“Ipasgo tem um hospital dedicado a Covid-19 com 80 leitos. São 32 de UTI e 48 de enfermaria e apartamentos”, diz presidente do instituto

Recém-chegado ao Ipasgo, Hélio Lopes afirma que trabalha com equipe reduzida, mas que se desdobra para prestar melhor atendimento possível a usuários

Hélio José Lopes - Foto Paulo Eduardo Prado Ipasgo

Presidente do Ipasgo, Hélio José Lopes | Foto: Paulo Eduardo Prado/Ipasgo

No dia 2 de julho, o presidente da Apae de Anápolis e vice-presidente da Federação das Apaes do Estado de Goiás, Hélio José Lopes, veio a Goiânia a convite do governador Ronaldo Caiado (DEM). A missão de presidir o Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo) completou hoje 17 dias. O advogado que atua na área cível tem 56 anos e substitui Silvio Fernandes, que foi para o cargo de diretor técnico da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).

Hélio Lopes chegar ao Ipasgo durante a pandemia do novo coronavírus. O novo presidente afirma que o trabalho foi facilitado pela boa gestão de Silvio Fernandes. “O Ipasgo era muito deficitário. Governador Ronaldo Caiado (DEM) recebeu o instituto em uma situação muito difícil. Com mais de um ano da passagem do dr. Silvio, desde o final de 2019 a situação está superavitária.”

Como foi o convite para o sr. assumir a presidência do Ipasgo no lugar do Silvio Fernandes?
As pessoas chegam aqui e perguntam sobre algum assunto do Ipasgo, mas nunca me perguntaram sobre como cheguei ao instituto. Presidi a Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais] em Anápolis. Em dezembro do ano passado, o governador Ronaldo Caiado (DEM) esteve comigo quando inauguramos uma nova sede para a unidade da Apae. Um prédio imponente, com três andares, 112 salas todas climatizadas e mobiliadas.

Quando o governador chegou à unidade, se encantou com a situação da nova unidade. Caiado, que já acompanhava a Apae há algum tempo, me disse que um dia iríamos trabalhar juntos. Há menos de um mês, o governador fez o convite e aceitei. O desafio é grande, mas estamos aqui para colaborar.

O sr. assumiu o cargo no dia 2 de julho, em meio à pandemia da Covid-19. O sr. disse que o desafio de presidir o Ipasgo é grande, mas como é gerir o instituto especificamente neste momento?
Quero parabenizar o dr. Silvio Fernandes e a equipe que o acompanhou no Ipasgo no início da pandemia, entre março e abril, quando a curva estava em crescimento. Foi feita toda uma preparação. O Ipasgo tem um hospital dedicado a Covid-19 com 80 leitos. São 32 de UTI e 48 de enfermaria e apartamentos, que têm dado condição de receber todos que testaram positivo para o coronavírus, tanto da capital quanto alguns do interior.

Além dos hospitais privados, que são nossos parceiros, fazemos a remoção do paciente direto para o Hospital Garavelo. Até o momento, temos atendido bem. Chegamos a ter 85% de ocupação desses leitos. Atualmente temos mantido a ocupação em 66%, o que suporta bem. Mas se houver necessidade, o Ipasgo fará novas contratações para que os nossos usuários sejam bem atendidos.

No dia em que o sr. tomou posse no Ipasgo, o ex-presidente Silvio Fernandes disse que pela primeira vez em cinco anos o instituto saiu do vermelho e teria chegado a um superávit de aproximadamente R$ 60 milhões. O que o sr., em 17 dias na presidência, sabe sobre a realidade do Ipasgo?
É verdadeira a afirmação do dr. Silvio, a quem parabenizo pela gestão. O Ipasgo era muito deficitário. Governador Ronaldo Caiado (DEM) recebeu o instituto em uma situação muito difícil. Com mais de um ano da passagem do dr. Silvio, desde o final de 2019 a situação está superavitária.

Nossa dificuldade é com pessoal. A maioria dos contratos de terceirizados e prestadores de serviço para o Ipasgo venceu. Algumas empresas acabaram por nos deixar e levaram daqui a mão de obra. Na questão financeira, temos um bom equilíbrio e honramos com todos nossos prestadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas.

Como está o trabalho para repor os cargos dos terceirizados que se deligaram do Ipasgo? Há a possibilidade de recontratação?
Acompanhamos há um bom tempo a questão de licitação. Estamos prestes a fechar com novas empresas. As empresas que se desligaram do Ipasgo e foram alvo da operação policial no instituto estão vetadas. Com as empresas que participam da licitação, trabalhamos para viabilizar e homologar aquela que for a vencedora do certame.

O sr. sabe dizer o total de terceirizados que foram desvinculados do Ipasgo neste período?
Ainda não tenho este dado. Mas a mão de obra que mais faz falta hoje no Ipasgo, em que uma rescisão de contrato representou o desligamento de 253 profissionais, é a que era prestada pela empresa GT1.

O deputado federal Dr. Zacharias Calil (DEM) visitou o sr. na sexta-feira, 9, no Ipasgo. O que foi tratado nessa visita?
Foi mais uma visita institucional. Conheci o dr. Zacharias Calil quando eu presidia a Apae em Anápolis, onde o parlamentar e médico já esteve. O deputado viu nosso trabalho na Apae, inclusive nos destinou uma emenda parlamentar de sua autoria como representante do DEM. À época, eu não tinha filiação partidária.

O trabalho da Apae de Anápolis, que presta serviço para os 246 municípios do Estado de Goiás pelo Sistema Único de Saúde (SUS), faz toda a triagem neonatal, é referência em doenças raras para o Centro-Oeste e tem o CER III [Centro de Especializado em Reabilitação], com reabilitação física, auditiva, intelectual e agora em implantação da visual. Quando o dr. Zacharias viu a grandiosidade do trabalho que é prestado na cidade de Anápolis através da Apae, o deputado conseguiu ajudar financeiramente na gestão.

Assim que assumi a presidência do Ipasgo, também recém-filiado ao DEM, o deputado veio fazer uma visita, desejar boas-vindas e se colocar à disposição, assim como coloquei o Ipasgo à disposição no que for necessário para a continuidade dessa parceria.

A filiação ao DEM foi condicionante para assumir a presidência do Ipasgo?
Nenhuma. Não houve essa condição. Foi uma opção minha. Recebi no início do ano o convite de seis outros partidos. Correu a notícia na imprensa em Anápolis de que, inclusive, eu seria pré-candidato a prefeito na cidade. Isso não ocorreu. Não me manifestei, não concedi nenhuma entrevista nesse sentido.

A opção pelo DEM foi um pedido, além da executiva do partido, do próprio governador. No dia em que assinei a ficha de filiação, conversei com o governador por telefone. O governador me pediu para filiar ao DEM, mas deixou muito claro quando pediu minha colaboração na presidência do Ipasgo de que a minha vinda para o instituto é totalmente diferente da política partidária.

Vim como técnico e recebi do governador total liberdade para colocar aqui as pessoas que entender conveniente, fazer a alteração que decidir como possível, não me exigiu nada. Muito pelo contrário, me deu total liberdade. A questão da filiação ao DEM não foi condição para assumir o Ipasgo.

O que vem a ser o projeto Bebê Ipasgo?
Começou em junho o Bebê Ipasgo, um projeto de biometria neonatal. O bebê sai da maternidade com inclusão no plano do Ipasgo, sem carência, com um fortalecimento de laços, de acolhimento. É uma ação que evita trocas e raptos de bebês. Programa que faz parte do Goiás de Resultados. O Bebê Ipasgo tem se destacado.

Pedimos às mães que são usuárias do Ipasgo que busquem o setor de ação preventiva por meio do telefone 3238-2423. Com o Bebê Ipasgo, os recém-nascidos já saem da maternidade totalmente identificados com a biometria neonatal.

Desde terça-feira, 14, as unidades do Vapt Vupt voltaram a fazer atendimentos presenciais agendados, com atendimento também dos serviços do Ipasgo. Como está o funcionamento do Ipasgo: todo feito de forma presencial ou as solicitações de serviços são on-line?
Com a saída de 253 pessoas ligadas à GT1, estamos com número bastante reduzido. Mas os colaboradores do Ipasgo, tanto efetivos quanto terceirizados, que têm executado suas atividades têm se superado. Atendemos através do 0800-62-1919, do call center do Ipasgo e presencial. Temos um grupo muito reduzido, mas temos socorrido um ao outro e atendido a contento. Temos sim uma ou outra reclamação, mas graças à Deus temos dado conta do recado.

Um dia antes de o sr. assumir como presidente, houve um pedido para que os pais dos associados voltassem a ser incluídos como beneficiários no plano de saúde do Ipasgo. Como está essa questão?
É um processo que avança. Um pedido do governador Ronaldo Caiado, quem tem reforçado em todos os seus discursos que devolverá Goiás aos goianos. Um dos pedidos do governador para o Ipasgo é que isso venha a ocorrer. Acreditamos que em agosto, tão logo a Assembleia Legislativa volte do recesso, a proposta de reinclusão dos pais no plano de assistência do Ipasgo possa ser votada.

O governador diz que quer devolver Goiás aos goianos. Eu tenho dito que o Ipasgo, com a minha chegada à presidência, será com o coração voltado ao usuários, com a razão para os prestadores de serviços e quando não souber o que decidir, serei no mínimo justo. Não me cansarei de buscar esses três objetivos.

No início da entrevista, o sr. falou da capacidade de atendimento de pacientes com Covid-19, e o Hospital do Servidor funciona como Hospital de Campanha para atender casos graves da doença. Foi uma unidade que teve sua conclusão adiantada para funcionar durante a pandemia. Como o Ipasgo pensa em utilizar o Hospital do Servidor após a pandemia?
Não estamos com nossos usuários, mesmo que ainda não tenham testado positivo para Covid-19, no Hospital do Servidor. Estamos com uma reserva de 80 leitos no Hospital Garavelo. Nenhum usuário testado com Covid-19 é encaminhado ao Hospital de Campanha. Temos destinado um outro local, onde compramos os serviços e é feito o atendimento.

Esperamo que quando passar toda essa pandemia, o Ipasgo possa reassumir o hospital, colocar mobiliário. Negociamos na quinta-feira, 16, com a Secretaria de Administração a retomada de um imóvel na Rua 94 e cedido a quem de direito, por ser uma propriedade do Ipasgo. Com isso, poderemos retomar as cirurgias eletivas que eram feitas no Hospital do Servidor. O imóvel fica na rua que hoje se chama Olinto Manso Pereira, próxima à Catedral.

A estrutura que o Ipasgo utiliza no Hospital Garavelo também é utilizada para realização de cirurgias eletivas?
A unidade está destinada somente a pacientes da Covid-19. Ontem [quinta-feira] estava em casa à noite e atendi um pedido de uma senhora com sintomas graves da doença, usuária do Ipasgo, na cidade de Iporá. Vimos o que era possível ser feito. Se não tiver condição de atender no município, fazemos a remoção para Goiânia e regulamos para o Hospital Garavelo.

O ex-presidente do Ipasgo chegou a anunciar que as cirurgias eletivas seriam retomadas durante a pandemia se houvesse capacidade de atendimento. Esses procedimentos foram retomados?
Sim. Mas é óbvio que o instituto, por ser uma autarquia ligada ao governo, obedece a todos os critérios dos decretos que são determinados pelo governo estadual. Ficamos 14 dias fechados e agora ficaremos 14 dias abertos contados a partir da terça-feira passada. O que fizemos durante a quarentena 14 por 14 foi liberar 50% e suspender as cirurgias eletivas.

Principalmente cirurgia, porque se o paciente pode aguardar para se submeter depois ao procedimento não podemos ocupar um leito agora que podemos precisar para um paciente que esteja com Covid-19. Hoje estão todos os serviços normalizados, com obediência ao decreto do dia 30 de junho.

O que temos segurado são cirurgias bariátricas e agendamentos de perícias. Entendemos que os pacientes do Ipasgo que querem fazer cirurgia podem esperar um pouquinho mais, porque operar agora e, caso ocorra uma complicação, utilizará leitos que poderemos precisar para o atendimento da Covid-19.

Até o final de maio, a informação era de que 24 servidores do Ipasgo tiveram Covid-19, inclusive o então presidente Silvio Fernandes. O que o instituto tem feito para tentar dar mais segurança a quem trabalha no Ipasgo, mesmo com todo o risco que existe para quem atua na área da saúde?
A própria condição que o Ipasgo dá para o terceirizado e o colaborador já contribui. Aqueles que fazem parte de grupos de risco não estão trabalhando, tanto faz se efetivo ou terceirizado. A redução de circulação de pessoas no Ipasgo tem diminuído bastante. Um ou outro tem feito o testo e dado positivo, mas dentro do percentual que vemos no dia a dia, não só na cidade de Goiânia, bem como em todo o Estado de Goiás.

Sabíamos. O governador já alertava a população de Goiás que no final de julho, com base nos estudos realizados pela Universidade Federal de Goiás (UFG), no dia 27, provavelmente será o pico da pandemia no Estado. Essa também é a nossa expectativa. Por isso, estamos bastante vigilantes na condição de reserva de leitos. Recebemos diariamente às 17 horas um relatório da condição, o número de leitos disponíveis, para que possamos atender os usuários do Ipasgo.

O governo faz sua parte com o Hospital de Campanha. E o Ipasgo faz a sua parte ao conseguir leitos para colocar os usuários do instituto.

“Assim que assumi a presidência do Ipasgo, também recém-filiado ao DEM, o deputado veio fazer uma visita, desejar boas-vindas e se colocar à disposição”

Hélio José Lopes e Zacharias Calil - Foto Divulgação Ipasgo

“Conheci o dr. Zacharias Calil quando eu presidia a Apae em Anápolis, onde o parlamentar e médico já esteve. O deputado viu nosso trabalho na Apae, inclusive nos destinou uma emenda parlamentar de sua autoria” | Foto: Divulgação/Ipasgo

O sr. citou a questão das empresas impedidas de participar de licitações do Ipasgo por serem alvo de investigação da Polícia Civil por supostas fraudes nos serviços prestados ao instituto. Como o Ipasgo tem acompanhado o avanço da investigação?
Quando aceitei a incumbência, o convite do governador Ronaldo Caiado, fiz ao governador duas perguntas: o que Caiado saiba do Ipasgo e o que esperava de mim. Governador foi enfático de que, com a passagem do dr. Silvio, o Ipasgo apurou muitas coisas e que havia pedido ao ex-presidente para devolver o instituto aos goianos. Foi apurado.

Sei quem é o delegado. Ainda não tive, nestes poucos dias, a oportunidade de visitá-lo para acompanhar o inquérito do que está em apuração. O governo me deu total liberdade. O governador disse que me apresentaria o delegado para que possamos acompanhar a questão. Como recebemos o Ipasgo com efetivo muito pequeno, ainda não tive tempo porque a prioridade hoje é socorrer vidas, atender nossos usuários. A pandemia tem tomado muito tempo de nós no dia a dia.

O governador me disse que o Ipasgo virou caso de polícia, então a polícia resolva. Perguntei “o que o sr. espera de mim?”. “Que você dê continuidade ao bom serviço que o dr. Silvio fazia e seja o Hélio Lopes que conheci como presidente da Apae Anápolis.” Por isso aceitei o desafio.

Além da presidência da Apae em Anápolis, o sr. ocupou um cargo de vice-presidente das Apaes?
Temos em Goiás 57 Apaes filiadas à Federação das Apaes do Estado de Goiás (Feapaes-GO). Das 57 Apaes, temos 52 efetivamente abertas que fazem atendimento com reabilitação intelectual, com um pouco mais de serviço ou não, e também na área de educação. Fui pela segunda vez vice-presidente. Na última eleição, queriam que eu assumisse. Mas acabei por assumir a reeleição na Apae de Anápolis. Mesmo assim, fazia parte da federação.

Com a minha chegada ao governo, por ser de carreira jurídica também, pedi a minha suspensão por ser incompatível com a função e me desvinculei da Apae Anápolis, da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), da qual fazia parte do conselho consultivo, e também deixei a vice-presidência da Federação das Apaes do Estado de Goiás.

O sr. é advogado? Atual em qual área?
Faço atuação na área cível. Tenho uma banca de advocacia em Anápolis. Deixei com uma equipe composta por seis a oito pessoas.

Na segunda-feira, 13, durante a assinatura do novo decreto estadual, o deputado Dr. Zacharias Calil disse em pronunciamento ser favorável ao uso precoce da ivermectina no tratamento da Covid-19. Em resposta ao parlamentar, o governador brincou que Zacharias estaria empolgado com o assunto, mas que o Estado não tem como adotar um medicamento na rede pública que a Anvisa define que não tem comprovação científica de eficácia para a doença. Existe essa discussão no Ipasgo com os médicos que atendem pelo instituto?
As duas pessoas que você citou, tanto o governador Ronaldo Caiado quanto o deputado Dr. Zacharias Calil, são da área da medicina. Sou advogado, prefiro ficar fora dessa discussão. E no Ipasgo também não tratamos a respeito disso.

Como o sr. avalia a gestão do prefeito Roberto Naves (PP), que é pré-candidato a reeleição em Anápolis?
Sou amigo pessoal do prefeito de Anápolis, Roberto Naves, e do vice-prefeito Marcio Cândido (DEM). Roberto tem feito uma boa gestão, tem trabalhado bastante, inaugurado muitas obras, principalmente na área da saúde. O prefeito tem dado um grande respaldo para nossa cidade.

Espero, desejo e o acompanharei nestas eleições para que Roberto seja reeleito. Até porque o DEM e o PP caminharão juntos. Enquanto membro do partido e também com presidente do Ipasgo, não medirei esforços no sentido de apoio a candidatura a reeleição do prefeito Roberto Naves.

Qual avaliação o sr. faz da retirada da pré-candidatura do deputado estadual Antonio Gomide (PT), que foi prefeito por dois mandatos em Anápolis, por questões de saúde?
Para a discussão política seria muito importante. Antonio Roberto Gomide foi eleito em uma condição diferente de hoje. À época em que foi prefeito, tinha o irmão como deputado federal, que canalizava verbas para a cidade de Anápolis, tinha o governo federal, tanto na gestão do ex-preside Lula da Silva quanto de Dilma Rousseff.

Gomide, com uma ótima arrecadação no Distrito Agroindustrial (Daia), teve uma grande facilidade na sua gestão. Tanto que foi reeleito com quase 90%, quanto deixou a prefeitura para João Gomes e se lançou candidato a governador. Conversei por telefone com Gomide depois de publicada uma carta aberta à cidade, desejei melhoras. Sei que o deputado passou por duas cirurgias recentes.

Acredito que facilita a possibilidade de reeleição do Roberto Naves a saída de Antonio Roberto Gomide da disputa, embora PT tenha bons quadros em Anápolis. Me parece que já está definida a pré-candidatura da professora Maria Geli como nome do PT. Mesmo com Anápolis tendo até 12 pré-candidatos, acredito na reeleição do Roberto.

O DEM de Anápolis foi pego de surpresa com a investigação da Polícia Civil e a prisão do presidente municipal Carlos César Toledo (Cacai)? Como o partido recebeu as informações da investigações e como lidar com essa situação??
Particularmente recebi com surpresa. Estava no Ipasgo quando recebi a informação da operação e de que o Carlos Toledo havia sido preso. Não conheço o motivo, parece que o processo segue em segredo de Justiça. Acredito muito na figura do Cacai como um grande representante político, como presidente do DEM em Anápolis.

É uma pessoa que esteve algumas vezes comigo. Quando assinei a ficha de filiação partidária, Cacai estava à minha frente. Cacai que levou a ficha do partido, depois recebi o pedido do governador e acabei por me tornar filiado de um partido pela primeira vez. Aos 56 anos, não havia assinado nenhuma ficha de filiação partidária. Como disse a você, já tinha sido sondado em seis outros partidos.

Mas fiz a opção em razão das pessoas que conheci. Cacai é uma delas. Dr. Zacharias Calil, deputado federal José Mário Schreiner, o próprio governador. Aquilo que o DEM tem hoje na política goiana, avaliei como melhor é fiz a opção pelo Democratas.

Recebo com surpresa a prisão do Cacai. Como pessoa ligada ao direito, sou um advogado, torço para que haja o amplo direito de defesa, do contraditório e que Carlos Toledo possa se expressar e fazer a sua defesa da melhor maneira possível.

O sr. disse que a imprensa anapolina cogitou que poderia se lançar candidato a prefeito da cidade sem ter sido consultado. O sr. também disse que é amigo do prefeito Roberto Naves e que apoio a reeleição do chefe do Executivo de Anápolis. Mas quais são suas pretensões eleitorais?
Não. Na verdade, me filiei no final da janela partidária, por volta do dia 4 de abril. No movimento apaeano, para você colocar o nome à disposição, independente do cargo, a exigência é de desligamento quatro meses antes para concorrer a cargo no Executivo e seis meses para o Legislativo. Só temos eleições neste ano para prefeito, vice-prefeito e vereador.

Como me incompatibilizei na Apae quatro meses antes da eleição, no dia seguinte surgiu por parte da imprensa de que eu só poderia ser candidato a prefeito ou a vice. Isso pegou muito na cidade. Preferi ficar em silêncio porque só deixei o meu nome à disposição do partido. Nunca exigi nada. Tinha acabado de chegar ao DEM.

Inclusive o próprio Roberto Naves me ligou. Eu disse: “Fique tranquilo. Me filiei ao DEM, sou da base aliada. PP e DEM caminham juntos aqui, o que for definido pelo partido irei seguir”.

Quais prejuízos uma campanha eleitoral pode ter durante a pandemia? Qual é a mudança que a eleição durante o enfrentamento ao novo coronavírus irá exigir?
Todos os candidatos terão essa dificuldade. O próprio exemplo recente da eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com utilização de redes sociais. Imagino que seja isso que venha a ocorrer nas eleições para prefeito, vice-prefeito e vereadores. Aqueles que tiverem uma boa assessoria e trabalharem nas redes sociais muito bem serão bem sucedidos no pleito eleitoral.

Se a votação fosse mantida em outubro ou agora com a nova data em novembro, se a pandemia continuar em crescimento, principalmente em Goiás, a mudança da data não deve influenciar muito. Corremos sério risco de ter muitas abstenções em quase todas as seções.

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