Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram boa parte da população brasileira dormir mais tarde nesta noite de sexta-feira, 28. Era o aguardado debate da Rede Globo entre os dois presidenciáveis. Má notícia “spoiler” para este texto: a maioria foi dormir frustrada.

Novamente, foi mais um confronto do qual não se pôde extrair grandes discussões. Lula, um dia depois de completar 77 anos, esteve acima da média nos debates anteriores. Durante todo o tempo, procurou não cair nas provocações do adversário – teve sucesso na maioria das vezes – e soube contra-atacar utilizando armas semelhantes. Bolsonaro pareceu um pouco mais abatido do que o habitual. Procurou atacar o petista em pontos sensíveis e evocou a questão do aborto mais de uma vez durante o encontro.

Logo de cara, Bolsonaro puxou o tema sobre o que chamou de mentiras que o programa do PT estava levando ao ar no horário eleitoral. O problema foi o tema: dinheiro do trabalhador. O presidente queria saber de Lula se ele teria dito que, em um novo mandato, acabaria com o 13º salário. Lula aproveitou a deixa para questionar por que Bolsonaro não reajustou o mínimo acima da inflação, em quatro anos de governo. E o debate acabou monótono, com questionamentos mútuos.

O clímax do primeiro bloco ficou pelo fato de, em determinado momento, Bolsonaro ter chamado Lula de “bandido”. O ex-presidente lembrou da acusação de rachadinhas e dos imóveis comprados pela família do adversário. Uma novidade virou furo: Bolsonaro prometeu salário mínimo de R$ 1,4 mil para o ano que vem.

Os blocos seguintes caracterizariam uma nota zero se fosse uma redação do Enem. Ambos aplicaram a “fuga ao tema” várias vezes. No segundo bloco, por exemplo, cada candidato escolheu um tema, entre seis previamente selecionados, para que fosse discorrido. Lula ficou com “combate à pobreza” e Bolsonaro, com “respeito à Constituição”. O assunto parou em várias outras agendas.

No fim, nas considerações finais, na hora de pedir voto, Lula apelou à esperança e Bolsonaro, à questão religiosa. Resumo: quem estava convencido de sua escolha torceu por ela, quem estava indeciso (pouquíssimos) talvez tenha dormido da mesma forma.