“Nas próximas eleições, a população de Trindade vai avaliar o antes e o depois de nossa gestão. E vai perceber como tudo melhorou”

Prefeito do município que abriga o maior centro de peregrinação do Centro-Oeste, tucano avalia desempenho de sua gestão diante dos desafios impostos por uma herança administrativa com escândalos e suspeitas de corrupção 

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Trindade é uma antes da administração de Jânio Darrot (PSDB) e será outra após sua passagem como prefeito. Já seria assim mesmo se ele resolvesse não se candidatar à reeleição – como era seu propósito até algum tempo atrás. Mas o empresário nascido na cidade reavaliou sua decisão e decidiu encarar novamente as urnas, diante da pressão de correligionários e de seu partido, que considera importante sua continuidade à frente da gestão. Como vice, Jânio deixa nas mãos de Gleysson Cabrini (PSDB) a decisão de compor a mesma chapa. “Ele só não será meu companheiro novamente se não quiser”, afirma.

Em sua passagem à frente do município, o tucano teve de assumir dívidas de governos passados e cumprir o pagamento. Só ao INSS são R$ 300 mil repassados todo mês por causa de pendências deixadas por seus antecessores. Há ainda outros débitos, com Celg, Saneago e o TrindadePrev, instituto de Previdência dos servidores municipais.

Mesmo diante da condição financeira precária, o prefeito realizou obras importantes, o que desqualifica o discurso dos opositores de que ele não é um “tocador de obras”. “Eles não podem falar que nossa administração é corrupta, nem que não fazemos nada. Então ficam com uma fala limitada a dizer coisas assim”, resume.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Jânio Darrot fala ainda da necessidade de parceria com Goiânia, o município chave da região metropolitana, e diz que tudo seria mais fácil se o escolhido na eleição fosse o deputado Giuseppe Vecci, seu companheiro de partido e uma pessoa tida pelo trindadense como um grande gestor e uma escolha acertada que a população goianiense faria. “Ele ainda pode subir nas pesquisas. É preciso esperar esquentar o debate da campanha, porque isso pode acontecer.”

Elder Dias – O sr. completa três anos e meio à frente de uma gestão diferente em Trindade. Sabe-se que a arrecadação dos governos caiu e os municípios sofreram diminuição de receitas. Não foi diferente em seu município. Como o sr. está lidando com essa dificuldade em Trindade, para cumprir as metas traçadas em seu plano de governo?
Estamos vivendo uma das maiores crises do Brasil em todos os tempos, tanto institucional quanto política e econômica. Mas nós reestruturamos a Prefeitura de Trindade, fizemos uma reforma administrativa e fiscal no município e com isso conseguimos parcelar todas as dívidas que encontramos na prefeitura. Eram dívidas com a previdência dos servidores, o Trinda­dePrev [Instituto de Previdência dos Ser­vidores Públicos do Município de Trindade], também débitos com o INSS.

Cezar Santos – Que montante está sendo pago dessas dívidas?
Pagamos mais de R$ 300 mil por mês só com a dívida ao INSS. Já foram cerca de R$ 12 milhões pagos nestes anos em que estamos à frente da Pre­feitura. Com isso estamos colocando a municipalidade com as contas em dia.

Também fizemos um trabalho de contenção de gastos em todas as áreas, além de nos preocuparmos com a melhor aplicação do dinheiro público que temos para investir. Fizemos uma reestruturação da saúde no município, reformamos o Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), que hoje tem 96% de aprovação e contamos com parceria do governo estadual na gestão dessa unidade [a gestão é feita pela organização social (OS) Instituto Gerir]. Reformamos as 26 unidades do Programa de Saúde da Família (PSF), e algumas delas nós equipamos e ampliamos. Além disso, já construímos mais 6 dessas unidades, além de uma UPA [Uni­da­de de Pronto Atendimento] 24 ho­ras, que estamos finalizando e vamos entregar nos próximos 30 dias.

Ainda na Saúde, reformamos e ampliamos o novo Centro de Saúde 24 Horas do Setor Cristina, que é um pronto atendimento em tempo integral para a população da região leste de Trindade. Agora, com a UPA, a região será atendida nos casos de urgência e emergência e a unidade do Cristina será um centro de referência em exames e especialidades. É uma reorganização geral da saúde em nosso município.

Elder Dias – E como está o setor da educação, que é sempre uma grande preocupação?
Na área da educação, da mesma forma, estamos mudando todo o quadro. Encontramos professores desmotivados e procuramos conversar com eles. Começamos, então, a fazer o pagamento com a adoção do piso nacional para a categoria, já no primeiro ano de mandato. Também foi quando adotamos as eleições diretas para diretores das escolas. Também reformamos, am­pliamos e equipamos todas as unidades do município, com carteiras novas, com móveis novos. Os alunos recebem uniforme completo, todos eles, inclusive tênis e meias, além do kit de material escolar. Seus pais não têm nenhuma despesa. Já entregamos dois Cmeis [centros municipais de educação infantil], estamos com mais um quase pronto e outros quatro em construção. Fazemos isso em parceria com o governo federal e contrapartida da administração de Trindade. Estamos reestruturando a educação de zero a 4 anos no município, com uma qualidade realmente alta. Para ter ideia, tínhamos, ao assumir, menos de 7 mil alunos e hoje há algo em torno de 10 mil na rede municipal.

Marcos Nunes Carreiro – Em relação à infraestrutura, como está Trindade?
Desde o primeiro ano estamos fazendo asfalto novo. Já pavimentamos 14 bairros e estamos com mais 4 nesse processo. Já totalizamos mais de 300 mill metros quadrados de recapeamento de ruas e avenidas de Trindade. Recu­peramos a malha asfáltica antiga, que tinha muitos buracos. Hoje, podemos dizer que estamos melhorando, cada vez mais, a aparência da cidade, com paisagismo e canteiros bem cuidados, onde plantamos grama esmeralda. Ou seja, atuamos bastante pela urbanização.

Cezar Santos – Uma ótima conquista foi o aterro sanitário…
O meio ambiente era um aspecto terrível quando assumimos. Encon­tra­mos uma cidade com um lixão a céu aberto. Hoje, temos um aterro sanitário licenciado. Foi uma luta árdua, mas, no dia 23 de junho, depois de mais de três anos, conseguimos entregar um aterro com todos os equipamentos necessários, com licenciamento ambiental obtido com o órgão correspondente, no caso a Secima [Secre­taria do Estado de Meio Am­biente, Recursos Hídricos, In­fraes­trutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos].

Elder Dias – O que esse licenciamento agrega à gestão? É um certificado importante?
É uma certidão de que estamos tratando nosso lixo da forma correta, de acordo com o que pede o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Fazemos a colocação dos dejetos utilizando lonas, recolhendo o chorume, eliminando os gases. Não há aquela quantidade enorme de urubus, não há mau cheiro. É um lugar que tem uma relativa limpeza e que dá o tratamento adequado aos resíduos sólidos de Trindade. Fizemos algo muito importante para os tempos atuais, em que se preza tanto – e com real necessidade – a questão ambiental. Poucas cidades no Estado e no Brasil têm um aterro assim. Não sei exatamente quantas cidades têm esse tipo de equipamento em Goiás, mas sabemos que são poucas, são uma minoria. Acredito que cumprimos com nossa obrigação, encontrando uma situação de aterro abandonado, no qual deixaram de investir, pois realmente tem um custo elevado de execução e manutenção para ser um aterro sanitário. Era de fato um lixão a céu aberto, uma situação deplorável. Durante esse tempo todo fizemos um trabalho muito bom, para deixar um local agora licenciado, adequado à preservação do meio ambiente e ao cumprimento das normas legais, incluindo aí as metas dos governos municipal, estadual e federal.

Elder Dias – O aterro sanitário serve também a outros municípios vizinhos? Foi feita alguma parceria com outra cidade?
Não, o aterro é exclusivo para a coleta dos resíduos sólidos do município de Trindade.

Cezar Santos – Na administração anterior havia um problema, ao qual o sr. mesmo se referiu em entrevista anterior, em relação à comunicação entre regiões da própria cidade, bairros que ficavam isolados. Em alguns deles, era mais fácil se deslocar para Goiânia do que ir para um setor vizinho. Como o sr. lidou com esse desafio?
Estamos agora com um estudo sendo feito por um dos maio­res urbanistas do Brasil, que é Luiz Fernando Cruvinel Tei­xeira, o Xibiu. Sua equipe está elaborando um novo Plano Diretor para o município de Trindade, com todas as vias que irão interligar os diversos bairros, inclusive com uma expansão urbana projetada para os próximos 30 anos. Na medida em que essa expansão for acontecendo, já haverá os eixos estabelecidos por esse plano. Ou seja, a cidade passa a ter conectividade, não mais será fragmentada com loteamentos em que um não tem nada a ver com outro.

Precisamos pensar em Trindade com planejamento em longo prazo, até por ser integrante de uma região metropolitana. Basta ver como era Aparecida de Goiânia há 20 anos e como essa cidade está hoje. Apa­re­ci­da tem cada vez menos vazios urbanos e isso vai impactar em nós, que passaremos a ter uma maior demanda para crescimento nos próximos anos. Por isso, estamos trabalhando principalmente na questão do saneamento. Depois que for finalizada a conexão de Goiânia com o sistema de água da barragem do Ribeirão João Leite, que também abastecerá Aparecida, vamos ter a captação da água tratada no Sistema Meia Ponte para Trindade e Goianira. A partir daí, creio que teremos uma expansão significativa da cidade de Trindade.

Elder Dias – Em Goiânia está claro que há uma pressão muito forte dos proprietários de terra do município pela expansão urbana, porque querem abrir loteamentos em suas áreas. Como o sr. tem lidado com essa questão e como isso está influenciando – ou vai influenciar – nas decisões sobre o crescimento de Trindade?
Não estamos aceitando nem vamos fazer uma expansão urbana fragmentada. Não queremos que aconteça dessa forma no município. Temos de fazer uma coisa planejada, pensando que Trindade, que hoje tem 120 mil habitantes, daqui a 30 anos poderá ter 250 mil ou 300 mil habitantes. Se não fizermos esse planejamento da forma correta, teremos uma cidade crescendo com grandes problemas estruturais. Se fizermos a tarefa de casa agora, então vamos colher os frutos com uma expansão programada.

Goiânia foi planejada para 50 mil habitantes, na década de 30. Hoje a capital tem 1,5 milhão. Por isso, temos de pensar em Trindade, que tinha 10 mil moradores em meu tempo de criança, como uma cidade com o dobro de sua população ou até mais. Isso demanda planejamento imediato e passamos esse trabalho para um urbanista bastante competente. Creio que ele deva apresentar tudo em no máximo 60 dias. Já fizemos audiência pública e também um chamamento público para que os proprietários de terras que queiram participar do processo possam nos comunicar. Esse trabalho está sendo feito em conjunto com a população.

Marcos Nunes Carreiro – A intenção é aprovar o novo Plano Diretor da cidade ainda neste ano?
Sim, com certeza. Dentro desse plano de expansão que estamos tocando vamos aperfeiçoar o Plano Diretor do município.

Elder Dias – Então, em algum tempo, o romeiro vai fazer seu trajeto entre Goiânia e Trindade praticamente todo dentro de condição urbana, dentro de uma cidade?
Ele vai caminhar por uma avenida, o que, aliás, já é hoje. Uma rodovia muito bonita, que é a nova Rodovia dos Romeiros, da qual o governador Marconi Perillo (PSDB), com a visão que tem, há três anos concluiu a reconstrução, implantando, além de um novo piso, também guard-rails em toda sua extensão, nova iluminação e ciclovia. A pista para os pedestres, que tinha dois metros de largura – uma envergadura excelente para a época em que foi feita, ainda pelo saudoso governador Henrique Santillo –, precisava de ampliação e foi alargada para cinco metros. Hoje é uma rodovia muito moderna e bonita.

A pista de pedestres, neste ano, por meio da Igreja Católica, com o arcebispo dom Washington Cruz, procedeu a inauguração da Porta Santa, no quilômetro zero da rodovia. Isso aumentou e muito a quantidade de pessoas que foram a pé para Trindade este ano, segundo minha percepção. No sábado, véspera do encerramento da festa, essa pista de pedestres estava totalmente congestionada, com dificuldade até mesmo para que as pessoas caminhassem, o que prova o sucesso da romaria deste ano.

Marcos Nunes Carreiro – O sr. falou, há alguns meses, em um discurso proferido em Trindade, que teria “estancado” 12 anos de corrupção na administração do município. O que encontrou ao assumir a gestão e como exatamente o sr. procedeu para sanar esse problema?
A primeira coisa que encontramos – quando eu digo que estancamos a corrupção – se refere a Pre­vidência privada dos servidores mu­nicipais, o TrindadePrev. Quando assumimos, em janeiro de 2013, havia no caixa do TrindadePrev pouco mais de R$ 200 mil. A Previdência, portanto, estava praticamente falida, já que a folha de pagamento passava de R$ 350 mil. Nós restruturamos a Previdência e assumimos a dívida. Hoje, no último levantamento, há dois meses, já passávamos de R$ 16 milhões na conta. Fizemos esse processo por observar que os servidores teriam dificuldade para receber seus benefícios, como vimos, pela imprensa, ocorrer com os funcionários dos Correios [escândalo do fundo de previdência Postalis]. Isso também aconteceria em Trindade, não fosse nossa intervenção.

Tivemos também dívidas herdadas em todas as áreas, como com a Celg e com a Saneago, além do INSS. São recursos que foram retidos dos servidores e não foram repassados. Então, sem dúvida nenhuma, isso demonstra que hou­ve descaso, corrupção e negligência com a coisa pública. Trindade, atualmente, possui o Cauc [Serviço Au­xi­liar de Informações para Trans­fe­rências Voluntárias, um cadastro único de convênios cujo objetivo é simplificar a verificação do atendimento, pelos entes da Federação, dos requisitos fiscais para a transferência voluntária de recursos da União]. O município tem todas as cer­tidões e está pronto para fazer to­dos os convênios, seja com o go­verno estadual ou federal. E isso é muito importante, porque temos de fazer gestão compartilhada. Não adianta um município se isolar e achar que é uma ilha. Nós dependemos disso e, para ter o Cauc, a Prefeitura não pode estar em débito com a Previdência, com o INSS, com a Celg, com a Saneago. Se não for assim, a Prefeitura não consegue trazer recursos e realizar convênios importantes para o município. As nossas contas estão aprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Além do mais, todos os nossos contratos e licitações são feitos por meio de pregão, que é aberto para o Brasil todo. E é isso o que tem nos dado condições de fazer muito por Trindade nesses últimos três anos e meio, mesmo tendo poucos recursos. Isso não estava sendo feito nos últimos 12 anos em Trindade.

Patrícia Moraes Machado – Uma das críticas feitas ao sr. é justamente por ter esse seu perfil político, com sua gestão voltada para “arrumar a casa”. Por causa disso, deixou de atender um apelo popular de apenas realizar obras e moldar em si o perfil populista que seus adversários têm. Agora, nessa disputa para um novo mandato, como o sr. pretende convencer o eleitor a valorizar e referendar aquilo que foi feito até ago­ra como algo que era necessário?
O fato é que, além de colocar a casa em ordem, dar um choque de gestão e reestruturar a Prefeitura, fizemos também várias obras em Trindade. E vamos ter oportunidade de prestar contas disso à população. Agora será o momento dos grandes debates e quando iremos mostrar o que foi feito em todas as áreas no município, da educação à infraestrutura, como falei sobre isso há pouco. Temos tudo registrado sobre a forma como encontramos a Prefeitura. Talvez a dificuldade que meus adversários têm seja a de criar um estereótipo que não seja esse para mim. Eles não têm como dizer que a administração é corrupta, ou que não estamos trabalhando. Por exemplo, só neste mês de junho que se encerrou nós inauguramos quatro novas unidades de saúde em Trindade. E são unidades com dois consultórios médicos, consultório odontológico, e tudo totalmente novo.

Patrícia Moraes Machado – Mas o sr. enxerga que a população percebe isso em sua pessoa?
Isso é o que nós vamos trabalhar agora, para mostrar o trabalho que estamos fazendo para a população. E acredito que as pessoas, atualmente, têm essa percepção, pois as obras podem ser vistas – veja só a questão do recapeamento e do asfalto novo. Nós tínhamos um déficit muito grande de asfalto em Trindade. Já levamos esse benefício a 14 bairros e estamos fazendo isso em mais quatro, como já disse. Nossa presença na cidade é muito evidente e o que faremos agora é perguntar o que o eleitor quer. Essa eleição é quase um plebiscito e as pessoas vão dizer se concordam com nossa gestão ou não. Estamos evoluindo e acredito que não podemos parar agora.

“Precisamos garantir os avanços na Saúde e na Educação”

Na foto Jânio Darrot

Na foto Jânio Darrot

Marcos Nunes Carreiro – Alguns nomes foram cogitados para assumir a candidatura a vice-prefeito em sua chapa à reeleição. Chegou-se a falar sobre a esposa do novo secretário de Governo do Estado, Tayrone di Martino (PSDB), a cantora católica e jornalista Talitta di Martino. Como estão as conversas sobre esse assunto?
Gleysson [Cabriny] é um vice-prefeito leal, um excelente companheiro, que ajuda, participa e que, em momento algum, criou alguma dificuldade para a administração. Tenho um respeito muito grande por ele, que tem um grande potencial político. Então, vejo que ele é o candidato natural à minha sucessão, já que minha candidatura está praticamente definida. E Gleysson é meu pré-candidato a vice. Ou seja, a chapa se mantém, a não ser que ele, espontaneamente, não queira. Isso eu não sei. Fico feliz em saber que existem outras possibilidades, mas tenho esse compromisso com ele.

Elder Dias – O governador Marconi Perillo poderá interferir nesse processo?
O governador Marconi é um grande amigo e parceiro de Trindade. Ele está sempre pronto a ajudar e jamais fez alguma imposição dessa natureza. Eu o conheço há muito tempo e ele tem uma confiança muito grande em nossas decisões. Sempre me coloca muito à vontade para decidir e, sobre o que for acordado, tenho certeza de que ele estará conosco, nos apoiando.

Elder Dias – Assim como Talitta, seu vice, Gleysson Cabrini, também é ligado à Igreja Católica…
Sim, Gleysson é ligado à Igreja, é jovem e o pai dele foi vereador por Trindade.

Patrícia Moraes Machado – O sr., se não fosse candidato à reeleição, iria lançá-lo em seu lugar?
Sim.

Cezar Santos – O plano de governo que o sr. apresentará para esta eleição está sendo construído junto com a população. Mas é possível adiantar algo que o sr. não fez nesta gestão e que pretenda fazer na próxima?
A primeira coisa é garantir os avanços e buscar ampliá-los. Os progressos que obtivemos na educação e na saúde precisam ser garantidos e continuados. Precisa­mos terminar essas obras importantes que estão sendo feitas, de novas escolas, e de novos postos de saúde. O Hutrin antes era um “postão” mal arrumado e hoje é um hospital com 96% de aprovação. Da mesma forma são vistas a UPA no Trindade 2 e as unidades que foram equipadas e montadas. Enfim, vamos melhorar isso cada vez mais, pois é um trabalho continuado que é aperfeiçoado a cada dia. Além disso, vamos terminar a pavimentação dos bairros de Trindade. Vão ficar poucos, que são aqueles novos – nos quais ainda está sendo feita a regularização fundiária – e os setores de chácaras. Mas os bairros tradicionais estão sendo pavimentados, como o Imperial 2, o Laguna, o Bandeirantes, o Ponta Kayana e o Marista. E vamos continuar o serviço de recapeamento da cidade, que tem uma malha viária deteriorada, além de fazer esse trabalho de crescimento ordenado do município, garantindo o abastecimento de água e a rede de esgoto em todos os bairros de Trindade. Outra questão é fazer com que Trindade cresça cada vez mais em sua capacidade econômica, com mais geração de empregos e novas indústrias. Eu não diria que, para um novo mandato, teremos um plano extraordinário e fora daquilo que nós já estamos desenvolvendo. Acredito que a população vai avaliar isso e entender como era a educação, a saúde, a infraestrutura e o meio ambiente (parques e aterro sanitário) de Trindade e como ela está agora. No fim, vai ver como tudo melhorou.

Patrícia Moraes Machado – O que levou o sr. a mudar de ideia e decidir disputar a eleição?
Eu me propus a ser candidato em Trindade pensando nos quatro anos. E estão sendo quatro anos de muito trabalho, pois faço com dedicação tudo o que me proponho. Assumi a Prefeitura de Trindade e aquilo passou a ser a minha vida. Por isso, sobrecarreguei a minha família. Tenho duas filhas: uma médica, que não está na empresa; e outra, que a administra. Já minha esposa está dividida entre a empresa e a assistência social do município, pois a primeira-dama é voluntária, mas tem uma presença muito forte na assistência social, na educação e na saúde de Trindade.

Então, em um momento, eu senti que já tínhamos cumprido o que propusemos a fazer para a cidade – uma nova administração, como novos rumos e nova forma – e que eu deveria voltar para a minha empresa e dar continuidade àquele trabalho, o qual já temos feito por 30 anos. Entretanto, eu percebi, quando fiz esse anúncio de que não concorreria à reeleição e com o passar dos dias, o descontentamento que existia dentro da base aliada, pois muitos candidatos a vereador e todos os que acreditaram e lutaram para estivéssemos na cidade para realizar essa transformação se sentiram decepcionadas. Isso pesou muito para que eu revisse a minha decisão e voltasse atrás.

Estamos prontos, agora, e novamente motivados; já me ajustei e me entendi com minha família sobre tudo isso. Trindade é minha cidade, foi onde nasci e eu a conheço muito bem. O trabalho que realizo por ela é, portanto, de coração. Trabalho com amor, com dedicação total por Trindade, pois quero vê-la bem. É uma cidade pela qual eu me orgulho (enfático) e eu quero vê-la bem — o que é muito importante para mim.

Cezar Santos – Houve um apelo do governador Marconi Perillo ao sr., nesse sentido de reconsiderar a decisão inicial de não se candidatar?
O governador me chamou para que conversássemos, mas deixou-me à vontade. Logica­mente, pediu para que eu repensasse, até para que pudéssemos continuar o trabalho que temos feito e, principalmente, por nossa parceria, a qual deu muito certo para a cidade. No nosso mandato de três anos e meio, foi reconstruída a Rodovia dos Romeiros pelo governador. Por ele também foram feitos o trecho rodoviário de Trindade a Abadia de Goiás e o trecho de Trindade também até Goianira — ambos da GO 469 —; foi reconstruído a rodovia até Campestre, bem como a GO-060 para Santa Bárbara e São Luís de Montes Belos. O governador Marconi ainda assumiu a gestão do Hutrin, o qual estadualizamos, pois precisávamos dar ao hospital uma qualidade maior, haja vista a importância que a cidade tem e merece. Fizemos também várias outras parcerias. Ele sempre me ajudou com asfalto, com a questão do recapeamento. Ele é um governador que nos ajuda sempre nas romarias, o que é, sem dúvida alguma, uma parceria que deu certo e que pesou para que continuemos na luta por Trindade. O Marconi Perillo ficará ainda no governo por mais dois anos. Depois, acredito que, caso reeleito, teremos uma ótima parceria seu vice, José Eliton (PSDB), que é também um grande amigo nosso e de Trindade.

Patrícia Moraes Machado – O sr. percebe, diante da população de Trindade, a reação em relação à posição que a deputada federal Flávia Morais (PDT) adotou diante do pedido de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT)? A questão é que ela fazia parte do governo, o qual defendia, e, na hora H, votou a favor de sua saída. Como os trindadenses reagiram a essa mudança repentina? Afinal, ela é pré-candidata à Prefeitura de Trindade.
Inegavelmente, o posicionamento dos deputados goianos de apoio ao impeachment, bem como seus votos para isso, foi aprovado pela população de Trindade e de Goiás. Esses parlamentares atenderam a um anseio de todos os brasileiros e, em nossa bancada, foram 16 votos favoráveis, de um total de 17, a favor do impeachment. No caso do voto da deputada Flávia Morais, esse causou uma reação de surpresa dentro de seu partido, o PDT, e de todos os favoráveis ao governo, porque ela estava presente dentro dele e ela o defendia. A deputada tinha cargos e participava ativamente desse projeto de governo do PT. Seu partido se sentiu traído, porque foi um voto dissimulado, de última hora. Ela teve todas as oportunidades de se manifestar com antecedência, de se posicionar, de abrir uma dissidência. O que causou estranheza a seus aliados foram justamente a dissimulação e o voto, encarado como uma traição de última hora.

Cezar Santos – Goiânia e Trindade são cidades já praticamente conurbadas. Se houvesse um entrosamento entre as administrações, isso facilitaria muitos projetos em comum na divisa dos municípios. Como o sr. vê a pré-candidatura do deputado federal Giuseppe Vecci, de seu partido, a qual vem se mostrando difícil de alavancar. O sr. acredita que essa situação delicada pode ser revertida, até porque, agora, houve um apelo muito forte do governador pelo fortalecimento da pré-candidatura dele?
Acredito muito na candidatura do deputado Vecci, até porque ele é um grande gestor, uma pessoa que tem um trabalho prestado ao Estado, que todos reconhecem. E isso não é de agora, vem desde o período do governador Henrique Santillo [de 1987 a 1990]. Já em 1998, ele estava com o governador Marconi desde o início, quando começaram um trabalho de reestruturação do Estado, com grandes projetos e muitos deles inovadores. Portanto, ele participou ativamente de todos esses ciclos e junto de Marconi, em seus quatro mandatos.
Hoje, Giuseppe Vecci atua como deputado federal e é um grande economista e empresário. É um homem que conhece a gestão pública e, por isso, seria uma administração excelente para Goiânia, não tenho dúvida alguma. E ele tem capacidade de mostrar isso em sua campanha, com seu trabalho. Logicamente, hoje, as pesquisas apontam outros candidatos com uma intenção de voto maior, mas isso ainda pode ser revertido durante o processo eleitoral — nós vimos o mesmo ocorrer com o próprio Marconi, quando ele começou sua campanha em 1998. Basta nos lembrarmos de que ele tinha apenas 3% nas pesquisas e ganhou a eleição, e isso já aconteceu em muitas outras, sejam municipais, na capital ou no interior. Os números sofrem alterações durante a campanha, que é importantíssima para decidir uma eleição. É durante a campanha que as pessoas param para ouvir, é quando elas se interessam pelo debate, que se multiplica à medida que alguém vai à televisão ou ao rádio, pois é nesse momento que o candidato apresenta seu projeto, o que ele já fez, seu trabalho, apresenta todo um plano novo. As pessoas começam a discutir por ali e isso vai tomando conta; o assunto na cidade passa a ser as eleições. O debate de campanha é muito importante para construir o resultado final da eleição.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia a aposentadoria de Iris Rezende (PMDB), anunciada nesta semana?
Eu não sei se, até pela maneira com que foi anunciada, de forma muito discreta, é uma decisão final. Talvez, não. Vejo que, se o ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende resolva encerrar a vida política, ele fará um anúncio de forma que se mostre como um grande acontecimento político no Estado. Então, não sei ainda se é mesmo a decisão final dele.

Elder Dias – De qualquer forma, o anúncio dele causa reflexos, inclusive na própria política de Trindade, município vizinho e no qual já deva haver uma movimentação do PMDB, que é um partido forte na cidade, apesar da administração desastrosa de seu último prefeito [Ricardo Fortunato, antecessor de Jânio Darrot] e de todas as polêmicas que o envolveram.
Certamente. O ex-prefeito Iris é um nome de peso, com uma grande história no Estado e, assim, sua decisão impacta em nossa política como um todo, principalmente na região metropolitana. Diria que até em todo o Estado, mas, sim, isso mexe muito mais com o quadro da capital. A movimentação em Goiânia, certamente, é grande e a expectativa, também, caso o anuncio seja definitivo, caso a decisão do Iris se consolide. Em Trindade, para seu partido, também, para o PMDB local provavelmente deve ter algum significado forte. Já para nós não vejo grande diferença.

Cezar Santos – A festa do Divino Pai Eterno terminou na semana passada e mais uma vez com maciça presença popular. Que balanço o sr. faz?
Novamente tivemos um público muito grande nos dez dias da romaria. Calcula-se que 2,5 milhões de pessoas circularam em Trindade nesse período e, graças ao Divino Pai Eterno, correu tudo dentro da normalidade. Tivemos pouquíssimas ocorrências, sem gravidade. Foi uma festa muito bonita. As pessoas ralmente vão a Trindade para professar sua fé e vêm de todos os cantos do país, de todas as maneiras. Centenas de milhares de pessoas vão a Trindade a pé, pela Rodovia dos Romeiros. Além dos goianos, recebemos pessoas que vêm de outros Estados, caminhando, fazendo essa peregrinação até o Santuário do Divino Pai Eterno.
Nós, da Prefeitura, em parceria com o governo do Estado, preparamos a cidade para acolher esse grande número de visitantes. O governador Marconi Perillo reformou todas as rodovias que dão acesso a Trindade. A nova Rodovia dos Romeiros está uma maravilha. Tivemos a barraca da OVG [Organização das Voluntárias de Goiás] para dar o apoio aos romeiros que faziam a peregrinação a pé. O governo de Goiás nos ajudou na estruturação da festa, com os banheiros químicos, bem como com a estrutura do carreiródromo para o desfile dos carros de boi. E também com a segurança, aumentando o efetivo, que foi em torno de 4 mil homens da Polícia Militar fazendo o policiamento de Trindade. Também foram aumentaos os efetivos da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros.

A Prefeitura, claro, também fez sua parte. Organizamos e estruturamos a festa, cuidamos para que a cidade estivesse sempre limpa e pronta para receber os visitantes. Foi um trabalho intenso que nos permitiu perceber que as pessoas saíram com uma boa impressão.
Foi uma festa muito bonita. No domingo, dia 3, houve o encerramento com as missas. A celebração das 8 horas da manhã teve a presença do governador Marconi Perillo, da primeira-dama Valéria Perillo, dos senadores Lúcia Vânia (PSB), Wilder Morais (PP) e Ronaldo Caiado (DEM), vários deputados federais e estaduais, vereadores de Trindade, de Goiânia e de outros municípios e muitas outras autoridades, que foram prestigiar essa missa de encerramento, com uma multidão presente. À noite, na missa das 18 horas, também houve uma grande concentração de pessoas para o encerramento da festa. Por tudo isso, o saldo foi positivo, de acordo com a expectativa que tínhamos.

Prefeito Jânio Darrot: “Estamos empenhados em estimular o crescimento do empreendedorismo em relação ao turismo na cidade, para gerar empregos”

Prefeito Jânio Darrot: “Estamos empenhados em estimular o crescimento do empreendedorismo em relação ao turismo na cidade, para gerar empregos”

Cezar Santos – A festa deve proporcionar um grande incremento econômico para a cidade. Tem uma estimativa desses valores?
De fato, o turismo religioso é a maior fonte de geração de empregos e renda para Trindade. Isso se potencializa nos dez dias de romaria e os reflexos se produzem um mês antes e um mês depois da festa, para o comércio de maneira geral, restaurantes, hotéis, pousadas, feiras de artesanato, confecções etc. A festa movimenta a economia de Trindade e é uma oportunidade para que as pessoas da cidade tenham um complemento de renda com aluguéis, trabalho, serviços, entre outros.

Marcos Nunes Carreiro – O município tem um retorno financeiro bom ou acaba gastando mais do que arrecada?
Está equilibrado. Com a ajuda do governo estadual e com o que a prefeitura arrecada, as contas se equilibram, porque temos uma folha extra de pagamento alta, relativa à festa de Trindade, conforme a estrutura que preparamos para receber os romeiros. Isso gera gastos, a despesa é grande para manter a festa bem estruturada, mas acreditamos que neste ano houve um equilíbrio entre despesa e receita para a Prefeitura.

Elder Dias- O turista religioso não é dos mais gastadores, como o de cidades litorâneas. O sr. tem ideia do que entra de receita mensalmente em Trindade em função do turismo religioso?
Trindade hoje tem quase 200 pousadas e hotéis; também são quase 100 restaurantes para receber o turismo religioso. Sem dúvida, o turismo religioso é barato, as pessoas o fazem com recursos muito aquém do turista de praias, onde tem resorts e grandes estruturas hoteleiras. O visitante em Trindade, se quiser, consegue fazer um turismo praticamente sem gastar, o que não é possível em outros locais. Mas não temos um número exato para dizer o que entra de receita todos os meses em função da festa na cidade, com as pousadas e hotéis e no comércio. Até porque há muitas feiras que trabalham na informalidade, em sua maioria. Hoje estamos empenhados em estimular o crescimento do empreendedorismo em relação ao turismo na cidade, para melhorar a geração de empregos locais. Essa é uma de nossas preocupações. Mas o turismo religioso está se estruturando, se abrindo para a formalidade e, com certeza, em breve será um importante fator econômico para o município e para o Estado.

Marcos Nunes Carreiro – A Prefeitura tem parceria com o Sebrae-GO [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas] para preparação de pessoal?
O Sebrae está instalado na cidade e é nosso parceiro na estruturação do turismo religioso. É uma parceria entre Prefeitura, Sebrae e Igreja Católica, com estudo para aprimorar o turismo. São realizados muitos cursos de aprimoramento para os empresários dos ramos hoteleiro, de alimentação, de artesanato etc. Tudo em função de estimular o aprimoramento dos negócios para receber o turista da melhor maneira possível.

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