“O aborto é um assassinato e gays e negros não são vítimas da sociedade”

O belga Jean-Marie Lambert, doutor em Ciências Políticas, critica duramente o assistencialismo e o sistema de cotas e sustenta que o Judiciário não pode atropelar o Legislativo

Jean-Marie Lambert, doutor em Ciências Políticas: “Os europeus, que precisam de empregos, percebem que imigrantes estão sendo mais bem tratados pelos governos” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O Jornal Opção foi recebido pelo professor de Direito Internacional e Doutor em Ciências Políticas pela Université de Liège na Bélgica Jean-Marie Lambert em sua chácara no entorno de Goiânia para conversar sobre política internacional, movimento pró-aborto e LGBTI, a situação atual do Vaticano sob o comando do papa Francisco e a crise imigratória na União Europeia.

Em uma conversa descontraída, regada a xícaras de café, o belga Jean-Marie falou sobre seu processo judicial contra a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), que indeferiu um curso de extensão sobre as origens do movimentos homoafetivos. Lambert afirma ter embasado o curso de extensão em um livro que publicou baseado em densos estudos do tema, com ajuda acadêmica de intelectuais do Vaticano. O curso oferecia módulos sobre os interesses sociais e políticos dos movimentos LGBTIs, os financiadores dos ativistas ligados à área e o que seria o futuro brasileiro após anos de “doutrinação” nas classes minoritárias do país.

O professor criticou a industrialização da educação nacional nos últimos anos, que aderiu a ideologia fabricada nos Estados Unidos e irradiada pela Unesco no Brasil. Os projetos cotistas para as chamadas “minorias” brasileiras não chegarão a lugar nenhum, segundo Jean-Marie Lambert, e o erro cometido no Brasil é o mesmo que os europeus cometeram há anos ao dar prioridade aos projetos assistenciais. O especialista sublinha que o pobre sai do programa assistencial do mesmo tamanho que entrou, ninguém consegue dar o “pulo do gato” como era previsto e o sistema acaba por beneficiar quem não trabalha.

Como o sr. avalia a eleição e a gestão de Donald Trump nos Estados Unidos? Existe polarização forte entre democratas e republicanos?
O País ainda está muito polarizado. Permanece com Trump quem estava no início. Há, no momento, uma migração do eleitorado negro e latino para o perfil dele. Anteriormente, em algumas pesquisas, tinha 10% dos votos nesse nicho e atualmente está com índices em torno de 40%. O que tinha no anglo-saxão. Entre os negros, é mais a população masculina que tende a aderir a Trump. Está na casa dos 27%. Existe uma guerra cultural em curso nos Estados Unidos. Os americanos têm um projeto único no mundo, que seria o projeto cristão, que se fale uma coisa única nos documentos constitucionais do mundo, sobre o homem ser dotado por direitos e ser concedido por Deus e não por um governo. O governo tem a missão de proteger esses direitos e, se não fizer mais isso, o povo tem de continuar armado para derrubar a tirania. A posse de armas nos EUA se baseia nisso.

Como assim?
É preciso remontar à origem filosófica e religiosa americana. Os EUA eram 13 colônias e cada uma tinha seu governo. Os americanos aceitaram entregar o poder a um governo central na condição de poder guardar suas armas. Lutaram contra a tirania britânica e ganharam a guerra porque tinham armas. Eles se colocaram numa posição de, de repente, cair nas mãos de outro tirano e não conseguir reagir. É o sentido da posse de armas nos EUA. No Brasil, a questão se limita à autodefesa. Os americanos tinham esse projeto único no mundo de se defender. A Revolução Francesa é nanica perto do projeto americano. Nos anos 60, a população negra americana é convidada a participar desse projeto por igual, para acabar com a segregação racial e aí começou a encrenca.

Qual tipo de encrenca?
O eleitorado negro pegou uma ideia errada e foi atrás de políticos que constroem a carreira baseada no conceito de minoria, dizendo que foi espoliado a vida inteira e agora se tem direito a ganhar a vida de graça. Essa conversa de minoria é para ganhar a vida de graça. Os negros americanos entraram numa cultura de assistencialismo. Isso não leva a lugar algum. Não se sai da escravidão. Quando se visita os EUA até hoje, você passa no bairro branco e no bairro negro e parece sair do primeiro para o quarto mundo. É espantoso. Por isso existe uma boa parte dos eleitores negros e políticos negros que quer rejeitar essa conversa de minoria e o discurso politicamente correto. Porque, por intermédio desse discurso, o Partido Democrata montou um curral eleitoral. Se um negro se aburguesa e prospera na vida, não precisa mais da assistência proposta pelo Partido Democrata e o partido perde sua relevância política. Uma grande proporção do eleitorado negro não quer mais assistencialismo e está migrando, aos poucos, para o Partido republicano. Eles estão abraçando os princípios no qual os EUA se fundamentam, abraçando os “fouding-fathers”, ou seja, os pais-fundadores. Os negros estão aderindo a uma ética individualista, enfrentando a vida com as próprias mãos, sem pedir para o vizinho sustentá-lo. A ideia coletivista é pregada pela esquerda.

Donaldo Trump e Hillary Clinton: a democrata defendia o aborto, a liberação da maconha, a ideologia de gênero, o gayismo, o assistencialismo — basicamente uma negação da civilização ocidental; e o republicano resgata os valores de família, trabalho e ordem | Fotos: Divulgação

E a respeito da imigração mexicana?
A imigração mexicana que não comunga com o projeto inicial dos americanos e sequer o entende. O americano original tem a impressão de estar perdendo o seu país. O ex-presidente americano Barack Obama fez o que Lula da Silva fez no Brasil. Adotou um sistema de pegar recurso de quem trabalha para dar a quem não trabalha em troca de votos para se manter no poder. É um sistema que beneficia quem fica na cama e penaliza quem madruga. Os americanos começaram o movimento chamado “take back”, que tem a intenção de retomar o país e têm apoio de muitos latinos que entendem o projeto republicano. Nos EUA, se você disser que não tem trabalho é porque você não quer trabalhar e ser uma pessoa à toa. Na eleição passada, tinha-se a Hillary Clinton, de um lado, e, de outro, Donald Trump. O confronto era claro. Hillary defendia o aborto, a liberação da maconha, a ideologia de gênero, o gayismo, o assistencialismo — basicamente uma negação da civilização ocidental. O lado Trump resgatava os valores de família, trabalho e ordem. São dois conceitos civilizatórios distintos.

Esquerda removeu a ideia de trabalho e construiu o mérito em cima da sexualidade e raça 

Jair Bolsonaro quer reduzir impostos, elevar a lucratividade do capital para atrair investimentos | Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O candidato Jair Bolsonaro representa a ideologia republicana no Brasil?
Sim. Eu faço um estudo sobre a ideologia na educação defendida pela Unesco que vem entrando no Brasil sob a Base Nacional Comum Curricular do Ministério da Educação. Querem levar esse eixo para as cabeças periféricas. É uma ideologia fabricada nos EUA e irradiada pela ONU para fazer a cabeça do mundo. Isso vai transformar a sala de aula em linha de montagem de cabeças esquerdistas. Bolsonaro é a favor do armamento e da família e contra o aborto. O economista que o orienta, Paulo Guedes, está fazendo a mesma coisa que Trump faz nos EUA. Ele quer baixar os impostos, elevar a lucratividade do capital para atrair investimentos e privatizar estatais. É o liberalismo econômico.

Existe espaço no Brasil para essa ideologia republicana? A sociedade fala em combater o conservadorismo no Brasil.
Vamos ser bem claros: o povo não “come” Karl Marx. Você precisa de empregos e uma economia que funcione. Essas teorias de esquerda são bonitas no espaço acadêmico, mas a realidade é diferente. Do ponto de vista intelectual, é muito bonito, mas o intelecto aceita tudo. Para produzir bem-estar e riqueza, a história prova que nada construiu tão bem como a racionalidade empresarial. Pode-se comentar o contrário na redoma da academia, mas no mundo real é preciso liberar essa racionalidade empresarial para gerar riquezas. Sem riquezas, não tem o que se distribuir. A esquerda atual não entende bem isso. A antiga esquerda queria apenas colocar o patrão de lado e o proletariado mesmo iria produzir. A esquerda atual não fala em produção, limita-se apenas a falar em distribuição daquilo que o outro produz. É um socialismo que acaba quando acaba o dinheiro do outro. A esquerda removeu por completo a ideia de trabalho e construiu um mérito em cima da sexualidade e da raça, mas com base no trabalho. A esquerda sublinha que, se é gay, você tem mais direitos do que o outro — não porque você trabalhou.

O sr. acredita numa dívida histórica com as minorias? E, no Brasil, há os negros e os pobres, que, a rigor, não são minoria…
Pode até existir. Mas vou explicar três coisas. Isso não funcionou nos EUA. Se você inventar um sistema que remunera a incapacidade de uma pessoa por essa questão histórica, uma porção da população atola e não sai mais disso. Os europeus cometeram o erro do assistencialismo. O pobre sai do mesmo tamanho que entrou nesses programas. A única forma de ir pra frente na vida é aderindo a hábitos eficientes que geram resultados. Quando se vem com o papo de “o culpado não sou eu”, o indivíduo está aderindo uma ética coletivista. Quer dizer, não tem culpa de nada e os outros têm que resolver seus problemas. Porque se a culpa não é de seus hábitos, a culpa pode estar no próximo, no capitalismo, no cosmo, nos sonhos, em qualquer lugar, menos nos comportamentos. Daí vem o buraco do qual a pessoa nunca sai. Em segundo lugar, nem vejo como se aplicar isso no Brasil. Meus filhos têm sangue africano (negro) e indígena, e não vejo qual é a parte deles que deve para a outra parte que se acha injustiçada. É tudo misturado.

Nos Estados Unidos, há mais conflitos?
Nos EUA é dividido entre negro e branco. Mas no Brasil não é igual. Como ficam os italianos e os japoneses que vieram para o Brasil, no século 19, para substituir os escravos nas plantações? Os plantadores trouxeram essa turma em situação pior que a dos escravos. Mas eles arregaçaram as mangas, trabalharam, prosperaram e não devem nada a ninguém. A situação dos japoneses foi muito difícil. Mas você não escuta falar em minoria nipônica. Porque todo mundo trabalha e cuida da própria vida. O negócio não depende da cor, da raça, depende do comportamento individual que gera a prosperidade, independentemente de ser negro ou branco. Essa história de vítimas não vem da população negra, e sim de um movimento político que está ganhando a vida em cima disso, explorando essa ideia.

O sr. aponta alguma solução para o problema?
A revolução educacional. Com a nova base curricular, o Ministério da Educação está no caminho correto.

“Aborto deve ser visto como assassinato e a Justiça brasileira não deve se submeter à americana”

Como o sr. avalia o movimento pró-aborto?
Estão fazendo política. Há critérios éticos a respeito do aborto; uns falam que está certo, outros que está errado. No aborto, parte-se para outro patamar. Trata-se de um assassinato.

No início, alguns movimentos polarizaram o debate usando a religião e depois se levantou a questão da saúde pública. Como avalia a evolução do debate?
Ouvi uma palestra de uma feminista defendendo o aborto em Goiânia há algumas semanas. Era uma mulher defendendo o aborto. Ela não é uma borboleta ou uma planta — é um ser humano. Se a mãe tivesse feito o aborto, não estaria defendendo tal ideia porque estaria morta. A mãe poderia ter matado um ser humano. Isso se chama assassinato. Ela é um aborto frustrado. Você pode escrever livros e encher bibliotecas inteiras para tentar justificar esse tipo de imbecilidade. Mas são coisas desconectadas do mundo real e, quando alguém fala o que eu falo sobre o aborto, mata a charada na hora. Essas discussões só empolgam pós-doutores, que se deixam impressionar com essas besteiras. Um homem de bom senso detecta o erro de raciocínio na hora.

E quanto às especificidades discutidas para liberar o aborto para mulheres de baixa renda que não têm condições de criar o filho ou para as mulheres estupradas?
Não, não, não. Como vão definir o que é estupro? A vida foi programada para perpetuar a vida. É um projeto biológico fundamental. A reprodução da vida varia de uma espécie para outra. O modelo mamífero salta os olhos, é preciso um macho e uma fêmea para reproduzir. Então os dois criam um casulo protetor para essa mecânica de reprodução. O nosso casulo protetor é chamado de família e temos leis para garantir isso. Estão querendo detonar o conceito matricial de família. A Grécia antiga criou a geometria, os círculos, quadrados, que são figuras abstratas, não existem no mundo real. Você não tem essa abstração em estado puro. Embora sejam ideias abstratas, se um arquiteto construir uma casa, mas sem levar em conta as questões reais, a casa cai. Não existe uma família perfeita no mundo. Mas não se pode criar uma sociedade em cima de conceitos abstratos e o que estão fazendo agora é desconstruir os conceitos matriciais. Toda a história do aborto nasce da hostilização à família. A maternidade se torna uma escravidão e uma coisa negativa. Aí se junta com a ética coletivista que transfere a consequência dos atos individuais à sociedade. A pessoa é livre na hora de transar, mas as consequências deixam para a sociedade. A moral tradicional diz que a pessoa é responsável por seus atos. Não se pode deixar que as pessoas transem sem consciência e depois precisem matar alguém para tirá-la do embaraço. Isso não existe.

Como avalia a posição do Supremo Tribunal Federal?
O que o STF está querendo fazer é um torpedo no patrimônio cultural brasileiro. A Constituição, que protege a vida, nasceu de uma Constituinte. No processo, não se consulta marcianos filosoficamente neutros. Consultam-se brasileiros que são ateus, católicos, agnósticos, batistas. O eleitorado vota em quem promete vocalizar as aspirações dele e transformá-las em leis. A Constituição representa a vontade cultural do Brasil e, ao proteger a vida, está protegendo a base cultural do país. O STF tem que ler a Constituição e consultar o que o Zé da Silva pensa sobre o aborto, mas os magistrados consultam órgãos internacionais para saber o que pensam do aborto. Consultam decisões da Suprema Corte americana. Os ministros dão sentença e citam a decisão da Justiça americana. Juízes americanos não tomam decisões baseados em sentenças brasileiras. Os americanos jamais iriam aceitar isso, mas aqui se faz numa boa. Quando se lê a sentença que equiparou a união homo afetiva à união entre homem e mulher, os ministros se basearam numa decisão americana. É a colonização cultural.

Como o sr. avalia a adoção de crianças por casais homo afetivos?
Nós somos governados por quadros evolutivos de leis. Não é como os dez mandamentos. Nós temos mecanismos para mudar as leis e os parlamentares são eleitos pelo voto popular. A causa gay nunca teve voto para mudar qualquer coisa via processo legislativo. Os gays não têm — em termos quantitativos — representantes no Parlamento. As pessoas estão se lixando para seus pleitos. A sociedade tem mais o que pensar. O trabalhador precisa ver como vai fechar as contas do mês, como pagar a escola do filho e o aluguel. Um pedreiro que levanta às 5h30 para tomar café vai pensar sobre transgenitalidade?. Ele tem outra coisa para pensar. Nos Estados Unidos, podem fazer uma campanha eleitoral só em cima disso e ganhar uma eleição. No Brasil não funciona assim. O fato de o Congresso Nacional nunca ter olhado para essas questões de casamento gay ou adoção de crianças por casal gay é porque não tem uma demanda popular para isso. Eles não foram eleitos para isso. Esse movimento não tem alianças no Congresso, mas tem alianças musculosas no Judiciário e a toda hora os magistrados antecipam decisões para esses grupos com um consenso legislativo que não existe no País.

Mas e quanto ao casamento gay?
O casamento gay só existe porque o Judiciário tomou uma decisão, mas não existe uma lei para regulamentar isto. Esses movimentos precisam de um atalho judiciário para ganhar as coisas, aí vem um juiz e passa por cima do Legislativo com uma decisão e muda o quadro. A literatura de base do movimento gay é baseada em destruir a família. O feminismo postula que as pessoas acreditem que uma mulher está presa pela família. O movimento gay eles denunciam o “modelo” hetero-normativo. No manual do militante, não se ataca a família de frente; o que se propõe são formas diferentes de famílias. Quando se dilui a família e tudo é modelo de família, nada mais é família. Essa é a estratégia deles.

“Judiciário mais forte do que Legislativo é golpe de Estado e o multiculturalismo é um caos”

O Judiciário está mais fortalecido que o Legislativo no Brasil?
Sim. Está na hora de reagir contra isso. É muito perigoso, é um golpe de Estado. Os ministros e juízes do Judiciário estão interferindo na competência de outros poderes.

Como o sr. avalia a crise política na Europa? Houve a saída do Reino Unido da União Europeia.
Toda a União Europeia é um veículo da ideologia globalista e a concepção de tal ideologia é uma queda de braço entre a soberania nacional e uma suposta soberania coletiva. Isso começa com as conversas diplomáticas do pós-guerra, em 1945. Aconteceu de forma natural essa passagem de comando das nações para uma soberania superior e depois as nações perderam o controle do comando de seus países. O estopim da crise na Europa foi a questão imigratória. Os países não puderam fechar suas fronteiras, pois assinaram tratados internacionais que vedam o fechamento. Se fechassem o país, cairiam na ira da ONU. De repente, os europeus tiveram suas culturas atropeladas por outras culturas que não obedecem aos seus princípios comportamentais e instalou-se o caos. Para não chamar de caos, eles chamam de multiculturalismo, que é mais bonito, mas o efeito é o mesmo.

A saída do Reino Unido pode influenciar a saída de outros países da União Europeia?
A União Europeia (UE) é um barco furado que tende a afundar mais do que flutuar. A Itália teve uma mudança de governo, e a direita chegou ao poder. A UE é uma união de vários países que assinaram tratados e, digamos, que os países podem assinar tais tratados de modo a la carte. Um pode aderir a um tratado econômico ou abertura de fronteiras. A Itália já está saindo desse tratado de abertura de fronteiras. Tem pessoas desempregadas em países europeus que veem outras pessoas chegando de barco da Somália e recebendo 1.100 euros por mês e um apartamento porque o tratado manda o país fazer isso. Isso pegou mal para a população europeia. Na Inglaterra, a motivação da saída foi por isso e eles começaram a desmontar todo o sistema.

Para Jean-Marie Lambert, os ataques terroristas na Inglaterra vieram de problemas migratórios | Foto: Divulgação

Os ataques terroristas na Inglaterra vieram de problemas imigratórios?
Exatamente. Uma coisa puxa a outra. Os ingleses puxaram o fio do novelo pela crise imigratória. Mas veja que sair da UE é sair de toda uma ideologia globalista de esquerda.

A União Europeia tem deveres políticos e sociais com as crises políticas e de guerras em países como a Síria? Quem poderia tomar alguma providência neste sentido?
Trata-se de uma história montada. O direito aos refugiados era para dar asilo a um intelectual que colidia com algum ditador ou regime totalitário. Agora virou uma indústria e tem gente ganhando dinheiro com isso, organizando expedições, quase um turismo. Eles não são refugiados no sentido próprio da palavra. Eles não estão brigando com o governo deles. Os refugiados foram para a Europa porque existem vantagens econômicas. Os coiotes, que são praticamente uma empresa informal, fazem esse traslado dos tais refugiados e vendem um pacote. Mas esse turismo causa problemas. Pesquisas mostram que 99% dos refugiados são homens e jovens. Então eles chegam aos países, sem mulher ou filhos, e acabam aprontando. É preciso, na verdade, combater o tráfico humano. Ele não é um problema humanitário, é fabricado. Tem refugiado vindo da Eritréia, mas não tem guerra lá. Primeiro existia o refugiado político, depois criaram o conceito de refugiado econômico, e depois o refugiado climático, aquele que está numa ilha no meio do mar que vai afundar. Agora tem esse papo de refugiado sexual, que são os gays que apanham em casa. Teve até uma decisão da Corte da Holanda que obrigou o país a dar asilo a três gays que apanhavam em Uganda. Também vi dois brasileiros como refugiados sexuais em Bruxelas, mas eles não apanham no Brasil.

Essa fabricação de imigração tem semelhança com a os refugiados venezuelanos que estão vindo para o Brasil?
A crise deles é mais autêntica. Eles têm um problema real e estão espirrando para o Brasil. Mas veja que problemas reais também têm na África. Eu entendo o drama. Já conversei com haitianos no Brasil e jamais faltei com respeito ao problema deles. Mas, do ponto de vista estatal, o governo brasileiro tem de resolver os problemas dos brasileiros e não os dos outros. Se o governo brasileiro começar a acolher todo mundo, vai importar problemas. Não vamos pensar que a população que vem da Venezuela e do Haiti é uma boa imigração. O trabalho que eles têm feito, como lavar carros, também existe brasileiros fazendo isso aqui. Nós temos essa força de trabalho, não precisa trazer de fora. O que é preciso discutir é qual imigração vai trazer mão de obra qualificada ao país e prosperidade para o povo. Normalmente essa mão de obra vem de europeus e americanos. Não é xenofobia pensar assim. Eles têm qualificação que não se encontra em outro lugar, tem que importar gente que não vai virar um problema social ao Brasil, nós já temos o suficiente.

Como está seu processo contra a PUC-GO?
É um caso emblemático, que aconteceria em qualquer universidade do Brasil. Nossas universidades não são mais universidades e fogem do pluralismo. Eles adotaram a ideologia da Unesco que traz o pensamento politicamente correto, no sentido de pensamento raso, igual àquele ratinho de laboratório que reage a reflexos. Um docente fala hoje em homofobia, racismo, xenofobia, e automaticamente se liga o lado negativo do cérebro e os alunos não fazem uma concatenação de ideias, é apenas um reflexo condicionado. Ao contrário, se o docente grita minoria, tolerância, automaticamente liga o lado positivo do cérebro e isso é o politicamente correto. Isso acontece na massa de estudantes que não têm pensamento próprio, não têm estudo de cultura.

Qual a origem do pensamento politicamente correto?
O pensamento politicamente correto tem um DNA filosófico, que se chama pós-modernismo, e essa linha tomou conta da universidade brasileira. Essa filosofia veio da Unesco e colocou os estudantes numa caixinha ideológica. Se você tiver um pensamento distinto, não entra na universidade. Eles têm um aparato de controle. Eu apresentei um curso de extensão sobre ideologia de gênero na PUC, pois pode-se apresentar um curso sobre o que quiser. Eu tinha apresentado dois sobre o Mercosul, e, como eles não se importam, o curso passou.

Barraram o curso sobre ideologia de gênero?
Quando apresentei sobre a ideologia de gênero, a Vice-Reitoria de Extensão estudou o conteúdo e repassou para um professor da área emitir um parecer, e o meu foi barrado. A vice-reitora, como feminista de carteirinha, leu o projeto, não gostou e encaminhou para um professor gay militante dar um parecer, para resolver tudo em família. Os estudantes que queriam o curso não se conformaram e fizeram um abaixo-assinado para o reitor. Ele acabou numa saia justa porque a universidade não é só salas, cadeiras e quadro negro, ela é o debate de ideias. Se deixar entrar o curso, ele cai da reitoria, em minha opinião. Quem manda é justamente esse lobby. O reitor monta um aparato de comissões para legitimar um “não” para mim e essa briga se espicha por um ano.

Há precedentes na PUC?
Nunca na história da PUC houve isso para um curso de extensão. A situação agora é que gay define o que você pode falar e travesti o que você pode estudar. O pior é que ele faz um parecer que fala de diversidade e que diversidade é essa da qual estou excluído? Gay pode matar a academia se ele se mobilizar para barrar a produção intelectual. Eles estão falando que os intolerantes, que sou eu, não vão entrar na PUC porque os tolerantes, que são eles, não toleram os intolerantes. Depois de um ano de briga, núcleos e comissões, recorri à Justiça. Levei o caso também ao Vaticano, porque existe uma espécie de constituição das PUCs, que prevê a diversidade. O papa Francisco não quis discutir o assunto. Vou ver se o juiz quer agora.

O sr. acha que a Justiça vai liberar o curso?
Se a Justiça não me der ganho de causa, farei um caso político disso. Aquele movimento da Escola Sem Partido está no meio da história fazendo barulho. Quando montamos o curso, fizemos um estudo bem feito, bem científico e escrevemos o livro. O curso foi montado em cima do livro com o mesmo roteiro intelectual, não tem nada de errado do ponto de vista acadêmico. A vice-reitoria faz um julgamento de oportunidade política. Eles falam que o curso está bem feito, mas é homofóbico, disseram.

O Vaticano está sendo tomado por este totalitarismo também?}
O Vaticano, cá entre nós, está meio assim capengando. Os católicos de base são geniais, nos ajudaram nos estudos. Mas a hierarquia precisa de uma limpeza. Não sei bem, mas talvez a ideologia de gênero tenha um poder lá dentro. O papa Francisco não está à altura da função. Ele quer ser politicamente correto.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.