“Estamos vendo a esperança, com prefeitos e vereadores revendo a posição de sair do PSDB”

Eleito presidente estadual do PSDB na sexta-feira, 3, o prefeito de Trindade afirma que o sentimento de fragilidade começou a dar espaço pela união para fortalecer a sigla

Jânio Darrot - Foto Fábio Costa Jornal Opção 4

Presidente estadual do PSDB, prefeito Jânio Darrot | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O prefeito de Trindade, Jânio Darrot, viu nas semanas que antecederam a eleição estadual do PSDB um partido desunido, fragilizado pelo resultado nas urnas em 2018, com filiados que cogitavam deixar o ninho tucano em Goiás. Mas foi no consenso que o nome de Jânio ganhou o apoio de outro candidatos no diretório goiano peessedebista e o clima começou a mudar, defende o presidente eleito do PSDB.

Augusto Diniz – Como o PSDB conseguiu chegar ao consenso para que o sr. fosse eleito presidente estadual e qual o tamanho da interferência do ex-governador Marconi Perillo?
O mais importante é que o PSDB, depois de sair fragilizado das urnas nas últimas eleições, veio para a eleição estadual com vários candidatos, que colocaram seus nomes à disposição do partido. Como o PSDB sempre foi um partido que busca o consenso e que tem políticos e líderes que trabalham pela unidade, nós tentamos em um primeiro momento encontrar esse consenso entre os candidatos.

Surgiu também o ex-deputado e ex-prefieto de Catalão, Jardel Sebba, que abriu mão de sua candidatura, assim como os deputados Talles Barreto e Lêda Borges, para que eu aceitasse ser o candidato do PSDB que representasse os três para facilitar a busca do consenso com os outros dois candidatos: o prefeito Carlão da Fox, de Goianira, e o deputado federal Célio Silveira.

Iniciamos o processo conversando com Carlão da Fox, o ex-deputado Giuseppe Vecci e o ex-governador Marconi Perillo. Contamos com a participação de todas as lideranças do partido e conseguimos há quatro dias da eleição chegar ao meu nome como o de consenso para a presidência do PSDB. E dividimos entre as duas alas os membros do diretório. Por isso conseguimos chegar na sexta-feira, 3, a uma eleição consensual.

Augusto Diniz – Qual é o tamanho da fragilidade existente hoje no PSDB depois do processo eleitoral de 2018?
Tínhamos até poucos dias um PSDB dividido e fragilizado. Muitos líderes, prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e até deputados falavam em sair do partido. No entendimento, com a formação da nova chapa para o diretório regional, um fator positivo foi a motivação que começou a tomar conta do partido novamente. Hoje estamos vendo a esperança, com prefeitos e vereadores revendo a posição de sair do partido, com manifestações de que querem permanecer e ajudar a fortalecer o PSDB para que venhamos fortes para as eleições de 2020. E forte também nas eleições de 2022.

Patrícia Moraes Machado – Na política diz-se muito que no fundo do poço sempre há uma mola. Qual vai ser a mola propulsora da volta do PSDB? Por que houve a confiança em torno do nome do sr. para presidir o partido? O que vai provocar a esperança no PSDB?
Acredito que a união de todos. A união que estamos construindo entre as várias correntes do PSDB. A minha entrada no processo eleitoral foi justamente em acordo, com a aprovação, participação e apoio do governador Marconi Perillo, do ex-governador José Eliton. Com quase todos os deputados estaduais – cinco dos seis -, a grande maioria dos prefeitos, é que pôde haver a contemplação de todos em torno do consenso. Todos se sentiram amparados. O PSDB sentiu que será ouvido. Trabalharemos a renovação do partido com o diretório a ouvir suas bases, conversando com os prefeitos, ex-prefeitos, com os vereadores.

Isso é que trouxe motivação e força para o PSDB. O PSDB não pode virar as costas para a sua militância e os seus membros em todo o Estado de Goiás. Não pode ser um partido de cúpula. As pessoas às vezes sentiam certa dificuldade.

Patrícia Moraes Machado – Ser Marconi Perillo a grande liderança do PSDB, mesmo com todas as denúncias contra o ex-governador e sua gestão, além de estar em São Paulo, não ameaça a busca por recuperação do partido em Goiás?
A primeira preocupação do PSDB é defender o legado do partido. Não temos como separar as duas coisas. Marconi e PSDB estão muito ligados, têm muito a ver um com o outro. Marconi tem muito a ver com o partido. O partido foi muito importante. Todas as pessoas que estiveram no tempo novo e trabalharam com Marconi, os deputados federais, estaduais, a militância, os partidos coligados que estiveram na base.

Marconi foi inovador, soube ser agregador. O processo de renovação do PSDB também tem contagiado Marconi. Tenho certeza que o governador estará cada vez mais próximo de Goiás, mais presente. Marconi tem percebido que estamos vivendo uma retomada do PSDB aguerrido, de luta, que tem uma militância forte, de grandes eventos e tomada de grandes decisões. Embora esteja fora por uma questão de mercado, quando optou por poder usar toda sua capacidade na Usiminas.

Pelo o que tenho conversado com o governador Marconi na última semana, por sua participação e movimentação nas articulações, acredito que também está contagiado e percebe que os prefeitos, os vereadores e militância têm renovado a esperança. É muito importante que tenhamos esperança que amanhã estaremos de novo com um partido forte na disputa das eleições para vencer.

Augusto Diniz – Desde que o governador Ronaldo Caiado (DEM) assumiu a gestão do Estado, anuncia-se uma dívida de R$ 3,4 bilhões a R$ 3,6 bilhões deixada pelas administrações do PSDB no Estado. É um fator que desmotiva o PSDB na busca por renovação ou pode ser usado na reestruturação do partido?
Toda pessoa que é eleita para administrar um Estado, município ou até país encontra um Estado em andamento. E um Estado que está andando tem dívida. Não há como crescer e desenvolver e gerar emprego em uma empresa se não houver fontes de financiamento. Da mesma forma é o Estado, que sempre buscou financiamentos para fazer estradas e escoar nossa safra, com um dos maiores potenciais agrícolas do Brasil.

Nos governos de Marconi foram feitos milhares de quilômetros de rodovias por todo o Estado de Goiás. São rodovias importantes que receberam a duplicação de centenas de quilômetros. Muitas obras e projetos importantes vieram para Goiás. Atração de indústrias, investimento em energia, no social, saúde, na educação. Marconi deixou o governo com o primeiro lugar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] no Brasil.

Deixou a saúde de Goiás com hospitais de referência na Região Centro-Oeste, como o Crer [Centro de Reabilitação e Readaptação Dr Henrique Santillo], Hugol [Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira], Hugo [Hospital de Urgências de Goiânia], HDT [Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad], HGG [Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi], Huana [Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo], Huapa [Hospital Estadual de Urgências de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada], Hurso [Hospital de Urgência da Região Sudoeste Dr. Albanir Faleiros Machado], Hutrin [Hospital Estadual de Urgências de Trindade Walda Ferreira dos Santos].

Marconi é um governador que sempre trabalhou muito para incrementar e melhorar a vida do povo. E também pagou muita dívida. O processo é o de pagamento dos financiamentos. A medida em que há capacidade de endividamento, a gestão passa a ter melhores condições. Todos os recursos que vieram para Goiás na forma de financiamento chegaram porque o Estado estava apto a contrair novos financiamentos. O Estado cumpria com suas obrigações fiscais, com as parcelas da dívida, com a Previdência e tinha toda documentação correta.

Me lembro muito bem que quando assumimos o governo em 2011, eu era deputado estadual e aceitei o convite para ser secretário estadual de Desenvolvimento da Região Metropolitana. Trabalhamos praticamente dois anos para organizar a situação fiscal do Estado para possibilitar a tomada de novos empréstimos para alavancar projetos importantes que precisavam ser realizados. É assim que funciona. Ninguém vai deixar dívida zerada. Governo nenhum.

Governador Ronaldo Caiado assumiu o Estado e tem de administrar a dívida. Quando Caiado deixar o governo, outro eleito ocupará o cargo e continuará a administrar a dívida. O que não pode ser feito é parar para trocar a roda do carro. É preciso trocar o pneu com o carro andando. Isso é governar.

Augusto Diniz – Quando o sr. diz que o ideal seria trocar a roda com o carro em movimento, ainda paira muita controvérsia sobre o fim do programa Goiás na Frente. Como o sr. avalia a decisão do governo estadual? Há obras paradas em Trindade ligadas aos recursos do Goiás na Frente?
Trindade é um município que tem uma receita pequena em relação ao número de habitantes, mas estamos com a situação fiscal equilibrada, com todas as certidões em dia, as contas dos seis anos de gestão aprovadas no TCM [Tribunal de Contas dos Municípios]. Estamos habituados a trabalhar dentro do que podemos.

Mas há muitos municípios que terão dificuldade de fazer manutenção da sua malha viária, para fazer um bom trabalho no transporte escolar, na educação, saúde e em todas as áreas porque têm uma receita muito pequena e não têm condição de adquirir as máquinas que as cidades de médio para grande porte possuem. O grande problema está nas pequenas cidades.

O Goiás na Frente foi um programa de distribuição de renda do governo do Estado aos municípios. Promoveu a transferência de recursos. Foi um programa ousado. Os prefeitos buscam em Brasília um novo pacto federativo em que o governo federal repasse recursos para os municípios. O governador Marconi buscou recursos e fez esse “pacto federativo” goiano. O Estado passava renda por meio de convênio aos municípios.

O prefeito escolhia qual obra queria fazer na cidade, desde recapeamento de ruas e avenidas à melhoria de uma unidade de saúde, escola, aquisição de máquinas e equipamentos. Era um programa de transferência de renda que ajudava a socorrer principalmente as cidades menores. Estamos vendo municípios com dificuldade de pagar a folha dos servidores.

Trindade não vive às mil maravilhas. As dificuldades são grandes. Mas temos uma capacidade maior de trabalhar com essa situação porque é uma cidade de médio porte. Aparecida de Goiânia também é um exemplo de cidade mais independente. Goiânia é uma cidade totalmente independente. Se o governo de Estado ajudar tudo bem. Mas se não houver a ajuda, a Prefeitura de Goiânia é autossuficiente para resolver seus problemas. Há a possibilidade de buscar recursos do governo federal, vive com sua situação documental organizada.

Mas as cidades pequenas passarão por dificuldade se o governo não estender a mão aos municípios.

Patrícia Moraes Machado – Mas o governo tem pedido ajuda às prefeituras. Não é um processo inverso?
Os municípios não têm mais capacidade de assumir serviços e outras responsabilidades. Hoje os prefeitos têm de garantir recursos para a educação, a saúde. Os repasses são feitos pelo governo federal e temos de realizar a contrapartida de 15% da receita para saúde, 25% para a educação. A infraestrutura fica toda por nossa conta, não temos recursos federais ou do Estado para fazer a varrição das ruas, coleta do lixo, o serviço de tapa-buraco, pavimentação asfáltica.

Por isso que programas com o Goiás na Frente são muito importantes. E foi muito importante para Trindade. Fizemos convênios com o governo Marconi e asfaltamos alguns bairros com 200 mil metros quadrados de asfalto novo, R$ 1 milhão em recapeamento na cidade. Continuamos a fazer o asfalto novo, como já fizemos muito com recurso próprio, inclusive com a aquisição de uma usina.

Patrícia Moraes Machado – Muitos prefeitos reclamam que o recurso esperado do Goiás na Frente não chegou às prefeituras.
O que acontece com o Goiás na Frente é que o programa começou e muitas prefeituras não estavam preparadas para receber o dinheiro. Tínhamos a questão dos projetos. E houve certa demora. A Prefeitura de Trindade também passou por isso. Nosso convênio era de R$ 5 milhões para recapeamento. Recebemos R$ 2 milhões. Faltam R$ 3 milhões. Tínhamos outros convênios que incluíam praças e outras obras de infraestrutura que não serão contempladas.

Todo programa de governo precisa ter duração. Se o governo revisse o Goiás na Frente e mantivesse os convênios, não continuaria um programa do governador Marconi Perillo, daria continuidade a um programa de transferência de renda do governo de Goiás para as prefeituras. E não seria para um prefeito específico, mas para todas as prefeituras com o socorro necessário para melhorar as condições e qualidade das cidades e de vida dos moradores com infraestrutura, asfalto, água.

“Goiás na Frente foi um programa de distribuição de renda do governo do Estado aos municípios. Promoveu a transferência de recursos. Foi um programa ousado”

Jânio Darrot cineminha - Fotos Fábio Costa Jornal Opção

Fotos: Fábio Costa/Jornal Opção

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. vê as denúncias que surgiram na Polícia Federal e que envolvem os governos do PSDB em Goiás?
Vivemos um tempo de muito denuncismo. Precisamos realmente aguardar e ver o que aconteceu. A Justiça está aí para ver isso. Faço a comparação com Trindade, parece algo pequeno, mas os problemas são mais ou menos os mesmos.

Quando assumi como prefeito em Trindade, ganhamos de um prefeito que disputava a reeleição [Ricardo Fortunato]. Foi uma eleição muito disputada. A partir do momento em que ganhamos a eleição, nos preocupamos em fazer o planejamento três meses antes de assumir.

A partir do momento em que assumimos a prefeitura, encontramos uma situação ruim. Não havia um modelo de gestão definido, não tinha metas para a educação, saúde, com ruas esburacadas. Uma situação na qual poderia falar que estava um caos. Entramos para trabalhar sem olhar para trás.

Toda a documentação e detalhes que o Ministério Público nos pediu encaminhávamos. E é uma questão que cabe à Justiça resolver. Em momento algum tivemos a preocupação de fazer aquilo que não era nossa responsabilidade. O povo que me elegeu esperava de mim que o problema fosse resolvido. E dessa forma também deve ser no governo de Goiás.

Não adianta olhar para trás pelo retrovisor e torcer para ver pessoas irem para a cadeia, serem prejulgadas de forma precipitada com ações às vezes espetaculosas que acabam com a pessoa e destroem toda uma história. A Justiça tem de apurar tudo. Os Tribunais de Contas estão aí, o Ministério Público deve investigar, a Polícia Civil, a Polícia Federal.

O Brasil é um país que tem instituições fortes. Cada instituição cuidará do seu papel. O governador deve se preocupar com a situação do Estado. Caiado recebeu a incumbência de pegar o Estado para governar. A partir do momento em que assume o cargo, todos os problemas que existiam ou que surgirão são competência e responsabilidade do governador buscar solução.

Augusto Diniz – As prisões do ex-presidente da Agetop [Agência Goiana de Transportes e Obras], Jayme Rincón, do ex-governador Marconi Perillo e do ex-chefe de gabinete de Marconi, Luiz Alberto Bambu, são vistas pelo sr. como precipitadas ou corretas? Qual avaliação o sr. faz dos três episódios?
É difícil fazer análise sobre ações que são investigadas pelo Ministério Público. Acredito nas instituições. Se você me perguntar: “Foi ruim para o PSDB?”. Foi muito. Naquele momento vimos nossos índices nas pesquisas despencarem. Politicamente foi muito ruim. Respeito as instituições. O que foi feito, se foi daquela forma, é porque deveria ser feito naquele momento.

Patrícia Moraes Machado – O sr. acredita nas pessoas que foram citadas?
Acredito. Governador Marconi tem um grande legado. O que Marconi deixou para o Estado de Goiás. Uma história bonita. Conheço o governador. É uma pessoa que sempre tive proximidade e sei da luta e da paixão de Marconi. Tudo que ele tem na vida é o desejo de governar, trabalhar e fazer política, que às vezes até nos torna irracionais. Deixamos o conforto da família, possibilidades de realização profissional maior no meio empresarial, para estar no meio político. A política nos traz um fascínio, um desafio.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. viu a informação do Ministério Público de que barras de ouro estariam guardadas na fazenda do ex-governador Marconi Perillo?
Vejo isso como ilação. São pessoas que querem destruir, se promover ou querer alguma coisa. Tanto é que não ouvimos mais falar sobre isso. É preciso que se investigue. O grande problema hoje é que não se pode acreditar em tudo que houve.

Patrícia Moraes Machado – Seria uma condenação prévia?
Você não pode acreditar em tudo que você ouve. Se você acreditar em tudo que ouve, você terá sempre desavença com alguém. É preciso saber filtrar. A Justiça também tem de saber filtrar. As delações começam para as pessoas se livrarem dos delitos cometidos. E às vezes começam a jogar contra pessoas públicas de maior influência responsabilidades que não ocorreram, que são ilações.

Augusto Diniz – O caminho natural do PSDB é o de ir para a oposição?
Ser oposição em Goiás é algo novo para nós. Tenho 12 anos que estou no PSDB. Entrei em 2007 a convite do ex-governador Marconi Perillo. Me convidou para filiar no PSDB e que fosse prefeito de Trindade. Até perdi a eleição em 2008. Deixei parte das minhas atividades empresariais para me dedicar à vida pública, para contribuir com a minha cidade e meu Estado. Desde então o PSDB sempre esteve na situação. Vamos ter de aprender o que é ser oposição no Estado.

Mesmo na oposição, o PSDB é um partido de pessoas sensatas, de equilíbrio. PSDB vai fazer oposição séria, construtiva. Não vamos advogar pelo quanto pior melhor. Aquilo que estiver correto seremos a favor. O que o partido entender que é prejudicial, quando verificarmos que o legado que foi construído sofre com o fechamento de escolas, de salas de aula na Universidade Estadual de Goiás (UEG), uma tentativa de acabar com programa sociais, como foi a suspeita do fim do jovem aprendiz, o Pró-Cerrado, nós falaremos.

Precisamos ter voz. Não podemos estar aqui só para falar amém. Qualquer que seja o governo, devemos ter a responsabilidade de defender os interesses do povo e o que acreditamos. O PSDB tem um cunho social. Na sua ideologia, o projeto político e administrativo do PSDB defende que se trabalhe com valorização da cultura, do primeiro emprego, inserção social das pessoas de baixa renda.

Vamos sim fazer oposição naquilo que verificarmos que precisamos falar. Não podemos ficar de braços cruzados e começar a achar que estava tudo errado, que tudo será iniciado do zero a partir de agora. Não é por aí.

Patrícia Moraes Machado – O governo Bolsonaro e todos que vieram na onda da eleição do presidente, inclusive Caiado, defendem o Estado mínimo, ao contrário do que PSDB e PT pregam. Esse trabalho social não é um dos responsáveis pelo prejuízo econômico que o Brasil enfrenta?
Para sair de um modelo e passar para outro totalmente liberal precisamos fazer mudanças para se chegar a um Estado mínimo. É preciso apresentar um projeto: ao longo de quantos anos. É necessário haver um planejamento, por meio de um programa de governo, que mostre aonde quer chegar. Se houver um plano de ação que mostre como chegar nesse modelo tudo bem. Mas o que vemos é um desmonte e não sabemos o que vai acontecer.

É isso mesmo? Como isso vai contribuir? Como as pessoas que mais precisam da ação do governo, e que serão as mais prejudicadas, vão se adaptar? Como elas vão ser inseridas no novo modelo? Tudo é válido. O ruim é ver que não temos um projeto que diga o que o Estado de Goiás fará para chegar a determinado ponto. Se for o melhor, vamos apoiar, aplaudir e estar de acordo.

Patrícia Moraes Machado – Como o sr. avalia o governo Bolsonaro?
Há falta de planejamento. A não ser o Ministério da Economia, que chegou com um programa e metas pré-estabelecidas, com um plano de ação e a Reforma da Previdência, Reforma Tributária e várias mudanças que devem ser apresentadas ao longo do governo Bolsonaro. Isso está no rumo certo.

A política do Ministério da Infraestrutura mostra um plano de ação definido. Na Agricultura, a ministra mostra que tem delimitadas as ações. Mas ainda é pouco. Precisávamos de uma segurança maior para retomar a economia. Teremos em 2019 um crescimento abaixo do esperado. É possível que tenhamos uma Reforma da Previdência longe do que esperado.

A própria mudança na forma de governar, de não conversar com nenhum político, me preocupa. A política é o único meio de buscar as soluções para as diversas demandas e necessidades que a sociedade tem como um todo. Vejo com preocupação.

“Brasil é um país que tem instituições fortes. Cada instituição cuidará do seu papel. O governador deve se preocupar com a situação do Estado”

Jânio Darrot - Foto Fábio Costa Jornal Opção 5

Presidente estadual do PSDB, o prefeito de Trindade, Jânio Darrot, concede entrevista aos jornalistas Patrícia Moraes Machado, Augusto Diniz e Italo Wolff: “PSDB vai fazer oposição séria, construtiva” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Augusto Diniz – O sr. citou a falta de planejamento também na gestão que o antecedeu na Prefeitura de Trindade. O final de 2012 foi quando serviços foram interrompidos na coleta de lixo, na saúde, na limpeza urbana e no transporte escolar. Do início da primeira gestão em 2013 até hoje em uma administração que caminha para seu último ano em 2020, o mesmo do centenário de Trindade, o que foi traçado para o município, o que mudou desde então e o que precisa ser feito?
Conseguimos alterações e avanços significativos na infraestrutura, na melhoria da malha viária, nos novos eixos que construímos, no plano de desenvolvimento macroeconômico para Trindade. Fizemos todo um trabalho na infraestrutura, industrialização e na geração de emprego para melhorar o visual e a qualidade de vida do trindadense.

Houve avanço muito grande na área de saúde, também na educação. Fizemos uma reestruturação muito grande, com modelo de gestão no qual as pessoas têm assistência primária, são bem atendidas na saúde. Temos em Trindade um serviço na educação que poucas cidades oferecem, com todas as condições.

Vemos o desenvolvimento econômico da cidade, com mais investimentos, que deixou de ser aquela cidade interiorana e passou a ser melhor preparada para o turismo. A mudança é significativa. Percebemos no sentimento da população, das pessoas que visitam nossa cidade, que usam os serviços. É como medimos a satisfação dos cidadãos trindadenses. A aprovação que temos demonstra o reconhecimento que a população tem pelas melhorias que conquistamos em pouco mais de seis anos.

Augusto Diniz – As reclamações sobre as condições e o atendimento no Hospital de Urgências de Trindade sempre foi constante. O que mudou a partir do momento em que o Estado assume a gestão do Hutrin por meio de uma Organização Social?
Quando assumimos a prefeitura, o Hutrin era um postão de saúde, um hospital inacabado. Concluímos o hospital, colocamos os dois centros cirúrgicos em condições de trabalho, compramos equipamentos, maquinário, enxoval, montamos lavanderia. Houve uma reforma para colocar o Hutrin com cara de hospital. Finalizamos as instalações elétricas, fizemos nova ala e chamamos o governador para a inauguração.

Apresentamos a unidade reformulada para o governador e informamos sobre a dificuldade em manter um hospital com características de unidade regional é muito grande. Precisávamos que o Estado assumisse o hospital, que foi construído pelo Estado nas primeiras gestões de Marconi Perillo. Foi municipalizado porque houve problemas na finalização. O hospital se tornou um postão de saúde porque faltou concluir as obras.

Dissemos para o governador que precisávamos investir nas Unidades de Saúde Básica (UBSs). Construímos sete unidades de saúde, reformamos todas, equipamos com mobiliário novo. Construímos dois centros de especialidades, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para atendimento de urgência e emergência no município, um centro de reabilitação.

Criamos o programa Melhor Em Casa. São 169 pacientes atendidos a domicílio. Fornecemos cama hospitalar, atendimento médico, nutricionista, dentista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiros, técnicos e alimentação para os pacientes acamados. Isso diminui as internações e melhora a qualidade de vida também da família.

O Hutrin teve a gestão assumida pelo Estado. Estamos sempre dispostos a contribuir. Estamos fazendo um convênio para fornecer ultrassom e raio-x digital para o Hutrin. Como não tem UTI, ainda não é um hospital de urgência e emergência. Não tem condições de resolver questões de média e alta complexidade. Por isso não é um hospital geral. E é o que temos tratado com o secretário estadual de Saúde [Ismael Alexandrino].

A definição que está em estudo é que o Hutrin será um hospital maternidade e também será utilizado para cirurgias eletivas. Queremos que o Hutrin melhore. Quando as reclamações surgem no hospital, às vezes por algum problema de gestão e as pessoas se sentem insatisfeitas com o atendimento, nunca transferimos toda responsabilidade para o Estado. O Hutrin é nosso. Não importa se é do Estado. O que importa é que é do cidadão trindadense.

Assim é o Vapt Vupt, que ajudamos, temos convênio e colocamos funcionários. Delegacias da Polícia Civil e nos batalhões da Polícia Militar. Todas as unidades do Estado que estão em Trindade também são preocupações da prefeitura. O que podemos ajudamos. Nunca reclamamos que temos qualquer custo. Não tem importância. Queremos que o cidadão seja bem resolvido. Com o governador Marconi era assim. Antes fazíamos isso. Queremos o mesmo com o governador Caiado.

A nossa oposição não é sistemática porque somos do PSDB e torce para que tudo dê errado. Queremos defender os interesses do povo e daquilo que acreditamos.

Italo Wolff – O sr. caminha para a segunda metade do último mandato com aprovação alta e tem três nomes para indicar como sucessor na disputa em 2020, que são o vice-prefeito Gleysson Cabriny, o secretário Alexandre Cesar (Indústria e Comércio) e o vereador Helio Braz. O sr. tende a indicar qual desses nomes?
Há também o secretário e vereador Mardem Junior e o vereador Dyego Marques. Que bom que Trindade tem bons nomes para a disputa eleitoral de 2020. Não sei se me espelhei em Marconi, mas meu jeito é de incentivar a todos. Digo “vai, vamos ver” e “quando chegar lá na frente definimos isso”.

Não tenho o direito de tirar o sonho de alguém que quer servir e trabalhar por nossa cidade. Tenho certeza de que vamos buscar o consenso. Aquele que estiver em melhores condições para disputar as eleições do ano que vem terá o apoio de todos os outros. Vamos formar uma chapa competitiva para 2020.

Augusto Diniz – Qual é o futuro político do sr.?
Minha preocupação neste momento é de terminar o mandato em Trindade e continuar a fazer uma boa gestão, aprovada pelos trindadenses. Quero terminar de cumprir tudo aquilo que planejamos para Trindade. Ainda temos alguns bairros para asfaltar. Se não terminarmos neste ano faltará pouco para 2020. Fazer o que precisa ser feito em infraestrutura. Finalizar as unidades escolares e CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil] que estão em obras.

Há obras na área de saúde e lazer. É uma série de projetos. Duplicação de avenidas, abertura de novos eixos que liguem o Centro de Trindade com a Região Leste, que chamamos de Trindade 2. Criar um semianel viário, que ajudará a desafogar o tráfego de veículos pesados na cidade. Algumas das obras têm contratos assinados com a Caixa Econômica Federal e serão construídas com recurso federal.

E também quero servir ao partido. Quero trabalhar pelo PSDB, pela unidade, para fortalecer o nosso partido para as eleições de vereadores e prefeitos. Ouvir e dar suporte para que tenhamos em 2020 a eleição de quase cem prefeitos em todo o Estado. Se houver uma redução no número de prefeitos, porque não estamos no governo, que a queda seja pequena. Vamos lutar para fazer o melhor possível na eleição de 2020 e trabalhar para o partido vir forte, coeso, com disposição, esperança e motivação para as eleições de 2022.

Augusto Diniz – O ex-governador Maguito Vilela (MDB) deu algumas declarações sobre uma possibilidade de dialogar com o PSDB uma união da oposição ao governo Caiado em Goiás. O sr. acredita que seja uma possibilidade viável e que pode ser discutida?
Claro que pode ser viável. Mas queremos fortalecer o nosso partido, porque se tivermos que sentar numa mesa de negociação pretendemos chegar com força e em pé de igualdade. O que não podemos é deixar o PSDB se tornar um partido nanico, se desfigurar ou se dispersar e as principais lideranças e nossos prefeitos mudarem de partido com a síndrome de que no PSDB não serão reeleitos. Esse imaginário que precisamos tirar com a realização de encontros para motivar e mostrar que o PSDB é um partido que tem um grande legado no Brasil.

Não temos do que nos envergonhar com nosso partido. É um partido criado por Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, que contribuiu muito, que está nas disputas majoritárias nos Estados e municípios. Precisamos fazer com que o PSDB resgate a sua autoestima e autoconfiança para que em 2022 possamos conversar com todos. Não vejo problema nenhum. Podemos dialogar com o MDB, com o DEM ou com qualquer que seja o partido. Mas vamos estar prontos para lançar candidato.

Como o objetivo do PSDB em 2020 é lançar candidato a prefeito na maioria das cidades do Estado de Goiás, o objetivo definido para 2022 é ter candidatura própria para o governo, ao Senado. Logicamente nós podemos compor. Mas estaremos preparados para disputar as eleições.

Patrícia Moraes Machado – A possibilidade de fusão do PSDB com outro partido para criar uma nova sigla está descartada?
Não está descartada. Tenho ouvido que existe um movimento nesse sentido dentro do PSDB nacional para buscar uma fusão e talvez até uma nova sigla para o partido. O importante é manter a essência. O importante é o DNA do partido. É um partido que tem uma militância aguerrida, que tem história, tradição de luta, de vencer eleições e fazer bons governos. Isso nos municípios, Estados e governo federal.

“Podemos dialogar com o MDB, com o DEM ou com qualquer que seja o partido. Mas vamos estar prontos para lançar candidato”

Jânio Darrot - Foto Fábio Costa Jornal Opção 17

“Não tenho o direito de tirar o sonho de alguém que quer servir e trabalhar por nossa cidade. Tenho certeza de que vamos buscar o consenso” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Augusto Diniz – É impossível administrar Trindade sem dar a importância devida à tradição religiosa da cidade, além da importância que a Igreja Católica tem para o município em seu turismo. Qual é a relação do sr. e da gestão com a Igreja Católica?
Eu nunca escondi que sou católico por formação. Nasci na Praça do Santuário, ao lado da igreja. Era ainda uma pracinha de chão. Fui criado participando das atividades da igreja, das missas e festas, das quermesses e procissões, da Festa de Trindade. Venho de uma família católica, com tradição católica, mas tenho um respeito muito grande por todas as religiões.

Tenho uma relação muito bacana com os evangélicos em Trindade, os espíritas e os católicos. Tenho amizade com os padres, os pastores. Na minha equipe nunca tivemos problema. Hoje, graças a Deus, os tempos modernizaram. Não interessa mais a crença religiosa das pessoas. As pessoas de bem cada uma tem a sua maneira de professar a sua fé, de buscar aquele sentimento que as pessoas precisam ter de tranquilidade e paz espiritual. Cada um tem seu jeito de buscar a paz espiritual.

Transito muito bem em todos os meios. Ajudo em todas as esferas. Procuro atender a todos. E com a Igreja Católica naturalmente temos uma boa relação. Até porque temos responsabilidades da Igreja Católica que se confundem com responsabilidades do governo municipal – e até do governo de Goiás, não tenha dúvida -, que é a Romaria de Trindade. São 3 milhões de pessoas que vão a Trindade.

Não é uma festa que podemos dizer que este não vai ser realizada ou não como se fosse um rodeio. A Festa de Trindade todos os anos ocorre. Se você preparou ou não, os fieis vêm. Vão a Trindade de todo Brasil agradecer às bênçãos recebidas, agradecer ao Pai Eterno, cumprir promessas, pedir mais bênçãos. Outros vão para vender seus produtos e aproveitar aquele momento de grande aglomerado de pessoas.

Temos de nos preparar para isso. A prefeitura tem de cuidar da limpeza, organização, da festa, logística, trânsito, cuidados com a cidade, iluminação pública, banheiros químicos e temporários para atender toda essa população, desfile dos carreiros, cavaleiros e muladeiros. A prefeitura, junto com o Estado, tem de cuidar para que as pessoas cheguem com segurança. Que as pessoas possam ir a Trindade professar a sua fé e voltar para casa em segurança, saírem com uma boa impressão e que possam voltar à cidade.

É um orgulho muito grande Trindade ser a casa do Pai Eterno e receber tantas pessoas de tantos lugares do Brasil. E até de fora do Brasil.

Italo Wolff – Na ocasião da saída da AGR [Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos] da CDTC [Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos], o sr. chegou a falar sobre a possibilidade de ser criado um fundo intermunicipal para cuidar das questões tarifárias. Que tipo de avanço aconteceu desde então?
Nos próximos 15 dias teremos uma reunião da CDTC para tratar de melhorias no transporte e da fiscalização. Quando assumi a CDTC em dezembro, o aumento da tarifa do transporte coletivo estava em andamento. A planilha já estava na CMTC [Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos] para ser avaliada. As empresas haviam solicitado o cumprimento do contrato, que é o reajusta em dezembro. A CMTC já tinha feito a análise da planilha e encaminhado.

Eu até relutei e queria que primeiro fosse apresentado um plano de melhorias com metas para o próximo reajusta. Não teria como não cumprir o contrato em vigência. Isso foi previsto na Lei de Licitações e na concessão. Houve um certame. As empresas que entraram pagaram por essa concessão. No contrato há a previsão de que existe um cálculo anual para reajuste da tarifa. E no cálculo entram a variação do óleo diesel, da manutenção de frota, a variação salarial.

Há outras variáveis incluídas na equação um pouco complicada para calcular se haverá reajuste anual. E se houver o aumento de quanto será. O grande sentimento da população é o de que o ônibus todo ano tem reajuste e as pessoas esperam que haja também um pacote de melhorias no transporte coletivo. A maior insatisfação das pessoas não é com o valor da tarifa. Porque a pessoa sai, por exemplo, de Trindade e vai a Senador Canedo com a mesma tarifa. Temos o Eixão que tem passagem subsidiada. O Eixo Anhanguera transporta centenas de milhares de pessoas.

A maior preocupação das pessoas é que o ônibus anda lotado, acima do limite de passageiros que deveria estar em pé. Os ônibus demoram a chegar nos terminais. Quando chegam estão cheios. Esse é o sentimento das pessoas. Veículos em más condições e sujos. Detectamos em pesquisa que o preço da tarifa é a menor das preocupações dos usuários, que querem que as empresas melhorem o transporte.

Há um sentimento de que toda vez que reajusta nada acontece. Às vezes as pessoas têm a sensação de que o transporte piorou. Isso tem de acabar. Já que entrei na hora do reajuste, o que vamos discutir agora é a cobrança: metas que deverão ser cumpridas. Vamos entrar também com projeto para desonerar a tarifa. Podemos propor para o governo do Estado a desoneração da tarifa de várias formas.

Temos fontes de renda no transporte individual que poderiam ser destinadas para subsidiar o transporte público. O percentual do licenciamento ou o calculo de índices, algo como 2%, que iria para um fundo para termos a desoneração da tarifa e poderemos ter um aumento menor do que a inflação ou chegar a nem reajustar. Se houver a concordância do governo, dos prefeitos, da Assembleia Legislativa e das Câmaras Municipais, o entendimento da CDTC, CMTC e das empresas podemos fazer isso.

O transporte público precisa receber uma atenção maior. Em todo lugar no mundo o transporte público é subsidiado. O trabalhador não pode pagar essa conta sozinho. A distribuição de renda vem nessas ações. Não tenho ideias socialistas de tirar de um para passar para o outro. O que a pessoa já paga é onde pode-se tirar alguma coisinha para destinar a um benefício coletivo. E que vai atender à classe trabalhadora, que é a mais sofrida e que mais precisa do transporte público.

Augusto Diniz – O aumento de R$ 4 para R$ 4,30 na passagem não vem em um momento complicado? Ao mesmo tempo, o governo pretende mudar as regras do Passe Livre Estudantil apenas para pessoas de baixa renda. Não vai pesar demais o bolso do usuário esse reajuste?
Pesou. E isso gera cada vez mais insatisfação nas pessoas. Tem de haver um plano de restruturação do sistema de transporte e criar fundos de desoneração. É preciso fazer um plano de curto, médio e longo prazo. Assumi a CDTD com o aumento em andamento. Não temos como fazer nada em 30 a 60 dias quando se falar em transporte público da Região Metropolitana.

É uma situação complexa. É um assunto que envolve uma série de variáveis, de empresas, número de pessoas por quilômetro, linhas de ônibus. Uma série de melhorias, como o aumento de corredores para que os ônibus cumpram suas rotas dentro do horário, sejam mais rápidos. O Poder Público precisa estar junto por meio das prefeituras, empresas e do Estado para garantir a melhoria das linhas de ônibus, dos pontos, abrigos e terminais. Dar mais segurança ao transporte, organizar as filhas para que as pessoas não se sintam humilhadas.

As mulheres são assediadas. Os idosos se sentem confortáveis. Existe uma ânsia para entrar no ônibus e o idoso tem dificuldade até de entrar, torna-se algo perigoso, com riscos de a pessoa se machucar. O reajuste de dezembro de 2017 veio com a promessa de que haveria ar condicionado nos ônibus. Isso não se faz da noite para o dia. A frota é de cerca de 1,3 mil ônibus. Geralmente 1,1 mil rodando, 200 em manutenção. Como colocar ar condicionado em ônibus que não foram preparados de fábrica? É uma medida fadada ao fracasso.

Na proposta, vamos apresentar que toda a renovação de frota venha com ar condicionado de fábrica, redução de emissão de poluentes, motor traseiro para não esquentar tanto dentro do veículo. Precisamos fazer um trabalho que a médio e longo prazo para que se resolva. Quando falamos em transporte coletivo, todo mundo quer distância, todo mundo tem medo. É desgaste. Vamos para a TV como o malvado que deu o aumento para os empresários por ter cumprido uma previsão legal que está nos contratos de licitação e concessão.

O que vamos começar agora é um trabalho de tentar realizar reuniões sempre a cada 15 dias ou todo mês para fortalecer a CDTC e conseguir cobrar mais da CMTC, que é o braço executivo da gestão do transporte na Região Metropolitana, e que consigamos realmente ter melhorias. E temos também de conversar com as empresas. Ninguém pode sair deste processo. Governo do Estado não pode sair, prefeituras também não, as empresas têm de fazer autocrítica e buscar cada vez mais melhorar o sistema para os usuários.

Augusto Diniz – Candidatos a prefeito de diversas cidades, principalmente em Goiânia, dizem que as concessões das empresas do transporte coletivo serão revistas. Isso é possível ou é uma medida eleitoreira?
É uma questão licitatória. Foi feita uma licitação durante tantos anos, existe um contrato de concessão. Se as empresas estiverem cumprindo as condições que foram estabelecidas na Lei de Licitações e no contrato de concessão, o contrato será cumprido. É preciso que tenhamos coragem de colocar o assunto na mesa e discutir. É um assunto desgastante, problemático, o transporte não é de fácil solução.

Seria enganar a população dizer “vamos resolver o problema em seis meses”. Não temos condição de resolver o problema em seis meses. Mas podemos elaborar um projeto para que nos próximos dez anos tenhamos um transporte que seja referência para o Brasil. Por que não? Dez anos passam rápido. Entrei a poucos dias na política. Tenho mais de oito anos de mandato. Dois de deputado e mais de seis de prefeito. Vou para dez anos em cargos eletivos no final do ano que vem. Passa rápido.

Não temos de trabalharam só para nós mesmos. Nós envelhecemos. Mas a fila anda, como disse o governador Caiado. Outras gerações virão para dar continuidade e usufruir do que deixaremos para nossos filhos, netos e descendentes.

Augusto Diniz – Goiânia sempre foi um desejo eleitoral do PSDB, mas que toda vez fica muito distante como um projeto viável nas urnas. O que é preciso fazer para que o PSDB tenha condições mais viáveis na disputa da prefeitura?
PSDB agora tem todas as condições de disputar a Prefeitura de Goiânia e de qualquer outra cidade importante como Aparecida de Goiânia e Anápolis. PSDB sempre foi um partido de uma base muito grande. A base sempre trabalhou pela eleição do PSDB nos últimos 20 anos ao governo de Goiás. Não seria justo o PSDB querer a disputa do governo do Estado e também Goiânia e Aparecida. Foi talvez aí que o PSDB tenha se distanciado um pouco das eleições da capital depois de Nion Albernaz com as composições.

As composições faziam parte de uma aliança que foi feita para o governo do Estado. Abria-se espaço para lançar um candidato da base. Talvez isso tenha levado o PSDB a não ter a tradição de eleger candidatos a prefeito em Goiânia e outros municípios grandes e importantes do nosso Estado. Mas agora o PSDB tem todas as condições. Tem bons nomes. Talles Barreto vem animado, jovem, cheio de vontade para colocar seu nome. Temos grandes líderes, deputados estaduais e até nossos ex-governadores que podem entrar na disputa.

Vamos trabalhar para que o PSDB tenha candidato em Goiânia. É muito importante o 45 em Goiânia para as eleições em todo o Estado de Goiás. Goiânia nos dá uma visibilidade. É importante uma campanha em Goiânia. É a capital do Estado e uma referência para todos nós do interior. Quando chegamos em Goiânia e vemos um adesivo do 45, isso nos motiva. Se o 45 estiver com uma boa campanha na capital, isso reflete em Trindade, em Senador Canedo, em Goianira, lá em Mozarlândia, em São Miguel do Araguaia. É importantíssimo. Essa é uma das missões importantes que teremos de desenvolver no trabalho de viabilizar boas candidaturas nas principais cidades do Estado.

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