“Estou há 30 anos no Congresso e nunca vi uma crise tão intensa quanto essa”

Senadora confirma que assumirá a presidência do PSB em Goiás e relata que, em 2018, estará à disposição do partido tanto para disputar reeleição no Senado quanto para se candidatar ao governo

Senadora Lúcia Vânia em entrevista ao Jornal Opção | Fotos: Fernando Leite

Senadora Lúcia Vânia em entrevista ao Jornal Opção | Fotos: Fernando Leite

“A crise não foi inteiramente debelada, pois não há conjunção de esforços entre Senado e Câmara. Um aprova e o outro desaprova”. A fala é da senadora Lúcia Vânia. No Congresso há quase três décadas, ela classifica o atual momento do País como o pior dos últimos anos, sobretudo no que diz respeito à economia, diretamente afetada pelo ajuste fiscal, “conduzido de forma atabalhoada pela presidente Dilma Rousseff (PT) e atrapalhado pelo Congresso”.

A entrevista ao Jornal Opção foi concedida na segunda-feira, 17. Neste dia, Lúcia ainda estava sem partido — sua filiação ao PSB está marcada para o dia 26 de agosto — mas já admitia assumir, a convite de Vanderlan Cardoso, a presidência da sigla. O objetivo: usar sua experiência para fortalecer o partido no Estado.

Assim, é inevitável a pergunta: em 2018, irá à reeleição no Senado ou disputará o governo de Goiás? “Me colocarei à disposição para o que o partido exigir de mim. Se for necessário disputar o governo, eu irei; se for preciso continuar no Senado, também”.

Marcos Nunes Carreiro – Milhares de pessoas foram novamente às ruas manifestando insatisfação. Esse movimento é contra o governo ou contra a política em geral?
A insatisfação das pessoas é com as duas coisas. Primeiro com a economia. Quando a economia vai mal, tudo fica mais difícil. Em relação à política, está muito ligado à forma como foi estruturada a campanha eleitoral, cujo resultado foi quase de igualdade com candidatos que tiveram propostas diversas: um mostrando que havia necessidade de ajustes e que a inflação estava dando sinais (Aécio Neves, do PSDB); e a outra dizendo que isso não era verdade, que estava tudo bem e era maravilha (Dilma Rous­seff, do PT). Isso gerou uma frustração e intensificou a má vontade, a descrença da população com a classe política. Ficou claro que o político, para ganhar a eleição, vende mentira. As pessoas ficaram irritadas e generalizam.

Euler de França Belém – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está sugerindo que a presidente Dilma renuncie. O que a sra. acha disso?
Renúncia é decisão pessoal. Recuperar a confiança para o País voltar a crescer, para o País sair do buraco, é muito difícil para uma presidente que tem um porcentual muito baixo de aprovação. Fer­nando Henrique é extremamente moderado e muito respeitoso com seus adversários. Então, se ele está sugerindo isso, mostra a gravidade do problema que vivemos. De fato, a situação é grave; muito mais grave do que os goianos podem perceber. Quando se vai a São Paulo, se vê a indignação das pessoas. É visível, assustador. Em Goiás, a coisa é mais amena. Talvez por ser um Estado muito vinculado à agricultura e pecuária, setores que reagem muito rápido, a percepção da crise aqui é muito mais suave que em outros Estados. Recentemente, estive no Nordeste e vi, em Pernam­buco, que a percepção da crise é muito aguda. O discurso dos governadores é preocupante. A nossa região Centro-Oeste é privilegiada pela força da nossa pecuária e agricultura, mas nos outros Estados há uma percepção da crise muito mais intensa.

Cezar Santos – A Agenda Brasil do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), distendeu um pouco a tensão?
Sim. Antes da agenda, a perspectiva de melhora era quase zero, devido ao confronto do Parlamento com o Executivo e também certa incompreensão do Judiciário. Estávamos no pico de uma crise institucional. Aquela semana foi um pouco mais amena, sinalizando a possibilidade de um rumo, o que é esdrúxulo, pois não vivemos no parlamentarismo e o protagonismo da mudança nasceu no Parlamento, no Senado especificamente. Não sei como o Executivo, que deveria ter proposto essa agenda, mas não o fez, vai lidar com isso. Como não fez, o Parlamento aproveitou.

Cezar Santos – Mas, até nisso, há a marca da divisão. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que a agenda é só espuma e que, das 28 propostas, 19 já estão em tramitação no Congresso. Ou seja, a crise persiste. Como fica?
A crise não foi inteiramente debelada, pois não há conjunção de esforços entre Senado e Câmara. Um aprova e o outro desaprova, com exceção da proposta que trata da reforma do ICMS. Mas eu não concordo com o presidente da Câmara quando diz que as propostas são apenas espuma. Há ali coisas muito importantes que podem ajudar a superar esse momento difícil. É melhor que ficar votando aumento da folha de pessoal num mo­mento em que a arrecadação cai e não tem como pagar. As pessoas vão acompanhar as votações, querem que nós aprovemos, mas não há como pagar. Aí dizem: “Ah, mas e o dinheiro que foi para o ralo (da corrupção)?”.

É verdade, há um dinheiro que foi para o ralo, que poderia melhorar to­da a situação, mas infelizmente esse recurso foi embora. Está se buscando trazê-lo de volta, mas isso é lento e não resolve o problema neste momento. Agora, é difícil pedir um sacrifício para a sociedade, quando as pessoas veem que bilhões de reais foram desviados. Aí as pessoas ficam sem disposição para ajudar a superar a crise, porque elas ficam muito indignadas com o que estão vendo. Estamos em um ciclo do qual não sabemos como sair e certamente é nessa visão que o presidente Fernando Henrique faz uma sugestão tão forte de renúncia da presidente. A crise é grande e vem acumulada, não se vê saída. Há uma crise política, econômica e ética. E a falta de confiança agrava tudo.

Marcos Nunes Carreiro — O impeachment, pelo jeito, vai ficando cada vez mais improvável. A saída da presidente Dilma, pela renúncia, adiantaria?
Euler de França Belém – Acres­centando, diferentemente do que muitos dizem, a saída de Dilma não acarretaria uma crise institucional. Aconteceu com o Collor de Mello, em 1992, e não houve crise institucional. Depois houve a recuperação econômica e política.
As circunstâncias são totalmente diferentes. Collor não tinha partido, não tinha sustentação parlamentar, estava solto. Veio a crise, ele saiu sem nenhum problema e as instituições funcionaram perfeitamente. A presidente Dilma tem a base do PT. Quando a situação complica, Lula vai à frente, assim como o partido. Eles podem até divergir, pois Dilma não é a presidente dos sonhos dos petistas, mas é o PT que está no poder com ela.

No PMDB existem divergências também: Renan Calheiros tem uma posição, Eduardo Cunha tem outra. Também há divergências no PSDB, que praticamente é a oposição isolada, já que o DEM tem pouca representatividade no Congresso. O PSB fica em posição de independência; o PPS também tem pouca representação parlamentar. No PSDB, há três linhas de pensamento: uma pelo impeachment; uma que acha que não é por aí, que ela deve sair por outro caminho; e há os que pregam a necessidade de fazer um acordo para o País continuar crescendo.
No Congresso, a tese de im­pe­achment não se dá, primeiro, porque não há na população um apelo como houve no governo Collor, comandada por partidos e por segmentos da sociedade, pelo impe­achment de Dilma, embora a aprovação dela seja muito baixa. Com Collor, a sociedade deu um grito, o Parlamento correspondeu e a falta de lastro partidário do presidente facilitou isso. Hoje, os instrumentos legais pelo impeachment não foram claramente absorvidos pelo Con­gresso e pela sociedade.

Lúcia Vânia: "A crise não se chama somente Dilma Rousseff; a crise se chama PT. Mas é inegável que ela tem um porcentual enorme de responsabilidade nisso” | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Lúcia Vânia: “A crise não se chama somente Dilma Rousseff; a crise se chama PT. Mas é inegável que ela tem um porcentual enorme de responsabilidade nisso” | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Cezar Santos – Mas há a questão do julgamento das contas, as pedaladas fiscais, fora o abuso de poder econômico na campanha do ano passado.
É certo que há um impasse, uma dificuldade em relação às contas da presidente, mas o Tribunal de Contas da União julgou contas de outros governos recentemente, passando por cima de determinadas coisas que não estavam regulamentadas. Na questão de abuso de poder econômico na eleição, é preciso que haja provas contundentes, senão a Justiça não se manifesta. Às vezes, a sociedade fica inquieta, acha que o Congresso não está fazendo o que deveria. Mas, na verdade, não há nem no Congresso nem na sociedade ainda aquela disposição para levar ao impeachment. Talvez seja por isso também que o presidente Fernando Henrique aconselha Dilma a renunciar.

Euler de França Belém – Como acreditar no Congresso quando os presidentes da Câmara e do Senado também são investigados pela Operação Lava Jato?
É por isso que digo que essa crise é diferente da que envolveu Collor. Agora a crise é econômica, política e ética. As circunstâncias são diferentes. Estou há 30 anos no Congresso, passei pelos presidentes José Sarney [1985-1990], Collor [1990-1992], Itamar Franco [1992–1994], Fernando Henrique [1995-2002], Lula [2003-2010] e Dilma [2011 até agora], e posso dizer que nunca vi uma crise dessa intensidade. Passei pelo impeachment de Collor [na verdade, ele renunciou antes do impeachment, mas o processo não parou no Con­gres­so], pela derrocada do Plano Cru­zado, que foi algo duro, mas com essa intensidade, é a primeira vez.

Euler de França Belém – O que nós todos queremos saber é: para onde vamos?
Cada semana é uma semana. É muito difícil fazer uma previsão, mesmo porque o ajuste, uma questão que a gente imaginava que faria de uma vez, e que dentro de três a quatro meses já daria resposta, foi feito de forma muito atabalhoada por parte da presidente. O Con­gres­so não colaborou, não fez e não quis fazer. A economia não se recuperou como o esperado. A expectativa era que no segundo semestre haveria um alívio. E a perspectiva dá conta de que teremos problema no próximo ano. Nós vamos arrastar esta crise no próximo ano.
É preciso que haja uma saída, e ela precisa nascer no Congresso. Se afastada a presidente, assume Michel Temer. Isso seria fácil, já que ele tem uma base parlamentar, mas esta mesma base é dividida, não tem unanimidade. Se tivesse uma base unida, se o PMDB fosse unido, seria mais fácil. E acontecendo isso, não há saída. Cada semana tem uma intensidade diferente da outra. Semana passada nós tivemos uma ligeira distensão. Imaginamos agora que, ao terminar de votar o ajuste, dá para fazer algumas reformas que serão bem-vindas para o próximo ano.

Euler de França Belém – A imprensa já parece estar mais moderada.
Quando Renan Calheiros propôs uma agenda, ela não nasceu do nada, mas saiu de um grupo de empresários, tanto da Fierj [Fe­deração Israelita do Rio de Janeiro] quanto da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], que foi ao Congresso Nacional. E eles disseram: “Nós estamos hipotecando o País”. Então, naquela semana foi dada a primeira luz de que não poderíamos continuar da forma como estávamos, ou seja, votando sem ter uma saída para esta crise, que é tão grave.

E mais: Renan não fez a agenda por vontade própria. No Senado, há muitos ex-governadores e ex-ministros. Havia uma inquietação no plenário. Ninguém estava bem e todos achavam que deveria haver uma saída. Somou-se a isso, esta manifestação dos empresários que estão demitindo e sem confiança para investir. Isso não pode continuar mais. Foi daí que nasceu o primeiro movimento para ajudar no sentido de sair da crise econômica. A crise política permanece. O presidente da Câmara discorda da agenda e tem a visão de que é preciso a­postar no quanto pior melhor. Al­guns segmentos da sociedade também têm essa percepção. Mas há segmentos que acreditam que, ao avançar na melhoria da crise econômica, as coisas vão se ajustando.

Frederico Vitor – Se a economia der sinais de recuperação, a presidente Dilma conseguiria também se recuperar politicamente?
Não. As pessoas acham isso porque, quando houve o mensalão, Lula sofreu um desgaste enorme. No entanto, logo depois, a economia foi se recuperando e ele se recuperou junto. Só que agora, além da crise econômica, existe a crise ética. Essa não se recupera tão fácil. Por mais que a economia venha a melhorar, os partidos que estão envolvidos nessa situação da Petrobrás, dificilmente terão uma recuperação. E isso, de certa forma, se estende à classe política como um todo e a todos os partidos. Ninguém sai ileso disso. Vai depender mais de um nome do que de um partido.

Cezar Santos – O nome da crise não é Dilma Rousseff? Ele já deu mostras demais de que não tem a mínima habilidade política para governar um país complexo como o Brasil.
Que ela tem um porcentual enorme de responsabilidade nisso, não tenho dúvidas, mas não é somente ela. A crise não se chama somente Dilma; ela se chama PT. É um partido orgânico que montou todo um procedimento político de sustentação do poder, que é um movimento único visto no País. É algo orgânico, de sustentação do poder e que assusta as pessoas. Tudo isso não nasceu só com ela, mas foi sendo construído ao longo do tempo. Jogar a responsabilidade toda para ela é um equívoco, embora ela tenha uma responsabilidade grande, principalmente ao não trabalhar a crise de 2008.

Cezar Santos – Ela ocupava cargos-chave no governo Lula.
Mas isso vem sendo construído ao longo do tempo, ela não é a única responsável. Tanto é que, quando a coisa fica bem preta, todos se juntam para assegurar a posição. É uma crise, na minha visão, muito mais complexa do que as pessoas percebem. Ela tem a implicação de todo o sistema que foi montado para sustentar o poder.

galeriaMarcos Nunes Carreiro – A sra. disse anteriormente que o PSDB está dividido em três linhas principais. Essas linhas partidárias geralmente costumam ter líderes. Quem são os “cabeças” dessas linhas?
A grande dificuldade é que não tem um líder. São correntes, às vezes quando há essas divisões, cada um acha que seu projeto é mais importante do o outro. Não existe um líder. Vaja o exemplo de Ulisses Guimarães, quantas crises ele lidou e passou. Jamais pensamos que um dia iriamos dar conta de fazer uma constituição. Ele habilmente foi montando aquilo e foi construindo. O que Michel Temer [vice-presidente] disse recentemente é verdade: a grande dificuldade hoje é que não há uma pessoa para unificar o Brasil.

Marcos Nunes Carreiro – A sra. sempre foi reconhecida como um quadro importante do PSDB. Qual foi o real motivo de sua saída?
Sempre tive certa dificuldade com o partido em si, não com as pessoas. Sempre precisei de um espaço para que pudesse mostrar meu trabalho. Se o político não mostra o que faz, as pessoas acham que você não faz nada. É preciso ter um espaço para mostrar este trabalho e abrir portas para outros. Vocês sabem que, no meu primeiro mandato como senadora, tive dificuldades em mostrar meu trabalho; no segundo, a mesma coisa. De certa forma, estava no partido há mais de 20 anos e sem muitas formas de me movimentar e crescer. À medida que isso acontece, há dois caminhos para serem seguidos: ou você se conforma, ou procura uma mudança para expressar sua experiência e sua visão de mundo. Me sentia engessada, pois não tinha espaço para dividir a experiência que tenho.

Um exemplo: eu tive, no início desta administração, a oportunidade de ocupar um espaço importante na mesa diretora do Senado. Fui convidada por méritos de trabalho. No entanto, o partido me negou esta oportunidade, inclusive colocando em dúvida um voto meu. Eu não poderia aceitar isso. Você pode andar por este Estado inteiro e verificar que uma das bases de minha sustentação política é a credibilidade. Não prometo aquilo que não posso fazer. Assim, de repente, o partido põe em risco o meu voto; eu que tenho 20 anos neste partido, que ajudei a criá-lo. As pessoas me viram fazer campanha para Aécio Neves. Fui para a rua como se a candidatura fosse minha.

E o espaço na mesa diretora não era da Lúcia Vânia, mas da região Centro-Oeste. Nós temos uma economia avançada e estamos ajudando no equilíbrio da balança comercial, mas não temos uma representação política que nos permita dar força a este desenvolvimento. E não é tendo uma visão nacional de debate e de discurso que nós vamos conseguir isso, mas abrindo espaço para que nossa economia e desenvolvimento possam ser vistos no País. Portanto, tive esta oportunidade de estar na mesa do Congresso Nacional, na mesa do Senado da República, para abrir as portas para nossa região, mas isso me foi negado pelo partido de forma estúpida e cruel.

Cezar Santos – Não é a primeira vez que a sra. reclama de falta de espaço no PSDB. Porém, quando quis ser candidata à prefeita de Goiânia, a sra. foi a escolhida.
Fui escolhida naquela ocasião porque era o nome mais palatável. Eu não era candidata à prefeita. Jovair Arantes (PTB) foi quem se colocou como candidato. Nós fomos a uma reunião no Palácio e eu estava lá para hipotecar a candidatura de Jovair, mas saí candidata. Veja bem como é a condição do partido: saí candidata, mas Nion [Albernaz] não aceitou. Houve uma divisão ali. Ou seja, não foi uma candidatura trabalhada. Naquele momento, meu nome era o mais fácil para ser passado à sociedade, mas não era algo que o partido tinha me preparado para assumir. Eu nunca tive uma oportunidade para me apresentar. Veja bem: eu disputei o governo uma vez, mas esta disputa foi como se fosse um favor. Tem uma frase engraçada que se repete a nível nacional: “O partido já ofereceu tudo para ela”. Mas não se vê falarem isso para os outros. O que o partido ofereceu para os outros? Por que não cobra dos outros? Por que eu tenho que ser sempre cobrada pelo que o partido está me oferecendo? (enfática) Se fui candidata ao Senado, ao governo e à Prefeitura, foi muito em função deste trabalho. Não foi porque alguém chegou e disse: Lúcia Vânia é minha candidata. Nunca tive isso.

“Goiânia precisa de alguém eficiente na prestação de serviço”

Cezar Santos – Ninguém fica 30 anos no Congresso se não tiver uma larga experiência. É preciso ter uma visão muito à frente. Sua saída do PSDB não se deu por uma possível antecipação por parte da sra. de que não teria espaço na sigla para disputar a reeleição em 2018?
Existem duas visões sobre os políticos: a de vocês e a dos próprios políticos, que fazem política por vocação, por achar que esse é o caminho para fazer algo de útil para a sociedade. Embora as pessoas não acreditem muito nisso, essas pessoas existem e eu sou uma delas. Eu não precisava estar na vida pública; poderia ter escolhido outra coisa para fazer profissionalmente. E se analisarem a minha história, verão que mudei o rumo de Goiás. Se nós temos o FCO [Fundo Constitucio­nal de Financiamento do Centro-Oeste], é porque eu fui constituinte para ajudar a formá-lo. Da mesma forma, temos um fundo de irrigação. Construí um novo fundo de infraestrutura, que hoje dá R$ 1,4 bilhão para a região.

Então, temos uma série de ações importantes para ajudar a mudar Goiás. Acompanho cada passo que o Estado dá. Não tenho outra atividade na minha vida. Passo 24 horas no Congresso Nacional e fiz disso uma opção de vida. Por que eu olharia 2018, se no passado eu não tive garantia da minha vaga? Em nenhum momento eu tive. Quando fui ao Senado pela primeira vez, disputei com Henrique Meirelles. Essa vaga não me foi dada, apesar de eu estar disparadamente na frente nas pesquisas. Isso porque eu dou assistência (enfática). Você pode andar no Estado inteiro e, se não encontrar um trabalho meu, eu deixo de ser senadora. Faço um trabalho sério e faço por inteira dedicação.

Se eu não for buscar, esse espaço não virá. Infelizmente, a política não é movida a mérito, mas principalmente a dinheiro. E eu nunca fiz campanha com dinheiro. Sempre fiz campanha com recursos escassos em relação aos outros. Então, não é por esse lado que as pessoas devem me julgar. Não é pelo espaço garantido, mas pela vontade de ter um espaço que possa me dar força para avançar naquilo que acredito para o Estado e que tenho condições de ajudar a desenvolver.

Por exemplo, quando fui secretária nacional de Assistência Social, implantei o Programa de Erradi­cação do Trabalho Infantil (PETI). Imagine quantas crianças eu vi sair do trabalho forçado e ter a oportunidade de estar em uma faculdade. Criei a Lei Nacional do Idoso. Essas pessoas antigamente viviam nos asilos; hoje, em todo o País, é possível ver os centros de convivência, em que eles têm um lugar para ter aulas, dançar e fazer coisas importantes para eles. Fui relatora da Lei Maria da Penha, que é conhecida no Brasil inteiro. Assim, eu posso citar centenas de ações, que me gratificam como ser humano. E isso é a razão da minha vida. Ninguém vai me ver viajando às custas do Senado. Quando eu vou é por minhas custas. Eu tenho um cuidado com a minha vida parlamentar, porque este é o maior patrimônio que eu tenho.

Não é fácil ser parlamentar. Não quando se trabalhar, pois a pessoa fi­ca muito exposta. Então, para mim, quando acontece algo que venha a atrapalhar minha vida pública, dói muito.

IMG_0831

Senadora Lúcia Vânia em entrevista ao Jornal Opção: “Uma aliança natural vem com o fortalecimento do candidato. Se o candidato não se fortalecer, a aliança será feita por outros motivos e não por convicção”

Cezar Santos – Mas por que o PSB? A sra. foi sondada por outros partidos, como o PMDB.
Fui convidada por vários partidos e escolhi o PSB por achar que tenho uma relação muito boa com a bancada de senadores. Acho que, em Goiás, o partido tem tudo para crescer com a minha experiência e é dirigido por uma pessoa que respeito muito. Vanderlan Cardoso é um empresário e uma pessoa de bem. Atualmente, os partidos não são tão ideológicos quanto eram no passado, embora o lado social sempre tenha sido o motor da minha atividade política. Então, me sinto bem no partido. Me relaciono muito bem com todos os partidos, pois nunca agredi as pessoas. Se faço alguma crítica, é política e não pessoal.

Hoje [segunda-feira, 17], por exemplo, fiz uma reunião com todos os presidentes de partido no meu escritório para discutirmos um pouco sobre a reforma política, principalmente a participação da mulher. Estiveram presentes PP, PMDB, PSDB, todo mundo lá. Isso porque eu não tenho nenhuma divergência com as pessoas. Eu costumo dizer que eu tenho partido no dia em que eu subo no palanque. Terminada a eleição, qualquer pessoa pode ir ao meu gabinete. Nunca perguntei a um prefeito a qual partido ele pertencia. Se ele vai lá com uma demanda, encontrará toda a liberdade.

E é preciso dizer que a atividade política ainda é vista como eminentemente masculina. Porque a relação da mulher com o poder é muito diferente da do homem. A mulher tem mais suavidade na divergência. Usa a tribuna com muito mais leveza. O homem é mais agressivo. En­tão, não é fácil para uma mulher es­tar na vida pública por 30 anos. An­tes da Constituinte, eu fui primeira-dama do Estado, fui primeira-dama de município. Eu sei o que é a vida nas três esferas de Poder. É possível contar nos dedos uma mulher que tenha meu tempo de vida pública.

Marcos Nunes Carreiro – E quais são seus planos políticos? Pretende disputar o governo de Goiás ou continuar no Senado?
Meu plano é fortalecer o partido. Feito isso, obviamente, me colocarei à disposição para o que o partido exigir de mim. Se for necessário disputar o governo, eu irei; se for preciso continuar no Senado, também. Posso até não disputar nada. Dependerá muito de como vamos construir esse partido.

Euler de França Belém – Será a presidente do partido?
Sim. Ainda vou conversar sobre isso com o Vanderlan. Até não gostaria de ser a presidente, porque me tomará muito tempo. Mas como te­nho muita vontade de ajudar a construir um partido, acho que poderei ajudar, pela força que posso ter no interior depois de tantas eleições.

Cezar Santos – Antes de 2018, tem 2016. Vanderlan Cardoso se apresenta como pré-candidato em Goiânia, até pela boa votação que teve na cidade, e deverá enfrentar Iris Rezende. A sra. acha que Iris é imbatível em Goiânia?
Acho que nenhum político é im­batível em lugar algum. Depende das circunstâncias. O que posso di­zer é que Vanderlan é um bom candidato. Fico muito motivada porque é uma pessoa simples, trabalhadora, que não tem desgaste e que tem muito a oferecer. É um homem de sucesso e que fez uma administração que é um exemplo para o País. Ele mudou Senador Canedo. É um nome novo e que pode fazer muito por Goiânia. Gosto de pessoas que mostram resultado no trabalho.

E Goiânia exige, hoje, que o candidato seja eficiente na prestação de serviço. O cidadão goianiense vive aflito com a segurança, transporte coletivo, saúde, educação. Não adianta a obra. É preciso que haja um serviço de qualidade e, para isso, uma pessoa que saiba como isso funciona é essencial. Não é simples governar uma cidade com mais de um milhão de habitantes. Qualidade de vida não é ter uma cidade bonita, mas uma que funcione em todos os seus aspectos. Assim, acho que Vanderlan tem condições de ser um excelente prefeito e isso me motiva a sair à luta para a eleição.

Euler de França Belém – A sra. é considerada como da “base aliada”, pois ainda não rompeu com a base do governador Marconi Perillo. Mas Vanderlan Cardoso pode ser considerado da chamada “base aliada”?
Dependerá muito dele e do governador. Não sou eu quem pode dizer. Quem tem que buscar esse entendimento são os dois, se é que eles desejam isso. O meu trabalho é no sentido de fortalecer ao máximo as pessoas que são de bem e que queiram disputar as prefeituras. Eu não tenho restrição a nenhum nome e cada partido, para se fortalecer, precisa ter seu candidato.

Euler de França Belém – O PSB fará oposição ao governador Marconi Perillo?
Nunca fez. Eu vejo que Van­der­lan tem conversado com Marconi e tem sido uma pessoa afável, sem di­ver­gências profundas. São divergências mais eleitorais, pois disputaram o governo e, obviamente, existe sem­pre um mal-estar. Mas não há di­vergência profunda entre eles. Isso de­penderá muito da posição de Van­derlan, de como ele vai querer conduzir a campanha. Como o PSB de­verá ter seu candidato, uma aliança mais profunda se dará no segundo turno. Os partidos da base, que te­nham quadros, provavelmente vão querer disputar a eleição. Pode ser que haja união entre os partidos e po­de ser que cada um queria fazer seu candidato e se encontrar no se­gundo turno. Eu não sei ainda qual o pensamento de cada um dos partidos.

Cezar Santos – Até porque ainda está cedo para definir.
Agora é um momento para os partidos se fortalecerem para só depois conversarem sobre aliança. Eu digo que a aliança natural virá com o fortalecimento do candidato. Se ele não se fortalecer, a aliança não é natural, mas vem por negociação de tempo de televisão e não por convicção. Portanto, o candidato a um cargo majoritário tem que se fortalecer, para que os demais se agreguem à sua candidatura.

Cezar Santos – A Sudeco foi recriada é uma marca de luta pessoal sua. Ela foi recriada, mas não tem efetividade. A sra. tem acompanhado?
A Sudeco foi recriada, mas não foi implementada. A pessoa que a gere não foi escolhida pelo conjunto dos governadores. Portanto, é preciso que a nova Sudeco tenha uma pessoa que tenha visão do que é o Centro-Oeste e não uma pessoa que só distribua o dinheiro dos fundos. Não é isso. Essa pessoa trabalha com o FCO e trabalha com o Fundo de Infraestrutura (FDCO), que eu criei quando recriei a Sudeco. Isso depende muito dos governadores. Eu fico feliz de ver os governadores do Centro-Oeste se reunindo e debatendo a região, porque é muito frustrante ver a importância que a região tem no Brasil — nós somos responsáveis pelo equilíbrio da Balança Comercial do País — e não termos o reconhecimento político disso. Portanto, é preciso que haja um organismo que reúna e seja fórum desses governadores para que possamos mostrar, nacionalmente, essa importância. Quando buscamos qualquer recurso fora, dizem que o Centro-Oeste não precisa; que é rico. A região é rica, sim, pois tem a­gricultura e pecuária de ponta, mas nós precisamos de infraestrutura. Nós precisamos de estradas, ferrovias e hidrovias para baratear nosso produto com um escoamento facilitado, pois estamos muito longe dos portos.

Na verdade, não conseguimos mostrar para o governo que temos que ter uma importância política do tamanho da nossa economia. Recentemente, até que avançamos bastante com os projetos de concessão. Nós somos o Estado que mais gerou renda, que mais gerou trabalho, mais empregou, mais cresceu, mas que não tem isso reconhecido. Eu pensei que, quando recriássemos a Sudeco, teríamos um fórum para mostrar a pujança da nossa região. Como Goiás, o Mato Grosso é uma potência, uma coisa fantástica e o Mato Grosso do Sul é da mesma forma. A Sudeco seria o caminho para que chegássemos lá, mas ela só terá sucesso quando tivermos o Banco do Desenvolvimento do Centro-Oeste, que até agora não consegui e não foi por falta de tentar. Na verdade, o Banco ainda não aconteceu porque a região ainda não se uniu. Comercialmente, nós não trocamos. O Mato Grosso compra muito pouco de Goiás, que compra muito pouco do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul.

Frederico Vitor – E por que isso acontece?
Porque nós estamos separados pelo Araguaia. Nós só temos uma ponte. Isso nos desintegra. Não temos uma força política, porque cada um luta por seu Estado de maneira separada. Nós não conseguimos agregar. A reunião que o governador Marconi Perillo está fazendo com os demais governadores [Pedro Taques (PDT), do Mato Grosso; Reinaldo Azambuja (PSDB), do Mato Grosso do Sul; Rodrigo Rollemberg (PSB), do Distrito Federal; e Marcelo Miranda (PMDB), do Tocantins], nos fortalecerá muito porque fará com que exista uma visibilidade. Nós chegaremos a criar a Agência de Fomento do Centro-Oeste, pois é essa agência que administrará o FCO e o FDCO, que são atualmente gerenciados pela Sudeco e administrados pelo Banco do Brasil, que trata os recursos como se fossem deles.

E o Banco do Brasil é um banco nacional, não regional. Quando você pega um empréstimo do FCO, você tem que pegar uma série de “penduricalhos” do banco para conseguir aprovar o que deseja. O Banco do Brasil cobra para administrar e, ao mesmo tempo, ganha como operador do fundo. O que queremos? Que o Banco do Centro-Oeste administre o fundo e o Banco do Brasil opere. O banco que queremos criar não terá capilaridade, por exemplo, como as agências; não é como os bancos de varejo, mas um banco de segundo piso, apenas para administrar.

Como é isso? Um exemplo: só com o FCO, nós temos um estoque de R$ 20 bilhões, um estoque que a cada ano vai se acumulando. Se nós tivéssemos um banco que o administrasse, teríamos condições de alavancar outros fundos; e o Banco do Brasil não faz isso para nós. Só faz quando o pressionamos, como fiz em 2013, pois estávamos quase aprovando o banco. À época eles cederam mais R$ 5 bilhões para nós.

Cezar Santos – Seria paranoico dizer que essas dificuldades são porque a sra. era senadora do maior partido de oposição?
Na verdade, eu só recriei a Sudeco porque a presidente Dilma abriu um espaço para isso. O que falta é força política para indicar quem vai administrar a Superintendência. A pessoa que estiver à frente disso tem que ser versada em banco, não pode ser uma pessoa política. Tem que ser um técnico com prestígio para dialogar com o ministro da Fa­zen­da. Quem administra o fundo hoje é o Banco do Brasil, que está ligado ao Ministério da Fazenda. A Sudeco, como está subordinada ao Ministério da Integração Nacional, tem pouco vínculo com o Ministério da Fazenda.

Nós temos ainda um grande desafio para fazer com que a Sudeco tenha importância nacional. Para isso, os governadores têm que fazer dela um fórum de debate, de planejamento, e, principalmente, precisamos criar a Agência do Centro-Oeste, que dará fôlego, pois a Sudeco é formada por um tripé: ela tem um conselho, formado pelos governadores da região, ministros da Fazenda, da Integração Nacional e de Planejamento; dois fundos, que são o FCO e o FDCO; e um plano de desenvolvimento regional, que é a integração de toda a nossa região, através da logística.

Quando conseguirmos integrar a região à Ferrovia Norte-Sul e à Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que sai de Campinorte (GO) e vai até Lucas do Rio Verde (MT); quando conseguirmos duplicar a BR-364, que nos ligará com o circuito da soja que vem do Mato Grosso para região sudoeste de Goiás; quando fizermos a unidade dessa região, nós conseguiremos dar um salto sem tamanho. Eu acredito muito que essa região ocupará o lugar da região Sul do País.

Euler de França Belém – Goiás, como o Brasil, passa por um momento de reajuste fiscal. Como a sra. o avalia?
O governo trabalha em duas frentes importantes: primeiro, tentando enxugar a máquina, que é o mais complicado. E nisso o governador foi muito ágil, como sempre, pois entendeu que o País iria entrar em uma crise muito grave e fez um ajuste grande antes que a ela acontecesse. Ele fez esse ajuste, que é interno, reduzindo despesas e evitando investimentos neste ano, em que teríamos pouco apoio do governo federal. Ele trabalha para que esse ajuste aconteça o mais rápido possível, pois ninguém aguenta um ajuste mais que um semestre.

Ao mesmo tempo em que trabalha este enxugamento aqui, ele está trabalhando algumas alternativas em Brasília. Dentre elas, a solicitação ao governo federal para fazer um encontro de contas daquilo que a União deve a Goiás e daquilo que o Estado deve. Isso reduz aquilo que o Estado paga todo mês, que é uma sangria para as receitas de Goiás. Ao mesmo tempo, nós trabalhamos no Congresso Nacional, e já foram aprovados os depósitos judiciais, algo em torno de R$ 200 milhões, recursos que serão transformados em investimento. Também estamos trabalhando a última parcela do Banco do Brasil para as rodovias. O governo federal já deveria ter repassado esse dinheiro, mas, com a crise, não repassou ainda. Com o encontro de contas na dívida, o governo abre espaço para contrair novos empréstimos, algo que é muito importante e já está bem encaminhado.

Além disso, para dar prosseguimento ao desenvolvimento do Estado, o governo trabalha a privatização da Celg, não para pegar esse dinheiro para investimento, mas para que a Celg possa acompanhar o processo de crescimento do Estado. Privatizada, obviamente, ela terá os investimentos que necessita para ser uma empresa eficiente e fará com que esse processo de desenvolvimento tenha sustentação.

Portanto, são duas frentes que estão sendo trabalhadas, fora os programas sociais que continuamos trabalhando. Ou seja, no primeiro semestre, nós concentramos todo o nosso esforço no sentido de repactuar essa divida e fazer com que haja projetos que deem ao Estado novas receitas, para que esse ajuste se encerre dentro de quatro meses e a população volte a ter a normalidade em sua vida. Com isso, enfrentamos essa crise.

O Estado goiano foi o que mais avançou na reestruturação de toda sua economia e de suas finanças, porque isso foi feito na hora certa. Se tivéssemos deixado para fazer esse ajuste quando a crise estourou com mais vigor, como alguns Estados fizeram, nós estaríamos em uma situação muito ruim. Nós temos cinco ou seis Estados que não estão pagando a dívida.

Cezar Santos – O que a sra. pensa da indicação de Ana Carla Abrão, sua filha, para a Secretaria da Fazenda?
Ana Carla sempre teve baseou sua carreira por mérito pessoal. Ela foi estudar fora do País muito jovem e, ao concluir seus estudos, buscou um espaço dela. Mais importante que mestrado e doutorado, ela abriu espaço na área econômica com credibilidade e competência. Atual­mente, ela está entre os economistas que discutem e pensam o País. Esse é o grande mérito que ela tem. Ao ser convidada, –– e eu não fui consultada sobre isso, mesmo porque a vida profissional dela foi construída por ela e não por influência minha ou do pai [o ex-governador de Goiás Irapuan Costa Junior] –– ela fez o espaço dela, o relacionamento com as pessoas com as quais ela hoje convive; ela fez seu caminho. Eu não tenho muito que interferir. Se ela me ouvisse, ela não teria vindo. Se eu fosse interferir, eu interferiria no sentido de não trazê-la para cá.

Euler de França Belém – O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, a lançou como candidata a governadora. O que a sra. acha disso?
Eu acho que ela não embarcaria nisso não. Mas se acontecer, eu não vou interferir. Ela é muito jeitosa e muito determinada a fazer as coisas corretamente. Não é fácil ser secretária da Fazenda em meio a uma crise dessas. O grande mérito dela é ter coragem de enfrentar isso, algo que dificilmente uma pessoa daqui teria condições de fazer. Politica­mente, não é bom para mim. Entretanto, eu não interfiro, não quero de forma alguma interferir na carreira dela e nas opções que ela fez. Eu só torço para que ela tenha muito sucesso e que seja um sucesso reconhecido. Da minha parte, o que tenho a fazer é continuar o que faço em Brasília. Se eu já fazia antes, com ela secretária da Fazenda, procuro fazer mais ainda, porque é claro que eu torço pelo sucesso do Estado e torço para que ela consiga reverter todas essas dificuldades que estão pendentes. Eu acredito na capacidade dela.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.