Prefeito Rogério Cruz rejeita mudanças no secretariado e promete gestão focada no social

O republicano foi eleito como vice de Maguito Vilela, mas assumiu o Executivo em definitivo após a morte do emedebista, em janeiro deste ano

Prefeito Rogério Cruz
| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Rogério Cruz (Republicanos) tem 54 anos e há mais de dez  vive em Goiânia. Há cerca de um mês, Cruz recebeu a missão de ocupar o cargo mais importante da capital, o de prefeito. Ele foi eleito como vice de Maguito Vilela, mas assumiu o Executivo em definitivo após a morte do emedebista, em janeiro deste ano.

Casado e com dois filhos, Elon Cruz e Rogério Júnior, Cruz é formado em Gestão Pública. O prefeito também é radialista, administrador, pastor evangélico e fez parte do Grupo Record, estando à frente de rádios em várias partes do Brasil e fora dele. Em 1995, Cruz se mudou com a família para Moçambique, na África, a depois para a Angola, onde ficou até 2009.

Cruz foi eleito vereador em 2012 pela primeira vez, com quase 8 mil votos, tendo o mandato na Câmara renovado em 2016. O republicano também foi secretário de Gestão de Pessoas do município de Goiânia em 2013, além de ter ocupado a segunda vice-presidência da Câmara Municipal de 2016 a 2020

Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito sinalizou uma gestão estável e aos moldes do almejado por Maguito Vilela, por quem demonstra admiração e respeito. Segundo o gestor, não há mudanças previstas no corpo administrativo da prefeitura e, assim como também desejava Maguito, o social será uma de suas marcas na gestão.

As eleições de 2020 foram cheias de reviravoltas. O senhor foi eleito inicialmente como vice-prefeito e depois alçado ao cargo de prefeito de Goiânia. Qual foi o peso disso?

Uma vez que nós assumimos uma responsabilidade maior, há cobranças e o cargo se torna mais pesado. É por esse lado. Mas por outro lado, acima de tudo, assumimos com muita responsabilidade e isenção o foco único de querer crescer e vencer a cada dia a mais e fazer com que o trabalho seja positivo para que possamos, de fato, apresentar e executar o que foi escrito no plano de governo. Querendo ou não, sabemos que essa responsabilidade é grande. Mas quando nós focamos nisso com atenção, mesmo com as pressões em cima, conseguimos ultrapassá-las.

O senhor tem um histórico de trabalho social, principalmente ligado à igreja e passou alguns anos no continente africano, realizando um trabalho missionário. Essa experiência trará reflexos para a sua gestão quanto prefeito de Goiânia?

Sim, com certeza. Quando eu saí do país e fui para a África, fui como executivo do Grupo Record. Claro, eu já era pastor. Fiquei em Moçambique e África do Sul, mas a princípio quando fui para a África, fui a convite do Grupo Record com a responsabilidade de implantá-lo lá em Moçambique. Mas quando chegamos na África, não tem como estar lá e não fazer o social. Depois de quase dois anos, consegui o visto para missionário e consegui, então, iniciar os trabalhos da igreja. Isso tudo só me trouxe fortalecimento para que hoje pudéssemos estar aqui dentro deste plano de governo, que o Maguito colocou muito sobre o social. Era o que ele mais gostava. Tanto que os primeiros passos que nós demos foram nessa área, como o IPTU Social e agora estamos aí com o [programa] Renda Família.

Então tudo o que fazemos, fazemos com muito carisma, junto com as pessoas. Aprendemos a lidar com as pessoas e é óbvio que esse trabalho na África nos ajudou muito, abriu mais a nossa mente e nos deu uma ampla visão do que é equidade de fato. Acredito que ajudou demais.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Desde o início da situação que levou à morte de Maguito Vilela, uma série de questionamentos surgiu quanto à campanha. Surgiu o discurso por parte de alguns de que a campanha do senhor não estava repassando à população a real condição de Maguito, e até um processo na Justiça foi aberto, alegando fraude eleitoral. Como está essa situação? O senhor já apresentou a defesa?

Sim, o processo está correndo e a defesa já foi apresentada. Mas é aquilo: as pessoas dizem o que elas querem. O que elas pensam, elas falam. Como foi aberta a ação, estamos preparados para responder. Uma resposta já foi enviada e estamos aguardando a Justiça resolver.

Mas o senhor acredita que exista alguma brecha para se questionar a campanha? Por exemplo, a diplomação e a posse de Maguito, que foi de maneira remota?

Não, foi tudo dentro da lei. Não teve nada fora da lei, inclusive, aprovado pela Câmara Municipal. A Constituição Federal é uma só em todo o país, seja na União, seja no Estado, seja no município. É uma só. Então todas as atitudes que tomamos foram dentro da lei, baseadas na Constituição Federal.

O senhor está há um mês à frente da Prefeitura de Goiânia. É muito pouco tempo para avaliar a equipe que já havia sido montada. O senhor já está pensando em uma reforma administrativa para ser feita mais à frente? O que tem decidido sobre isso?

Não, no momento não tenho esse pensamento. Pelo contrário. A equipe é de excelência e foi bem formatada. Temos trabalhado muito em conjunto e é uma equipe que está atenta em todos os momentos, a tudo o que se passa dentro do município. São pessoas capacitadas e que têm nos ajudado muito, a fazer com que esses projetos como o IPTU Social e Renda Família deem seus passos principais.

Acredito muito nessa equipe, acredito que poderemos executar tudo até o final da gestão o que está no plano de governo.

E como está o diálogo com o governador Ronaldo Caiado? O senhor conversado muito com ele? Há uma consolidação de parceria política, administrativa com ele?

O diálogo com o governador sempre é positivo. Já estivemos juntos logo no início, falando da pandemia. Estaremos à disposição para trabalharmos juntos. Já estivemos falando a respeito do transporte público também. É sempre importante para o município ter um diálogo positivo. Isso é fato. Os prefeitos devem estar sempre juntos com o governador.

O governador tem suas demandas como os prefeitos também têm, mesmo que sejam questões políticas. Mas o governador cuida do Estado. Se eu estou uma gestão dentro daquele Estado, é muito importante que eu esteja alinhado com o governador.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O partido do senhor, o Republicanos, cresceu muito nos últimos tempos. Mas corre a informação de que o senhor não gostaria de ser, digamos, o “Marcelo Crivella” do Estado de Goiás. No que, exatamente, o senhor gostaria de ser diferente dessa figura política?

Tudo envolve maneira de gestão. A gestão que leva o Executivo a estar bem conceituado, ou não. Acredito que a nossa gestão será ousada, com focos e objetiva. É isso que nós queremos mostrar para as pessoas, em todas as nossas ações, atitudes. Queremos fazer com que Goiânia se torne o que o cidadão deseja que seja.

Se você tem uma boa gestão, você tem o nome bem avaliado e você consegue dar os passos mais largos. Acredito nisso: fazer uma boa gestão para que as pessoas vejam seu trabalho, suas ações, e compreendam que o que você está fazendo e para trazer uma qualidade de vida para os cidadãos.

Mas no perfil político o senhor vê diferenças do senhor para com o Marcelo Crivella?

São questões de atitudes. Atitude vale muito. Cada um tem seu modo de pensar, de agir, de falar. Eu acho que isso faz parte. Se você leva seu estilo de vida, seu estilo de como comandar para dentro de uma gestão, isso lhe ajuda muito.

O senhor pegou nessa gestão algo que já tem se arrastado há alguns anos, que é o Plano Diretor. Quais alterações que ainda serão feitas nele? Existe alguma articulação ou lobby para algum tipo de grupo?

Não, o Plano Diretor já está feito. Os ajustes que estão sendo feitos são ajustes pequenos. Porque na altura [de planejamento do Plano] eu estava como vereador e existiam algumas situações. Foram muitas emendas de vereadores adicionadas no Plano e isso fez com que o Ministério Público entrasse na questão e, logo em seguida, o prefeito Iris Rezende tirasse o Plano lá da Câmara e retornasse para o Executivo.

Mas neste momento está sendo avaliado, para que possamos, ao devolver à Câmara, ter a maior brevidade possível para votá-lo. O Plano Diretor está muito atrasado, ele é de 2007 ainda e era para ter sido atualizado em 2017. Eu gostaria muito que esse novo Plano, ao chegar na Câmara, fosse aprovado com brevidade para fazer alguns acertos dentro da nossa cidade de Goiânia.

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Existe alguma data prevista para o Plano ser enviado para a Câmara?

Não, mas muito em breve. Estamos fazendo uma avaliação mais profunda agora, estamos quase finalizando. Muito em breve o levaremos para a Câmara.

Falando em Câmara, o senhor foi eleito com boa parte da base emedebista e de Maguito Vilela. O senhor já foi vereador e entende como ninguém como funciona os trâmites e as articulações ali dentro. O senhor teme que, em algum momento, possa perder esse apoio emebista adquirido junto ao MDB?

Não vejo motivos para isso. Como já fui vereador por dois mandatos, conheço bem os vereadores que foram reeleitos do MDB e os que entraram. Conheço todos os novatos que entraram. Não vejo nenhum motivo para ter preocupações com o partido.

Corre uma informação de que o deputado federal João Campos, do partido do senhor, irá indicar um novo secretário da Educação para o município. Procede que o atual foi indicado pela Igreja Católica e, por isso haverá essa troca?

Não existe nenhuma intenção no momento para isso [de substituição], para nenhum secretário. Ele permanece.

Falando sobre o senhor agora, sobre o Rogério Cruz, o senhor tem hobbies? O que o senhor gosta de fazer, qual estilo de música preferido do senhor?

Meu hobby, eu gosto de jogar tênis de mesa, tênis de quadra. Gosto de tocar violão. Gosto muito de música, música clássica. Me faz bem, me inspiram demais. Músicas clássicas principalmente as dos anos 1970 e 1980. Mexem muito conosco.

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