“Marconi vive no século 21, Iris vive no século passado”

Vice-governador afirma que a base aliada está pronta para o debate eleitoral, inclusive em temas espinhosos como Celg e segurança pública

Foto:  Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O advogado José Eliton de Figuerêdo Júnior, vice-governador, é um dos mais efetivos auxiliares do tucano Marconi Perillo. Escalado para atuar na linha de frente da campanha governista, ele fala de sua trajetória política e conta porque rompeu com Ronaldo Caiado. Mesmo fazendo questão de dizer que respeita a posição do presidente do DEM, o vice-governador afirma que o líder ruralista fez uma aliança de pura conveniência com o ex-adversário PMDB, depois de tentar e não conseguir ser candidato ao Senado na base aliada.

José Eliton também critica fortemente o candidato peemedebista ao governo, rebatendo declarações de Iris, como a de que vai resolver o problema da segurança pública no primeiro dia de governo, se for eleito. “Tenha a santa paciência! Iris disse que resolveria o transporte público de Goiânia em seis meses. Resolveu?”, pergunta Eliton em tom provocativo.

Patrícia Moraes Machado – O sr. ingressou na vida política já como vice na chapa do governador Marconi, em 2010. Como explica essa posição de destaque sem carreira política anterior?
Do ponto de vista de candidatura, a primeira vez que eu disputei uma eleição foi em 2010. Mas pela trajetória familiar, eu já tinha participado em eleições anteriores, numa cidade pequena, do interior, nas particularidades da política praticada nos municípios goianos. Em 1996, me graduei em Direito, pela Universidade Católica. Naquele ano, houve eleições municipais e meu pai foi candidato a prefeito da cidade de Posse. A forma de colaborar com meu pai seria, justamente, estudando o direito eleitoral. Comecei a me preparar e fiz um círculo de amizade nos municípios, isso foi decisivo na minha formação profissional. Sai de Posse, fui a Brasília e depois vim a Goiânia, fiz parcerias importantes com o escritório do doutor Felicíssimo de Senna, com quem trabalhei alguns anos. Trabalhei com José Eduardo Alckmin, que foi ministro do TSE. Advoguei para todos os partidos políticos goianos. E sempre tive convicções muito conservadoras. Em 2006, eu fui convidado para compor a coordenação jurídica do senador e então candidato ao governo Demóstenes Torres, do DEM. Tive uma aproximação com o Democratas, com o presidente, que era o deputado Ronaldo Caiado. Eu fiz a defesa de toda coligação do Demóstenes, da candidatura a senador, vice-governador, governador, deputados federais, deputados estaduais. Foram mais de 400 ações, direitos de reposta, representações, questões rotineiras em processo eleitoral.
Me filiei ao Democratas já em 2005, tive participação ativa. Na eleição de 2008, ajudei muitos candidatos a prefeito e fui construindo uma vida partidária, uma trajetória. Tinha uma relação muito respeitosa com o presidente Ronaldo Caiado. No processo eleitoral de 2010, o Democratas ainda não tinha se decidido. Demóstenes era pró-aliança com o governador Marconi Perillo. Havia resistência do presidente Ronaldo Caiado, que depois entendeu que esse era o melhor caminho, uma aspiração de todo o partido. E, em uma articulação de todos, fui indicado à vice. Nunca tive qualquer tipo de vínculo empregatício, de qualquer natureza, com os líderes do partido. Era uma relação de reciprocidade e de respeito com todos e tinha muito trânsito no Democratas. Isso facilitou a construção. Na convenção, fui aclamado candidato. Nem houve a disputa com o Joel Braga, que era pré-candidato a vice e refluiu pela unidade do partido. Nesse momento, então, se consolida minha primeira participação do ponto de vista efetivo como candidato.

Patrícia Moraes Machado – Nessa indicação, a articulação interna do partido foi feita mais por Ronaldo Caiado ou por Demóstenes Torres?
Pelos dois. É claro que o presidente Ronaldo Caiado teve uma participação fundamental nesse processo, assim como Demóstenes. Não só ele, mas outros, os deputados Hélio de Souza e Nilo Resende, que hoje é conselheiro, também participaram ativamente desse processo. Foi uma construção conjunta de todos os democratas da época.

Patrícia Moraes Machado – Qual a diferença da atividade política com a carreira como advogado?
São campos distintos. O profissional do direito atua na defesa das teses do seu constituinte. Ele tem que construir a tese de defesa que vai ao encontro da legislação, para sustentar a defesa do constituinte em diversos aspectos. O político pretende se relacionar com a sociedade. Saber entender que a sociedade é dinâmica. Saber que o que se planeja para um ano pode ser corrigido, pois a própria evolução da sociedade exige adaptações em determinadas situações. Você tem que ter a condição de criatividade, disposição e enfrentamento para as dificuldades do dia a dia. A sociedade não se resolve em um dia ou em um mandato. Os problemas sociais, da comunidade, do Estado, do município, da União, vão acontecendo com o passar do tempo. Na medida em que você soluciona determinadas demandas, outras vão surgindo. Quem vai para o processo político eleitoral, se elege e vai para gestão pública, tem que estar preparado para grandes desafios. Não adianta querer ir e achar que as coisas solucionaram por si só, não vão.
Esse mandato do governador Marconi é um exemplo. Sofremos diversas dificuldades no começo do governo e fomos superando, com a obstinação, a determinação e a competência do governador, com diálogo e articulação. Não se impõe em política: você conversa, conquista, converge, agrega forças. Tem que ter, inclusive, capacidade em dialogar com respeito com seus adversários, para construir. Em política, você não pode ter inimigos, você pode ter pessoas que pensam diferente. Independen­te­mente do partido, todos têm objetivo comum, que é melhorar a condição de vida do cidadão, fazer um governo profícuo, um governo que faça. Um defende que o caminho seja um, outro defende que o caminho seja distinto. Aí, já é a visão de mundo, a visão ideológica para atingir aquele fim, de modo que aquele que vai para política partidária, na condição de gestor público tem que estar pronto, preparado para dinâmica da sociedade, com um olhar voltado para o futuro. Quem fica com o olhar sempre voltado para o passado, se perde nesse passado. O passado, é lógico, tem que ser uma referência, mas não pode ser o objetivo, o foco. Tem que olhar para o futuro e buscar avançar. Muitas pessoas se prendem ao passado e não conseguem se libertar e, por isso, ficam marcando passo, buscando diálogos que não contribuem nada para sociedade.

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Patrícia Moraes Machado – Nessa linha de raciocínio, o sr. decidiu deixar o DEM e ir para o PP?
Minha saída do DEM foi por outras situações. Fui eleito vice-governador com o governador Marconi. Tivemos, como disse, muitas dificuldades e soubemos enfrentá-las, primeiro na natureza administrativa e depois na natureza política. Eu tinha convicção plena da conduta do governador, em todo esse processo. Sei como ele agiu no processo eleitoral em 2010, sei como ele conduziu o governo dele. Desde o primeiro momento, ainda no Democratas, o partido foi extremamente respeitado pelo governador. O DEM ocupou a presidência da Celg, comigo no primeiro ano, e a Secretária de Infra­estrutura, com o então suplente de senador Wilder de Morais. Tínha­mos gente nomeada em diversas posições de segundo e terceiro escalões do governo. O Demo­cra­tas era partícipe efetivo do governo. Ele ajudava, auxiliava, buscava implementar políticas públicas. Em função disso, eu tinha uma situação extremamente consolidada na construção de um governo, não era apenas um coadjuvante, e sim um partícipe efetivo desse governo, assim como o Democratas.
Quando o presidente do partido entendeu por caminhar numa linha de distanciamento, buscando uma posição antagônica ao governo, eu não me senti confortável. E esse processo começou ainda antes da eleição municipal de 2012. Em determinado momento, eu queria que tivéssemos um papel na candidatura à Prefeitura de Goiânia, eu entendia que era importante, concordávamos em buscar esse caminho. Porém, eu acreditava que esse caminho tinha de ser dentro da base, em uma construção consensual, o que não era a visão de Ronaldo Caiado. Daí para frente, a relação foi se desgastando. A visão dele era, como é até hoje, de encaminhamento na oposição. Respeito a posição dele, é claro, e percebi que eu não tinha mais espaço no partido. Afinal de contas, o Democratas tem seus convencionais todos indicados, diretamente, pela presidência do partido, o que dificultava qualquer tipo de embate interno nas convenções, uma vez que nós vivemos no mundo real e não no mundo ideal. O exemplo se deu agora, na convenção do Democratas, se os prefeitos fossem consultados, o deputado Hélio de Souza e os outros líderes, tenho certeza que o Democratas estaria na coligação do governador Marconi Perillo. No entanto, pela força do presidente, o partido se coligou ao PMDB. Diante desse cenário, não me restava alternativa, senão buscar outro partido.
Fui convidado pelos deputados Roberto Balestra e Sandes Júnior, logo em seguida, o convite do senador Ciro Nogueira para integrar o PP. Mas, antes disso, eu pedi para conversar com as bases do partido, conversei com todos os vereadores, com os prefeitos, vice-prefeitos e tivemos uma integração. Definimos e fizemos um grande evento, no Clube Jaó, na minha filiação ao Partido Progressista. Foram essas as circunstâncias em que eu vim para o PP e estou muito feliz. Me identifico com o que é defendido, historicamente, pelo partido e tenho uma relação muito boa com todos os membros em Goiás. Tenho a ciência que o deputado Balestra fez um grande serviço de reconstrução do PP e estamos avançando. Claro que com visões, às vezes, diferentes, com determinados posicionamentos diferentes, mas dentro do mesmo espírito de fortalecer o partido.

Patrícia Moraes Machado – Uma das características do governador é a capacidade de unir, juntar forças políticas ao redor dele, tanto em um projeto político, quanto na gestão do governo. Ao contrário, hoje, do candidato Iris Rezende, que está, praticamente, sozinho dentro do próprio partido. Há pessoas que o apoiam, mas são até apoios brancos, sem empenho. Ambos têm um longo histórico político, mas o que difere um do outro nessa capacidade de aglutinar?
São características muito individuais. Marconi tem uma capacidade de diálogo muito forte, de consenso. Dificilmente, o governador vai por uma linha de imposição. Ele é um homem aberto ao diálogo. O próprio governo dele demonstra isso. No primeiro governo, ele foi o grande arquiteto da construção dos fóruns, seja o empresarial, de representante de trabalhadores ou representantes segmentários da sociedade ou até classista. Qual é esse instrumento? É justamente um instrumento de diálogo com a sociedade. De diálogo e construção, aberto e de políticas públicas. Isso não era uma característica do ex-prefeito Iris Rezende quando em seus governos no Estado. Ele sempre teve uma visão centralizadora nas decisões de políticas públicas. Não estou fazendo juízo de valor se é correto ou não. Me parece que os goianos conhecem isso. O governador Marconi tem uma capacidade de compreensão muito grande. Ele sabe enxergar e conhece muito bem o Estado e as lideranças e sabe como compreender as virtudes e os equívocos de cada uma. Ele tem a habilidade de conviver e articular com todas essas formas distintas de visões e pensamento de mundo. O ex-prefeito perdeu um pouco essa capacidade de diálogo, de ter entendimento de construção, isso está no próprio processo, que foi mostrado pela imprensa, da candidatura ao governo agora, o que afirma essa situação. Enquanto governador, Marconi foi conclamado por toda sua base, na construção de sua candidatura, já o ex-prefeito sofreu diversos questionamentos em seu partido, o que até hoje ocorre, resultando em grande desapoio, principalmente por prefeitos do próprio PMDB. Pela forma respeitosa que o governador trata e tratou todos, nessa gestão, independentemente do partido político, foi com muito diálogo. Anápolis é um exemplo, o governador manteve um bom relacionamento com o prefeito. Também em outros tantos municípios a situação é a mesma. É uma nova forma de se fazer política. O ex-prefeito não compreendeu essa questão, mas isso é a característica, o estilo de cada um. Um ditado antigo diz “o uso do cachimbo é que entorta a boca”. É uma questão intrínseca de cada um deles, e dificilmente eles vão alterar.

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Patrícia Moraes Machado – Essa diferença política se estende à gestão?
São visões e comportamentos completamente distintos em gestão pública. O governador tem agilidade muito maior, visão muito mais moderna da administração pública. Tem uma compreensão da necessidade em expor Goiás não só nacionalmente, mas no exterior, o que garante o avanço do Estado. Ele inseriu Goiás em um cenário em que não vivíamos antes. As bases da economia goiana, as projeções do Estado antes e depois de 1998 são completamente diferentes. Tínhamos um Estado com economia baseada na produção primária. Hoje, a produção primária sequer é carro-chefe da economia na formação do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje nós temos serviço e indústria, que juntos somam quase 60% da formação do PIB de Goiás. Nós tivemos um incremento de produção industrial em Goiás, nos últimos 14 anos, altamente significativo, construído à base de política e incentivos fiscais muito fortes, feitos pelo governador. Um trabalho de projeção, de relação externa que abriu o Estado para o Brasil, de modo a atrair empresas e indústrias. E não só para o Brasil, mas para o mundo. Atualmente, nós temos relações com 160 países. Quantas missões operacionais o governador Marconi Perillo não fez para apresentar Goiás para o Brasil e para o mundo? Todo esse esforço gera retorno. Basta ver as multinacionais que se instalam aqui, a diversificação pontual da nossa economia. Nós temos, hoje, o segundo maior polo farmoquímico do país, um polo metalúrgico significativo. Temos um polo de confecções sedimentado na cidade de Jaraguá. Um polo produtor primário, nas cidades de Jataí, Rio Verde e Mineiros, que é referência. Temos a nova fronteira agrícola, que está sendo aberta no Nordeste e Norte do Estado. Então, temos uma economia que se diversificou, graças à visão do governador. Um governador que, agora, por exemplo, verificando possibilidade de incremento em certas regiões, diminui alíquotas de impostos, ele manda zerar alíquotas de impostos de competência estadual, especificamente o ICMS, para as empresas se alocarem em diversas regiões.
Essa é uma visão estratégica de desenvolvimento do Estado. En­quanto nos governos do PMDB eles fechavam muito para Goiás. Eles não viviam o Estado no mun­do, eles não viviam um Estado aberto e moderno. Hoje, com a globalização, é impossível viver isolado, pois quanto mais isolado vocês está, mais difícil é o seu processo de desenvolvimento. Temos como referência, no mundo inteiro, quanto mais fechados são os países, o processo de desenvolvimento é mais difícil. E é exatamente por isso que nós temos como referência mundial, grandes blocos econômicos. Nós temos o Mercosul, os Brics, que está entrando em uma nova fase, com a abertura de um banco para atender as demandas de infraestrutura desses países. Nós temos FMI, que está com uma nova roupagem, uma nova reformulação. A comunidade europeia expande as suas relações. Hoje, você tem que estar preparado para esse novo momento. Um Estado de Goiás que volte a se fechar seria um retrocesso muito grande.
O Estado precisa ampliar as suas relações, ter como meta a inserção definitiva no mundo, que está conectado, cujas informações são muito rápidas, e o nível de relação comercial, cultural, a transferência de inteligência, transferência de conhecimento são muito grandes. Hoje, para garantir um processo de desenvolvimento, há que ter compreensão global muito maior que há 30, 40 anos.

“A solução para a Celg já está encaminhada”

Cezar Santos – Sobre a campanha, o sr. foi presidente da Celg e fez um trabalho que teve reconhecimento. O candidato do PMDB, Iris Rezende, disse que, se eleito, devolverá a Celg aos goianos. Como o sr. analisa esse tipo de colocação?

Patrícia Moraes Machado – E, mais, diante desse estado pujante que o sr. acabou de desenhar, como manter o crescimento sem estrutura de energia, que está faltando em Goiás? O que o sr. espera? O que a sociedade pode esperar desse imbróglio que nunca se soluciona, que já vem de outros governos?
Não é que nunca se soluciona. Na verdade, nós já temos um encaminhamento e a questão está em fase final de consolidação daquele acordo fechado no final de 2011. Vamos voltar à pergunta, para chegarmos ao final. Eu penso que essa assertiva do ex-prefeito de devolver a Celg aos goianos é mais uma frase de efeito, mais uma das pirotecnias que a ausência de conhecimento, às vezes, impõe àqueles que não estudam para avaliarem e definirem as suas ideias para a população. Esse é um processo que foi estabelecido juntamente com o governo federal, onde o PMDB poderia, muito bem, ter ajudado, afinal de contas, o PMDB tem o vice-presidente da República e em momento nenhum, nem o ex-governador ou ex-prefeito, nem a base dele buscou auxiliar o governo do Estado nessa questão. Muito pelo contrário. O que nós fizemos foi, em 2011, assumir a Celg, aquela novela que se arrastava há anos, que têm os seus problemas, e a gênese desses problemas residia onde? Nas questões de alienação de Corumbá, feita pelo ex-prefeito, e de Cachoeira Dourada.
Hoje, nós temos uma situação, uma distribuidora de energia, que é a Celg-D e a holding é composta pela Celgpar e a Celg GT, que é Geração e Transmissão, que era a grande alavanca da holding, a Celg como um todo, antes da fragmentação dela. Com a alienação de Cachoeira Dourada, que foi feita nos governos do PMDB, a Celg perdeu a capacidade de arrecadação, através de geração de energia, no Estado. Então, começou a ter um incremento muito forte nas despesas de distribuição de transmissão, o que ocasionou esse colapso econômico da Celg até o ano de 2010. O governo anterior passou quatro anos discursando que iria resolver, resolver. E vale lembrar, o governo anterior era, também, aliado do presidente da República, da época, Lula. Não conseguiram formalizar e finalizar esse acordo.
Em um ano de gestão, em 2011, nós buscamos reformular conceitos internos da empresa e obtivemos resultados muito eficientes do ponto de vista de retomada do programa Luz para Todos. Retomamos os programas de investimento com a reconstrução da retransmissão de Emborcação, em Catalão. Adqui­rimos uma subestação na cidade de Luziânia, iniciamos a construção da retransmissão para ligar o município de Cristalina, um alto produtor agrícola e importante no ponto de vista de produção primária. Nas regiões do polo turístico de Caldas Novas fizemos intervenções. Concluímos a subestação de Itaberaí, para alavancar o processo de energia. Eram ações emergenciais. Quando presidente da Celg eu dei entrevista e destacava os pontos de colapso das áreas de concessão da Celg. Fomos agir no sentido de buscar solução a essas questões. Depois fizemos o refinanciamento da dívida dos municípios. Boa parte deles aderiu a este programa, e na época tivemos saldo positivo. Com isso conseguimos reequilibrar as contas, claro que deixamos os encargos setoriais em segundo plano.
Fechamos 2011 com todos os compromissos dos fornecedores sendo honrados em até três dias de antecedência. Quando assumimos eram dez meses para receber a fatura. Deixamos três dias no final de 2011. Naquele momento, quando Hum­berto Eustáquio assumiu a presidência, eu já dizia que era preciso investir em torno de R$ 1 bilhão em cinco anos, por meio do programa de investimento da Celg, onde era colocado o que investir e onde investir. Naquele acordo ficou acertado que a Eletrobrás iria fazer este investimento na Celg. Logo depois veio a questão da política nacional de energia elétrica, que era a de modicidade tarifária [tarifa mais em conta]. A presidente Dilma entendia que era preciso segurar o aumento inflacionário por meio da contenção de tarifas públicas, como o represamento da tarifa de luz, diminuindo alguns encargos setoriais para compensar. Isso gerou um colapso de todo o setor elétrico nacional. Basta ver que a Eletrobrás perdeu 60% de seu valor no mercado, fosse uma empresa privada teria fechado suas portas. Com isso a Eletrobrás foi obrigada a contingenciar seus investimentos na Celg D, que a partir de 2012 ficou sobre sua gestão, pelo acordo feito.
A partir do ano que vem, as tarifas serão aumentadas, isso já foi anunciado. Daí há toda uma problemática numa empresa nacional que reflete nas fornecedoras regionais. A Eletrobrás entende que ela deve valorar a Celg sem computar alguns termos, o que implicaria a renovação da concessão da empresa. O governador Marconi e a presidente Dilma conversaram sobre o tema e, juntos, tentam construir uma alternativa para que seja criada uma causa condicionante para que o Estado possa, amanhã ou depois, da renovação da concessão, fazer uma reavaliação do valor da Celg. Se tiver um saldo positivo, que possa regressar ao tesouro do Estado.
A Celg é uma empresa altamente qualificada. Tem técnicos reconhecidos no Brasil inteiro no setor elétrico nacional. Eu não conhecia e não tinha noção da qualidade dos profissionais que trabalham na Celg. Temos técnicos e engenheiros reconhecidos na Aneel [Agência Nacio­nal de Energia Elétrica], no Minis­tério de Minas e Energia. São todos referenciais. Quando se pega o referencial da Celg de 2011 de interrupção de energia e frequência, e duração da interrupção, temos algo similar à Cemig, que tem situação financeira muito mais equilibrada. Outro fato que demonstra o acerto deste acordo, primeiro: nós tivemos um implemento de receita significativo em função deste acordo, que foi importante para o equilíbrio do próprio Estado. Aquele acordo propiciou o equilíbrio das contas, tanto que o balanço da Celg, pela primeira vez em muitos anos, veio positivo. O caminho está pronto, agora precisa, naturalmente, ter um incremento de receita para garantir os investimentos. Hoje há estrangulamento em determinadas regiões, onde precisamos aumentar a oferta de energia, inclusive para garantir o processo de investimento de Goiás.

Patrícia Moraes Machado – Hoje a Celg é de quem?
Ela é administrada pela Eletro­brás e o governo estadual por sua vez indica alguns diretores, mas a maioria é indicação da Eletrobrás. Na prática ela é gerida pela Eletrobrás, o que está faltando é a transferência acionária dos 51% para a Eletrobrás.

Patrícia Moraes Machado – A concessão que está sendo negociada até 2015, ela se acaba?
Não. A concessão é para distribuição de energia, independentemente quem seja seu controlador. Para a empresa sobreviver tem que ter a concessão, se não tiver tem que parar os serviços. A concessão garante para ela, até 2033, o direito de exploração de distribuição e transmissão, por isso seu valor muda.

Elder Dias – O tema Celg será claramente explorado pela oposição. Como vocês vão se posicionar?
Há distância muito grande entre o discurso e a prática. O ex-prefeito Iris Rezende tem a noção clara que é apenas um discurso para a plateia. Até porque há implicações econômicas significativas acerca desta questão e há segurança jurídica nos acordos pactuados. A questão está completamente resolvida. Eles estão tentando politizar um tema que não comporta politização. O acordo foi construído entre os governos federal e estadual. Na verdade, não tivemos em Goiás uma federalização clássica, mas sim o primeiro modelo de parceria entre o governo estadual e a Eletrobrás. O acordo feito em Goiás foi levado a outros Estados, como na concessionária do Amapá, para buscar seu reequilíbrio econômico e financeiro. Foi um modelo construído dentro da realidade de Goiás e da Celg com o objetivo de dar condições a ela de se reestruturar.
Infelizmente, tivemos um problema no sistema elétrico nacional, que causou reflexos em todo o País. A presidente Dilma percebeu e está corrigindo esse equívoco. A continuar na forma que estava teríamos um colapso não só em Goiás, mas em todo o Brasil. Há uma conjuntura nacional que leva a essa condição. O ex-prefeito faz este tipo de declaração apenas de cunho político. É o mesmo de dizer que resolveria o problema do transporte público em apenas seis meses. Isso é apenas bravata.

Elder Dias – O PMDB tem condições de partir para o enfrentamento em relação à Celg, levando em consideração Cachoeira Dourada e a usina de Corumbá?
Eles não têm argumentos sólidos, além das bravatas. Nós estamos prontos para o debate. Debate de alto nível, de profundidade e de argumentos, apresentando balanços, números e a realidade financeira da empresa. O debate deve ser profundo e acredito que seja. Para que o cidadão perceba o nível daqueles que pretendem governar o Estado. Outro dia o ex-prefeito disse que era preciso mais investimento em infraestrutura para ligar com asfalto as cidades que ainda não têm estradas para a capital. Ele mal entende que hoje, em Nova Roma, a estrada está toda asfaltada, a mesma coisa em Chapadão do Céu. Ao final deste ano não haverá nenhuma cidade no Estado sem ligação asfáltica com a capital. Ele precisava conhecer pelo menos. Ou pegar os dados, que são públicos para qualquer um ver. São tipos de argumentos absolutamente vazios e que corroem no primeiro debate.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia quando Iris Rezende diz que o Estado de Goiás está falido?
Mais um bobagem, ele deveria ver a situação da Prefeitura de Goiânia primeiro. No Estado fizemos o reequilíbrio econômico e financeiro, o reajuste fiscal ao longo desses últimos anos. O Estado tem uma relação dívida receita de 1.2. No ano de 2019, duas grandes dívidas que foram adquiridas na década de 90 se encerram, e Goiás terá a melhor relação dívida-receita do País. Nós temos uma razão que nos dá tranquilidade de dívida do ponto de vista fiscal, com capacidade de tomada de R$ 2 bilhões a partir de 2015, para investimentos no nosso Estado. Claro que nós temos dificuldades, uma questão evidente, que é o de custeio da máquina. Uma coisa é recurso para investimento, outra coisa é recurso para o Tesouro. É a manutenção da máquina como um todo e todos os problemas que são desenvolvidos por meio do Tesouro. Programas de diversas situações que impactam na arrecadação ordinária do Estado. Goiás tem condição de equilíbrio, mas temos que ficar atento a nossas responsabilidades. Justa­mente por isso que o governador Marconi dialoga bem com todos os segmentos, especialmente com os servidores públicos, no sentido de garantir a adimplência de todas as obrigações do governo.
Na verdade, quando o ex-prefeito faz essa afirmação, é mais uma bravata e um factoide. É só ele ir até a Secretaria de Estado da Fazenda buscar os números que ele vai observar que a realidade econômica é muito diferente de 1998, quando o PMDB deixou o governo. Lá nós tínhamos uma relação de 3 para 1 para pagamento de dívida — três anos de arrecadação para pagamento da dívida. Hoje temos 1, o recomendado pelo Tesouro Nacional, que informou há pouco tempo que Goiás foi o Estado que mais diminuiu o seu endividamento. Paga­mos R$ 10 bilhões de encargos da dívida. Há um desconhecimento completo ou uma má fé, daqueles que querem politizar um tema cujos números são públicos.

Patrícia Moraes Machado – Por que o governo solicitou crédito ao Tribunal de Justiça?
Essa é uma situação extraordinária que ocorre constantemente em todas as gestões. Já se fez isso no início de 2011 e em outras ocasiões. É preciso ter um fluxo de caixa contínuo, o que muitas vezes ocorria na Celg. O governador reviu essas questões, tanto é que ontem (quarta-feira, 23) ligou para o presidente do Tribunal de Justiça informando que não tínhamos mais necessidade. Todo secretário de Fazenda quer que a pasta tenha fluxo de caixa, porque há obrigações em diversas áreas. Essa situação está completamente resolvida, tanto é que o governador dispensou este empréstimo ao Poder Judiciário, que é uma prática corriqueira.

Patrícia Moraes Machado – Então não há chances de atraso da folha de pagamento dos servidores?
A oposição pode ficar tranquila que não vai atrasar a folha de pagamento do Estado.

Patrícia Moraes Machado — A oposição insiste na afirmação de que Marconi está há 16 anos no poder, contando inclusive o período em que Alcides Rodrigues administrou (2006-2010), quando ele apenas ajudou seu sucessor a se eleger. Consta que, em 2011, a única secretaria que não estava em débito seria a Agência de Fomento. A situação era pior em 2011 do que em 1999?
Eu não participava da administração em 1999, os problemas eram distintos e a razão dívi­da/receita era bem diferente, muito maior. Em 2011, o cenário era complicado. O governo Alcides propiciou uma deterioração das instituições do Estado. Não tínhamos ajuste fiscal; a estrutura viária estava precária; as escolas, da mesma forma — tanto que reformamos mais de mil escolas; tínhamos também uma insegurança do ponto de vista do pagamento dos servidores públicos, que também não tiveram a data-base honrada em nenhum dos quatro anos do governo Alcides; havia também um problema muito complicado no Ipasgo, que devia R$ 400 milhões em 2011; a Iquego se encontrava em estado falimentar.
Tivemos, então, dois momentos delicados: o primeiro ano, com a crise administrativo-financeira de 2011, e o segundo, com a crise política. Mesmo nesse cenário, tivemos de fazer a recuperação completa do Estado. Em 1999, parece-me que a grande transformação veio da nova prática política, uma nova relação Estado-sociedade, que foi implementada com a ascensão de Marconi ao poder. Isso não quer dizer que o Estado não estivesse quebrado: já falei aqui da relação dívida/receita, mas tinha também o atraso dos salários dos servidores, que, além do mais, eram extremamente baixos. Hoje, as carreiras dos servidores públicos de Goiás têm salários muito bons, se comparados aos de outras unidades da Federação. Há, portanto, situações distintas, e o governador, em ambas, deu a devida restruturação à máquina administrativa. É difícil traçar um paralelo, para saber qual condição era pior, se a de 1999 ou a de 2011. Tenho muito receio dessas comparações, porque são momentos históricos distintos. De qualquer forma, ambas eram situações delicadas.

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Frederico Vitor — Vivemos uma crise na segurança pública, o que não é só em Goiás, mas uma questão nacional. A União parece ser omissa, mas o que o Estado pode fazer a mais, de sua parte, para melhorar o setor?
Pois é, Iris Rezende declarou que resolveria no primeiro dia de governo. Tenha a santa paciência!
São duas questões. Uma é conjuntural: temos uma legislação e temos de trabalhar com ela. Então, poderíamos começar a discussão sobre o que deveríamos mudar na lei. A União precisaria estar mais presente no debate da segurança pública. Hoje há até mesmo um questionamento sobre se há efetivamente um dispositivo constitucional que dê atribuição exclusiva ao Estado sobre o custeio da segurança pública. Eu interpreto que esse dispositivo não exclui a participação do governo federal. Alguns juristas, por sua vez, acham que precisa haver uma alteração na Constituição. O que precisa é haver um enfrentamento estratégico da questão pela União, em ações de inteligência e até do próprio custeio. A segurança é um problema nacional, da Nação, de todos os Estados da Federação. E aqui é preciso fazer uma divisão: é um problema muito mais acentuado nos grandes aglomerados urbanos do que nas cidades do interior. Em Goiás há mais de 30 cidades em que há quatro anos não é registrado um único homicídio. São realidades diferentes em Goiás e no País.
Precisamos discutir essa questão do custeio da segurança dentro de outro contexto, que é o do pacto federativo. Não é possível mais ter a concentração de recursos com a União, como hoje ocorre. Os Estados e os municípios são os grandes responsáveis pela questão da segurança e ficam em situação difícil. Os municípios brasileiros, então, estão em uma situação muito delicada, do ponto de vista do pagamento de custeio das máquinas públicas, têm praticamente zero de capacidade de investimento. Os municípios que não tiverem apoio dos governos federal e estadual tornam-se apenas despachantes de recursos públicos. Recebem os fundos de participação e alguma outra receita e vão custear folha de pagamento e trocar a lâmpada do poste.
É preciso rediscutir o papel das Forças Armadas na segurança pública. Elas podem ser utilizadas para o fechamento das fronteiras? A meu ver, sim, e nem precisaria de alteração constitucional. São visões, sob as quais precisamos discutir o problema.
Agora, na segunda questão, dentro do jogo que é jogado de acordo com as regras existentes, precisamos avançar. Mas não é uma questão que vá ser resolvida com passe de mágica. Quem diz que vai resolver estará mentindo, mais uma vez. O que existe é um trabalho contínuo. O governador, desde o início de seu governo, já incrementou as forças de segurança – policiais militares, agentes, delegados, escrivães, bombeiros, peritos etc. – em quase 5 mil homens. O Simve é um programa referência, que veio em uma hora em que era preciso ampliar o contingente de policiais, para propiciar um nível melhor de segurança.
Da mesma forma, era preciso investir em tecnologia. Nesse sentido, estamos concluindo o centro da Polícia Militar da Secretaria de Segurança Pública, um centro de inteligência, articulando ações para buscar dar solução a todas as questões.
É preciso reformular a estrutura do sistema penitenciário e estamos construindo novos presídios, buscando dar encaminhamento melhor nesse setor. Sobre a infraestrutura da polícia, tínhamos dificuldade em relação a armamento e logística. Se hoje ocorrer um sinistro na perseguição de um bandido, o carro vai para a concessionária e vem um novo no dia seguinte. Até 1998, a PM utilizava como arma os chamados “carioquinhas”, revólveres assim denominados porque vinham do Rio de Janeiro. Hoje temos armamentos de ponta. A PM tinha o pior salário entre todas as polícias do Brasil naquele momento e o contingente policial era extremamente reduzido. Hoje a nossa PM está entre as três mais bem remuneradas do País, temos armamentos de primeira qualidade, veículos que dão condição de trabalho e incrementamos a força policial. E o governador encaminhou – não agora, é bom que se diga, mas ainda em 2012 – um programa de metas visando aumentar o contingente para 30 mil homens até 2020. Precisamos seguir essa linha.
Outra medida foi termos criado o Grupo de Apoio à Segurança Pública, porque essa questão não pode ser tratada apenas como repressão. É preciso congregar todos os órgãos de governo na busca por instrumentos que garantam uma sociedade mais pacífica. Quais são esses instrumentos? Primeiramente, o fortalecimento da educação, que é a base do problema. É preciso dar condição de as famílias terem seus filhos na escola. Assim, o Estado saiu do 16º para o 5º lugar no Ideb [Índice de Desen­vol­vimento da Educação Básica]; todas as unidades escolares reformadas e cem novas escolas construídas em Goiás. Mas isso não dá re­sultado da noite para o dia. É preciso também congregar esforço na á­rea de esporte e lazer para dar al­ter­nativas ao jovem. Nesse grupo de apoio, estamos verificando as 15 principais áreas de ocorrência de homicídios, atuando com foco específico. Então, estamos abrindo as es­co­las aos fins de semana, aprimorando as quadras e as praças esportivas.
Temos também os programas sociais de proteção à mulher, coordenados pela OVG [Organização das Voluntárias de Goiás] e também da Secretaria de Cidadania e Trabalho congregados com a Agel [Agência Goiana de Esporte e Lazer]. Esta­mos agora preparando um projeto para levar os alunos do ensino médio para conhecer o Estádio Serra Dou­rada e o Autódromo de Goiânia. Tudo isso para dar outros horizontes para essas pessoas.
Não vamos nos animar agora, porque precisamos sempre ter uma linha contínua no indicador, mas, já nas primeiras semanas de implementação desse grupo de apoio, nós já começamos a observar uma redução nessas 15 zonas mais violentas da capital. Vamos consolidar esses dados ao longo dos próximos três meses para então divulgá-los. Esperamos que tenha efeito; se não for assim, vamos corrigir o que estiver errado e aprimorar os acertos. Essa é uma experiência que já foi desenvolvida em outros países – como os Estados Unidos e a Colômbia – e outros Estados brasileiros, como Minas Gerais. Foram experiências similares que tiveram bons resultados. Mas é preciso um esforço de toda a sociedade.

“Vamos mostrar o que fizemos em Goiânia”

Patrícia Moraes Machado – Sempre que se fala em segurança pública, o destaque é dado à Polícia Militar. Quais são os projetos para a Polícia Civil, que representa a inteligência na segurança pública?
Estamos investindo muito. Fizemos este ano um incremento de 800 homens na Polícia Civil, entre delegados e agentes. Eles já estão trabalhando em todas as regiões de Goiás. Dentro desse grupo de apoio que temos, um dos compromissos da Polícia Civil é aumentar o número de agentes à disposição da Delegacia de Ho­micídios, o que também já está surtindo efeito. São ações para se realizar ao longo do tempo.
A nova Academia da Polícia Civil é muito moderna, com estandes de tiro, estandes de inteligência, academia para exercícios físicos dos policiais. O secretário Joaquim Mesquita, que também é policial federal, disse que não conhece no País uma academia com a estrutura desta que agora temos em Goiás. Da mesma forma, o governador reestruturou a Polícia Técnico-Científica e está investindo em inteligência. Esse é o grande desafio e o estamos executando. Temos de avançar, o que não podemos é querer reinventar a roda. É preciso seguir no processo de construção, de aparelhamento, mas também de crescimento social, porque o problema da violência tem relação na base – com a formação e a expectativa de vida das pessoas –, mas também temos outro problema, que é brasileiro e mundial: grande parte dessa violência está atrelada ao tráfico e ao consumo de drogas. Têm duas soluções: atuar na repressão e investir na recuperação do dependente químico. Isso é uma doença, um mal da saúde pública. Estamos fazendo os Credeqs, mas antes de concluí-los, o governo já está investindo milhões de reais em parcerias com entidades privadas e públicas que tratam da recuperação de dependentes químicos. O governo ajuda muito essas instituições. O Credeq é um modelo sistematizado para resgatar esses dependentes. Hoje Goiás é o segundo Estado que mais apreende drogas no País, depois que fe­chamos as divisas com a criação de um grupo específico, o Coman­do de Operação de Divisas (COD).
O problema é que aí aparecem as pessoas que não querem debater o tema com profundidade e ficam apenas fazendo o discurso fantasioso, dizendo que, no primeiro dia de governo, vão resolver tudo. Mentira! É uma situação em que qualquer pessoa com o mínimo de inteligência sabe que é mais uma mentira. (enfático) O debate político precisa ser feito pautado em ideias e projetos, sem demagogia. Até porque demagogia é coisa da década de 80, quando se empurrava as pessoas com a barriga. Hoje a política não comporta mais esse tipo de situação.

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Patrícia Moraes Machado – O vereador Anselmo Pereira (PSDB) disse que o trabalho do sr. na capital está surpreendendo. Ele diz que sua capacidade de atrair a atenção das pessoas é impressionante, seu poder de conhecimento e convencimento. Qual é a estratégia para reverter a diferença de Iris Rezende em relação a Marconi Perillo na capital?
Primeiramente, tenho de registrar a generosidade do vereador Anselmo. Em segundo lugar, estamos ainda em processo de construção da própria campanha. Obviamente, vamos dar atenção especial à capital, pela própria realidade política da cidade. Sabemos que é uma região em que há uma forte influência do ex-prefeito, que consegue dialogar bem com o goianiense e tem uma tradição política por aqui. Estamos também buscando encontrar nossa via de comunicação eficiente com a sociedade. O governador Marconi, assim como eu, vai dedicar boa parte de sua agenda a Goiânia. Queremos mostrar o que fizemos aqui, o que construímos e o que estamos pensando para o amanhã. Não adianta ficar olhando para o passado, que é importante como referência, mas quem pretende ser governante precisa visar o futuro.
Estamos agora em processo de conclusão do Hugo 2, na re­gião noroeste. Muitos ainda não têm noção do tamanho desse in­vestimento e da importância que ele terá para a capital. Refor­ma­mos todos os hospitais sob res­ponsabilidade do governo es­tadual em Goiânia. Só sabe disso a pessoa que vai lá, que precisa. Fe­lizmente, grande parte da so­ciedade não utiliza, porque não sofre uma enfermidade ou utiliza a rede privada de saúde. Essas pes­soas não conhecem a realidade.
Estive com o governador Marconi na inauguração da UTI do HGG, o mesmo hospital que foi fechado por oito anos. Atualmente, o HGG é um hospital totalmente informatizado, que oferece atendimento de primeira e tem uma das melhores UTIs do país. Do ponto de vista de equipamentos e estrutura, a UTI é comparável à do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, considerada a melhor do país. Só que há uma diferença: quem, porventura necessita do Sírio-Libanês paga uma fortuna, enquanto no HGG é gratuito. O Hugo foi completamente reestruturado. O HDT da mesma forma.
E isso aconteceu porque esse foi um desafio que o governador Marconi assumiu nos primeiros meses de governo. E, nesse ínterim, é bom lembrar que as ações de governo são contínuas. Em 2011, vivíamos com a saúde nos jornais. Chegaram a questionar a permanência do então secretário Antônio Faleiros (PSDB) na pasta. Porém, o governador sabia do acerto da escolha e que iria dar certo. E assim ocorreu. Que­bramos paradigmas e preconceitos ao transferir a gestão hospitalar para as organizações sociais (OSs). E fizemos isso porque tínhamos um parâmetro: o Crer e o Huana [Hospital de Urgências de Anápolis], que já eram geridos por OSs e ofereciam um serviço de excelência. Olhamos essa questão e nos indagamos o porquê de conseguirmos dar um atendimento de excelência no Crer e não nos outros hospitais. Ora, tinha alguma coisa errada. Por isso, o governador assumiu esse debate, que é ideológico também. E vemos o resultado agora: os quatro principais candidatos ao governo dizendo que, caso vençam, irão manter a gestão por OSs. Mas quando foi realizada a transferência, todos criticaram. Isso prova que em gestão pública é necessário ter planejamento e relevância. E mostraremos isso à população.
Mostraremos os viadutos que construímos em Goiânia, as duplicações das vias que dão acesso à capital, as escolas reformadas na região Noroeste. Estive na região visitando o investimento de saneamento básico que é feito. Nunca tinha visto um volume tão grande de investimentos feito pelo governo do Estado na capital. Mos­traremos que é preciso consolidar esses investimentos e avançar em certos temas, que, às vezes, sequer é de responsabilidade do governo estadual. Por exemplo, na criação do grupo de apoio à segurança pública, o secretário Joaquim Mesquita esteve com o prefeito Paulo Garcia, que pensa como nós, isto é, busca aquilo que é melhor para a capital. É possível que possamos intervir no transporte público de Goiânia? O Eixo Anhanguera já é de responsabilidade do governo do Estado. Então, vamos buscar isso juntos. Agora, não seremos irresponsáveis de afirmar que consertaremos o transporte público da capital em seis meses. Isso é leviandade e demagogia. Nada mais que isso. É preciso ter seriedade com o eleitor e mostrar aquilo que nós queremos daqui em diante. Goiânia é referência. Nós recebemos o Paul McCartney, mas também recebemos o Chitãozinho e Xororó, o Leonardo, o Zezé di Camargo e Luciano. Ou seja, temos uma capital cosmopolita. É aberta. Temos um respeito pelas tradições do interior, assim como características das grandes metrópoles mundiais. E isso deve ser mostrado para o Brasil. O que não podemos fazer é retroceder e fechar o Estado.

Patrícia Moraes Machado – Uma das propostas do candidato Iris Rezende para a área da saúde é a construção de vários hospitais regionais. Como o sr. avalia essa proposta?
Fico feliz que o ex-prefeito tenha essa visão atualmente, porque no governo Henrique Santillo, que foi o grande governo da área da saúde, se começou a construir uma rede de hospitais regionais. Rede essa que teve a construção interrompida pelo próprio Iris Rezende, que assumiu o governo em seguida e desmobilizou toda essa estrutura pensada pelo então governador Henrique Santillo ainda na década de 1980.

Cezar Santos – O secretário de Saúde, por sinal, era Antônio Faleiros…
Sim, era o secretário era o Faleiros. Então, fico feliz de que Iris esteja reconhecendo seus equívocos do passado. Em relação às nossas ações, estamos construindo a rede Hugo em Goiás, que engloba os dois hospitais de Goiânia, o de Santo Antônio do Descoberto, que será entregue este ano, o de Águas Lindas, que começará a ser construído, o de Uruaçu, que já está sendo feito. Fora os outros muitos hospitais que integrarão a rede Hugo com foco maior na região do Entorno do Distrito Federal. Iniciaremos a construção, por exemplo, de cinco ambulatórios médicos de especialidades. Serão áreas de 15 mil m², que abrigarão os centros de democratização da saúde. Construiremos um em Posse, um em Campos Belos de Goiás, um em Formosa e outro em Rio Verde. O objetivo é levar a medicina de alta e média complexidade à população, que não precisará se deslocar até a região metropolitana da capital. É claro que, em alguns casos, esse deslocamento será necessário, mas, em suma, conseguiremos desafogar o atendimento nos hospitais de Goiânia.
E com isso a Secretaria de Saúde propiciará também a possibilidade de comunicação à distância. Por exemplo, temos um paciente em Campos Belos, uma das últimas cidades goianas antes do Tocantins, que precisa consultar um cardiologista. Esse exame pode ser realizado via videoconferência. Temos que dotar essas regiões com essas condições. E já estamos iniciando a construção, pois são importantes instrumentos de saúde. Assim, essa é uma questão que conseguiremos debater com muita tranquilidade.
Agora, observo que Iris, que passou recentemente pela Prefeitura de Goiânia e fez seu sucessor afirmando deixar a melhor saúde do Estado na capital. E como estão os Cais da cidade? Será que ele tem argumento para debater essa questão? Ou o atual prefeito não foi eleito com a sua ajuda? Espero que ele responda, mostrando também as suas ações. Se não conseguiu fazer, que tivesse buscado novas alternativas, como fez o governador Marconi quando assumiu o governo após a gestão Alcides Rodrigues. Criamos os consórcios de saúde no interior, em que o Estado irá custear 40% dos ambulatórios e os consórcios dos municípios ficarão responsáveis por 60%. Faremos isso porque os valores gastos para manter unidades como essas não são pequenos. Ou seja, já temos um programa em execução. Esse programa vai parar? O eleitor é que irá decidir essa questão.

Vice-governador José Eliton fala a editores e repórteres do Jornal Opção: “Lideranças políticas que estavam com Júnior Friboi estão aderindo ao projeto do governador Marconi Perillo” |Foto:  Fernando Leite/Jornal Opção

Vice-governador José Eliton fala a editores e repórteres do Jornal Opção: “Lideranças políticas que estavam com Júnior Friboi estão aderindo ao projeto do governador Marconi Perillo” |Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos – Sua escolha como vice na majoritária não foi pacífica para a reeleição de Marconi Perillo. O PTB sempre achou que merecia a vaga e, na questão das chapas proporcionais, o PP defendeu que deveria sair só. Devido a isso, houve uma ameaça à sua posição na chapa. A questão foi resolvida, mas não ficou aresta interna?
Penso que não, foi um processo normal de construção da chapa. Há que se respeitar a posição de cada partido. Tínhamos um leque de 18 siglas, fechamos em 16, o espectro da nossa base. Cada partido tem sua posição, espera e busca ocupar cargos majoritários, espaços importantes, é normal. Fomos para o processo de convencimento, consolidando a chapa. Havia o questionamento do PTB, de que deveria participar da majoritária, o que acho justo, o partido tem grandes nomes, o próprio Jovair Arantes, foi candidato a prefeito de Goiânia, José Gomes é importante liderança, os deputados Talles Barreto, Valcenôr Braz e Marlúcio Pereira, são nomes de expressão política e têm legitimidade para pleitear. A questão foi colocada, mas a maioria dos partidos da base entendeu na manutenção da chapa. Jovair entendeu, assimilou e defendeu isso, tanto que agora está unido no projeto. No tocante à formação da chapa para a Assembleia Legislativa, o PP tinha deliberado que iria numa chapa pura, mas o PTB e o PR queriam a vinculação, como um instrumento de pressão política, que também é legítimo e natural. Debatemos a questão. Como presidente do PP, eu defendia a posição dos interessados, nos reunimos com os candidatos a deputado do partido, fizemos as contas e concluímos que teríamos as mesmas condições de disputar com os demais do chamado chapão. Tanto que só um desistiu da candidatura, o Abelardo Vaz, de Inhumas — mas a cidade já lançou o Pachequinho. Chegamos à convergência e o assunto se encerrou com naturalidade.

Cezar Santos – O PP tem uma estimativa de quantos deputados vai fazer com o chapão?
Acredito que de três a cinco estaduais. Há nomes que poderão surpreender. Acho que o chapão, afinal, foi muito positivo para o PP. Só desse chapão devem ser eleitos de 18 a 22 nomes, o maior número na base aliada de Marconi.

Cezar Santos – Só o chapão vai ocupar a metade das cadeiras da Assembleia?
Sim, metade. Mas a base aliada vai fazer mais.

Patrícia Moraes Machado – Houve pressão de uma parte da base para atrair Ronaldo Caiado para a majoritária, o que implicaria seu reposicionamento na chapa. Mas Marconi Perillo disse que não teria como abandonar os que sempre estiveram ao lado dele, por uma vantagem momentânea. Como o sr. avalia isso?
Construímos uma relação ao longo dos anos. Eu mais recente, o Vilmar com muito mais estrada nesse projeto. Atravessamos momentos difíceis juntos e agora estamos em um bom momento do ponto de vista de realizações e de perspectivas eleitorais. O governador sempre declarou isso, desde o primeiro encontro ele tratou essa questão com muita tranquilidade. Até acho que poderia ter havido mudanças na chapa, desde que fosse consensuado por todos os partidos da base. É a história do Romário, o sujeito chegou hoje e já quer sentar na janelinha? Tem trabalho a ser feito antes.
Na questão específica do Ronaldo Caiado, tenho grandes amigos no DEM, boas relações com o deputado Helio de Sousa, com quase todos os prefeitos, e praticamente todos eles estão nos apoiando. Gostaria que o DEM estivesse conosco agora. Mas eu achava que não seria correto (Ronaldo) vir se fosse assim (com candidatura ao Senado assegurada). Poderia vir, mas para defender a base, discutir, e isso poderia ocorrer naturalmente. A discussão lá não estava sobre coerência, projetos, ideal, era apenas conveniência, o debate ideológico foi por água abaixo. A posição do governador foi muito clara em defesa da coerência de sua trajetória de companheirismo. Foi uma posição extremamente correta
Na verdade, nunca houve, apesar de alguns especularem nesse sentido. Veja que Vilmar Rocha nunca admitiu alternativa à candidatura ao Senado. Não há declaração dele admitindo outra posição. Que eu saiba não existe. Então era muito mais uma especulação de quem era antagônico ao nosso projeto. A chapa foi uma construção natural na base. Aqui mesmo cheguei a admitir que se fosse para mudar, então tínhamos de ver com os companheiros, com quem estava no projeto. Seria o Jovair? O Talles? A Magda Moffato? Tinha de ter coerência. O Brasil está cansado desses oportunismos. Hoje eu falo que você é jacu velho, amanhã digo que é galo velho, depois que é boi de canga… aí vira uma anarquia completa.

Patrícia Moraes Machado – Caiado liberou o restante do DEM para apoiar o candidato ao governo que quisesse? Como ficou isso?
Não posso falar disso, não pertenço mais do DEM. Mas se ele não liberasse, será que os prefeitos tomariam posição diferente à que estão tomando? Eles tinham alternativa? Cabe ao Democratas responder. O prefeito Marco Aurélio, de Buriti Alegre, está conosco; o Ninha, prefeito de Campos Belos, está conosco. Poderia citar um rosário de prefeitos do DEM.

Patrícia Moraes Machado – Isso demonstra que a sigla ficou a reboque do projeto político pessoal de Caiado?
A conclusão eu deixo para o leitor do Jornal Opção.

Patrícia Moraes Machado – Está havendo mesmo uma aproximação do empresário Júnior Friboi ao governador?
Não tenho nenhuma informação sobre isso. Vejo é que lideranças políticas que apoiavam Friboi estão integrando o projeto do governador. Recentemente, Roble­do Rezende manifestou apoio. O cunhado de Friboi, prefeito de Iaciara, Agnaldo Ribeiro, já manifestou publicamente apoio a Marconi. Primo de Friboi, o prefeito de Simolândia, José Neto, da mesma forma. São aproximações com base no diálogo, em que eles veem que nosso projeto é melhor para Goiás.

Patrícia Moraes Machado – Neste momento se fala muito de alternância de poder. Quando tem de haver essa alternância?
Quando o projeto não repercute na sociedade. É preciso que o Brasil se reencontre com políticas públicas importantes, que tratem o cidadão com respeito, que não aparelhem partidariamente tanto o Estado. Políticas que coloquem o Estado como indutor do desenvolvimento e não como tutor. É uma questão de visão mundo. Precisamos de um Estado mais liberal do ponto de vista econômico e mais conservador do ponto de vista comportamental. A administração deve se pautar por alguns valores, como o respeito à iniciativa privada, ao entendimento de que se constrói o Estado congregando a força do poder público com a iniciativa privada. O Brasil precisa afastar de vez o fantasma da inflação, que o ex-presidente Fernando Henrique afastou lá atrás, e que agora volta a assombrar todos os brasileiros. Por isso defendo a eleição do senador Aécio Neves à Presidência da República. Entendo que no plano nacional há sim necessidade de mudança. Vamos ver o que os brasileiros pensam.
No caso de Goiás, e já discorri longamente nesta entrevista, está demonstrado que o governador Marconi Perillo está projetando esse Estado para o futuro, o inverso do caso do Brasil. Acho que Goiás quer continuar a caminhar no rumo do desenvolvimento, da modernidade, nas políticas de respeito e não de perseguição e de rancor. As pesquisas mostram que o trabalho do governador está sendo muito bem avaliado.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia o fato de o PMDB querer censura prévia à mídia, entrando com ação contra o jornal Diário da Manhã e o site 24 Horas, reclamando espaço?
É um conceito, uma visão de mundo. Que está muito ar­raigado no governo federal, do qual o PMDB é aliado do PT, que prega controle da imprensa. O PT defende isso abertamente, programaticamente. É uma coisa do passado, de partidos de esquerda, uma visão em que não há respeito à opinião. Volto àquela questão, o governador Marconi Perillo vive no século 21, o outro, Iris Rezende, vive no século passado. E a história se repete, o Diário da Manhã já foi fechado, e por quem?

Frederico Vitor – Observa-se que a relação entre o governador e a presidente Dilma é muito republicana. Isso pode perdurar se ambos forem reeleitos?
Sem dúvida. Pode e deve. É a nova prática de fazer política. Tivemos sempre uma relação respeitosa com ela, que ontem (quinta-feira, 24) recebeu o governador para tratar de assuntos de interesse da União e do Estado de Goiás. Assim como o governador mantém uma relação respeitosa com todos os prefeitos goianos, de oposição ou não, liberando recursos, com obras em construção, etc. O interesse da população fala mais alto. Projeto político-partidário-ideológico tem data e hora para começar e a população escolhe. Veja que São Paulo está no projeto da social-democracia há quantos anos, desde Franco Montoro [governou o Estado de 1983 a 1987]. E pelo que as pesquisas apontam, o governador Geraldo Alckmim (PSDB) tem 54% das intenções de voto. E olha o salto de qualidade que São Paulo teve nesse tempo. Em outros Estados a realidade é diferente. A sociedade escolhe, a política moderna determina isso. Todo mundo hoje tem acesso à informação, tem condições de fazer sua avaliação crítica da realidade. Conforme vão tendo informações, vão mudando a opinião. As pessoas não se deixam levar apenas por propaganda, elas vão pelo seu dia a dia. Por que os índices de aprovação do governador vão subindo, desde o ano passado, numa curva sólida ascendente? Porque o cidadão vê estradas arrumadas quando vai viajar, vê a escola de seu filho reformada, vê o hospital arrumado, o que não acontecia há três ou quatro anos atrás. Ele vê isso e vai fazendo sua avaliação. É um novo modelo de Estado-sociedade.

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Magno

Foi notório a irresponsabilidade dos mandatos do governo do Marconi em relação à CELG. Viamos a CELG como cabide de emprego empregando até o Carlos Aleluia do DEM da Bahia e Nion Albernaz que estava sem mandadato; Viamos a CELG gastando rios de dinheiro com propagandas; Vimos o caso: CELG/Uni-Rio; Além de inúmeros fatos, em 2010, por vingança e ciúme, vimos Marconi e José Eliton desfazendo de um excelente acordo que o governo Alcides conquistou junto à Eletrobrás. Este último, trouxe prejuízos bilionários. Fato é, que sempre saquearam a CELG tendo em conta que depois jogariam a culpa na venda… Leia mais