Pastor Isaías Ribeiro: “Temos de trabalhar para que o povo goianiense tenha uma qualidade de vida melhor”

Vereador eleito com a maior votação em Goiânia afirma que os parlamentares precisam atender as necessidades dos bairros

Vereador eleito com maior votação em Goiânia, pastor Isaías Ribeiro (Republicanos) diz que irá legislar para todos os goianienses | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O Republicanos elegeu em 2016 para a Câmara de Goiânia o vereador Rogério Cruz, que é candidato a vice-prefeito na chapa do ex-governador e prefeitável Maguito Vilela (MDB). Na votação de domingo passado, o partido ganhou mais duas cadeiras. Sargento Novandir, que era do PTN, hoje Podemos, se filiou ao Republicanos e foi reeleito. Com Novandir se elegeram também Leandro Sena e o pastor Isaías Ribeiro.

Pastor Isaías, inclusive, foi o vereador eleito mais bem votado da capital. Com 9.323 votos, o religioso da Igreja Universal chegou à vitória nas urnas com três bandeiras. A primeira delas é a defesa da família. A segunda é a defesa da fé. E, em terceiro lugar, a defesa do social. “O Estado é laico. Mas cada um tem a sua fé. Nós temos de ter fé. Se não tivermos fé, como o ser humano irá viver?”

Na entrevista ao Jornal Opção, o pastor Isaías Ribeiro agradece aos eleitores que o escolheram no domingo, 15, e diz que irá legislar para todos os mais de 1,5 milhão de goianienses. “Pastor eu sou dentro da igreja. Dentro da Câmara eu serei vereador”, pontua.

O sr. foi o candidato a vereador mais bem votado de Goiânia, recebeu 9.323 votos. Mas fora do meio religioso, a população da capital sabe que é o Pastor Isaías?
Isaías Ribeiro é um batalhador, missionário, que batalha desde cedo. Comecei cedo na minha vida porque perdi meu pai. Tive de ir à luta. Como missionários, sempre trabalhei no social. Há 25 anos trabalho no social. Trabalhei com os idosos. Chega certo momento em que a pessoa pensa que a vida acabou e fica à espera da morte. Neste espaço de tempo, levantamos os idosos. Elaboramos projetos de karatê, ginástica, pilates, artesanato e dança no grupo que participei.

Os 9.323 votos vieram não só pela ligação com a igreja da qual faço parte, mas em todas as classes e religiões. Fiz muitas visitas às casas das pessoas. Sempre trabalhei com gente. E trabalhar com gente é complicado. Costumo dizer que estou todo enrolado, porque sempre trabalhei com gente. Graças a Deus foi algo que tiramos de letra. Uma boa conversa e um bom relacionamento nós aprendemos no contato. Cada pessoa tem um jeito, uma maneira de ser e de agir. Se não respeitarmos o espaço do outro, a pessoa não vai respeitar o nosso espaço.

O Republicanos foi o partido que teve o maior crescimento proporcional na Câmara de Goiânia. O sr. foi o vereador eleito com o maior número de votos, Sargento Novandir reeleito e Leandro Sena voltou ao Legislativo da capital. Que trabalho foi realizado para que o partido chegasse a saltar de uma cadeira em 2016 para três em 2020?
Não só na Câmara de Goiânia, mas em todo o Brasil. O Republicanos tem uma maneira de agir que pessoas acabaram por aderir às ideias do partido, que atua no conservadorismo. Quero parabenizar o deputado federal João Campos, nosso presidente estadual, e o deputado estadual Jeferson Rodrigues, presidente municipal do Republicanos. Fizemos uma boa parceria.

Eu, Sargento Novandir e Leandro Sena aderimos à ideia. Cada um no seu segmento realizou um bom trabalho de diálogo com as pessoas. Eu mesmo fui às feiras, olhei nos olhos do eleitor. Tem muita gente na rua aborrecida pelo ano muito conturbado que vivemos em decorrência da pandemia. Houve muitas perdas físicas, emocionais, econômicas. O empregador que acabou por se tornar empregado, empregados que perderam seus empregos. As pessoas começam a viver o reaquecimento econômico.

As pessoas acabaram por aderir às nossas ideias, o que resultou na eleição dos três vereadores do Republicanos. Não saímos por aí a apresentar promessas mirabolantes. O político tem de tentar e trabalhar. Este é o meu objetivo. Os 9.323 eleitores que acreditaram em nós votaram na sinceridade, no caráter, na maneira de abordar. Muitas pessoas que começavam as conversas aborrecidas saíam com um sorriso no rosto porque aderiram à ideia.

Em um dos vídeos de campanha, o sr. diz no Jardim Guanabara que trabalhará para viabilizar a instalação de empresas para aquecer a economia e a geração de emprego nos bairros. Como um vereador pode ajudar a cidade a gerar emprego e renda?
É igual à questão da segurança. O responsável pela segurança é o governador. Apoiamos o candidato Maguito Vilela (MDB) e acreditamos que o emedebista será eleito prefeito. Quero fazer parte da bancada de vereadores que terá um bom relacionamento com o prefeito. Quero trabalhar junto com o prefeito. Da mesma forma, se o prefeito não tiver um bom relacionamento com o governador, como ficará nosso Estado e nosso município?

Bons relacionamentos trazem junto bons resultados. O vereador pode somar bons relacionamentos no seu bairro e na cidade para gerar crescimento de empregos e do nosso município. É o que defendo quando digo que lutaremos para trazer lojas e empregos. Acredito em parceria. Com bons relacionamentos, uma coisa ajuda a outra. Se o gestor público se isolar em um canto e achar que ele é quem faz tudo, certamente não conseguirá fazer muita coisa. Temos de ter bom relacionamento com a gestão municipal e no âmbito estadual.

“Quero legislar para todos os mais de 1,5 milhão que moram no nosso município de Goiânia”

“Quero deixar uma mensagem para toda a população goianienses de que terá um vereador batalhador, trabalhador” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O perfil dos 35 vereadores eleitos em Goiânia aparenta uma formação mais conservadora do que a atual composição da Câmara. Como o sr. avalia o posicionamento que o Legislativo da capital pode ter a partir de fevereiro?
Cada um tem uma cabeça, um pensamento. Se não respeitarmos a religião, a opção sexual, a classe social das pessoas, não há diálogo. O ser humano tem o direito de ser respeitado. O time que vai sair e o time que irá entrar precisam ter a consciência de que estamos a enfrentar uma pandemia, com um início de retomada da economia, muitas pessoas necessitadas. Nosso município tem de botar a mão na consciência, entrar com as mangas arregaçadas para enfrentar o trabalho que teremos. Vamos ter muito trabalho.

Não podemos nos dar ao luxo de dizer qualquer coisa porque alguém é evangélico, católico ou espírita. Temos de ser humanos. A maldade no mundo está muito grande com o ser humano, com os animais, feminicídios, homicídios e criminalidade. A situação está muito ruim. Temos de entrar com consciência. Lutar para que as pessoas do nosso município tenham uma vida com qualidade. Ver as necessidades dos setores. Não podemos ter medo de trabalhar. Temos de trabalhar para que o povo goianiense tenha uma qualidade de vida melhor.

Durante a campanha, o sr. levantou três bandeiras. A primeira foi a defesa da família. O que o sr. entende por família e como pretende trabalhar para defender a família?
A família é a base da sociedade. Todo mundo quer construir uma família. O mundo começou com uma família, que foi a família de Noé. A base da sociedade é uma família. Quando falo em defesa da família, defendo que haja respeito entre pais e filhos, filhos e pais. A família é manter realmente os laços. Se é uma base, temos de cuidar dela.

Outra questão que sempre defendi foram os idosos. Todo mundo um dia irá envelhecer. Eu usava um poema para dizer a diferença entre o velho e o idoso. O velho senta, senta, para reclamar. O idoso não. Ele senta para planejar. Para fazer projetos. Velhice não está no corpo, mas na cabeça. A pessoa pode ser jovem e, de repente, com a cabeça velha. É algo que não pode ocorrer. A defesa do idoso está prevista no artigo 8 da Constituição Federal e na Lei Federal número 10.741/2003 (Estatuto do Idoso).

E a defesa do social é o que acredito ser a maior necessidade da nossa sociedade. Precisamos trabalhar o social para ajudar o próximo.

Na área social, há uma dúvida de como ficarão os beneficiários do auxílio emergencial a partir de janeiro. Como será preciso trabalhar na área social em Goiânia se o auxílio emergencial acabar?
Temos de ser positivos. Tomara que o governo federal resolva a questão. Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é uma pessoa muito humana e tem feito uma boa gestão na presidência. Acredito que o presidente irá aprovar a continuidade do auxílio emergencial.

Sempre trabalhamos com um plano A, um plano B e, se tivermos, um plano C. Vamos primeiro esperar o plano A. Se não for concretizados, iremos para o plano B. Quando estivermos na Câmara, iremos avançar para o melhor plano B se for necessário.

O terceiro ponto que o sr. defendeu foi a defesa da fé. O que a defesa da fé significa e como isto irá influenciar sua atuação como vereador?
O Estado é laico. Mas cada um tem a sua fé. Nós temos de ter fé. Se não tivermos fé, como o ser humano irá viver? Cada um com a sua escolha religiosa. Quando falo em fé, me refiro ao pensamento positivo. A esperança de que vai dar certo. É horrível trabalhar com alguém que diz sempre “não sei, não vai dar certo”. Não. Vai dar certo. Vamos em frente. Por isto, quando digo em defesa da fé é olha para as coisas com positividade.

Dos vereadores eleitos, a maioria estaria mais próxima ao candidato a prefeito Maguito Vilela. A posição do sr. como vereador irá mudar a depender do prefeitável que for eleito?
Não pode mudar. Se for eleito Maguito, já estamos ao lado do candidato na campanha. Mas se for o adversário, temos de aprender a lidar com as pessoas. Se for a gestão do outro candidato, vamos procurar uma boa conversa e um bom relacionamento. Não é porque apoiamos Maguito e acreditamos em sua vitória que inviabilizaremos o diálogo com outra gestão. Buscaremos o diálogo porque temos de visar a população. Independente da gestão, temos de fazer parcerias e buscar o melhor para a população.

Como o sr. tem acompanhado a situação de saúde de Maguito? O grupo de candidatos e eleitos e ex-candidatos está unido no segundo turno?
O trabalho não parou. O trabalho não vai parar. Estamos com fé, pensamento positivo, de que Maguito irá voltar para assumir o seu lugar. Mas a campanha não parou. Muito pelo contrário. Vamos trabalhar com mais força para elegê-lo. Acompanhamos na esperança de que Maguito irá se recuperar e vencer esta doença que dizimou muitas pessoas da nossa população no Estado e em todo Brasil. Infelizmente.

“Goiânia é uma cidade que nos acolheu com tanto carinho, onde fiz tantos amigos e nunca mais fiquei sozinho”

“Quando fomos eleitos para o mandato de vereador, encaramos como uma missão. O relacionamento com Goiânia tem sido maravilhoso” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O candidato a vice-prefeito de Maguito, o pastor Rogério Cruz, é o único representante hoje do Republicanos na Câmara. Qual a importância do partido participar da chapa do MDB a prefeito de Goiânia e ter lançado Rogério como vice de Maguito?
A união do MDB com o Republicanos rendeu um bom relacionamento. Será uma gestão muito boa. Rogério Cruz já é vereador. Teve dois mandatos. É experiente e será, como vice-prefeito, muito bom ao lado do prefeito Maguito Vilela.

O sr. e Rogério Cruz têm perfis parecidos. O candidato a vice-prefeito é natural de Duque de Caxias (RJ), tem 54 anos, veio para Goiânia realizar seu trabalho religioso junto à Igreja Universal e também atuar politicamente, foi eleito em 2012 e reeleito em 2016. E o sr. é natural da cidade do Rio de Janeiro. Quando o sr. chegou a Goiânia? Qual a sua relação com a cidade?
Rogério Cruz é licenciado da igreja há 20 anos. Tem dois mandatos como vereador. Trata-se de uma pessoa realmente experiente. Eu vim do Rio de Janeiro, passei por Minas Gerais e estou em Goiânia há mais de sete anos. O goiano é bem hospitaleiro. Me identifiquei muito com Goiânia. Ao ponto de visitar 15 bairros diferentes da capital em apenas um dia de campanha.

Quando você se muda para uma cidade, você se instala em um setor, vai à padaria, ao supermercado. Quando fomos eleitos para o mandato de vereador, encaramos como uma missão. O relacionamento com Goiânia tem sido maravilhoso. Goiânia é uma cidade que nos acolheu com tanto carinho, onde fiz tantos amigos e nunca mais fiquei sozinho.

No dia 11 de novembro, o jornal O Popular publicou uma matéria com informações de que nos cultos da Catedral da Fé, no Centro da cidade, o bispo Misael Silva usava os cultos para induzir os fiéis da Igreja Universal a votar no sr. para vereador em Goiânia. O sr. ou outras pessoas pediram votos na igreja? Como se dá o contato do líder religioso da Universal com o fiel no período eleitoral?
No momento em que a matéria cita o bispo Misael, o que foi feito foi um trabalho de cidadania. O bispo Misael não fez política na igreja. A advogada eleitoral ouvida pela matéria [Nara Bueno] elogiou o trabalho de cidadania feito pelo bispo. O trabalho realizado pelo bispo foi de orientação para as pessoas saberem a forma correta de se votar, que a pessoa deveria votar em pessoas experientes e outras dicas.

Mas eu jamais agiria desta forma. Respeito as leis do nosso País. Se você ver nas nossas redes sociais, me verá apertando a mão de feirantes, na rua olhando nos olhos das pessoas e conversando com as pessoas. Me verá no carro de som enquanto fazia uma política limpa. Se sou pastor e se as pessoas de gostarem das minhas propostas, independente do segmento, elas têm o direito de decidir se votariam em mim ou qualquer outro candidato.

Visitei famílias que nem evangélicas eram, pessoas que também nos apoiaram. Fizemos contato com pessoas de outros setores. As 9.323 pessoas que votaram em mim foram realmente um conjunto de pessoas que aderiram ao nosso projeto, que era o Pastor Isaías 10.123.

Outro ponto que a matéria cita seria o que ocorreu em um dos cultos da Catedral da Fé, quando o bispo Misael teria criticado a possibilidade de que um projeto de lei proibir as sessões do descarrego na Igreja Universal em Goiânia. Há esta preocupação da igreja? Existe uma proposta na Câmara que prevê tal proibição?
Eu desconheço. Não criamos leis. O que é feito na religião faz parte do segmento religioso. Não vamos para a atuação contra ou a favor de projeto de lei. Eu realmente desconheço esta situação.

Gostaria que o sr. esclarecesse quem será o vereador Pastor Isaías Ribeiro na Câmara de Goiânia. O sr., mesmo ligado a uma igreja, está aberto ao diálogo com todos os setores da sociedade?
Pastor eu sou dentro da igreja. Dentro da Câmara eu serei vereador. Serei um gestor público, um político, que irá elaborar leis que venham a beneficiar a nossa população no geral. Não irei legislar só para os 9.323 que votaram em mim. Agradeço de todo meu coração a todos que acreditaram em Isaías Ribeiro, mas quero legislar para todos os mais de 1,5 milhão que moram no nosso município de Goiânia.

Quero deixar uma mensagem para toda a população goianienses de que terá um vereador batalhador, trabalhador. Em parceria com nossos colegas – quero parabenizar a todos os outros 34 que foram eleitos – e com o prefeito, iremos fazer uma boa gestão. Porque o povo, depois da pandemia, precisará de bons gestores, pessoas que lutem. Que lutem também pela liberdade. Liberdade inclusive de imprensa, que é necessária.

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