Jânio Darrot: “Meu ciclo no PSDB nunca irá se acabar. Mesmo que algum dia eu esteja em outra sigla”

Presidente estadual do partido, prefeito Jânio Darrot afirma que se decidir deixar o ninho tucano, nunca irá virar as costas ao partido ou ser ingrato à sigla

Presidente estadual do PSDB e prefeito de Trindade, Jânio Darrot entrega comando do partido em março de 2021: “Depois eu não sei. Irei pensar meu futuro político, se ainda irei concorrer a algum cargo político e se estarei no PSDB” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O prefeito de Trindade, Jânio Darrot, ocupa o cargo de presidente estadual do PSDB. Até o final de março de 2021. “Depois eu não sei. Irei pensar meu futuro político, se ainda irei concorrer a algum cargo político e se estarei no PSDB.” Para Jânio, a legenda precisa se reoxigenar, abrir espaço para novas lideranças e formar novas forças eleitorais e partidárias.

De acordo com o presidente estadual tucano, o desentendimento do partido em Trindade fez com que Marden Júnior se tornasse candidato por outra legenda da base e fosse eleito no município. “O Patriota abriu as portas para nós desde quando acolheu o Marden e deu ao prefeito eleito a garantia da candidatura. Ofereceu ao Marden a oportunidade de disputar a eleição pelo partido.”

O chefe do Executivo de Trindade deixou no ar a possibilidade de deixar o PSDB. Não confirmou a desfiliação do tucanato ou se negocia sua ida para oura sigla. Mas confessou que pensa em um “novo caminho”. “O PSDB teve seu momento e sua importância. No futuro, não sei onde o PSDB irá ficar. Talvez fique no meu coração”, considera.

Augusto Diniz – A escolha de apoiar a candidatura do vereador Marden Júnior (Patriota) a prefeito surpreende parte do grupo liderado pelo sr., que esperava como natural a indicação do vice-prefeito Gleysson Cabriny (PSDB). Como foi o processo de decisão pelo nome do Marden?
Toda definição de candidatura tem de ser natural. Não pode ser forçada. Tudo em política que é forçado não dá certo. O vice-prefeito não conseguiu viabilizar sua pré-candidatura. Não tinha consistência e apoio para poder ter uma campanha vitoriosa. Vimos no Marden o nome que tinha as melhores condições para disputar, visto que teríamos em Trindade uma eleição disputadíssima. Toda escolha gera insatisfações e incompreensões. Quando é preciso definir um nome entre cinco pré-candidatos, dois ou três irão discordar por entender que a escolha poderia ter sido outra.

Patrícia Moraes Machado – O que levou o sr. a escolher Marden Júnior como candidato a prefeito?
Marden reunia todas as condições que precisávamos para a disputa. Reuniu apoio político. Conseguiu aglutinar forças políticas. Marden conseguiu o apoio de todos os nove vereadores da nossa base, da classe empresarial e dos servidores municipais. Conseguiu demonstrar que tinha um perfil de candidato com chance de vencer as eleições. Fruto das qualidades do prefeito eleito. É carismático, centrado, atencioso com as pessoas. Tem disposição para o trabalho.

Patrícia Moraes Machado – Realizou trabalho na área social?
Desenvolveu bom trabalho de regularização fundiária na Secretaria de Habitação Urbana. Entregou 3 mil escrituras. Regularizou bairros em que as pessoas moravam há muitos anos sem a situação dos seus imóveis ser regularizada. Fez todo o georreferenciamento para definir as medidas dos lotes, a dimensão da área construída das casas, com escritura entregue ao proprietário de forma gratuita. Marden realizou um trabalho de assentamento com lote solidário a quase 500 famílias.

O prefeito eleito mostrou uma disposição e uma capacidade muito grandes de articulação e de persuasão. Estas ações fizeram de Marden o candidato. Enquanto o vice-prefeito queria ser lançado candidato como se fosse um movimento natural. “Eu tenho de ser o candidato e todos têm de aceitar.” Isto não existe. Havia uma resistência muito grande entre os servidores, na classe política e dos partidos aliados. O nome que conseguiu aglutinar as forças ao seu lado foi o Marden.

Patrícia Moraes Machado – Dizem que o grande desafio do prefeito é o segundo mandato. Mas mais do que o segundo mandato, a grande dificuldade está em fazer o sucessor. O prefeito dá garantias à população de que o nome escolhido irá dar certo pelos próximos quatro anos. O que o sr. espera da gestão do Marden? O que o prefeito eleito precisa fazer para se consagrar como novidade?
Marden tem de cumprir aquilo que se propôs a fazer quando apresentou a sua candidatura. O prefeito eleito tem de cumprir as propostas que foram apresentadas. Algo muito forte da nossa gestão foi cumprir o que prometemos. Deixamos na população o sentimento de que o Jânio tem palavra. O prefeito Jânio cumpriu com a população aquilo que prometeu entregar na gestão. Saúde de qualidade, educação de qualidade, asfalto, moradia, atenção a toda população, ao idoso, as crianças, aos adolescentes.

Tudo foi feito com muito esmero. O cumprimento das nossas metas ficou muito acima do que a população esperava. O que nos deu credibilidade para apresentar Marden como nosso sucessor e dar à população a garantia de que o prefeito eleito irá fazer um bom trabalho.

Espero que Marden cumpra todas as propostas feitas durante a campanha, que é fazer mais do que já fizemos. O que fizemos até agora é como se tivéssemos gerido a cidade do zero. A partir de agora, Marden pode melhorar ainda mais os serviços. O prefeito eleito pode melhorar ainda mais a saúde, a educação, a infraestrutura. Sempre há muito a se fazer em uma cidade. É o que pode credenciá-lo a uma possível reeleição e novos projetos.

Patrícia Moraes Machado – E economia de Trindade gira muito em torno da movimentação que a fé traz à cidade. A Operação Vendilhões não faz com que a cidade reflita sobre como o poder público pode incentivar outros setores econômicos da cidade?
A cidade de Trindade tem hoje no turismo religioso uma das boas fontes de geração de emprego e renda. Mas o município não depende do turismo religioso. O turismo religioso não traz divisas para o município. Trindade é economicamente independente. Temos um comércio muito forte, com empresas muito sólidas. Montamos na cidade um distrito industrial.

Trouxemos para Trindade várias empresas, algumas já em operação e outras em fase de implantação. O município tem uma força muito grande no setor comercial e também no industrial. Não tanto na área industrial, mas na comercial o município é muito forte.

O turismo religioso tem uma simbologia. Apresenta Trindade para o mundo. Traz ao município a aura de cidade do pai eterno. É a casa do pai eterno. O que tem uma importância muito grande para nós. Damos muito valor. Para a Prefeitura de Trindade, o impacto no turismo religioso não representa queda na arrecadação.

Abadiânia é um exemplo de cidade que sofreu muito com todas as questões que envolvem o João de Deus, o que fez como que a cidade perdesse muito da sua renda. Era basicamente a economia de Abadiânia. Em Trindade é diferente. Para nós, o turismo religioso tem uma simbologia importante. A cultura é importante. A Romaria do Divino Pai Eterno tem 180 anos. Trindade cresceu junto com a romaria, mas a cidade é independente.

Patrícia Moraes Machado – A transformação da economia de Trindade ocorreu durante as suas gestões?
O incremento da economia sim. Quando assumimos a gestão, o orçamento era de aproximadamente R$ 90 milhões. Hoje o orçamento de Trindade é de R$ 300 milhões. É muito significativo.

Patrícia Moraes Machado – As mudanças vieram quando a prefeitura contava com uma gestão estadual parceira. Sem um governo parceiro, o trabalho de atração de novas empresas consegue se manter de forma isolada da administração do Estado?
Logicamente, toda parceria com o governo é importante. Se o governo puder atrair investimentos para o município, é algo que tem uma importância muito grande. Mas o município não pode depender só de ações do governo do Estado. Trindade tem sua arrecadação própria e sua parte no Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O governo federal devolve aos municípios parte do que é arrecadado por meio do FPM.

Todos os tributos federais que são arrecadados em Trindade e que vão embora voltam através do FPM, como o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valo­ri­zação dos Profissionais da Edu­cação] e o Fundo Municipal de Saúde (FMS), que recebe recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS), para o Sistema Único de Saúde (SUS). E o governo de Goiás repassa os 25% do ICMS [Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação].

O município não pode ficar preso somente a estes recursos. São recursos básico para se fazer a despesa administrativa do município, como manter as escolas, unidades de saúde, a limpeza urbana e a manutenção da cidade. Para que o município possa se desenvolver, buscamos nos governos, tanto estadual quanto federal, recursos para realizar o incremento do crescimento da cidade. São recursos que requisitamos através de emendas parlamentares, de fundos para realização de obras, como unidades de saúde, escolas, CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil], praças, parques, centros desportivos, espaços de incremento da cultura.

São recursos que geralmente são repassados através de emendas parlamentares vindas do governo federal. Temos recebido também emendas de deputados estaduais, que ajudam na aquisição de equipamentos, como o tomógrafo que iremos disponibilizar na UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. A cidade não depende do Estado, que não coloca dinheiro no município.

Patrícia Moraes Machado – E no aquecimento da economia?
Toda a impressão que ficou de que a cidade ia bem porque o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ajudava Trindade não se confirma. Tudo o que ocorreu no município é fruto do trabalho da cidade. Toda ajuda é bem-vinda.

Augusto Diniz – Quais foram os resultados do programa Goiás na Frente?
Fizemos um convênio com o programa Goiás na Frente de R$ 5 milhões em recursos. Conseguimos aplicar na cidade R$ 1 milhão. O recurso disponibilizado foi de R$ 1 milhão para fazer asfalto. Ajudou. Mas o grosso de asfalto foi realizado com recurso próprio. Fizemos muito mais do que R$ 1 milhão. Muitos milhões a mais. Deixarei recurso em caixa em todas as secretarias do município. Se a gestão for bem feita, com utilização dos recursos da forma correta, é possível fazer tudo que é preciso. O governo do Estado não tem dinheiro para repassar ao município.

“Se eu sair do PSDB, irei sair do partido pela porta da frente”

“Foram bons momentos. Foi tudo dentro do que deu certo. Agora é o novo. Uma nova história. Meu novo caminho” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – Não precisa da parceria com o governo estadual para trazer uma indústria para a cidade?
Só depende da prefeitura. A prefeitura oferece o terreno no distrito industrial. O responsável pela instalação da fábrica recebe a relação de toda a documentação que precisará apresentar, quantos empregos irá gerar, qual será o faturamento da empresa, em quanto tempo instalado o negócio dará retorno em geração de emprego e renda.

Patrícia Moraes Machado – A discussão sobre isenção de imposto não precisa ser feita com o governo estadual?
A isenção vem através dos programas estabelecidos. Independe da ação do governo. Um exemplo é a instalação da fábrica da Suzuki. Ficou a discussão se seria em Catalão ou Itumbiara. Neste caso, depende da ação do governo estadual, porque pode haver o direcionamento. Se quisesse, Marconi poderia ter ajudado a trazer a Suzuki para Trindade. Eu poderia alegar, por exemplo, que a cidade nem terreno tinha disponível.

O governador poderia comprar a área com recurso da Secretaria Estadual da Indústria e do Comércio para fomentar o incentivo. A prefeitura ofereceria a terraplanagem e todas as condições para concluir a instalação.Por lei, não podemos conceder isenção de ISS [Imposto Sobre Serviços]. Mas podemos oferecer uma redução no valor do ISS. Se Goiânia cobra 5% de ISS, a indústria pagará 3% para se instalar em Trindade.

Augusto Diniz – Quando um prefeito reeleito que é presidente estadual de um partido lança um candidato a prefeito de outra sigla significa que o sr. está de saída do PSDB?
Não. O que ocorreu é que todos os partidos que tinham pré-candidatos eram da base aliada. O candidato a prefeito de Trindade foi escolhido na base aliada, independente da sigla, pelo perfil aglutinador. Sobre a presidência do PSDB, estou presidente há quase dois anos. O mandato termina no final de março, quando será realizada nova eleição. Não sou candidato a reeleição no partido, o que já foi anunciado.

O PSDB tem ciência da minha posição e busca outros nomes para serem apresentados. Cumpri meus compromissos. Tanto na Prefeitura de Trindade, onde fui eleito e reeleito como prefeito do PSDB, quando cumprirei meu mandato como presidente do partido. Depois eu não sei. Irei pensar meu futuro político, se ainda irei concorrer a algum cargo político e se estarei no PSDB. Depois de cumprido meu mandato como presidente, me sinto bem à vontade para fazer um opção que seja a mais certa, que eu tenha convicção de que será o melhor para mim neste momento.

Patrícia Moraes Machado – Quando o sr. assumiu a presidência do PSDB, decidiu percorrer o Estado, se reuniu com as lideranças do partido e tinha como proposta fazer o que realizou em Trindade: apresentar novos nomes, sair da mesmice política. O sr. considera que se consolida como uma liderança política independente do PSDB ao conseguir levar Marden Júnior à vitória em Trindade?
O PSDB é um partido muito grande e que tem uma história consolidada de muitos anos no Estado de Goiás. Ser presidente do PSDB não é fácil. Colocar ideias novas gera resistência. Não que eu pensasse que o PSDB estivesse ultrapassado como partido e que precisasse de uma renovação total. Mas todo partido precisa se reoxigenar, buscar novas lideranças e propostas. O partido tem de se renovar a cada dia. Senão fica na mesmice e as pessoas começam a se cansar daquele modelo. Precisamos de um partido que tenha mais dinamismo.

Não tive dificuldade quanto a esta questão. Mas a dificuldade que se apresenta é da própria estrutura política fora do governo. A realidade do PSDB hoje é muito diferente de quando o partido estava no poder. PSDB no governo era uma coisa, PSDB fora do governo, que são meus dois anos de gestão, é totalmente diferente de tudo que ocorria antes. Existe conflito porque muitos ainda acreditam que precisa ser da forma que era a gestão do partido. O PSDB não tem mais as mesmas características, facilidades, simpatia e boa vontade que existia em relação à sigla. Sempre defendi a reoxigenação do PSDB, com busca de novos quadros.

A eleição do Marden em outro partido foi algo casual. Tivemos dificuldade de entendimento no PSDB em Trindade para chegar ao Marden como candidato do partido. Houve uma resistência do PSDB local quando Marden buscou um novo partido para viabilizar sua candidatura. Decisão do Marden foi acertada, que buscou viabilizar seu nome, se apresentou como uma nova opção para Trindade. O grupo entendeu que o candidato fazia parte da base aliada ao prefeito. Marden tinha uma base de sustentação em Trindade que era o PSDB, o prefeito e toda a estrutura política.

Patrícia Moraes Machado – Acabou por ser um laboratório certeiro. Ao lançar Marden como candidato, a renovação política foi confirmada, mesmo que fora do PSDB.
Com certeza. A resistência que existe, e que ocorreu no PSDB em Trindade, não é salutar para o processo político, que precisa de renovação. Candidaturas têm de ser naturais, não podem ser forçadas. Não podem ser goela abaixo. Não podem sair de decisão de cúpula. Candidaturas têm ser consolidadas através de pesquisa, de trabalho e de análise mais global para poder entender o processo.

É preciso entender e aceitar que determinada candidatura é mais viável, mesmo que imediatamente não pareça a solução mais lógica, que seja a mais plausível, mais fácil de se concretizar. Não se pode querer dizer quem tem de ser o candidato.

Patrícia Moraes Machado – Não pode ser um pensamento único.
Não. É preciso analisar pesquisas qualitativas. O que mais influenciou a candidatura do Marden foi uma pesquisa qualitativa que foi realizada em Trindade.

Augusto Diniz – O que a pesquisa apontava?
Ganhamos a pesquisa de um instituto que realizava levantamento parecido em Goiânia. Vimos nos dados o perfil do candidato que as pessoas queriam. A leitura de pesquisa é muito importante na escolha do candidato. A pesquisa sinaliza o candidato que tem o perfil naquele momento para ter competitividade. E o perfil que a população anseia.

Patrícia Moraes Machado – Se olharmos para o MDB, é um partido que tem duas figuras de peso: Iris Rezende e Maguito Vilela. É um partido com duas lideranças políticas.
Previsível.

Patrícia Moraes Machado – O PSDB, até então, só tinha uma liderança. Quando o sr. tentou formar novas lideranças e um novo pensamento, sofreu resistência. Se o sr. sair do partido, irá buscar a renovação política em uma nova sigla?
Augusto Diniz – Que avaliação o sr. faz da perda de protagonismo do PSDB a partir de 1º de janeiro, quando o partido governará apenas 20 prefeituras?
O PSDB entende que somos um partido de oposição. E como partido de oposição, iremos buscar a união das oposições. PSDB não está mais preocupado em não ter condições de ser o protagonista. E pode passar a ser coadjuvante. O PSDB não tem problema algum em ser um partido coadjuvante nas eleições de 2022 e não lançar, por exemplo, candidatura majoritária, ficando apenas com candidaturas proporcionais. A grande preocupação do PSDB está em formar chapas consistentes de deputados estaduais e deputados federais.

A candidatura majoritária irá depender do processo de alianças e das definições que o grupo de oposição fará. Não existe mais a ideia de que a disputa terá de ser PSDB e DEM. PSDB irá se apresentar no processo e poderá se aliar a outras forças. De repente, a candidatura majoritária poderá vir de outros partidos. Poderá ser do MDB ou de outros partidos de oposição que farão parte da frente. A única coisa que está certa é que o PSDB fará parte de uma frente de oposição.

Não sabemos se esta frente de oposição terá condição de reunir muitos ou poucos partidos. Mas irá reunir um grupo de legendas de oposição. A partir desta união, buscaremos a maior aglutinação possível. A disputa de 2022 deve ter de dois a quatro grupos. Não quer dizer que o PSDB exigirá ser o protagonista.

Patrícia Moraes Machado – A política de Goiás continuará a ser guiada por um grupo governista e um grupo de oposição?
Possivelmente não tenhamos apenas uma frente de oposição. Talvez duas ou três frentes. PSDB com certeza estará em uma destas frentes de oposição para realizar uma composição nas eleições de 2022. Sabemos que hoje o PSDB não tem estrutura para lançar uma candidatura majoritária para 2022 de forma independente. Vimos que o PSDB teve dificuldade na cidade de Goiânia. O partido precisa buscar a formação de um grupo.

Patrícia Moraes Machado – Aos poucos, o ex-governador Marconi Perillo tem aparecido. Participou de um evento de campanha do candidato Talles Barreto em Goiânia e respondeu acusações feitas em entrevista pelo prefeito Iris Rezende ao governo tucano no transporte público. Marconi voltará à política de Goiás?
Marconi nunca saiu da política de Goiás. Irá continuar na política. Marconi está em São Paulo porque é lá que o ex-governador trabalha. Mas mantém o domicílio eleitoral no Estado e continua com foco na política de Goiás.

Patrícia Moraes Machado – Antes aparecia apenas em notas. Agora voltou a participar de eventos de campanha.
Inclusive com presença maior. Marconi deve ter algum projeto para 2022.

Augusto Diniz – Existe a discussão no PSDB de Marconi poder ser candidato a algum cargo em 2022?
Não. Não se discute isto no partido. PSDB é um partido que tem uma deferência especial com o ex-governador Marconi Perillo. Não foi Marconi quem criou o partido, mas é a sigla que cresceu através dos quatro governos de Marconi no Estado de Goiás. A partir do momento em que foi eleito governador em 1998, o partido cresceu.

Marconi tem no PSDB uma liderança natural muito grande. Muitos filiados estiveram com o ex-governador, participaram dos governos tucanos. Prefeitos que têm com Marconi uma relação política desde 1999. No meu caso, há 12 anos. Temos um respeito muito grande por Marconi. Logicamente, contará sempre com nosso respeito.Candidatura depende de Marconi. É o ex-governador quem define qual cargo irá disputar pelo partido.

“Ser presidente do PSDB não é fácil. Colocar ideias novas gera resistência”

“O partido tem de se renovar a cada dia. Senão fica na mesmice e as pessoas começam a se cansar daquele modelo. Precisamos de um partido que tenha mais dinamismo” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – O sr. tem dialogado com outras forças na oposição?
Não. Devo passar a me preocupar com este assunto a partir de fevereiro ou março. Somente depois que eu deixar a prefeitura. Termino meu mandato no dia 31 de dezembro. Entrego o mandato dia 1º de janeiro. Irei descansar um pouco com a família. Em março passarei o comando do PSDB ao novo presidente. A partir de então, tenho interesse em começar a conversar com todos os segmentos de oposição no Estado de Goiás. Iremos buscar um caminho e um entendimento para as oposições em Goiás.

Estou disposto a fazer este trabalho. Não sei se é muita pretensão minha buscar este entendimento com as oposições, mas acredito que é o momento de se pensar na formação desta aliança. Saio da prefeitura com algumas credenciais para pensar e trabalhar para 2022.

Augusto Diniz – Com a eleição do Marden em Trindade, o Patriota está de portas abertas para recebê-lo?
O Patriota abriu as portas para nós desde quando acolheu o Marden e deu ao prefeito eleito a garantia da candidatura. Ofereceu ao Marden a oportunidade de disputar a eleição pelo partido. A partir de então, o Patriota estabeleceu conosco um vínculo de parceria e de um relacionamento que pode se estender para 2022. Eu não tenho dúvida disto. O Patriota deve caminhar conosco para 2022. É um dos partidos com os quais vamos conversar. Iremos conversar com todos os partidos, líderes partidários, prefeitos e forças políticas que estiverem dispostos a dialogar.

É um processo que precisa ser discutido a partir de 2021. Como as eleições são em 2022, a construção da busca de entendimento para se estabelecer elos e possíveis alianças, para saber com quem e onde podemos ou não contar, qual a consistência de determinado grupo, quais as possibilidades que existem de entendimento entre os diversos segmentos, virá em 2021 com a busca de aglutinação e da melhor maneira de fazer isto ocorrer. Quando estivermos em 2022, a convergência é natural.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr.avalia a política nacional a partir da corrida pela vacinação contra a Covid-19, a forma como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se posicionou e como o governo federal reagiu?
A partir do momento em que se iniciou a vacinação no Reino Unido, toda a população passou a fazer uma cobrança muito grande no Brasil. Todos os governantes deveriam se preocupar com a situação. Se a vacinação fosse descentralizada, através dos governos estaduais e das prefeituras, talvez tivéssemos o modelo ideal. O município de Trindade está pronto para adquirir a vacina. Temos o recurso para adquirir a vacina. Se nos possibilitarem negociar e comprar a vacina, podemos comprar para a nossa população.

A única forma de distribuição é através do Sistema Único de Saúde (SUS) do governo federal. O governo federal tem uma logística muito grande para atender os mais de 5 mil municípios do Brasil. Através do SUS. Existe uma logística muito boa. Mas também vejo como positiva a ação do governador de São Paulo, João Doria. Se o governo tem o recurso e conta com um instituto como o Butantan que tem condições de produzir a vacina, por que não irá imunizar a população de São Paulo? Irá esperar adoecer.

Sou a favor de imunizar. Se os municípios tiverem condições de buscar a vacina, sou a favor de que comprem também. E que o governo federal urgencie – e tem de comprar com urgência – a compra das doses. Que compre as 70 milhões de doses da Pfizer para começar até janeiro a vacinação. É importante que a vacinação seja iniciada logo. A população está com uma expectativa muito grande. Está ansiosa à espera da vacina.

A Covid-19 é uma doença perigosa. Além de causar um desconforto muito grande e poder levar a pessoa a óbito, deixa sequelas que não sabemos por quanto tempo podem durar. Atinge muito a capacidade física da pessoa. É uma doença que quem não pegou tomara que não pegue. Quanto menos pessoas adoecerem melhor. Que a vacina chegue o mais rápido possível para que mais gente não precise passar por esta doença.

Não sou seguidor do Doria, não tenho nenhum conhecimento mais próximo da administração ou do pensamento político do governador de São Paulo, mas avalio sua ação como positiva de se preocupar com a população de seu Estado. E cada governador deveria ter planejado a vacinação, buscado a vacina, não só esperar a ação do governo federal.

Patrícia Moraes Machado – O sr. defende que, independente do que o governo federal for fazer, os Estados e municípios precisam agir?
Defendo que toda ação que puder ser feita para se buscar a vacina o mais rápido possível é positiva. Independe de ideologia política. Doria é do PSDB, Bolsonaro já foi de outro partido…

Patrícia Morais Machado – E o tipo de vacina?
Desde que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] aprove. Tudo menos a doença. Pode experimentar a vacina em mim. Tudo menos a doença. Eu já tive. Ave, Maria! Não quero ter de novo. Quero ser vacinado. Esta vacina não será pior do que a Covid-19.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia o governo Bolsonaro?
O governo Bolsonaro tem muitos acertos. Mas a articulação política deixa a desejar. A articulação com o Congresso melhorou, mas ainda está longe do ideal. É a parte que tem prejudicado as ações do governo. É um governo bem intencionado, que quer fazer uma boa gestão, quer realizar ações, melhorar a economia, tem boas intenções.

Conta com um ministro da Economia [Paulo Guedes] que é bem intencionado, mas que tem tido dificuldade de colocar as reformas que gostaria de colocar em prática porque teve falhas na articulação política, principalmente no início. Éo que prejudicou muito o governo do presidente Jair Bolsonaro. Mas vejo como um governo bem intencionado.

Patrícia Moraes Machado – O sr. considera a seu ciclo tucano está chegando ao fim?
Não poderíamos dizer isto. O PSDB não saiu enfraquecido destas eleições.

Patrícia Moraes Machado – Mas e a sua história no PSDB?
Meu ciclo no PSDB nunca irá se acabar. Mesmo que algum dia eu esteja em outra sigla, terei sempre um respeito e uma gratidão pelo PSDB. Se um dia acabar meu ciclo no partido como filiado, jamais virarei as costas ao PSDB, terei um sentimento de ingratidão ou irei desmerecer o partido que me deu uma oportunidade.

O PSDB foi importante em Trindade, foi importante no Estado de Goiás. Conseguimos fazer uma administração que, ao final de oito anos, conseguimos quase 80% de aprovação popular. É uma gestão que teve o reconhecimento da população. O PSDB teve o momento e teve a importância. No futuro, não sei onde o PSDB irá ficar. Talvez fique no meu coração. Mas talvez não seja mais a minha ideologia política, o meu sentimento, meu foco.

Tenho muita dificuldade para fazer sobre este assunto. Não consigo dizer que meu ciclo no PSDB acabou e que irei sair do partido ou começar uma vida nova. Não acredito que comecemos uma vida nova. Tudo soma. É uma história. Toda história política que eu tiver daqui em diante, se estiver em outro partido, a minha história política foi construída no PSDB. Aquilo que irá ou não me credenciar ocorreu no PSDB. Quando as pessoas forem me avaliar, o PSDB não será um impeditivo para que possamos vislumbrar um novo projeto. Minha história no PSDB não impedirá que um novo projeto seja viável.

Não vejo como um ciclo: acabou a história com o PSDB, vamos passar uma borracha. Não tem como passar borracha. Fui deputado pelo PSDB, fui secretário [estadual de Desenvolvimento da Região Metropolitana] do Marconi, tive uma história no PSDB. Tenho de estar preparado para isto. Foi bom tudo que me ocorreu, tudo dentro do tempo. Tudo que fiz no PSDB foi da maneira mais correta possível. Todo trabalho que realizei foi para fazer o meu melhor.

Não sei se irei disputar algum outro mandato depois de deixar a prefeitura. Mas existe a possibilidade de, se for disputar, que seja em outro partido. Não vejo qualquer dificuldade nisto. Se eu sair do PSDB, irei sair pela porta da frente sem ter de dizer “lá eu não fui compreendido”. Não. Foram bons momentos. Foi tudo dentro do que deu certo. Agora é o novo. Uma nova história. Meu novo caminho.

Como temos mais de 30 partidos, o eleitor busca possibilidades novas. O leque é muito grande. O eleitor buscou o PSL em 2018. Votou no presidente Jair Bolsonaro quando estava no PSL. Votou na pessoa do Bolsonaro. O candidato é muito importante. A sigla tem importância. Mas a importância do partido hoje é muito aquém do que era anos atrás quando tínhamos aqui MDB e Arena. Quem votava no MDB votava só no MDB.

“Vimos no Marden o nome que tinha as melhores condições para disputar a eleição de prefeito em trindade”

“Marden reunia todas as condições que precisávamos para a disputa. Reuniu apoio político. Conseguiu aglutinar forças políticas” | Foto: Divulgação/Campanha Marden Júnior

Patrícia Moraes Machado – Não era no candidato.
Votava no partido.Hoje o eleitor vota nas pessoas. A novidade do partido para o candidato pode favorecer. De repente, um novo partido pode ser interessante. Se para eu disputar uma nova eleição mudar de partido for determinante, sem dúvida alguma. As pessoas buscam novas oportunidades. Se determinado partido já não oferece mais aquelas mesmas condições de oportunidades, por que insistir?

Uma coisa que eu sempre tive na vida foi gratidão. Sempre tive muita gratidão por tudo aquilo que aconteceu na minha vida. Na política, tenho gratidão pelo PSDB. Tenho gratidão pelo Marconi. Tenho gratidão pelas pessoas. Eu também correspondi a todas as pessoas. Correspondi ao PSDB. Dei o meu melhor ao partido. Deu o meu melhor ao Marconi. Sempre apoiei Marconi em seus projetos.

Me sinto com muita vontade hoje para ficar ou não no PSDB. Se sair, sairei de cabeça erguida porque recebi, mas também dei em troca. Não só tirei do partido. Não apenas suguei do partido. Fui para as urnas, combati, lutei, fui para as ruas, governei pelo PSDB, honrei o nome do partido, andei o Estado inteiro para reerguer o partido e tirar o PSDB de uma situação difícil em um momento difícil. Tudo isto eu fiz pelo partido.

O partido fez por mim. Reconheço. PSDB fez por mim. Sempre tive um carinho muito grande e um respeito muito grande dentro do partido vindo de todos. Mas também dei ao partido o meu melhor. Me sinto com muita vontade para hoje ficar ou não no PSDB depois que terminar meu mandato como presidente do partido.

Patrícia Moraes Machado – Quais secretários que estão hoje na prefeitura seguirão na gestão de Marden Júnior?
Algumas pessoas devem seguir com o Marden. Gustavo Queiroz, presidente da Agência Municipal de Comunicação e Eventos (Agecom) deve permanecer na equipe. Fernando Fernandes Marinho [secretário de Gestão e Planejamento] ou Wagner Costa [secretário de Finanças] deve seguir com Marden. Provavelmente um dos dois, mas não os dois.

Wagner tem mais proximidade comigo do que com Marden, que eu trouxe para a Prefeitura de Trindade há oito anos. Fernando também veio comigo, chegou para ser o pregoeiro. Vi em Fernando potencial e o alcei à condição de secretário. Comecei a delegar funções ao Wagner, que se tornou um secretário importante.

O prefeito eleito irá montar uma nova pasta na estrutura administrativa, que deve ganhar o nome de Secretaria da Casa Civil. Será a secretaria responsável por cuidar de toda gestão e planejamento. A estrutura terá até quatro subsecretarias. Uma delas apenas para contratos, licitações e compras.

Augusto Diniz – Nos moldes do que Maguito Vilela implementou em Aparecida de Goiânia com a Secretaria de Projetos e Captação de Recursos, que foi mantida pela gestão Gustavo Mendanha (MDB)?
Será uma subsecretaria de captação de recursos e projetos. Outra nova estrutura será um gabinete de controle de gastos e de gestão dos fundos municipais, como o fundo da saúde, da educação, dos fundos de assistência e outros. Deve ser criado um gabinete de gestão de pessoal. Será uma estrutura que terá controle de tudo que ocorre na prefeitura.

Na subsecretaria de projetos e captação de recursos haverá toda uma equipe de engenharia, as pessoas que trabalharão focadas na captação de recursos, contratações com a Caixa Econômica Federal. Será uma equipe completamente técnica. A secretária da Casa Civil será a [Gercilene Ferreira] Branca, que hoje ocupa a Secretaria de Saúde. O modelo da saúde de Trindade, que é muito bom, será trazido para o modelo de toda a gestão.

Todo o planejamento da educação, de todos os recursos destinados e de todos os projetos, será feito no gabinete de gestão dos fundos municipais, ao lado do secretário.

Patrícia Moraes Machado – De onde surgiu o nome da secretária Branca?
Branca veio para a prefeitura quando a trouxe como secretária de Saúde. Atuou em Senador Canedo, Aparecida de Goiânia, Caldas Novas. Branca é uma gestora pública especializada em saúde. A secretária até resistiu. Eu disse “você não terá a estrutura que tem na Saúde, todo o planejamento será feito aqui, o prefeito que irá tomar as decisões”. Com uma pasta com a Secretaria da Casa Civil, a gestão não fica na Saúde e na Educação. A gestão será na Casa Civil, compartilhada com os secretários de Educação e Saúde.

O secretário de Educação fará parte do planejamento, mas cuidará mais da parte pedagógica. Não ficará responsável pela parte de obras. O secretário de Educação irá focar no ensino, no que será feito no fortalecimento da educação, na melhoria e no acompanhamento das escolas, do aprendizado, como está a merenda, os uniformes. Se um CMEI estiver em construção, o secretário de Educação não terá de preocupar com a obra. Cuidar da obra é uma questão administrativa.

O secretário de Saúde irá cuidar da gestão da Saúde. Como está o funcionamento das unidades de saúde, se estão atendendo bem, como está a dispensação de medicamento, se os serviços têm funcionado de forma adequada para atender a população. A parte da Vigilância Sanitária e das unidades de saúde ficam a cargo do secretário de Saúde. Mas a cabeça pensante da gestão estará na Secretaria da Casa Civil.

Em vez de ter um grupo técnico na Saúde e outro na Educação, esta equipe com as cabeças pensantes ficará em uma pasta só. Farão uma prestação de serviço. Não posso passar meu jeito de administrar para o Marden. Na minha forma de governar, eu cuidava das demandas da prefeitura e sabia o que tinha em andamento na gestão. Eu tenho conhecimento das demandas da cidade e atuei próximo dos departamentos da administração para resolver os problemas. Marden é um jovem prefeito que terá a oportunidade de criar seu estilo de gestão.

Branca será a secretária que atuará para entregar aquilo que o prefeito precisar. A tomada de decisão será sempre do prefeito. A Secretaria da Casa Civil terá uma estrutura grande e funcional. Será pesada no tamanho da pasta, mas com um funcionamento muito bom.

Augusto Diniz – Como foi gerir Trindade ao assumir em 2013 uma prefeitura com serviços paralisados, como a coleta de lixo e o transporte escolar? Como foi criar um modelo de gestão a partir de uma casa desorganizada?
Foi o grande problema que tive ao assumir a Prefeitura de Trindade. Não existia um modelo de gestão, um planejamento. Assumi e tive de fazer uma reforma administrativa e montar toda as estratégias e todo o planejamento para poder gerir a cidade. Foi um trabalho difícil e demorado. No primeiro ano passamos a entender qual era a situação da prefeitura. Não tivemos transição.

Cheguei a uma prefeitura que tinha gavetas jogadas e papeis no chão. A partir de então que eu fui conhecer a estrutura da Prefeitura de Trindade. É muito diferente do que entregarei para o meu sucessor. Passarei para Marden uma prefeitura que tem um modelo de gestão com todas as suas instituições, secretarias e tudo aquilo que demanda serviços públicos.

A Secretaria de Assistência Social tem todos os Cras [Centros de Referência de Assistência Social] e Creas [Centros de Referência Especializado de Assistência Social] com um modelo de gestão definido. Está determinado como funciona, o que funciona e onde fica cada departamento. Bem diferente do que recebi.

A prefeitura era de uma cidade de 130 mil habitantes, mas parecia ser de um município de 5 mil habitantes. A prefeitura não tinha a estrutura que existe hoje. Hoje contamos com uma Secretaria de Educação com toda a estrutura de gestão bem montada com 40 unidades escolares e 14 mil alunos na rede municipal.

São mais de 40 unidades de saúde no município de Trindade, o que inclui as Unidades de Saúde Básica (UBSs), Unidade de Pronto Atendimento (UPA), centros de reabilitação, as unidades de especialidades, centros de diagnóstico, centros de especialidades odontológicas. Todo o planejamento é comandado por uma secretária, que conta com a estrutura de cargos de diretorias e gerências encarregada para realizar o trabalho de forma organizada e garantir que o serviço seja oferecido ao cidadão.

Entregarei a prefeitura sem dívidas. Marden irá receber a gestão com dinheiro em caixa. No dia 30 de dezembro iremos fechar todas as contas, acertar com todos os funcionários. Teremos de demitir todos os comissionados. Aqueles quer forem continuar na prefeitura serão readmitidos pela nova gestão no início de janeiro. O mesmo irá ocorrer na saúde do município.

A Secretaria de Saúde encerrará a gestão com dinheiro em caixa. Na Educação. Deixaremos dinheiro em caixa no Tesouro municipal e na Secretaria de Finanças. As obras que estiverem em andamento contarão com dinheiro em caixa para serem concluídas na próxima gestão.

“Entregarei a prefeitura sem dívidas. Marden irá receber a gestão com dinheiro em caixa”

“No dia 30 de dezembro iremos fechar todas as contas, acertar com todos os funcionários” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – Quais são as principais marcas que o sr. acredita que deixará do primeiro e do segundo mandatos em Trindade?
Não tenho dúvida de que foi a gestão. O modelo de gestão foi o mais importante. A grande marca é o prefeito ser realmente um gestor público. Deixo a gestão bem feita dos recursos públicos. Quando assumi, a Prefeitura de Trindade não tinha um modelo de gestão.

Os professores não recebiam o piso. A educação estava toda muito desorganizada, o que incluía a merenda e a manutenção das escolas. Tínhamos menos de 7 mil alunos na escola. Hoje são 14 mil. Demonstra a credibilidade que a população passou a ter no ensino público em Trindade. Tínhamos uma saúde muito precária.

No primeiro mandato, comecei com adoção de medidas de austeridade e aplicação correta dos recursos públicos. Foi preciso sanar todas as dívidas que existiam, arrumar a casa, organizar, montar uma administração enxuta, colocar secretários certos nos devidos lugares e fazer uma gestão que apresentasse resultado. A população espera do gestor resultado.

A população quer ver a saúde funcionar, as obras serem feitas e as melhorias apresentadas. Quer ver que tem o serviço e que é de qualidade. A infraestrutura precisa chegar nos locais que precisam de investimentos. Um exemplo é a pavimentação asfáltica no município. A Secretaria de Obras foi organizada para poder realizar as obras importantes que precisávamos em Trindade.

Uma das principais demanda no município era asfalto. Asfaltamos todos os bairros de Trindade. Todas as ruas que não tinham asfalto foram asfaltadas nos últimos oito anos. No primeiro mandato, eu impulsionei a pavimentação asfáltica com uma força muito grande. Outro ponto necessário na infraestrutura é a manutenção da malha viária. O recapeamento das ruas. Fazer a manutenção das ruas que estão com asfalto deteriorado. É o asfalto com buraco. Sanamos esta questão no primeiro mandato. Iniciamos a pavimentação nos bairros. Cuidamos do visual da cidade e do lixo.

Na assistência social, precisamos fazer um trabalho que levasse às pessoas aquilo que elas precisam por meio de programas que temos em parceria com o governo federal e o governo estadual. É importante que o gestor tenha o olhar voltado para a cultura e outras ações.

Patrícia Moraes Machado – O sr. pontuou a infraestrutura como a grande marca do primeiro mandato. E na segunda gestão?
No primeiro mandato foi a infraestrutura em todas as áreas, na educação, na saúde e na cidade com um todo. No segundo mandato, a saúde passou a contar com uma estrutura que deu atendimento adequado ao cidadão. No primeiro mandato, construí uma UPA. Foi inaugurada no final do primeiro mandato. Na segunda gestão, a UPA passou a ser uma referência em saúde para a população de Trindade. A UPA passou a atender com qualidade de 500 a 700 pessoas por dia. As pessoas saíam satisfeitas e bem atendidas.

Começamos a lançar todos os programas. O Melhor em Casa, que oferece atendimento médico na residência do idoso, com médicos, dentistas, enfermeiros. Montamos toda estrutura para ter uma espécie de hospital municipal domiciliar. São 180 pessoas que recebem atendimento de saúde em casa. São pacientes que precisavam ser hospitalizados com frequência porque apresentam muitos problemas de saúde.

São pessoas que têm dificuldade para conseguir ir até o médico, que são os pacientes acamados. Uma pessoa que perdeu os movimentos após sofrer um acidente, que teve um AVC [acidente vascular cerebral]. Muitas vezes a família tem dificuldade para cuidar desta pessoa. O programa Melhor em Casa oferece a visita semanal do médico, do nutricionista, do fonoaudiólogo, do fisioterapeuta. É uma equipe multifuncional que atende o paciente de acordo com a necessidade.

Além do atendimento, oferecemos a alimentação, com toda dieta que for necessária, fraldas e o que for preciso. Colocamos camas hospitalares na casa dos pacientes para que tudo seja facilitado. São ações que ajudam muito a família. Os cuidadores têm uma facilidade maior. O Melhor em Casa foi um programa muito importante do segundo mandato. A saúde se sobressaiu muito.

No primeiro mandato, precisamos reformar, construir, equipar e comprar móveis para as unidades de saúde. Contamos hoje com aparelhos de raio-X e ultrassom. Antes não contávamos aparelhos de raio-X em Trindade. São três aparelhos digitais hoje no município. As unidades especializadas contam com ultrassonografia. Tratamento odontológico.

Patrícia Moraes Machado – Quando é preciso levar um paciente para Goiânia?
Só no caso da alta complexidade. Qualquer município é responsável pela baixa complexidade. Às vezes até parte da média complexidade. A partir do momento em que o paciente depende de atendimento de média para alta complexidade, é preciso encaminhar para um hospital do Estado. O hospital do Estado atende os casos de alta complexidade.

Toda a baixa complexidade, como o paciente com hipertensão que precisa de acompanhamento, um mal súbito, quem precisa de uma medicação ou um curativo, o acompanhamento da gravidez, a necessidade de médicos especialistas, é feita em Trindade. Quando o caso do paciente é de alta complexidade, é preciso que seja encaminhado para o Hugol [Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira] ou o Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia]. São hospitais preparados para casos de alta complexidade e que recebem do governo federal recursos para atender estes casos.

Augusto Diniz – Como está a situação do Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), que é gerido pelo Estado?
Hutrin é hoje um hospital de baixa e média complexidade. É um hospital regional que atende bem a população. Tem contado com uma boa gestão da Organização Social (OS) Imed [Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento]. Temos acompanhado o trabalho do Hutrin. Só encaminhamos para o Hutrin aqueles pacientes que precisam de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O Hutrin conta com quatro leitos de UTI. Mas é feito através da regulação de Goiânia. Se Trindade tem um paciente na UPA que precisa de UTI, a vaga vem da regulação estadual feita de Goiânia. O paciente é encaminhado para qualquer UTI, não necessariamente a de Trindade, que pode estar ocupada com paciente de outro município. É um hospital regional que faz parte da Rede Hugo de média e alta complexidade.

Augusto Diniz – Como a prefeitura trabalhou junto com o comércio e a rede hoteleira para fortalecer a Romaria do Divino Pai Eterno nos últimos oito anos?
Fizemos um trabalho de acompanhamento para evoluir o turismo religioso nos últimos oito anos. Através da Secretaria de Indústria e Comércio, da preparação de cursos, do incentivo à rede hoteleira. Buscamos mostrar Trindade para o Brasil. Trabalhamos para o turista sair de Trindade com uma boa impressão.

Precisávamos cuidar e melhorar a cidade para que Trindade tivesse uma apresentação que gerasse no turista uma boa impressão. Sem dúvida alguma, o boca a boca é a melhor divulgação e propaganda que podemos ter. Se a pessoa vem para o município e encontra uma cidade bem cuidada, com ruas limpas, bem sinalizada, meios-fios pintados, sem lixo nas ruas, com asfalto em boas condições, o turista chega e tem uma boa impressão.

A maior parte dos turistas faz parte da terceira idade. Se a pessoa passar mal, tiver de usar a nossa rede de saúde e receber um bom atendimento, gera cada vez mais uma credibilidade no turismo de Trindade. Mostra que o turismo da cidade se fortalece. O que é impulsionado pelo trabalho que a igreja sempre fez.

Na Romaria do Divino Pai Eterno, tivemos o cuidado de todas as romarias terem uma organização muito grande. Na vinda dos romeiros a pé pela rodovia, na chegada da cidade com um centro de atendimento ao turista, de informar as pessoas, oferecer um centro médico com uma tenda fechada para medir a pressão, contar com médico para fazer os primeiros socorros, um curativo, fisioterapeuta. Contamos com esta estrutura na barraca dos romeiros como na entrada da cidade.

Montamos nos principais pontos, próximo à Basílica e à Igreja Matriz, unidades de saúde bem preparadas para o atendimento emergencial. Sempre colocamos uma estrutura muito grande de limpeza e manutenção da cidade durante todos os dias da festa. Por mais que as pessoas jogassem objetos no chão, a cidade estava sempre limpa. Mesmo com aquela multidão de pessoas, a cidade era mantida limpa.

Todos os festejos muito organizados. As romarias e o desfile dos carros de boi contavam com uma organização muito grande para que o romeiro e o visitante pudessem sair de Trindade com uma boa impressão. O carreiro que recebia nas primeiras horas do dia o café da manhã e a alimentação por parte da nossa comissão organizadora, a camisa do carreiro, que recebia sempre uma lembrança bonita que era levada para casa.

Toda a organização feita para planejar a vinda dos carreiros, de ir a Damolândia reunir com os participantes e definir a vinda dos carreiros, trazer os cavaleiros para manter a tradição. A romaria dos carros de boi foi tombada como patrimônio cultural brasileiro. Firmamos parceria com a igreja para que todas as condições fossem as ideais para a realização dos festejos religiosos.

Primamos pela segurança da cidade nos últimos sete anos. Não tivemos casos de homicídio, a festa foi realizada sem roubos. A cidade sempre contou com uma segurança muito grande na romaria. Buscamos com o governo estadual o aumento do efetivo da Polícia Militar durante a festa com pagamento de banco de horas e alimentação em restaurantes conveniados. A estrutura de uma romaria deste porte é muito grande.

Mais de 2 milhões de pessoas vêm a Trindade e encontram uma organização com banheiros espalhados por toda a cidade com limpeza constante. É algo que não existia antes da nossa administração. A romaria ocorria na marra. Era uma bagunça, lixo nas ruas, a cidade ficava com mau cheiro. A cidade não constava com banheiros químicos. Quando tinha não contava com manutenção. E aquele mundo de gente na cidade. Pessoas que passavam o dia e não tinham onde ficar.

Era preciso garantir uma estrutura mínima. Precisávamos garantir um suporte para que a cidade se mantivesse limpa. A cidade tinha fama de realizar uma festa mal organizada. São detalhes que podem parecer pequenos mas que tornam-se grandes. Segurança, limpeza urbana, fiscalização, controle de ambulantes, organização dos festejos e shows. Cuidamos de tudo isto, o que fez com que a festa se tornasse cada vez maior.

Nos preocupamos em fazer com que o turismo se mantivesse durante todo o ano. Buscamos a qualificação dos empresários de Trindade: hoteleiros, pousadeiros, comerciantes de restaurantes e lanchonetes. Oferecemos cursos para especializar os profissionais no recebimento do turista, na formação de mão de obra da rede hoteleira. É um trabalho que fez com que o turismo crescesse a cada ano. O turismo passou a garantir que a cidade ficasse com pousadas cheias de quinta a domingo, o que também movimenta o comércio.

“Quando assumi, a Prefeitura de Trindade não tinha um modelo de gestão”

“O modelo de gestão foi o mais importante. A grande marca é o prefeito ser realmente um gestor público. Deixo a gestão bem feita dos recursos públicos” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz – O ano de 2020 pegou todo mundo de surpresa. Com a Romaria do Divino Pai Eterno não foi diferente. Chegou-se a pensar na festa virtual, mas havia o risco de os fiéis virem para a cidade mesmo com as igrejas fechadas.
Se a festa fosse virtual, despertaria nas pessoas a vontade de estar em Trindade durante a romaria. “Estou vendo a missa, a festa está acontecendo. Nem que seja para ficar só um pouquinho, eu vou lá.” Coloquei esta preocupação. Disse que mesmo a romaria virtual poderia gerar um fluxo de pessoas na cidade nem que seja para cumprir uma promessa.

A preocupação veio em um momento de muitas incertezas quanto à pandemia. Até hoje não conhecemos completamente o vírus. Ainda não sabemos lidar direito com a pandemia. No momento em que a festa poderia ter sido feita de forma virtual, muito pior. Foi quando decidimos não realizar a festa, assim com o centenário de Trindade. Todas as festas do centenário, que seria comemorado em agosto, foram canceladas. Antes, as festas juninas não foram realizadas. O que houve no mundo e no Brasil ocorreu em Trindade. Tivemos que parar tudo.

Augusto Diniz – Qual foi o impacto de precisar cancelar a Romaria do Divino Pai Eterno e o centenário da cidade?
O impacto foi muito grande na economia local. Houve uma perda de receita muito grande na cidade por parte dos comerciantes ligados ao turismo. As voltadas para atender o turista, restaurantes próximos à Basílica do Divino Pai Eterno, os feirantes que montavam suas barracas na Feira da Fé, os vendedores de artesanato. Houve um prejuízo muito grande.

Gerou desemprego e diminuição de renda. Hoje vemos muitas pousadas fechadas. Há uma incerteza muito grande. Com a investigação na Afipe [Associação Filhos do Pai Eterno], houve um desestímulo grande gerado pelos resultados da Operação Vendilhões. Buscávamos uma retomada do turismo quando veio a operação. Afetou muito o turismo da cidade de Trindade. Atingiu a imagem do padre Robson de Oliveira, que era um padre que tinha um carisma e uma visibilidade muito grande no Brasil todo.

Augusto Diniz – Como está a relação do trindadense com o padre Robson?
O que ficou para nós de Trindade foi um sentimento de perda. Padre Robson tinha uma importância muito grande no desenvolvimento de Trindade. Além de padre, era um grande empreendedor. Fundou a Afipe há 15 anos. E a Afipe se tornou uma associação muito grande. Padre Robson ousou construir a segunda maior basílica do mundo. A receita da Afipe era compatível com a obra, que custaria na casa de R$ 1 bilhão. Foi o que ouvi o padre dizer no Fantástico. Imaginava que custaria R$ 400 milhões, mas padre Robson disse que poderia chegar a até R$ 1 bilhão.

O maior sino do mundo seria na basílica. O sino está pronto na Polônia, só não sabemos como ficará esta situação. Padre Robson começou a construir a basílica, teve muitas dificuldades para aprovar os projetos na Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação Urbana. Teve dificuldade para obter o Uso do Solo e para conseguir o alvará de construção. Quando assumimos a prefeitura, logicamente facilitamos a parte burocrática e a basílica adquiriu um ritmo acelerado de construção.

Com o projeto pronto, quando começaram a erguer as colunas, padre Robson viu que aquela estrutura seria pequena. Não era aquilo que padre Robson queria. Buscou um novo grupo de arquitetos e engenheiros para aumentar o projeto da basílica. Encontrou um grupo de arquitetos na Bahia que fizeram um novo projeto. Houve uma paralisação nas obras.

Foi preciso desmanchar algumas colunas. Adequou a fundação, que é quase a mesma. Houve uma parte de demolição. A obra voltou e entraria na parte de erguer as paredes. O sino está pronto, que viria para Trindade. Cada faixa da obra que era iniciada custava entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões. Quando uma empresa começava a entregar uma parte da obra, começava-se a preparar a contratação da segunda etapa.

Não sei como a nova direção da Afipe pensa a questão da obra. Padre Robson foi destituído da Afipe, que agora está com um provincial como novo presidente, o padre André Ricardo de Melo. Padre Robson também foi destituído das funções de padre nas celebrações. Não sabemos o que irá ocorrer. É uma pena! Imaginamos que a questão poderia ter sido resolvida. Não sabemos o tamanho da situação. Certo ou errado, Trindade perdeu muito.

Infelizmente, os erros que o padre Robson cometeu, se ele cometeu erros… A maneira com que a operação foi feita, com a divulgação para o Brasil todo, afetou muito a imagem de Trindade, da Afipe.

Patrícia Moraes Machado – O resultado será sentido na próxima romaria?
O problema é o turismo hoje em Trindade. Perdeu muito. Trindade tem 230 pousadas. A ocupação das pousadas está em torno de 30%. A cidade recebia de 2 mil a 3 mil pessoas por final de semana. De 45 a 70 ônibus. Hoje chegam no máximo 15 ônibus por final de semana. Caiu muito.

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