Francisco Tavares: “Iris sabia muito bem o que dizia ao usar a palavra ‘administração'”

Para cientista político, prefeito de Goiânia não se equivocou ao afirmar que Daniel Vilela é quem deve chefiar Executivo municipal na ausência de Maguito

| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

“A fala de Iris Rezende (MDB) foi muito clara. Disse claramente sobre o gestor da cidade de Goiânia, porque falou em administração e não em transição.” Para o doutor em Ciências Políticas e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Francisco Tavares, a maior liderança emedebista em Goiás e prefeito de Goiânia tinha total convicção das palavras que usou.

Ao dizer que o presidente estadual do MDB e filho do prefeito eleito Maguito Vilela deve assumir a “administração da chefia municipal” na ausência do pai, que ainda está em tratamento no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Iris Rezende deixou claro que é Daniel quem deve comandar a Prefeitura de Goiânia, avalia Tavares. “Você tem autoridade, como filho, presidente do partido, enquanto seu pai estiver internado, para assumir a chefia da administração municipal”, disse Iris na segunda-feira, 30.

O cientista político diz que a resposta do partido foi rápida às afirmações de Iris Rezende. “Assim posto, Daniel Vilela pode ter total protagonismo no processo de transição. Quanto a isto não há qualquer impedimento formal.” Na entrevista ao Jornal Opção, Tavares avalia a disputa eleitoral de segundo turno em Goiânia, as estratégias adotadas na reta final pelos candidatos e a disputa de poder entre MDB e Republicanos na ausência do prefeito eleito.

As pesquisas na semana final da campanha de segundo turno em Goiânia apontavam uma vantagem de até 20 pontos para Maguito Vilela (MDB) nas intenções de votos contra Vanderlan Cardoso (PSD). A Serpes/O Popular de sábado, 14, já indicava uma tendência de queda na distância entre os dois candidatos. As pesquisas, por impedimento legal, têm dificuldade de mostrar o cenário do final de semana da eleição?
Precisamente. O que ocorre é que muitas vezes as pessoas dizem que as pesquisas têm errado muito ou que têm tido problemas metodológicos sérios. Há quem suspeite da própria idoneidade dos levantamentos. Não é bem disto que se trata. A quase totalidade das pesquisas acerta no que se propõe a medir. Do ponto de vista do tratamento estatístico de pesquisas, dois conceitos são muito importantes.

O primeiro é o que chamamos de índice de confiança, que geralmente é obtido por volta de 94% a 95%. Significa que se aquela pesquisa for feita cem vezes, em 95% das vezes estará dentro da sua margem de erro. Podem ocorrer situações muito pontuais em que a pesquisa efetivamente erra. A própria divulgação do levantamento indica isto. Em uma analogia um pouco forçada, digamos que de cada cem pesquisas bem feitas, tenhamos cinco ou seis que, no momento em que foram coletados os dados, fiquem fora da margem de erro. O que é absolutamente normal. O nível de confiança de 95% ainda é muito alto.

Em segundo lugar, as pesquisas têm margem de erro. Muitas vezes não olhamos para este dado, mas a margem de erro não está ali por acaso. É impossível coletar amostras da sociedade e ter total precisão em relação à sua totalidade. Brincamos que a boa pesquisa é como a colherada de uma sopa. Se a sopa estiver bem mexida, você dá uma colherada e sabe o sabor de toda a panela. Mas é claro que pode haver imprecisões. E é para isto que existe a margem de erro.

Em terceiro lugar, é importante perceber que a pesquisa costuma ser correta naquilo que se propõe a medir, que é exatamente o que você definiu na sua pergunta. Se a pesquisa mede o que ocorre na quinta-feira, é claro que não será necessariamente o mesmo quadro observado no domingo. Por que não é? Entre quinta e domingo, a campanha e a comunicação eleitoral continuam. As tendências que são desenhadas ainda podem produzir resultados.

Vamos pensar na pesquisa realizada pelo Ibope. Ela “destoou” em 12 pontos da margem de erro do último levantamento. É bastante verossímil acreditar que Vanderlan, ao longo dos últimos quatro dias, do momento do último levantamento realizado pelo Ibope e o momento em que as pessoas foram às urnas, cresceu aproximadamente dez pontos. É bastante factível de acreditar. Vanderlan adotou a tática de levantar o nome do vice. Pode ser que naquele momento tenha surtido algum efeito e permitiu um pequeno crescimento.

Ademais, há quem levante a hipótese – o que seria o quarto elemento – de que as pesquisas ainda teriam um pouquinho de erro além da margem porque têm dificuldade em captar a abstenção. Na hora de se fazer uma pesquisa, quando o entrevistador pergunta para a pessoa “você vai votar no domingo?”, pode ter ocorrido de receber respostas positivas de pessoas que não aparecem para votar, em especial por força do fenômeno da pandemia, onde as pessoas mais idosas tendem a não querer se expor, o que pode ter causado um erro amostral. Mas isto é uma hipótese, ninguém conseguiu provar esta situação até o momento.

A perspectiva é de que as pesquisas são bem calibradas. De modo geral, as pesquisas são confiáveis desde que olhemos devidamente para o que os levantamentos perguntam e entendamos suas ressalvas metodológicas.

A indicação de que Vanderlan teria oscilado positivamente 1,8 ponto até a sexta-feira, 27, e Maguito 0,2 ponto na última Serpes, indicava uma votação maior do candidato do PSD do que no primeiro turno. Tanto que a diferença foi de apenas 5,2 pontos nas urnas. Em algum momento, a estratégia equivocada de Vanderlan, que atirou para diferentes direções ao longo da campanha, chegou a se definir e acertar mais na reta final da disputa?
Não. Façamos uma analogia com o que ocorreu na eleição presidencial em 2018. Se este argumento fosse válido para Vanderlan agora, teríamos de dizer até hoje que Fernando Haddad (PT) teve uma excelente estratégia eleitoral em 2018 e, portanto, toda a produção teórica no mundo inteiro para explicar como um candidato outsider, vinculado à extrema direita, sem um partido político forte foi eleito no Brasil teria de acompanhar a seguinte ressalva: “Não. Mas Haddad cresceu muito no final. Estava indo bem. Se tivesse mais 15 dias venceria. Portanto, Haddad é uma espécie de vencedor moral das eleições”.

Com isto, não estaríamos a explicar tão bem a vitória de Bolsonaro porque daria a ideia de que Haddad cresceu no final. Na verdade, o tempo não é infinito. Eleições ocorrem no tempo. Quem vence sabe disto. Se a tática eleitoral de determinado candidato não cabe em uma situação específica de uma campanha de duas semanas de segundo turno, a tática eleitoral não é a mais acertada possível. “Se eu tivesse cinco anos de campanha eu conseguiria virar.” Isto é tão condicional, mas tão condicional, que ignora que, no momento em que você faz uma mudança na sua tática que produz um resultado eleitoral positivo, é de se esperar, de ato contínuo, que o adversário também responda a esta questão, que pode ter um resultado positivo ou negativo.

É o que chamamos de jogo eleitoral. O candidato moveu uma peça, certamente o outro também a moveria. Vanderlan explorou bastante a questão do vice de Maguito Vilela nos últimos dias. “Este vice não é exatamente o que vocês querem.” Obviamente, a campanha de Maguito Vilela poderia responder ao dizer que o vice tem uma ideologia, é evangélico, ligado à Igreja Universal, com projetos na Câmara mais ligados à direita, mas parecidos com as propostas de Vanderlan. A campanha de Maguito não explorou fortemente o fato de Vanderlan ter sido adversário de Iris Rezende (MDB) na campanha de 2016.

Como Iris tem alta popularidade e Maguito é do mesmo partido, isto poderia implicar em resultados eleitorais. A campanha de Maguito não descarregou todo o seu arsenal. Não acredito ser possível fazer análise eleitoral ao dizer “no final tal candidato cresceu e tinha a tática mais acertada”. Porque a eleição é delimitada no tempo. Portanto a tática acertada é aquela que entende que precisa vencer no tempo da campanha.

Goiânia teve um aumento considerável da abstenção. Foi a maior falta à votação proporcional de todo o Brasil no segundo turno, com 36,75% de abstenções. No primeiro turno havia sido menor, de 30,72%. O sr. deu declarações recentes de que uma das hipóteses pode ser também a confiança do eleitor do Maguito na vitória para não ir votar. Isto pode ter ajudado a aumentar a abstenção no segundo turno além da preocupação em sair de casa durante a pandemia?
Esta é uma questão interessantíssima porque Goiânia teve o não voto – abstenções somadas a brancos (2,69%) e nulos (6,23%) –, principalmente vindo de abstenções. Os brancos e nulos são parecidos com 2016 e 2018. Não houve crescimento acentuado de brancos e nulos. Goiânia teve um índice de abstenções muito elevado. Há quem diga que é mais elevado do que nas outras capitais do Brasil, portanto não tem relação com a pandemia, mas teria algo específico na cidade de Goiânia. Não é bem assim.

É mais elevado do que outras capitais no Brasil se olharmos o ranking. Mas aparece com 2% a mais do que a maioria das capitais. Bem próximo às abstenções (35,25%) da cidade de Campinas (SP), que tem um perfil demográfico muito parecido com o nosso. Se olhamos para o ranking, e quase todas as cidades estão empatadas, o fato de estar em primeiro lugar não quer dizer muita coisa do ponto de vista científico e político.

Muita gente tem difundido a tese de que o eleitorado goianiense deu um recado aos seus políticos de profunda insatisfação com o sistema. Gostaria muito de concordar com esta tese, mas em ciência política só se afirma se tiver base empírica. Ninguém produziu pesquisa em Goiânia para dizer que existe aquilo que chamamos na ciência política de malaise (desconforto ou incômodo no francês), que é uma mistura de insatisfação, revolta e apatia.

Para dizer isto, é preciso produzir grupo focal, fazer survey, comparar com períodos anteriores, isolar o efeito da pandemia, saber quem são as pessoas que não foram votar porque tinham medo de se contaminar, isolar os efeitos psicológicos de pessoas que mesmo ao respeitar ou se sentirem representadas pelo sistema acharam que seu candidato iria ganhar ou perder (“Sou Vanderlan. Como ele vai perder não vou votar” ou “sou Maguito, mas ele já ganhou, nem vou sair de casa”). Depois de isolar todas estas variáveis, é que se apresenta a variável da insatisfação com o sistema para ver o peso que tem. Isto não pode ser feito por intuição ou por palpite.

Qualquer pessoa que diga que o eleitor goianiense mandou um recado de que está insatisfeito dá um palpite que pode ter o mesmo valor de “o eleitor goianiense queria ver o jogo do Goiás”. Não faz o menor sentido. É preciso provar o que se diz de forma empírica. E até agora não há pesquisa neste sentido. E dizer que isto pode ser inferido porque Goiânia teve mais abstenção do que a média é olhar que o mais na verdade chega a no máximo 2% a mais do que o restante das cidades. Portanto não é relevante para produzir um argumento científico tão generalizador como este.

“A tática acertada é aquela que entende que precisa vencer no tempo da campanha”

“Não acredito ser possível fazer análise eleitoral ao dizer ‘no final tal candidato cresceu e tinha a tática mais acertada’. Porque a eleição é delimitada no tempo” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

O Brasil todo destacou a disputa atípica para prefeito em Goiânia porque o vencedor das eleições ficou ausente da campanha a partir de 22 de outubro por 38 dias internado e segue em tratamento das sequelas causadas pela Covid-19. O que pode explicar a vitória de um candidato ausente?
Esta talvez seja uma excelente questão para a ciência política daqui em diante. Porque a ciência política opera com acúmulos de informações e dados sobre acontecimentos do passado, a partir dos quais se encontram regularidades e partimos para as conclusões científicas. Ocorre que não há retrospecto de candidato que não participa de uma campanha por estar adoecido com uma doença associada a uma profunda crise sanitária que tem impactos políticos, como é o caso da Covid-19. É completamente sem precedentes.

A partir de agora, cabe aos cientistas políticos produzirem levantamentos para entender de que maneira isto influenciou na campanha. O levantamento deve partir de algumas hipóteses. A primeira seria o efeito empatia. As pessoas ficaram solidárias a Maguito Vilela em razão de um adoecimento que acomete boa parte da população. Com isto, se não votaram impulsionadas por esta empatia, não deixaram de votar. O eleitor pode ter pensado “eu quero votar neste candidato, estou solidário e não é porque ele está doente, eventualmente pode não assumir, que eu vou deixar de votar”.

Outra possibilidade é de que Maguito teria ainda mais votos do que teria e houve um receio do eleitorado por não saber se o candidato iria realmente se recuperar. Até porque as pessoas têm notícias de muitos conhecidos que não conseguiram se recuperar. Por isto, parte do eleitorado pode ter ficado receoso de votar em Maguito, assumir o vice, que o eleitor não sabe bem quem é, e resolveram não votar.

A terceira hipótese é a de que os dois elementos se anulam mutuamente. Algumas pessoas passaram a votar por empatia e outras deixaram de votar por receito. Na soma, Maguito teria recebido mais ou menos o mesmo número de votos que teria independentemente da sua participação nas eleições. É preciso trabalhar estas hipóteses para conseguir aferir o que ocorreu.

O interessante a perceber é que há uma novidade: um candidato que não pôde ir a debates, à campanha de rua, que não pôde participar das reuniões, que não pôde decidir a estratégia e ainda assim se elegeu. Isto é importante para começarmos a pensar qual é o papel do nome, do indivíduo, do candidato durante a campanha enquanto tal. Goiânia pode ser um caso para o mundo inteiro estudar da chamada profissionalização das campanhas. Não conseguiríamos imaginar nos anos 1950 ou 1960 os chamados políticos de palanque com a mesma campanha. Imagine Juscelino Kubitschek ou João Goulart a conduzir uma campanha sem a presença física do indivíduo que come mortadela e beija criança na rua. A campanha era isto.

Hoje as campanhas são altamente profissionalizáveis. Com isto, é possível vencer mesmo sem a presença do candidato. Goiânia se torna um caso para poder pensar a profissionalização das campanhas. Devem vir muitos cientistas políticos para nossa cidade para tentar, a partir do caso do Maguito, proferir alguma generalização.

O sr. apontou algumas hipóteses, mas muita gente apostou na ligação com a eleição de Jair Boslonaro (sem partido) em 2018 após o atentado que sofreu em Juiz de Fora (MG). De alguma forma é possível associar o que ocorreu com a saúde do presidente com a internação de Maguito?
Diria que não porque há diferença entre as situações. Do ponto de vista de potencial de influência sobre o comportamento eleitoral, são muito mais significativas do que semelhantes. Jair Bolsonaro não deixou de participar da campanha. Ao contrário. Depois do ato de violência pelo qual foi vitimado, Bolsonaro pôde ser seletivo e escolher qual ato de campanha participaria. Bolsonaro dava entrevista à Record, mas não participava do debate. Bolsonaro ia para um ato público, mas não dava entrevista para uma emissora que entendia não ser amigável. Bolsonaro participou da campanha.

Não tem qualquer comparação com Maguito Viela. Maguito estava acamado em um hospital, sedado e efetivamente não participou. Bolsonaro não saiu da campanha. Esta é a primeira diferença que é bastante significativa.

Há uma segunda diferença, que não é tão relevante, mas que também impacta. Bolsonaro foi vitimado por um ato de violência. Um dos grandes fatores de coesão, de unidade, na política é a constituição do outro inimigo. A política, seja na perspectiva do adversário, aquele inimigo que eu respeito, usa as mesmas regras do jogo, que eu não quero eliminar, mas vencer, seja na política do inimigo propriamente, que eu quero exterminar, acabar com o outro, a política tem uma lógica de conflito e que, portanto, os grupos se tornam mais coesos, mais apaixonados e mais envolvidos na medida em que têm o outro lado contra o qual operar.

Quando Bolsonaro sofre a facada, todo o discurso de que Adélio Bispo – autor da tentativa de homicídio – tinha sido filiado ao PSOL, de que o ato era uma conspiração, tornou o grupo mais inflamado, mais apaixonado e mais engajado na campanha. Uma pessoa que leva uma facada tem este efeito. Um vírus não. Um ato de violência é completamente diferente de um adoecimento causado por um agente patogênico. Com estas duas diferenças, o resultado do impacto no comportamento eleitoral não é equiparável. Não é possível metodologicamente encontrarmos semelhanças o bastante para dizer que são fenômenos da mesma natureza.

Dada a ausência de Maguito na campanha, principalmente no segundo turno, os erros e acertos da campanha de Vanderlan foram bastante analisados. É possível dizer quais foram os equívocos cometidos pela campanha do PSD em Goiânia?
A campanha de Vanderlan seguiu um caminho que frequentemente leva a problemas, se não a derrota, pelo menos à perda de muitos votos em campanhas eleitorais: enviar sinais contraditórios ao seu eleitorado. Em um primeiro momento, Vanderlan queria reivindicar o legado de Iris Rezende. Ora! O eleitorado sabe que em 2016 o senador concorreu contra Iris Rezende para a mesma prefeitura.

Mesmo que em 2018 pudessem começar a se recompor, a última eleição para a prefeitura apresentou uma disputa de projetos diferentes, contrários e rivais entre Iris e Vanderlan. Como Vanderlan poderia dizer agora que pretendia continuar o projeto contra o qual se levantou no pleito anterior? Isto leva um sinal contraditório para o eleitorado. Maguito, mesmo sem ter recebido o apoio expresso de Iris, pode dizer que é do mesmo partido. Iris, por sua vez, nunca desautorizou Maguito quando apresentava os vídeos. Vanderlan não conseguiu avançar nesta estratégia.

Se Vanderlan diz primeiro que irá continuar o legado e depois começa a criticar a gestão, o eleitorado fica meio perdido. Se é um eleitorado radicalmente oposicionista, pode tender ao não voto, mas não costuma embarcar fortemente por avaliar “Vanderlan disse lá atrás que iria manter o legado, não estou seguro quanto a isto”. Se é um eleitor situacionista, tampouco confia e fica com Maguito. Nesta história, Vanderlan não consegue avançar muito.

Em segundo lugar, a tática em relação ao adoecimento de Maguito não foi a mais adequada do ponto de vista de conquista do eleitorado. Dizer “talvez Maguito não assuma, talvez Maguito não vença” faz com que o eleitorado comece a se perguntar “o que isto me faz votar em Vanderlan”. Mais do que isto, será que esta estratégia não demonstra falta de empatia? Várias pesquisas nos Estados Unidos indicam que há uma correlação entre a chamada campanha negativa, crítica muito profunda ao adversário, e não comparecimento eleitoral.

Quando Vanderlan começa a simplesmente dizer que o outro candidato não irá assumir antes de apresentar seu próprio projeto como rival, como uma plataforma melhor de propostas, o que seria uma forma mais positiva de criticar, pode simplesmente tirar eleitores da urna, sem conseguir trazer eleitor algum para si. Esta é uma hipótese que aparece em outros lugares, vale a pena desenvolver.

E termina a campanha com envio de sinais contraditórios mais uma vez. Vanderlan diz que Maguito é do MDB, partido que costuma fazer coligação com o PT, é de centro-esquerda e Goiânia não gosta disso. Por outro lado, Vanderlan fala “olha quem é o vice, porque ele é quem vai governar”. O vice de Maguito é um político da direita, se não for da extrema direita, do Republicanos e da Igreja Universal, que apresentou projetos de direita na Câmara que não conseguiram passar porque eram inconstitucionais. O eleitor começa a refletir se Vanderlan é de direita ou de esquerda. Então Vanderlan começa a querer agradar a todos e pode ficar com pouca gente ao seu lado.

“Hoje as campanhas são altamente profissionalizáveis. É possível vencer mesmo sem a presença do candidato”

“Não conseguiríamos imaginar nos anos 1950 ou 1960 os chamados políticos de palanque com a mesma campanha. Imagine Juscelino Kubitschek ou João Goulart a conduzir uma campanha sem a presença física do indivíduo que come mortadela e beija criança na rua” | Foto: Divulgação/Campanha Maguito Vilela

Na estreia da propaganda eleitoral obrigatória de TV na sexta-feira, 20, Vanderlan adota tom propositivo, mas de uma forma que foi interpretada como agressiva, até mesmo autoritária. E apelou para pautas defendidas por radicais da extrema direita, representados por Gustavo Gayer (DC) no primeiro turno. Surgiram propostas como “Goiânia não vai ter lockdown”, algo que nunca foi discutido na cidade e no Estado, e que iria vacinar quem quisesse ser vacinado contra a Covid-19. Não mostra um pouco de contradição na campanha?
Não é exatamente contraditório, mas deu errado. Vanderlan olha para Adriana Accorsi (PT), que teve 13,39% dos votos e sabe que daquele eleitorado não virão votos. Aquele eleitorado possivelmente não compareceria, anularia ou votaria em Maguito Vilela. Sabe que a base petista não é de Vanderlan. Por outro lado, olha para um fenômeno que foi surpreendente em Goiânia. O candidato da extrema direita, Gustavo Gayer, estava nas pesquisas com 4% a 5% e termina o primeiro turno com 7,62%. Mais do que isto, sabemos que a extrema direita costuma ser mais coesa.

Se Gayer declarasse voto a Vanderlan e as redes de WhatsApp que o candidato do DC utiliza entrassem em uma onda do candidato do PSD, o senador conseguiria quase que todos os 7,6% de votos do nome do DC. E Vanderlan foi buscar os votos da extrema direita. O problema é que parece que não combinou com a Democracia Cristã. Gayer apareceu e disse “não vou votar em qualquer um dos dois”. A partir de então, Vanderlan podia acenar o quanto quisesse que a liderança mais autêntica já havia o desautorizado. A estratégia deu errado porque faltou um acordo prévio de bastidores.

Na segunda-feira, 30, o prefeito Iris Rezende disse após reunião com o vice-prefeito eleito Rogério Cruz (Republicanos) e o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, que quem tem legitimidade para ser o gestor enquanto o prefeito eleito segue internado seria Daniel. Como o sr. entendeu a declaração de Iris?
A fala de Iris Rezende foi muito clara. Disse claramente sobre o gestor da cidade de Goiânia, porque falou em administração e não em transição. Iris é uma liderança política com mais de seis décadas como governador, ministro de Estado, líder do movimento das diretas em Goiânia, prefeito por quatro mandatos. Portanto não dá para acreditar que Iris Rezende não utilizou o vocabulário apropriadamente e não saberia a diferença entre administração e transição. Iris sabia muito bem o que dizia ao usar a palavra “administração”.

O ponto era dizer que quem ganhou foi o MDB e que quem irá governar é alguém da confiança de quem ganhou. Iris pode ter dito o que é a vontade do prefeito, mas nosso País não é governado pela vontade de Iris. É governado pela Constituição Federal. Na Constituição, a sucessão do poder não é dinástica. Não é como em uma monarquia absolutista, em que o pai entrega o poder para o filho por vínculo sanguíneo. A sucessão do poder é de acordo com critérios e objetivos constitucionais.

O MDB e o próprio Daniel Vilela vieram fazer o esclarecimento rapidamente de que o presidente estadual do partido não assumiria o poder e nem poderia por impedimento legal. Assim posto, Daniel Vilela pode ter total protagonismo no processo de transição. Quanto a isto não há qualquer impedimento formal. Todos desejam muito que o prefeito eleito esteja recuperado por razões humanas, éticas e políticas. Porque foi eleito e é importante que o eleito governe aqueles que lhe depositaram o voto. No dia 1º de janeiro, se Maguito não estiver recuperado, quem assume o governo é Rogério Cruz. E ponto.

É assim que estabelece a Constituição e o artigo 109 da Lei Orgânica do Município de Goiânia. Portanto não há outra saída. Não existe a possibilidade de se fazer um acordo e dizer “irei governar como um preposto de Daniel Vilela, o que o presidente do MDB mandar eu farei”. A política não funciona assim e as normas não dispõem desta maneira. Acaso em 1º de janeiro Maguito ainda não tenha condições de assumir, o prefeito é Rogério Cruz.

Portanto, o prefeito em exercício irá querer negociar com o MDB para colocar o seu secretariado, irá conduzir as políticas públicas de acordo com as suas orientações e irá negociar com o Legislativo onde o Republicanos tem três e o MDB seis vereadores. Rogério continua tendo de fazer muita negociação. Mas Rogério será o prefeito e não Daniel Vilela, obviamente.

É possível retirar da fala de Iris Rezende que o MDB tem alguma preocupação com que direção o Republicanos pode dar à Prefeitura de Goiânia?
Claro que sim. O ex-presidente João Figueiredo, ainda na transição da ditadura militar para a nova república, disse que o problema dos acordos de cavalheiros antes de alguém assumir o poder é que depois que alguém senta na cadeira as coisas ficam bem diferentes. Se quisermos voltar mais no tempo, na virada do século XV para o XVI, o pai da ciência política Nicolau Maquiavel afirmava que se alguém recebe o poder de outra pessoa, seja pelo carisma, força econômica ou tradição, a primeira coisa que este alguém tentará fazer é romper completamente com aquele legado porque precisa imprimir uma marca própria ao governo.

É claro que assim que Rogério Cruz assumir, o prefeito em exercício irá dar as secretarias ao MDB, irá implementar parte do programa de governo, inclusive negociar com a Câmara porque não tem maioria. Mas Rogério Cruz será o prefeito. É no gabinete de Rogério que as pessoas irão negociar as políticas públicas. É claro que o MDB está receoso quanto a isto e tenta fazer uma disputa, ainda que nos bastidores, mesmo que em frases cifradas. É claro que tem uma tensão. É inquestionável.

O MDB, que no Congresso faz parte do Centrão, em Goiânia figura historicamente na centro-esquerda, até pela história política de Iris Rezende. Com a aliança entre o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o prefeito Iris, o MDB transita entre a centro-esquerda e a centro-direita a depender do momento. A pauta apresentada por Maguito é mais conciliadora, que tem a ver com o perfil institucional do prefeito eleito. O Republicanos representa a força de direita que o MDB não tinha junto às igrejas. Amplia a votação da chapa, mas com o Republicanos à frente da prefeitura o projeto político é outro. O que pode mudar do que foi apresentado para o eleitor na campanha para uma gestão Rogério Cruz?
O ponto é exatamente este. Rogério Cruz, caso assuma, não terá como implementar 100% de seu programa porque não tem maioria legislativa. Dito isto, o prefeito em exercício tentará implementar este programa e terá a cadeira de prefeito para assinar seus decretos, com a possibilidade de ter a iniciativa legislativa, de distribuir cargos de secretariado. Não será um teleguiado do MDB. Para formar o secretariado, Rogério Cruz irá negociar, mas a decisão passa pelo prefeito em exercício.

Precisamos entender de fato quem é Rogério Cruz. Não é um nome da centro-direita. É um nome de um partido que tem se destacado no Brasil para além do próprio Jair Bolsonaro como um dos principais sustentáculos da extrema direita. É a sigla da escola sem partido, da militarização das relações sociais, de uma concepção teocrática de poder. Se é verdade que Bolsonaro perdeu muito nestas eleições, o Republicanos cresceu. E cresceu nas campanhas que venceram com discurso de extrema direita. E também onde perdeu, como no Rio de Janeiro com Marcelo Crivella.

O fato é que o MDB em Goiânia hoje tem um problema. O partido tem um vice de extrema direita que eventualmente, mesmo que por algum tempo, pode governar. Isto muda completamente os rumos da administração pública em Goiânia.

O sr. citou que o Bolsonaro perdeu pelo crescimento de outros partidos de direita ou extrema direita, como DEM, PP e Republicanos, mas não podemos descartar a possibilidade de o presidente se filiar ao Republicanos, partido que abriga hoje os filhos Carlos e Flávio, e ser neste partido candidato a reeleição.
Não resta dúvida. Mas o nome de Bolsonaro sofre um revés nesta eleição municipal. O presidente não está liquidado, não está inviabilizado, mas as candidaturas expressamente apoiadas por Bolsonaro, com algumas exceções – como Roberto Naves (PP) em Anápolis –, não se elegeram. A votação de Carlos Bolsonaro foi muito menor do que a candidatura do PSOL com Tarcísio Motta para vereador no Rio. O que indica que em seu próprio núcleo de poder a família perde força. Bolsonaro, portanto, está enfraquecido.

A extrema direita não sai tão enfraquecida quanto Bolsonaro. Veja que o discurso de extrema direita conseguiu viabilizar candidaturas em capitais muito importantes como é o caso de Vitória (ES). O discurso de extrema direita impregnou até mesmo a campanha de candidaturas da esquerda, como foi o caso do João Campos, do PSB, em Recife (PE). O discurso da extrema direita esteve presente, ainda que menos do que em 2018. Se voltará em 2022 com Bolsonaro, seja em um partido como o Republicanos ou PSL, ou em uma outra liderança, como Sergio Moro, é uma disputa interna que irá se definir.

Mas o que está claro hoje é que a centro-direita, em uma situação de tensionamento com a centro-esquerda, compõe com a extrema direita. E fez isto pelo Brasil. Da mesma sorte, a centro-esquerda em uma situação de tensionamento, tende a compor com a esquerda, como se viu, por exemplo, em Porto Alegre (RS), em São Paulo e até mesmo em Fortaleza (CE). Há esta tendência de as forças caminharem coesas do centro para a extrema direita e do centro para a extrema esquerda.

“Há uma novidade: um candidato que não pôde ir a debates, à campanha de rua, que não pôde participar das reuniões e ainda assim se elegeu”

“Isto é importante para começarmos a pensar qual é o papel do nome, do indivíduo, do candidato durante a campanha enquanto tal” | Foto: Divulgação/Campanha Maguito Vilela

É possível acompanhar grande parte dos analistas que têm dito que a esquerda e o bolsonarismo são os grandes derrotados destas eleições municipais?
Não. Bolsonaro em 2018 e a extrema direita desde 2016 vinham em um ascendente. Bolsonaro começa a cair agora. A esquerda sofreu seu grande revés em 2016. Veja o número de prefeituras que o PT perdeu. Os gráficos são assustadores. A curva despenca. Em 2018 é eleito um candidato de extrema direita. A esquerda não consegue ter coesão no segundo turno. Ciro Gomes (PDT) vai para Paris. O discurso da extrema direita se torna muito forte.

Em 2020, a esquerda mantém posições ou começa a se recuperar. A esquerda projeta uma grande liderança nacional jovem como Guilherme Boulos (PSOL). Está em dia com o tema mais mencionado na campanha, que é saúde pública. Está em dia com um tema novo que surge e que Bolsonaro é claudicante, que é distribuição de renda e geração de emprego. A esquerda respira e apresenta um pequeno viés de recuperação, embora não tenha tido um desempenho eleitoral muito satisfatório. Já a extrema direita, que vinha em ascensão, começa a cair.

Ambos os resultados não são satisfatórios do ponto de vista eleitoral, mas um aponta uma manutenção de posições com viés de recuperação e outro aponta uma queda. Se virmos um filme, a esquerda parece começar a respirar e a extrema direita parece iniciar uma crise. A tendência é um pouco diferente dos dois lados.

Quem ganhou as eleições em 2020: o conservadorismo ou o Centrão? Ou é possível dizer que os dois são a mesma coisa?
O fato é que se pegarmos qualquer critério, mesmo os mais parcimoniosos utilizados nos Estados Unidos, com o plano cartesiano, para definir esquerda e direita, o nome Centrão é apenas uma licença poética. O que chamamos de Centrão não é nem centro-direita, é direita. Se você observar a política previdenciária que defendem, a política quanto a direitos sociais, de tributação, costumes, quanto a uso do corpo e liberdades iguais, por todos estes critérios o grupo chamado de Centrão cai na direita. O Brasil praticamente não tem hoje um centro político. O que temos é esquerda, centro-esquerda, direita e extrema direita.

A extrema esquerda é irrelevante, com PSTU e algo do PCO. O PSOL fez um giro para a centro-esquerda, bastante institucionalista, com defesa da ordem constitucional. Falar em centro político no Brasil, como Angela Merkel (Alemanha), Joe Biden (Estados Unidos), o líder do Partido Trabalhista da Inglaterra, Jeremy Corbin, e os liberais democratas ingleses, é algo que não existe no nosso País. O que chamamos de Centrão hoje é a direita conservadora. E a direita conservadora sai vitoriosa deste processo eleitoral.

Em 2002, esta direita precisou fazer um acordo com a centro-esquerda e se tornou governo, quando o PL de José Alencar e a própria Igreja Universal foram compor com Lula da Silva (PT). Lembremos que Marcelo Crivella foi ministro do governo Dilma Rousseff (PT). A mesma direita, que precisou compor com a centro-esquerda em determinado momento, hoje não. Hoje sai vitoriosa do processo eleitoral. E quando compõe, o faz com a extrema direita, como vimos nas alianças de segundo turno.

O Centrão pode ser entendido como um apelido carinhoso para tentar substituir a sigla BBB, das bancadas do boi, da Bíblia e da bala?
É um termo que vem do processo constituinte em 1988, quando a sociedade civil ascendente, aquilo que Eder Sader chamava na literatura das ciências sociais dos anos 1980 de novas personagens que entram em cena – movimento das comunidades eclesiais de base, movimentos indígenas, movimentos feministas, movimentos dos trabalhadores sem terra e sindicatos –, começa a pressionar o processo constituinte.

Certo grupo de parlamentares se organiza para refrear aquela profusão de direitos civis e sociais que caminhavam para a Constituição. Em algum momento, aquilo é apelidado de Centrão. O Centrão sempre foi direita do ponto de vista da classificação ideológica em um espectro que vai da esquerda à direita. Centrão sempre foi isto. Agora a palavra volta a ser utilizada. Pelo menos desde o impeachment de Dilma em 2016.

De Sarney em diante, temos exemplos de como o vice na composição de chapa é completamente diferente ao espectro ideológico e as bandeiras defendidas pelo candidato a presidente. O eleitor se preocupa de fato com a figura do vice?
Temos poucos estudos neste sentido. Conversava com colegas que estudam comportamento eleitoral diariamente. Não conseguimos encontrar pesquisa científica que indague o eleitor se ele se lembra quem era o vice da chapa em que votou ou se durante a campanha sabe quem é o vice e qual é o seu espectro ideológico. Precisamos começar a produzir pesquisa científica sobre este assunto.

A figura do vice na nossa realidade institucional e política é de primeira relevância. Mas a melhor hipótese é de que esta relevância não está necessariamente correlacionada com a maneira como o eleitorado se comporta. O eleitorado olha para quem se candidata e não propriamente o vice. É uma hipótese que precisaria ser testada.

Quanto à ideia de que vices em geral são de espectros ideológicos um pouco diferentes das candidaturas, é uma decorrência quase necessária do nosso processo institucional. É necessário ampliar para conseguir obter mais votos e se viabilizar eleitoralmente. É uma característica institucional da nossa democracia e irá ocorrer por muito tempo.

Há exceções na história, como a eleição de Jair Bolsonaro, que tem um vice tão de extrema direita [Hamilton Mourão (PRTB)] quanto o presidente. Este é um ponto fora da curva. Não é a regra da nossa prática institucional.

A última rodada da pesquisa Serpes/O Popular de intenção de votos trazia os dados da quantidade de eleitores de cada candidato no segundo turno que sabia quem era o vice da chapa que votaria. 70% dos eleitores de Maguito não sabiam quem era o vice e 67% dos que votariam em Vanderlan desconheciam o nome do vice. Discutir quem é o vice da outra chapa fica inviável quando o eleitor nem sabe quem são os candidatos a vice?
Tenho uma dúvida. Li rapidamente a pesquisa Serpes e não prestei atenção com relação ao questionário. O questionário oferecia uma cesta de nomes e pedia para o eleitor identificar quem era o vice, o questionário perguntava quem era o vice e abria para o eleitor responder nominalmente quem era ou o questionário só perguntava “você sabem quem é o vice”?

A pergunta era “você conhece o candidato a vice-prefeito do seu candidato a prefeito de Goiânia?” e as possíveis respostas “sim”, “não” e “não opina”.
Esta pergunta tem um erro metodológico em termos de aspectos cognitivos no survey que é trivial. Tem um viés de confirmação. Quando se faz um survey, a pessoa que é entrevistada tende a buscar o que se chama de resposta certa. A pessoa entrevistada acha que está sendo avaliada e quer acertar aquilo que é bom, socialmente desejável, que o entrevistador pergunta.

Tanto que quando você faz pesquisa de comportamento ninguém para uma pessoa na rua e pergunta “você usa drogas?” porque quase ninguém irá responder que sim.
Se você pergunta “você sabe o nome do vice do seu candidato?”, é socialmente reprovável a pessoa dizer que não. Eu não formularia a questão desta maneira. Se ela foi formulada desta maneira, não aproveitaria a resposta para extrair conclusões.

A grande dúvida é saber qual projeto passará a gerir Goiânia a partir de 1º de janeiro, pelo menos inicialmente.
Tudo depende do quadro clínico de Maguito Vilela. Por uma questão humana, todos nós desejamos que o prefeito eleito se recupere bem e o quanto antes. Há uma questão ética acima de tudo.

Até porque é o projeto que o eleitor escolheu.
Exato. Isto é a democracia. As pessoas votaram. Gostemos ou não de Maguito Vilela, questões pessoas pouco importam a partir de agora, é o prefeito eleito e é quem deve governar.

“Iris pode ter dito o que é a vontade do prefeito, mas nosso País não é governado pela vontade de Iris. É governado pela Constituição Federal”

“Na ausência de Maguito Vilela, Rogério Cruz será o prefeito. É no gabinete de Rogério que as pessoas irão negociar as políticas públicas. É claro que o MDB está receoso quanto a isto e tenta fazer uma disputa, ainda que nos bastidores, mesmo que em frases cifradas” | Foto: Reprodução/Instagram

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