sucedida ao final do seu mandato.

Augusto Diniz – O que o sr. acredita que o eleitor goiano espera dos candidatos e o que é possível apresentar de proposta e o que vai parecer mirabolante em um cenário de crise?

Os eleitores goianos têm como desejo a prestação dos serviços que são de competência do Estado. Hoje sente-se uma ausência, uma ineficiência, um cansaço por parte do grupo político que tem a responsabilidade da gestão do Estado. Temos a segurança pública em colapso apresentando índices recordes de homicídio, criando uma sensação de muita insegurança. Temos uma saúde que é compartilhada a rejeição ao setor público entre os municípios e o Estado.

Temos escolas desabando na cabeça dos alunos e professores, a educação regredindo em conquistas e ao que acontece no mundo inteiro. Um profissional quanto mais qualificado ele se faz melhor remunerado é. A prova do oposto disso é a retirada da titularidade, na contramão de tudo. O profissional não é premiado por sua qualificação. Há uma série de outras situações. Na infraestrutura também, porque as obras começam e param. A população relata que sempre às vésperas das eleições as obras recomeçam, mas nunca terminam.

A questão econômica é nacional e vai se dar em razão do debate e da escolha do próximo presidente da República. Vínhamos de uma resseção que para muitos era a pior da nossa história, em 2015 e 2016. Conseguimos em 2017 reverter a curva descendente para ascendente. Não na velocidade que todos nós queremos e que o Brasil precisa, mas isso já foi invertido. A previsão de crescimento para 2018 é de 1,5% contra 3% de regressão em 2015 e 2016. Os candidatos a Presidência da República precisam apresentar propostas que possam potencializar o crescimento. Esse é o desejo dos brasileiros. Tendo crescimento em nível nacional repercute nos Estados e municípios até nas receitas.

Augusto Diniz – Com todo esforço reformista, o governo Temer continua muito mal avaliado. O fato de o sr. ter presidido a comissão especial da Reforma Trabalhista na Câmara pode prejudicá-lo nas urnas?

Tem três números que demonstram o acerto dessa reforma. Tínhamos no Brasil 4 milhões de novas ações trabalhistas por ano. O segundo país no mundo em número de ações trabalhistas são os Estados Unidos com menos de 100 mil. Há um anacronismo. Não tem lógica o Brasil ter 4 milhões de novas ações trabalhistas por ano e o segundo no mundo ter menos de 100 mil por ano. Temos no Brasil 15 mil sindicatos, sendo que o berço do sindicalismo, que é a Inglaterra, dona do segundo maior número de sindicatos, com pouco mais de 300.

Tem outra coisa errada, que é a história dos sindicatos axilares, que só existem como uma pastinha que fica embaixo da axila do presidente do sindicato. Em terceiro lugar está a reversão do desemprego para a empregabilidade. Nós tínhamos um Estado que gerava a cada mês um desemprego maior. Passamos em 2018, a partir de janeiro com os três primeiros meses com melhor geração de emprego dos últimos dez anos pelos dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados].

Saímos de uma geração de desemprego para a geração de emprego. É fato que não recuperou tudo que foi perdido, mas esperamos que essa recuperação venha ao longo dos próximos meses e anos. Mas só de ter invertido essa curva já é algo positivo.

Euler de França Belém – De acordo com Ana Carla Abrão, ex-secretária estadual da Fazenda, a folha de pagamento do Estado chega a atingir 76,8% pelos chamados penduricalhos e gratificações que são pagos mensalmente. Como o sr. avalia a situação do funcionalismo público e do tamanho da folha que impede os investimentos?

Não podemos continuar no modelo distorcido no qual o funcionário comissionado é empossado para atender demanda política. O cidadão não quer saber de atendimento político porque é aliado de determinado grupo, a pessoa quer ser atendida por quem ocupa o cargo e quer ver o funcionário trabalhar, que tenha a competência, que tenha habilidade específica para desempenhar aquela função. É lógico que a experiência política é um componente importante para a gestão, principalmente para cargos de liderança e relacionamento. Vamos adotar uma política de gestão de pessoas eficiente para que possamos ter prestadores de serviço qualificados.

O fato é que precisamos ter uma política de rigor fiscal, de otimização das despesas e maximização das receitas. Isso é fundamental para encontrarmos o equilíbrio fiscal do Estado e fazer com que o governo volte a ter capacidade de investimento. É possível. O Estado do Ceará investe R$ 2 bilhões por ano de capital próprio. Goiás é totalmente dependente de recursos externos. Isso não acontece da noite para o dia. Mas em quatro anos conseguimos chegar a uma condição fiscal de capacidade de investimento através de boas práticas, responsabilidade fiscal. Temos vários exemplos de que isso é possível.

“Se não tivermos algum tipo de atrativo fica muito difícil fazer a migração da industrialização para Goiás”

Aos jornalistas Felipe Cardoso, Augusto Diniz, Euler de França Belém e Patrícia Moraes Machado, Daniel Vilela afirma que é preciso acabar com modelo de dar cargo comissionado por demanda política | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Euler de França Belém – O que o sr. tem a dizer para o empresariado, principalmente os que contam com incentivos fiscais?

Sou defensor há muito tempo da política de incentivos fiscais. Criei na Câmara a frente parlamentar em defesa dos incentivos fiscais. Estamos em desvantagem com as outras regiões de maior potencial consumidor. Se não tivermos algum tipo de atrativo fica muito difícil fazer a migração da industrialização para Goiás. Isso começou com o programa Fomentar no primeiro governo do Iris em 1984. Depois foi aperfeiçoado e se tornou o Produzir. É um importante instrumento de desenvolvimento regional. Falta métrica onde se possa colocar o retorno disso para o Estado, seja como geração de emprego ou de renda. Esse retorno precisa estar claro, ter transparência e ser para todos. Não pode ser para alguns.

Precisa também ser muito bem dosado. Não se pode dar incentivo sem ter retorno. Existe a teoria da curva de Laffer, na qual se aumenta o imposto e não se pode passar de 33%, segundo os economistas do mundo todo. Se ultrapassar 33% a inadimplência será aumentada e haverá perda de receita. Em muitas áreas o Estado está perto do ponto de equilíbrio. Outro exemplo de nova política é encontrar uma forma de meta de arrecadação. O Estado chama determinado setor e discute o peso da carga tributária, se está excessivo e inibe investimento e contratação, para se chegar a um percentual razoável de pagamento de tributos. A partir disso estabelece-se uma meta de arrecadação, porque o Estado tem de ser custeado, tem de ser mantido para oferecer os serviços de sua responsabilidade.

O Estado estabelece uma meda de arrecadação, inclusive com a transferência da fiscalização da adimplência do segmento para aquele setor produtivo. Quando alguém começar a sonegar será denunciado por aquele que não sonega. Isso fará com que, em muitos casos, a receita aumente. Em muitos casos a carga tributária será reduzida, mas com a arrecadação mantida. Nisso o Ceará também é exemplo. Toda redução de carga tributária é condicionada a uma meta de arrecadação. No último governo do MDB, do ex-governador Maguito Vilela, isso foi feito para o setor de carne e para o atacadista. Hoje temos grandes atacadistas em Goiás que se tornaram grandes há 20 anos pela política de adoção da redução da carga tributária condicionada a uma meta de arrecadação. Isso é uma política moderna. Ninguém aceita mais aumento de carga tributária.

Os valores dos tributos cartoriais são tão altos que a pessoa vai a Brasília fazer uma escritura porque é quase oito vezes mais barato do que aqui. Um amigo, que não revelar o nome, tinha uma área, fez uma permuta com um empreendimento e recebeu oito casas. Foi escriturar as casas e fez um orçamento no cartório. O serviço ficaria em R$ 16 mil. Ele pegou o carro e foi a Brasília orçar o preço da escritura: R$ 2,5 mil. Brincou que almoçou em um restaurante muito bom de Brasília, somado com o combustível para ir e voltar ficou oito vezes mais barato do que escriturar em Goiânia. São coisas ilógicas. Não adianta aumentar a carga tributária porque as pessoas vão buscar outra alternativa. Aqueles que não tiverem alternativa vão sonegar para poder sobreviver.

Euler de França Belém – O sr. acha que é possível abaixar o ICMS da energia elétrica?

É possível dentro de um planejamento a médio e longo prazo. Outra coisa que precisa ser discutida é a situação da Enel, que é uma empresa que tem capacidade, know-how, está em vários lugares do mundo, mas não tem cumprido com aquilo que foi contratualizado. É preciso ter uma regulação descomprometida com essa empresa. Não adianta ter privatizado – às vezes a iniciativa privada tem um know-how melhor – quando ela atua de uma forma negativa para o Estado. Não estão querendo aumentar a tarifa? Mas não melhoraram a qualidade do serviço. Isso precisa ser enfrentado. O ICMS da energia pode ser reduzido, desde que condicionado a uma arrecadação mínima e a uma prestação de serviço de qualidade.

Augusto Diniz – Que tipo de discussão pode ser feita com relação ao ICMS dos combustíveis?

Tem de ser a discussão de um planejamento a médio e longo prazo. Quem disser de forma diferente será populista. As maiores receitas do Estado são oriundas do ICMS do combustível e da energia. Como reduzir imediatamente e custear o Estado? Vai pagar folha de pagamento? Não tem jeito. É preciso estabelecer um planejamento com as metas de arrecadação. Esses são os principais pontos de receita do Estado. É preciso estabelecer uma política para que seja possível fazer a redução a médio e longo prazo. Não dá para reduzir drasticamente.

O Estado do Ceará fez um outro exemplo da curva de Laffer com redução de 75% do ICMS dos pequenos provedores de internet. A cobertura do Ceará com os pequenos provedores era de 20% do Estado e pulou para 90%. Havia uma receita de 20%, com a taxação menor há uma receita de 90% do Estado. Quando se reduz a carga tributária e oferece condições há um estímulo ao investimento naquele setor. A medida foi aprovada pelo Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária], porque há políticas de tributação que precisam ser submetidas ao Conselho.

Acredito muito na promoção de um governo de diálogo com segmentos para se ter a boa fé e comprometimento dos dois lados do balcão, do setor público e do privado, para que reduzir o ICMS não comprometa o custeio do Estado. Isso induz o setor a investir, gerar renda, emprego e ao mesmo tempo amplia a capacidade de custear as contas públicas.

Euler de França Belém – O sr. não teme virar vítima do discurso da panelinha pelo fato de ser candidato a governador e seu pai ser primeiro suplente de Vanderlan Cardoso ao Senado?

O ex-governador Maguito Vilela tem uma história de muitos serviços prestados pelo Estado, por último como prefeito de Aparecida de Goiânia e isso que acaba sendo levado em consideração. Ele não é simplesmente o pai do candidato. Não é o desejo dele. Foi uma condição imposta pelo Vanderlan para ser candidato a senador. Disse que só seria candidato se Maguito fosse seu primeiro suplente porque entende que o emedebista tem uma força política, agregaria para o discurso de Vanderlan de um senador participativo e de relacionamento.

Essa foi uma decisão do Vanderlan, não foi uma decisão nossa. Maguito já declarou reiteradamente que não quer mais disputar eleição, não tem interesse em ocupar cargos públicos, que a atividade dele hoje é privada, no seu escritório de advocacia e na atividade rural.

Augusto Diniz – Como parte da coligação, que tipo de papel Maguito terá na campanha?

O papel eleitoral de ser mais um integrante daquele que vai defender uma nova mudança na política do Estado.

Augusto Diniz – Maguito terá papel protagonista?

Maguito é protagonista pela história no nosso partido e na política do Estado, assim como Iris é. Natural que Maguito tenha um protagonismo. Mas é muito mais um orientador, um conselheiro. Quem vai estar na linha de frente são os candidatos: eu, Heuler Cruvinel, Vanderlan e Agenor Mariano.

Euler de França Belém – Iris está empenhado na sua campanha?

Muito empenhado. Dentro da suas limitações administrativas, Iris tem colaborado. Temos conversado constantemente. Iris vem sendo há muito tempo o porta-voz daqueles que defendem alternância de poder em Goiás, a necessidade de mudança. Foi nosso candidato nas duas últimas eleições, portanto foi ele esse porta-voz. Sabe e tem convicção disso mais do que ninguém.

Euler de França Belém – Dizem que Henrique Meirelles (MDB) seria um ótimo presidente, mas é um péssimo candidato. Como resolver essa contradição?

Como um bom marqueteiro. Se um bom marqueteiro mostrar para os brasileiros que ele é o que mais tem condições de ser presidente da República automaticamente Meirelles passa a ser um candidato altamente competitivo. Para nós de Goiás seria um orgulho ter o primeiro presidente goiano.

Felipe Cardoso – Inovação, modernidade e tecnologia são três ideias que o sr. tenta colar às suas propostas. Na campanha, qual será o diferencial do sr. comparado aos outros candidatos?

Iremos nos apresentar com um grupo político que quer inovar nas práticas políticas e administrativas. Queremos oferecer aos goianos um grupo político muito mais focado na gestão e menos na política, na eficiência do Estado e menos na política. Esse é o conceito da nossa campanha e que nós acreditamos que é também o desejo dos goianos e dos brasileiros. Chegamos a um ponto no País em que o setor público está gigante e ineficiente, quer fazer de tudo e não faz nada, que prestar todo tipo de serviço e não consegue ter qualidade em nada.

Euler de França Belém – Do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o MDB tem direito a R$ 224 milhões. Quanto será destinado ao partido em Goiás?

Isso ainda está sendo decidido pelo partido, que tem autonomia para estabelecer os critérios para as candidaturas.

Euler de França Belém – São quantos candidatos a governador pelo MDB?

São 13 definidos até o momento. Variou entre 12 e 14 no início da semana.

Augusto Diniz – Antes da entrada do PP na coligação, a outra vaga de candidato ao Senado era do deputado federal Pedro Chaves. Ficou algo a ser resolvido com Pedro Chaves?

Eu tinha conversado com Pedro Chaves no momento em que ele desistiu de ser candidato para ser nosso coordenador de campanha. No dia seguinte foi uma correria para ajustar a ata e as questões burocráticas do partido. Voltei a encontrar com ele só na terça-feira, 7, em Brasília. Pedi e com todo entusiasmo Pedro prontamente se colocou à disposição para ser nosso coordenador geral da campanha.

A decisão de não ser candidato a senador foi do Pedro. Agenor Mariano teve um gesto, e que precisa ser ressaltado, de deixar Pedro Chaves decidir, no momento em que sobrou apenas uma vaga ao Senado na chapa para o MDB, se seria ou não candidato. Agenor disse ao Pedro: “Pedro, pela sua história no nosso partido, pelos seus mandatos, pela sua experiência, pelo querer bem do nosso partido, é você quem tem de tomar essa decisão. Fique confortável “.

Pedro Chaves me disse que consultou a família e algumas pessoas que têm como balizadoras das suas decisões, que pediram ao deputado que não fosse candidato. Pedro Chaves não conseguiu ir contra esse pedido de pessoas próximas e nos comunicou que não seria candidato.

Euler de França Belém – O sr. disse que Caiado tem quatro candidatos a deputado federal. A coligação do sr. tem 12 nomes considerados mais fortes. Quem são eles?

Iris Araújo (ex-deputada federal), João Campos (deputado federal), Roberto Balestra (deputado federal), Alcides Ribeiro (Unifan), Sandes Júnior (deputado federal), Dinei Oliveira, Dante (vôlei), Edwal Portilho “Chequinho” (ex-executivo da Adial e Perdigão), João Reis (pai do falecido cantor Cristiano Araújo, com 1 milhão de seguidores no Instagram), Valdeir Pimenta (ex-superintendente dos Correios), Coronel Jucimar (Corpo de Bombeiros), Dr. Marcos Vinicius (vereador mais bem votado da história de Goianésia).

Augusto Diniz – Vou repetir uma pergunta que fiz ao presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) Jayme Rincón. Quando o governo pesa a mão nas críticas ao senador Ronaldo Caiado e tece elogios ao sr. como opositor não deixa a dúvida de que a sua candidatura seja uma espécie de segunda via da base aliada de José Eliton?

Claro que não. Se tem alguém que está na oposição há 20 anos sem por o pé no palácio sou eu. Você citou o Jayme Rincón. Devo ter cumprimentado-o duas ou três vezes em toda minha vida. Não devo ter trocado uma frase com ele. Não tenho relação nenhuma. Nunca estive no órgão do Rincón. Isso é ilógico. É claro e é fato, disse aqui no início da entrevista, que o candidato mais bombardeado nesse processo pré-eleitoral fui eu.

O candidato mais questionado, enfrentado nos bastidores, com tentativas de inibir o crescimento e o fortalecimento fui eu. Não foi o Caiado. E muitos dos integrantes do governo colocam textualmente que querem enfrentar tête-à-tête o senador Caiado. Não me queriam nesse processo.

Euler de França Belém – O sr. é conhecido por qual parcela da população goiana?

Sou conhecido por 40% da população.

Euler de França Belém – Acredita que por isso ainda não cresceu nas pesquisas?

É normal isso.

Euler de França Belém – O sr. será o moço da camisa branca na campanha?

Até uso muito branco, mas tenho usado outras tonalidades [risos].

Euler de França Belém – Qual é seu livro inspirador?

Li dois recentemente. Meu pai tinha inclusive visto um vídeo sobre um desses livros. Um eu reli e o outro eu li o livro, mas já tinha visto o vídeo, que é “Um País Sem Excelências e Mordomias” (Geração Editorial, 2014), da jornalista Claudia Wallin, uma brasileira que mora na Suécia e fez uns vídeos para a Bandeirantes. É interessante pelo o que estamos pensando para Goiás. O cidadão não aceita mais gastos exagerados e esdrúxulos para alimentar uma espécie de corte. É ilógico.

Claro que a Suécia tem suas particularidades por ser um país muito pequeno. Temos de buscar exemplos que sejam compatíveis com o tamanho do nosso Estado, do nosso País, e reduzir drasticamente esses gastos exagerados e supérfluos. Tem muita coisa boa que podemos trazer para cá. Reli o livro do Emmanuel Macron, “Revolução: a autobiografia de um líder” (Best Seller, 2017), que li em janeiro, mas resolvi dar uma atualizada.

Euler de França Belém – O sr. terá um bom tempo de TV, mas e as redes sociais têm um trabalho preparado?

Preparei um time qualificado para cuidar disso. Vai ter um componente nesta eleição que será a possibilidade de impulsionamento durante o período eleitoral. Isso, de alguma forma, equilibra as redes, porque todo mundo vai impulsionar. Na televisão, você tem a presença de acordo com o tempo das coligações. Nas redes sociais será igual. Todo mundo vai impulsionar, vai tentar estratificar por segmentos, regiões, cidades e vai fazer esses impulsionamentos. E vamos fazer tudo isso.

Euler de França Belém – O marqueteiro da sua campanha é o Jorcelino Braga?

Jorcelino Braga. Ele e Gean Carvalho.

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Adalberto de Queiroz

Muito boa e abrangente entrevista.