“Acertos do governo justificam o apoio do MDB à reeleição de Ronaldo Caiado”

Daniel Vilela sempre viu em seu pai a sua inspiração. Foi assim com o futebol e com a carreira política. Agora ele adota a diplomacia reconhecida em Maguito Vilela para solidificar a aliança com a base de Ronaldo Caiado

Patrícia Moraes, Euler França Belém,  Frederico Jotabê, Marcos Aurélio e Cilas da Silva Gontijo

No comando do MDB goiano desde 2016. O ex-deputado federal Daniel Vilela pode estar vivendo um dos maiores desafios como líder partidário. Embora já tenha participado de eleições e grandes disputas, como a campanha ao governo do Estado em 2018, o emedebista liderou as negociações para uma aliança em que será candidato a vice na chapa que pretende reconduzir o governador Ronaldo Caiado (DEM) ao Palácio das Esmeraldas, em 2022.

Em tese, formar uma aliança parece mais simples do que ser o próprio candidato cabeça de chapa. Mas se trata de uma composição que resulta de muitos fatores. Embora a maioria do MDB seja favorável que Daniel Vilela fique com a vaga de vice de Ronaldo Caiado, há vozes divergentes — como o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (que sairá do MDB brevemente). Mais do que isso, outros partidos que já estão na base governista há mais tempo se queixam da preferência dada ao emedebista. Em entrevista exclusiva aos editores do Jornal Opção, Daniel Vilela demonstrou equilíbrio em avaliar o cenário e tem se pautado pelo diálogo. Aos 37 anos, o líder emedebista reconhece que hoje é dono de um perfil mais moderado, que diz ter herdado do pai, Maguito Vilela. “A perda do meu pai é um fato que tem me deixado mais ponderado e mais equilibrado”, admite.

Marcos Aurélio Silva – Por que o senhor acha que o governador Ronaldo Caiado merece um segundo mandato?
Primeiro preciso falar sobre a decisão do partido. Essa aliança não é uma decisão única e exclusivamente minha. O partido foi ouvido na sua maioria absoluta. Todos os órgãos constituídos dentro da sigla tiveram oportunidades de se reunir com os filiados, vereadores e todos os demais. Eles se manifestaram. Depois de mais de 30 dias de consultas chegou-se a constatação de que o melhor caminho para o MDB é a aliança com o governador Ronaldo Caiado. Como presidente do partido preciso acatar o desejo da maioria.

Do ponto de vista pessoal, tenho razões que me fazem ter a confiança na aliança com Ronaldo Caiado e de que essa é uma decisão acertada. Primeiro que nós tivemos uma aliança com o atual governador no ano de 2014. Foi algo bem sucedido e construído em uma relação forte e de confiança. 

Em 2018 o MDB ainda estava dentro de uma estratégia que vinha de seis eleições lançando candidatura própria. Naquele momento tínhamos a clareza de que chegava ao fim o marconismo e o ciclo do PSDB. Entendemos que nenhum partido mais do que o MDB – que ficou os 20 anos na oposição –  deveria se apresentar e buscar esse espaço. Acabamos tendo uma candidatura, mas não fomos bem sucedidos e o Caiado foi escolhido pela população. 

Observe que já em 2018 tínhamos um ponto de convergência, que era colocar fim ao marconismo, a um ciclo político que já estava extremamente exaurido e que trazia prejuízo para o  Estado. 

Agora eu entendo que o governador pegou um estado arrombado e com problemas do ponto de vista fiscal que são incalculáveis. Foram dívidas bilionárias, folha de pagamento em atraso, entre outras coisas. Acho que Caiado poderia ter tido um início de governo mais dinâmico e mais célere, entretanto é preciso reconhecer que ele não possuía nenhuma experiência no Executivo, então era natural começar daquela forma. Veio essa pandemia, que é uma hecatombe e que desafiou todos os governantes, a ciência e a medicina. É algo que trouxe dificuldade para todas as gestões. 

No meio de tudo isso o governador conseguiu algo que eu julgo extraordinário. Foi o benefício de recuperação fiscal que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou. O Supremo pegou o que era melhor do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), juntou com o melhor que tinha no Plano Mansueto, concedeu para o Estado e tirou as obrigações. Nenhum estado foi tão beneficiado com uma decisão judicial como esta. Isso deu viabilidade para que o governador pudesse colocar em prática a sua capacidade de gestão. 

De lá para cá, ou seja, de abril deste ano para cá, o governador vem de fato apresentando programas que reconheço como importantes. São programas de infraestrutura convergentes com os ideais de gestão do MDB – nosso partido  sempre teve essa característica. Ronaldo Caiado lançou um programa de habitação nos municípios, algo que temos também como uma de nossas marcas –  lembre-se dos mutirões do ex-prefeito Iris Rezende. E também tem o viés social que é forte. Caiado tem sido enfático nisso e é uma bandeira cara para nós do MDB, e para mim em especial, já que meu pai, quando governador, foi quem iniciou esse processo de programas sociais em Goiás e no País – ele reconheceu a necessidade do amparo do poder público com as famílias de maior vulnerabilidade.

A gente percebe que há bons propósitos, há uma disposição do governador em superar esses desafios, em fazer com que o Estado possa recuperar sua capacidade de investimento  e que possa ser um Estado que ofereça qualidade de serviço prestado aos goianos. Neste sentido, o MDB chegou a conclusão de que precisa estar de mãos dadas com esse projeto. Os acertos do governo justificam o apoio do MDB à reeleição de Ronaldo Caiado. Isso é muito maior do que qualquer interesse individual, de qualquer divergência pessoal ou partidária que tenha existido em 2018.

Não teria lógica em o MDB colocar um plano de oposição quando se entende que é um governo que está procurando acertar. E também já tivemos alianças com o governador. Ou seja, há uma relação saudável. O próprio Iris tem uma relação muito próxima com o governador. Eu entendo que é natural essa aliança e que nós podemos ajudar e agregar. 

Quando se busca uma aliança do ponto de vista administrativo também tem o sentido de que se aproxime pessoas com experiência, expertise e disposição para colaborar com o projeto. Eu sempre tenho dito que esse não é um interesse imediato nosso. Nós não decidimos pela aliança para ocupar cargo no Estado. Mas amanhã, ganhando as eleições, nós queremos estar governando junto.

Uma outra razão para estar nesta aliança é não deixar que se retroceda ou dê margem para o retrocesso na volta de figuras ou grupos políticos que foram prejudiciais e perniciosos para o Estado. Não tenho que esconder, pois acho que o PSDB liderou tudo isso que aconteceu no passado. Essas são razões válidas para a gente estar junto do governador.

Frederico Jotabê – O senhor você fala em agregar, mas o que precisa avançar no governo de Ronaldo Caiado e como o MDB pode contribuir?
Penso que a máquina administrativa pode ser mais célere, mais dinâmica e menos burocrática. Modéstia à parte, as gestões do MDB –  como exemplo em Goiânia  e Aparecida de Goiânia – se mostraram muito eficientes neste sentido. Foram boas ideias, com quadro de pessoas técnicas e que tem confiança do partido. 

Podemos contribuir nas ideias e nas soluções de tudo aquilo que o Estado vem enfrentando. 

Euler França Belém –  Quais são as áreas da gestão do Estado que podem ter um melhor resultado com auxílio do MDB?
Todas as áreas podem ter avançado, mas podem avançar ainda mais. A área social já conta com o programa Mães de Goiás e o Jovem Aprendiz, mas dá para pensar em um plano maior, ou um plano que também busque qualificar as famílias e assim possam deixar de ser beneficiárias e passem a ser autônomas em relação a geração de sua própria renda.

O MDB chegou a conclusão de que precisa estar de mãos dadas com o projeto. Isso é muito maior do que qualquer interesse pessoal”

A saúde é um setor que avançou muito na descentralização. Esse é um fator que precisa ser reconhecido. Tínhamos em Goiânia, Aparecida e Anápolis, todos os leitos de UTI do Estado. Hoje há leitos em todas as regiões. Saímos de pouco mais de 200 UTIs, para mais de mil. Esse é um avanço extraordinário. Podem dizer que é resultado da pandemia, mas se não fosse colocado em prática com dedicação do governador e do secretário de Saúde, não teria acontecido.

Já a educação vai viver um desafio muito grande agora. A pandemia trouxe novas situações para quem precisa do ensino público. A secretária Fátima Gavioli é muito elogiada no meio político. Eu não tenho tanto conhecimento sobre ela, mas acredito que de fato ela tenha executado boas ações. A princípio tenho visto que as escolas estão sendo reformadas e os alunos recebendo notebooks de última geração. Tem também os benefícios dados aos professores. 

Na área de infraestrutura, o presidente da Goinfra (Pedro Sales) é muito elogiado. As coisas estão acontecendo neste setor. 

É preciso entender que as mudanças são sempre difíceis de serem implementadas. As pessoas sempre preferem o conforto e a comodidade para poder seguir trabalhando.

Frederico Jotabê –  Essa parceria do MDB com o governo do Estado pode vir logo agora, antes das eleições?
Não defendo isso. Neste momento de definições e de escolhas é natural que o governo tenha uma cara mais política. Neste sentido o governador vai saber o momento adequado para fazer a composição. Creio que alguns auxiliares devem deixar o governo para serem candidatos, e talvez esse seja o momento de Ronaldo Caiado entender e avaliar quais mudanças podem ser feitas. 

Se o governador entender que o MDB já deve integrar o governo, então tudo bem. Mas é preciso deixar claro que isso não é imposição e nunca foi objeto de discussão de nossa parte quando tratamos desta aliança.

Patrícia Moraes – Qual foi a participação do ex-prefeito Iris Rezende na aproximação entre o senhor e o governador Ronaldo Caiado?
Ainda no primeiro semestre deste ano, todos nós íamos ao escritório do Iris Rezende para conversar. Ele sempre foi um grande conselheiro. Nestas conversas ele  reconheceu que o governador é uma pessoa de bons propósitos, de princípios e que estava tentando acertar. Iris achava que o MDB precisava fazer uma reflexão sobre  se estar ao lado do Caiado não era o melhor caminho. 

A aproximação foi acontecendo naturalmente. Mas é inegável que esse processo foi iniciado pela boa relação de Iris com o governador Caiado.

Euler França Belém – Sua relação com o Iris, que teve momentos de tensão. Já está tudo superado?
Não posso dizer que não tivemos momentos de tensão. Apesar de nunca termos tido uma discussão pessoal. Entretanto, já há muito tempo eu tenho uma relação muito boa com o ex-prefeito de Goiânia. 

As decisões do MDB e a minha candidatura em 2018 tiveram a orientação de Iris. Sempre procuramos ouvi-lo, saber do seu entusiasmo e não tenho absolutamente nada que reclamar sobre ele. 

Em relação a eleição de 2018 ele sempre foi muito leal e correto. Sempre que precisava, eu o procurava, e ele sempre estava pronto para aconselhar. Depois eu perdi a eleição e ele como prefeito de Goiânia seguiu trabalhando intensamente. Teve a eleição de 2020, que eu conversava com ele para tentar entender se de fato seria candidato ou não. Iris sempre teve uma relação harmoniosa comigo.

Patrícia Moraes – Seu perfil, da nova geração, sempre foi o de impor projetos políticos, trabalhando com afinco na defesa deles. Isto gerou a imagem de que o sr. era “intransigente”. Porém, agora, surge como moderador, mais próximo da imagem do saudoso Maguito Vilela, seu pai. O que provocou a mudança?
Um pouco de cada. Eu nunca me considerei uma pessoa intransigente. Acho que todos os projetos que me propus a participar tinham razões, rastros racionais para isso e pessoas que pensavam assim como eu. Talvez a juventude acabe transparecendo que há um pouco mais de intransigência, de imposição e coisas do tipo. 

Talvez seja um pouco pela idade. Não que esteja muito velho, mas é natural o amadurecimento. Já participei de quatro eleições grandes que me fazem compreender melhor e ver que nem tudo é do jeito que se quer, nem sempre é do jeito que se imagina e é preciso adequar a realidade, e não a realidade se adequar a gente. Isso vai nos moldando e moderando.

Também não posso negar que a perda do meu pai foi muito impactante. Mas não foi no sentido de desmotivar. Um fato como a morte do meu pai é impactante na vida de qualquer um, principalmente do ponto de vista da reflexão, de nos fazer pensar o que queremos para vida e de nossas relações. Uma particularidade é que meu pai, ao final da vida dele, se consagrou em razão da diplomacia que ele exercia na política. Ele não tinha inimigos. Ele tinha adversários e a sua posição política. Ele nunca procurou esticar a corda com ninguém, e aceitava todos do jeito que são e as circunstâncias do jeito que eram. 

Quando a gente perde alguém acabamos refletindo a história da vida dessa pessoa. No caso do meu pai foi uma história bem sucedida. E se ele foi bem sucedido, acho que eu devo seguir desta forma também para que possa ter sucesso nos meus projetos –  não só políticos, mas de vida. Ele passou a ser uma grande inspiração neste sentido. A perda do meu pai é um fato que tem me deixado mais ponderado e mais equilibrado.

Eu vivi ao longo destes últimos meses, mas principalmente nos 80 dias de doença dele, momentos muito fortes do ponto de vista espiritual. São coisas que só eu consigo compreender e explicar. Isso nos traz o conforto de que não adianta buscar tudo, brigar por tudo, se dedicar em tudo e deixando coisas importantes de lado. A gente acaba percebendo que na verdade tudo tem um propósito e razão para ser. Isso também diminui as nossas ansiedades.

Eu passei por essa perda e essa reflexão, o que me deixa mais sereno e menos ansioso. Meu pai ganhou uma eleição estando entubado. Isso vai contra qualquer lógica eleitoral. O conceito das pessoas é subjetivo e a conjuntura é que define a eleição.

Frederico Jotabê –  Como o senhor vai usar esse perfil moderador para mediar as relações dentro da base do governador?

Mais do que nunca, vou precisar ter esse perfil. Acho que precisamos fazer um registro, e não estou fazendo nenhuma crítica ao passado, mas é nítido que o governador também passou por um processo de amadurecimento muito forte ao longo deste mandato. 

Esse amadurecimento é normal, pois ele era um parlamentar, que precisava ter uma postura mais incisiva e questionadora. Isso fez ele se tornar figura que conhecemos nacionalmente. Quando ele chega ao Executivo é uma situação bem diferente. Agora ele precisa ser um mediador de sua equipe por 24 horas. E isso acaba demonstrando a necessidade de ser assim também no campo político.

Creio que o próprio governador se encontra com muita experiência, sabedoria e compreensão para poder construir seus apoios. Agora, toda eleição é desse jeito, mas a gente esquece. Em 2017 as confusões existiam. Havia aquela briga por posições entre os partidos. O PP era da base do governador em 2018 e de repente saiu e veio compor comigo. No PSD o Vilmar Rocha questionou por muito tempo a candidatura do José Eliton (PSDB). Aconteceu na eleição passada e hoje não tem nada diferente. 

Cabe a nós, e eu como integrante da base do governador, colaborar com todos os partidos que já estão e os que podem chegar. É importante que todos se sintam integrantes de um projeto, que possam compreender que há algo muito maior do que a individualidade e que todos podem dar a sua colaboração, independente do espaço que vai estar ocupando. 

É desta forma que eu pretendo atuar. Tenho feito conversas com vários partidos e vários líderes. A ideia é tentar construir uma aliança neste sentido.

Marcos Aurélio Silva – Como o senhor tem tentado ser conciliador internamento no MDB, falando especificamente do prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, que é uma voz destoante em relação à aliança do partido com o DEM? Ou a situação dele é irreversível, e ele deve deixar o MDB e buscar uma candidatura própria?

Eu não vou dizer que é irreversível a saída do Gustavo, porque daqui até março tem muita coisa para acontecer. Esse será o momento que ele terá que decidir efetivamente se renuncia seu mandato de prefeito ou não. 

Eu tenho feito o exercício de buscar um diálogo com Gustavo Mendanha, no sentido de moderar e colocar todas as circunstâncias e a necessidade de estar junto conosco. Tenho buscado mostrar que o partido sempre foi muito leal a ele. O MDB sempre deu oportunidades, quando Gustavo precisou e quando ele quis ser candidato a prefeito. Ele não era candidato. Isso é de conhecimento público. Até então ele não era o nome que a base do prefeito Maguito enxergava como o candidato natural em Aparecida de Goiânia. Essa foi uma situação construída. Teve o trabalho de muitas pessoas que são ligadas ao partido e que precisa ser levado em consideração da parte dele.

“A perda do meu pai é um fato que tem me deixado mais ponderado e mais equilibrado”

Ele vai deixar os seus colegas, os aliados e as pessoas que o conhecem para migrar para um grupo que foi antagônico ao MDB ao longo de 20 anos. Estou falando de um grupo que está hoje sendo repudiado pelos goianos, ao ponto do ex-governador não poder morar em Goiás e não poder andar na rua. Será que isso é uma decisão sensata e equilibrada? Eu acho que não é por aí. Tenho dialogado neste sentido. 

Outra coisa que tenho feito é mostrar que qualquer divergência pessoal ou partidária com o governador, não pode ser maior do que o pensamento macro para o partido e para o Estado. Assim como eu, o Gustavo é jovem e tem muita lenha para queimar e muita estrada pela frente. Nada vai se “definir em definitivo” por agora.

Talvez nós estejamos em frequências diferentes. Ele tem uma frequência de querer imediatamente e de que tem que ser agora. Eu não acho que seja dessa forma. Vou insistir até o último dia para que ele possa seguir no MDB.

Euler França Belém – O senhor e o Gustavo Mendanha são amigos?
Sim. Sempre fomos. Sempre foi uma relação de confidências. Tenho uma relação pessoal com ele. Gosto do Gustavo. Acho que ele sempre teve importância em meus projetos, assim como eu tive nos projetos dele. Eu falo e converso, mas a decisão obviamente é dele.

Euler França Belém –  Dois 28 prefeitos do MDB, o senhor achava que justo o Gustavo  seria contrário ao MDB na vice de Caiado?
Eu disse isso ao Gustavo. Se me perguntassem qual prefeito do MDB não estaria junto com o partido, eu jamais acharia que seria ele. Pela nossa história, por tudo que ele já disse publicamente sobre a importância que eu tive na carreira dele, no processo de convencimento e construção da candidatura dele à Prefeitura de Aparecida. Eu não imaginava. 

Patrícia Moraes –  Antes do senhor se aproximar do governador Ronaldo Caiado, quem estava bem próximo era o Gustavo. Correto?
Sim. O que era uma orientação do meu pai e que eles faziam juntos. Meu pai dizia: Gustavo você é prefeito e não tem que brigar com o governador. 

“Não vou dizer que é irreversível a saída do Gustavo, porque daqui até março tem muita coisa para acontecer”

Apesar de eu não ter proximidade com o governador Ronaldo Caiado no começo do mandato dele, eu nunca pedi para o Gustavo ter uma relação belicosa, de confronto e de enfrentamento. 

Os deputados estaduais do MDB faziam parte da base do governador Ronaldo Caiado. Eu nunca quis impor a ninguém que fizesse oposição, muito menos ao Gustavo. Até porque a tese que prevalecia era a do meu pai, que dizia: entre governantes não se faz oposição.

Patrícia Moraes –  O fato do governador ter se aproximado do senhor pode ter gerado no Gustavo Mendanha algum sentimento que agora o leva a negar essa aliança?
Não posso dizer isso. Eu sei que quando eu tive uma primeira conversa política com o governador, eles já não estavam em boa sintonia. Tanto do lado do governador, quanto do próprio Gustavo. Existiram fatores na eleição de 2020 que acabaram levando ao tensionamento da relação deles.

Modéstia à parte, quando fui candidato em 2018, foi com projetos e com ideias. Eu falava, sabia o que podia oferecer e demonstrar o que podia ser feito para o Estado, sempre muito calcado na tese de que era o fim do ciclo político dos marconistas e que Goiás precisava mudar. 

O Gustavo deu uma entrevista dizendo o seguinte: nunca imaginei que o MDB iria sucumbir à tirania do Caiado. Então ele precisa explicar objetivamente o que é essa tirania. Quais são os prejuízos que estão sendo gerados para o Estado? Se o Gustavo for ser candidato de oposição para falar de tirania e de frases feitas não vai chegar a lugar nenhum. No fundo o que as pessoas querem saber é  se ao criticar o candidato tem alternativas. O que será proposto e o que fará de diferente?

Essa é a discussão da mudança ou da continuidade. Não basta querer ser oposição porque não gostar do Caiado. Política não pode ser isso e nem vai ser decidida em cima disso.

Patrícia Moraes –  Em uma das entrevistas  de Gustavo, ele disse que os prefeitos do MDB estão cooptados politicamente pela questão administrativas e dificuldades financeiras das prefeituras. O que o senhor pensa sobre?
É um erro dizer isso. Está imputando a colegas uma adjetivação muito forte. Eu disse em um dos primeiros eventos que tive com o governador, em Aruanã – na inauguração do Centro de Convenções que levou o nome do meu pai – que era preciso reconhecer que o Caiado tem sido próximo aos prefeitos, municipalista e que tem ouvido as reivindicações.

Já neste evento o governador falou do projeto Goiás em Movimento, em que o Estado executa os recapeamentos nas cidades. Eu ando muito no interior e vejo que talvez essa seja a grande demanda dos prefeitos. Então, se percebe que o governador estava  construindo uma relação com os prefeitos. E quando os prefeitos começam a aderir e se filiar ao DEM, é algo natural. Isso ocorreu no passado com o PSDB. Eles não podem condenar. 

Entre os prefeitos do MDB, apenas um desfilou para se juntar ao DEM, mas foi por razões muito particulares. Os demais não. Ficaram no partido e defendem que estejamos junto com o governador em 2022. Eles tomaram uma posição diferente Ou seja, não vão deixar o partido, mas defender internamente o MDB junto com o governador.

Estamos falando de prefeitos maduros, como o Humberto Machado, de Jataí. Não tem como falar que ele aderiu ao Caiado para ter algum tipo de benefício. Jataí é uma cidade quase que independente financeiramente. Tem o prefeito de Mineiros (Aleomar Rezende), que é o braço direito do Agenor Rezende, um homem experiente. E os menores também querendo acertar e ser parceiro do governo.

Patrícia Moraes –  Essas alianças feitas neste momento de pandemia vêm com desejo de mudanças de comportamento?
Vejo que sim. Nenhuma pessoa desta geração viveu uma situação de pandemia como esta. A gente às vezes faz críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que são legítimas, mas fazemos isso cobrando uma postura de união, de liderança, de defesa do país e que faça coisas para que conforte os brasileiros, ofertando situações para superar a pandemia –  seja com vacina ou leitos de UTI. Quando ele não faz isso, a gente fica com sentimento de falta de compaixão. Da mesma forma, isso precisa ser no Estado. 

É um desafio, uma hecatombe que caiu e de repente mudou tudo na vida. Alguns, como eu, perderam seus familiares. Outros perderam seu emprego e renda, outros não sabem como vão sobreviver daqui pra frente. Tem aqueles que perderam a profissão, já que muita coisa se digitalizou.

Esse é um momento de muita insegurança e as pessoas querem sabedoria, unidade de todos. Há buscas por uma mudança de comportamento político neste sentido. Esse é outro fator que pesou para que estejamos com o governador em uma aliança.

Frederico Jotabê –  Pelas pesquisas, Goiás tem essa característica de ter uma base mais bolsonarista. Tem também essa questão da relação de idas e vindas do governador com o presidente. Como o MDB vai trabalhar com isso e como agregar? Lembrando que o ex-presidente Michel Temer tem ajudado o presidente a diminuir tensões…

O slogan do MDB é “ponto de equilíbrio”. Pouca gente sabe, mas esse slogan foi extraído de um discurso do meu pai, em um evento da Alego, com a presença do Baleia Rossi e do assessor de comunicação do MDB. Eles ouviram meu pai dizer: o MDB é quem traz a moderação para o Brasil, o MDB é ponto de equilíbrio do Brasil. O pessoal do marketing estabeleceu essa frase como novo slogan do partido.

“Não basta querer ser oposição porque não gosta do Caiado. Política não pode ser isso e nem vai ser decidida em cima disso”

É neste sentido que temos visto o posicionamento do partido em nível nacional. Eu sou executiva. Sou vice-presidente do MDB nacional. Temos defendido internamente e majoritariamente uma terceira alternativa nas eleições, além de uma moderação na política. Quando o próprio Michel Temer é chamado a entrar neste processo é em razão do perfil dele e do partido. 

Temos um posicionamento muito claro neste sentido. O MDB defende uma terceira via. Deve lançar o nome da senadora Simone Tebet em breve, mas se não for ela a candidata, está claro que vamos defender uma candidatura alternativa que tenha a defesa do equilíbrio na política.

A partir do momento em que começou a se tornar sólida a sua aproximação com o governador Ronaldo Caiado, as redes sociais se tornaram um campo de ataque, vindo do grupo do ex- governador Marconi Perillo. Em uma postagem é feita a citação de doação de dinheiro da empreiteira Odebrecht ao seu pai. Como o senhor comenta isso? Esse deve ser o tom da campanha em 2022?
Houve um erro em uma matéria que foi publicada em um jornal goiano. Eu disse que estava defendendo uma aliança com alguém decente e com o qual já tivemos uma aliança, e que, diferentemente do ex-governador Marconi Perillo – esse sim nosso grande adversário – o Caiado já foi nosso aliado. O título ficou assim: Estamos fazendo uma aliança com alguém decente, diferente do Marconi Perillo. Foi daí que surgiu uma reação de Marconi nas redes sociais. 

Não quero polemizar ou discutir com ele sobre o julgamento político. Isso quem faz é a sociedade. Fizeram em 2018 e continuarão a depender do comportamento. Acho que Marconi não pode se arvorar como paladino da moralidade. Nem agora e nem na eleição. 

“Marconi não pode se arvorar como paladino da moralidade”

O problema é que quando o sujeito passa pela situação que ele passou, de chegar a ser preso, qualquer carapuça que aparece ele veste. Nem se está oferecendo a carapuça a ele, mas veste. 

Se o ex-governador e seus aliados quiserem entrar por esse caminho eu acho que eles têm muito mais a responder. Eu não tenho um processo na minha vida. Essa doação da Odebrecht nem processo existe, nem ofereceram denúncia porque não tinha materialidade. Já Marconi, foi preso. Não sei se ele foi condenado, mas eu não acompanhei e também não tenho nada do que esconder.

Acho que esse não é um debate interessante para o grupo marconista. Não é o tom dos mais interessantes para a campanha. Além do que, quem é candidato é o governador Ronaldo Caiado, que também tem uma imagem de honestidade.

Cilas da Silva Gontijo – Temos a ideia de que o vice é a pessoa que não vai aparecer nunca e que não tem protagonismo nenhum. Para o senhor, uma vaga na Câmara Federal ou no Senado não te daria mais visibilidade do que ser vice?
Para tomar uma decisão deste tipo é preciso ter um componente sobre a vaidade pessoal. Confesso que quero ajudar e colaborar. Como vice, quero ser importante como alguém que pode ajudar e que está junto. Modéstia à parte, nasci em um lar político, sei entender a hierarquia e respeitá-la.

Eu acho que se pode ter vices que contribui muito com o titular e com a missão, que no caso é o Estado.  Não vejo nenhum demérito. Isso vai muito da pessoa. Meu pai só se tornou governador porque ele foi um vice muito leal, atuante e parceiro do Iris. O Iris teve outros vices que tiveram a mesma atitude e acabaram ascendendo. E teve vices que acabaram não ascendendo em razão do comportamento e da compreensão diferente.

O que eu acho importante neste processo é todo mundo estar com disposição, para cada um fazer sua parte e dar sua colaboração. Eu não tenho nenhum tipo de vaidade em dizer que vou ficar escondido. Quero ajudar.

Frederico Jotabê – Já que o senhor falou sobre ser vice,  e também os vices do seu pai… depois do rompimento no começo do ano com o Rogério Cruz, como está sua relação com ele?
Não tenho relação com Rogério. Acho que foi uma forma equivocada da parte deles o rompimento. As pessoas que vieram de fora acabaram tomando decisões sem ter uma visão adequada do contexto. Em todos os momentos sempre apresentei para o prefeito Rogério que a minha intenção era de colaborar e que eu tinha compreensão de que aquela era uma situação diferente. Ele é o prefeito. É natural que ele tenha pessoas do partido dele participando da administração. 

A forma como foi acontecendo, de uma forma que expôs nosso partido e nossos quadros, foi que levou aquela circunstâncias. No fundo, não posso falar por ele, tenho certeza de que eles sabem que cometeram muitos erros naquele momento. 

O que eu posso fazer hoje é torcer para que dê certo. Como morador da capital,  eu torço. Ele tem hoje um plano de governo factível, plenamente executável e uma situação fiscal que permite ele realizar tudo isso. Temos que torcer para isso, pois se Goiânia retroagir nós vamos perder tempo e deixar de avançar. Eu torço pelo Rogério, mas não tenho relação política nenhuma.

Euler França Belém – Mas dentro dessa política de pacificação que o senhor tem feito, conversando com líderes, como Roberto Naves (PP) e Alexandre Baldy, não seria interessante conversar com o Republicanos?
Eu não me oponho. Acho que as decisões de alianças partidárias precisam ser lideradas e definidas estrategicamente pelo titular. Como já definimos que o governador é o candidato, acho que isso tudo são decisões da parte dele. 

No que me compete, acho que estamos em um projeto muito maior, projeto de estado, projeto de pensar Goiás, e se de fato ele (Ronaldo Caiado) compreender que o Republicanos faz parte dessa aliança tudo bem. Eu acho que o projeto é maior do que qualquer divergência pessoal, política ou partidária.

Euler França Belém –  E como o prefeito de Catalão, Adib Elias, o senhor já conversou?
Não. Ainda não me foi dada essa oportunidade de falar com ele. Conheço o Adib desde que sou criança. Conheço ele bem. Tenho profunda admiração por ele e por toda sua história como prefeito. Mas ele tem o temperamento dele e vamos aos poucos arrefecendo e tentando construir o diálogo, zerar o processo pretérito e pensar no futuro.

Euler França Belém  –  Com o Lissauer Vieira o senhor tinha uma relação muito boa. Mas houve um afastamento. Como está agora?

Da minha parte não houve afastamento. Não tenho interesse nisso. Reconheço nele um grande líder que se consolidou por meio da presidência da Assembleia Legislativa de Goiás. Ele é uma pessoa ponderada, equilibrada e moderadora de temas importantes no Estado. 

Essa chegada do MDB à base do governador traz muita mudança, e as pessoas se ressentem inicialmente. Eu espero que seja igual a um caminhão de melancia que  quando começa a andar cada um vai tendo seu espaço legítimo e seus objetivos atendidos.

Euler França Belém – O senhor teve uma conversa com Roberto Naves?
Sempre tive uma boa relação com o Roberto, antes das eleições e antes de ele se tornar prefeito. Por questões de particularidades locais precisamos conversar. Tivemos um candidato a prefeito em Anápolis que foi adversário dele. O Márcio Corrêa foi um baita candidato, uma pessoa  extraordinária e de futuro. 

O Roberto foi reeleito e o projeto dele hoje talvez seja outro. O projeto do Márcio talvez seja ser prefeito de Anápolis. Porque não, em um futuro, o Márcio não faça parte de um projeto do Roberto ou o contrário? Essas coisas podem acontecer. A política é dinâmica. 

Não tenho nenhuma restrição ao Roberto e acredito que ele também não tem nenhuma a mim.

Frederico Jotabê –  Mesmo sendo candidato a vice, o senhor ainda terá uma chapa de deputados para montar. Até então o nome mais forte para disputa a deputado federal era o seu. Como vai ser essa montagem?
Nós estamos trabalhando. Depois de virar a página do partido em relação a decisão da aliança e da vaga de vice, além de contribuir com toda base do governador, cabe a nós, dedicar a construção da chapa de deputados federais e estaduais. Estamos muito otimistas por algumas razões. Primeiro que para deputado estadual temos muitos nomes competitivos no Estado. Segundo em relação à disputa de deputado federal, essa legislação é extremamente positiva para o Brasil e favorável ao MDB.

Com o fim das coligações, os partidos pequenos e de aluguéis que ficavam dentro do mercado político, vão ser extintos na eleição de 2022. Não vão alcançar a cláusula de desempenho. Neste sentido, em 2023, vamos voltar a ser um país em que o Congresso será dominado por cinco ou seis partidos. 

Não vamos ter muitas opções para deputados federais. Eu acredito que em Goiás teremos cinco chapas. Uma delas é o MDB. A partir do momento que se tem muitas vagas e poucas motos para estacionar, tem que se juntar nas vagas. Neste sentido, vamos ter condições de fazer uma boa chapa e eleger bons deputados federais.

Euler França Belém  –  Ao fazer uma lista de possíveis candidatos a deputados federais, no MDB só aparecia um nome, o de Renato Câmara…
Não. O próprio Márcio Corrêa é uma possibilidade. Hoje temos pesquisas que mostram que ele seria o deputado mais votado de Anápolis. Vamos construir uma candidatura no sudoeste. O sudoeste sempre elegeu deputados, inclusive até dois. 

Euler França Belém –  Um desses nomes pode ser o Leandro Vilela?
O Leandro não quer. Ele tem conversado muito sobre isso e não é um projeto que está na cabeça dele. 

Mas vamos construir uma candidatura no Entorno de Brasília. Em Goiânia também vamos ter uma candidatura. Em Aparecida devemos ter outro candidato. 

E muito vai ter que ser adaptado em razão da mudança de partido que os deputados vão ter que fazer na janela. Não haverá coligação. E hoje são 10 ou 11 deputados que estão sozinhos no partido. Ou por exemplo, o PP tem dois deputados, se o professor Alcides sair, o Adriano fica sozinho. Ele não vai querer correr o risco de não ter 180 mil votos e ficar de fora. Isso fará com ele migre de partido. Ou seja, vai ter uma mudança grande. 

Outra mudança na legislação reduz o número de candidatos. Hoje só pode lançar 17 candidatos. Para nós é um facilitador. No geral, para partidos menores é um complicador. 

Frederico Jotabê  –  Quando se fala com marqueteiros políticos eles dizem que a eleição para deputado federal está mais fácil do que para estadual. O senhor concorda?
Eu acredito. Vai ter um número de concorrentes menor. Tem gente que aponta a seguinte conta: vai ter 25 candidatos competitivos para 17 vagas. Então não é ruim essa disputa. 

Agora, se for 41 vagas para estadual com 200 candidatos, é muito difícil. Eu acho que acaba sendo muito mais onerosa. Porque indo a 50 municípios para ser deputado estadual, precisa de 150 para ser deputado federal. Não tem jeito. Tem que manter uma estrutura, contratar colaboradores, material gráfico e tudo isso. 

Por outro lado, o federal também tem uma vantagem, os partidos investem mais, porque precisa ter nomes lá em cima. Os recursos são investidos praticamente em sua totalidade nos candidatos a deputado federal.  

Euler França Belém – O senhor acha que o MDB faz três deputados federais?
Eu estou bastante otimista nesta possibilidade de eleger ao menos três deputados federais.

Frederico Jotabê –  O senhor vai estimular que deputados estaduais subam para federal?
Nenhum deles está animado com isso. 

Marcos Aurélio Silva – Tem uma vaga que está mais concorrida do que a de deputado federal. É a de senador na chapa de Caiado. Como o senhor avalia os nomes que estão colocados para a vaga?
É difícil fazer essa avaliação. Acho que todos que estão colocados tem seus pontos positivos, legitimidade e estatura para estar se colocando como candidato. Mas acho que lá na frente vai ter que todo mundo compreender o cenário daqueles que conseguiram construir e avançaram mais do que os outros. 

“Meirelles ser senador por Goiás é uma grande conquista”

Frederico Jotabê – Sobre a construção de uma chapa para deputado federal, com o senhor na vice de Caiado, é uma forma de atrair mais lideranças para dentro do MDB?
Fazer chapa com governo é mais fácil. Já estamos escolados em fazer chapada na oposição. Não é fácil. A gente começa bem, mas quando chega nos últimos dias tem um esvaziamento na chapa. 

Patrícia Moraes –  Como o senhor observa esse retorno de Henrique Meirelles (PSD) para Goiás?
Gosto muito do Meirelles. Tive uma relação quando fui deputado e ele foi ministro da Fazenda. Ele por ser goiano sempre deu respaldo para gente. Depois, eu dentro do MDB, acho que fui uma das pessoas mais importantes na consolidação dele como candidato a presidente da república. Eu ajudei na formatação, ajudei a construir, sempre estive presente e ele sempre me pedia ajuda. Ele também me ajudou na candidatura a governador. Eu fui um bom parceiro, leal e convicto de que ele era o melhor candidato a presidente da república que tivemos em 2018. Todo material meu tinha a foto do Meirelles e todos os grandes eventos que tínhamos em Goiás ele estava presente.

O Meirelles é goiano que brilhou e brilha nacionalmente. Ele é sinônimo de credibilidade. Qualquer fala dele sobre a perspectiva econômica do país é a que gera maior confiança. Isso trouxe impacto para Goiás. Acho que Meirelles ser senador por Goiás é uma grande conquista para nosso Estado. Nos dá protagonismo e uma posição de uma boa representatividade.

Ele não vai ganhar eleição só por isso. Ele precisa fazer o trabalho político. Ele tem que conquistar a classe política e as pessoas daqui. Ele precisa ter essa disposição. eu vejo que o impacto é extremamente positivo para Goiás. Ele é motivo de orgulho para todos nós –  o que não significa que ele vá ganhar eleição. Os demais candidatos têm seus valores e importâncias.

Patrícia Moraes – A oposição usa o argumento de que Meirelles foi presidente do Banco Central no governo do PT. Isso reflete negativamente na candidatura dele?
Não. Ele foi presidente do BC quando o Brasil apresentou o maior crescimento. A maior reserva econômica do Brasil foi quando ele esteve à frente do BC. Foi ele quem criou a reserva. 

Em relação ao governo federal, a outros ministros e presidentes do Banco Central, ninguém alcançou o que ele conseguiu.

A recuperação que ele atingiu quando ministro da Fazenda do Michel Temer, quando já estávamos em recessão e no ano seguinte crescemos 1,5% e no mês que ele saiu o Brasil crescia a 3%. E depois voltamos a cair. Hoje não há questionamento quando se compara o “posto Ipiranga” e o Meirelles. As pessoas se puderem optar e escolher o Meirelles seria o nome. 

Frederico Jotabê – E qual sua relação com os demais nomes do PSD? Especialmente  com Vanderlan, já que vocês foram companheiros de chapa em 2018, mas estiveram em lados opostos em 2020?
Nunca mais tive relacionamento ou conversa com o Vanderlan. Ele foi eleito na nossa chapa e tínhamos uma relação pessoal. Mas na eleição de 2020, em que ele foi adversário de meu pai na disputa pela Prefeitura de Goiânia, acabou descambando por um caminho desnecessário. 

Não guardo mágoas nenhuma da eleição com ele. Acho que quem perdeu foi ele. Provavelmente, dentro de um processo de reflexão, ele tenha compreendido que errou de alguma forma. 

Com o deputado Francisco Júnior eu tenho uma relação muito boa, que antecede o nosso ingresso na política. 

Com o Vilmar Rocha também é uma relação muito boa. Talvez, de todos do PSD, o que eu tenho mais proximidade é o Vilmar. Gosto muito de conversar com ele, de ouvir as ponderações e histórias dele. Ele tem uma vivência política muito grande. É uma pessoa que tenho profunda admiração, sem nunca ter subido em um palanque junto com ele. Sempre fomos adversários. 

Cilas da Silva Gontijo –  Em relação ao Gustavo Mendanha, que tem se aproximado muito de Marconi Perillo, o senhor acha que ele pode estar dando um tiro no pé? Considera ele um traidor?
Sobre ele ser traidor, não vou entrar nesta seara. Mas eu acho que o Gustavo é muito inteligente para tomar uma decisão que com certeza comprometa a carreira política dele. Mas já vimos muitas pessoas inteligentes e de futuro caírem em conversas. Aí está a inteligência do outro e capacidade de sedução, que por vezes sobrepõe  capacidade racional, e as coisas se perdem. 

Cilas da Silva Gontijo – O senhor acha que a votação expressiva que ele teve em Aparecida de Goiânia subiu para cabeça?
É difícil fazer essa avaliação. A política pode movimentar muito a vaidade humana. Isso é um negócio que já vimos acontecer. Não sei se é o caso do Gustavo. Mas espero que não seja. É preciso aguardar as definições que ele irá tomar.

Euler França Belém – Como vai ser o critério para escolher o senador na chapa do governador?
Não sei. Eu acho que o governador com a experiência  dele tem conduzido e conversado com todos nós. Isso precisa ser construído entre todos e de forma natural. É assim, que lá na frente, todos vão compreender a sua posição nesta disputa.

Não adianta querer impor se não há viabilidade política, ou condições. Pode ter alguns critérios objetivos, como pesquisas e forças de partido. Isso será levado em consideração para encontrar a métrica. 

Euler França Belém –  Poderia deixar essa escolha para os partidos?
Mas aí é uma sugestão que precisa ser feita ao governador. Ele é o candidato.

Marcos Aurélio Silva  – Como Michel Temer e o Baleia Rossi têm visto essa chapa de MDB e DEM?
Eu tenho amizade pessoal com o Baleia Rossi. Conversamos semanalmente. Fizemos uma viagem recente. O Baleia acompanha a política goiana. Ele tem muitos amigos aqui. Pelo discurso, ele acredita que o melhor caminho do partido é estar ao lado do governador Ronaldo Caiado. 

Michel Temer, quando era presidente do partido, ele não se preocupava em entrar em discussão e às vezes nem saber do cenário. Depois que ele saiu, passou por alguns processos e acabou se afastando um pouco da política partidária. 

Euler França Belém –  Mas a ida do Gustavo Mendanha para uma reunião com Michel e com o Baleia não influenciou em nada nas decisões aqui?
Não. Receberam ele. Naturalmente conhecemos ele. Reconhecem nele o prefeito importante de uma cidade importante para o partido. Mas nada além disso. 

Patrícia Moraes – Em qual grupo vão ficar os bolsonaristas? Em qual chapa eles vão estar em Goiás?
Não sei. E acho que nem eles sabem. Tem muitas possibilidades na cabeça deles. Creio que nem esse grupo ainda se definiu. 

Patrícia Moraes –  Eles realmente representam 25% do eleitorado?
Não sei se o Bolsonaro representa. Ele tem até mais do que isso nas intenções de voto aqui em Goiás. Já vi de 35 a 40% Mas eu acho que tem um pouco de antipetismo. Não dá para saber o que tem de Bolsonaro. 

Patrícia Moraes – A eleição nacional será polarizada?
Eu posso estar errado, mas tenho sentimento grande de alguém de terceira via ir para o segundo turno. E se for para o segundo turno contra Bolsonaro ou Lula, a eleição está decidida. Eu creio nisso. 

Patrícia Moraes –  Mas qual nome pode ser essa terceira via?
Talvez, por questão de amizade, acho que Rodrigo Pacheco é quem reúne a melhor condição. Eu fui deputado pelo MDB ao lado dele. Tinha uma relação muito próxima. Ele virou presidente da CCJ, eu sucedi ele na comissão. Tivemos uma relação muito boa. Não sei se é porque tenho admiração por ele, mas tem um comportamento de equilíbrio e ponderação. Ele ainda é mineiro. 

Marcos Aurélio Silva – Essa fusão DEM/PSL reforça esse seu ponto de vista?
Sim. DEM, PSD e o MDB podem estar junto com ele. Só isso já aglutina muito. Aí se isola o Dória no PSDB. E acho que se o Eduardo Leite ganhar as prévias ele acaba sendo candidato. Ele não deve recuar. Aquele que aglutinar um pouco passa a ser competitivo. 

Euler França Belém – O Luiz do Carmo realmente vai sair do MDB?
Eu converso muito com o Luiz. Gosto dele e tenho amizade. Tenho procurado ajudar nesta decisão. Ele tem toda disposição e tem dito que é candidato. Ele como senador tem esse direito. Mas é uma decisão que vamos ter que aguardar.

Patrícia Moraes –  Essa chapa MDB e DEM vai ter uma proposta mais forte para o setor social? Levando em conta o trabalho de seu pai e a história dele neste setor? O senhor já pensou em algum projeto neste sentido?
Com certeza. As coisas estão acontecendo, mas em razão da pandemia se ampliou a necessidade de uma rede de proteção social no Estado. Nós temos legitimidade para somar a isso. 

É uma bandeira que a gente defende muito e tem aderência com o próprio governador. ele tem sido enfático na defesa dos projetos sociais. Com certeza vamos somar esforços. 

Uma resposta para ““Acertos do governo justificam o apoio do MDB à reeleição de Ronaldo Caiado””

  1. Avatar Nilson Jaime disse:

    Boa entrevista!
    Vejo com bons olhos essa aliança. Tenho certeza que Goiás ganhará com ela. Uma aliança que mostra a perspicácia politica do governador Caiado e o amadurecimento de Daniel. Sua trajetória política e a de seu grupo estarão asseguradas, pois o MDB precisa ganhar eleição majoritária. Maguito faz falta.

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