O candidato a vice-presidente na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSB), afirmou, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 21, em Goiânia, que espera atrair votos de antigos e atuais aliados do PSDB. Movimento de aliança ocorre em meio a políticos ligados ao grupo que apoiou Eduardo Leite (PSDB) em Goiás nas prévias do PSDB declararem apoio à candidatura do petista à presidência. Alckmin veio a Capital para se reunir no início da manhã com apoiadores e aliados no Centro de Convenções, e em seguida almoçou com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).

A coordenação de união partiu do ex-deputado federal goiano Giuseppe Vecci, que é parte da executiva nacional do partido e vice-presidente do PSDB em Goiás. Além dele, o ex-governador e também ex-tucano José Eliton, hoje no PSB, auxiliou na costura pelo acordo.

Alckmin agradeceu a presença dessas lideranças na campanha, destacando que elas surgem como um aceno claro da frente ampla que o PT tenta construir para vencer já no primeiro turno. “Não estamos constrangendo ninguém. As pessoas são livres para decidir, mas tem tido, naturalmente, o entendimento da gravidade que o Brasil está”, frisou.

“Fico muito feliz com os apoios recebidos. Primeiro com Zé Eliton, que já foi do PSDB e hoje está no PSB, em aliança com o candidato petista a governador Wolmir Amado. Também do Giuseppe Vecci, da vereadora Aava Santiago, do presidente do PSDB jovem Goiás, Rodrigo Rizzo. Estamos juntos para reconstruir o Brasil”.

Também participaram da recepção o candidato a vice-presidente na chapa de Amado, Fernando Tibúrcio (PSB), a candidata ao Senado por Goiás Denise Carvalho (PCdoB), o deputado federal Elias Vaz (PSB), o vereador de Goiânia Mauro Rubem (PT), a deputada estadual Adriana Accorsi (PT), além de outras lideranças políticas.

Questionado sobre o apoio de tucanos, adversários históricos do Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-governador de São Paulo disse que isso é resultado do “entendimento da gravidade do Brasil hoje”.

O ex-governador de São Paulo lembrou ainda que ele próprio já foi adversário de Lula em eleições passadas, assim como os antigos companheiros de partido José Serra e Fernando Henrique Cardoso. “Não se pode mentir. Ninguém nunca questionou a democracia. Política é arte e ciência ao encontro do bem comum, é o diálogo, é a civilidade”, pontuou.

Por meio de nota, o diretório regional do PSDB de Goiás reiterou que não declarou apoio ao candidato Lula à presidência da República. “Ao contrário do postado pelo deputado federal André Janones no Twitter, o PSDB de Goiás não declarou apoio ao candidato Lula à presidência da República”.

Agronegócio

Na oportunidade, Alckmin defendeu a necessidade de reativação dos órgãos de fiscalização ambiental na Amazônia. Ele argumenta que o agronegócio deve ser fiscalizado para que o mercado seja pautado por iniciativas sustentáveis, cobrança do mercado internacional que, segundo ele, “é muito protecionista”.

“A questão do desmatamento e devastação na Amazônia compromete o agro. Vinha caindo desde o FHC e subiu recentemente. Não é feito por agricultor, mas por grileiro de terra. Ele derruba com expectativa de valorizar para vender”, explica.

Democracia

Sobre a campanha eleitoral e a proximidade do primeiro turno, Alckmin disse que não faz campanha pelo voto útil, mas afirmou que considera natural que o eleitor, em um quadro muito polarizado, “acabe verificando quem tem mais chance e antecipe o voto”. Segundo Alckmin, a campanha de Lula tem 10 dias para buscar o convencimento do eleitor em Goiás.

Alckmin falou que faz campanha com respeito e humildade, dizendo que “a democracia não pode andar pra trás”. “Não podemos ter um governo que não acredita na democracia. Não devia pedir voto do povo quem não acredita na democracia, quem tem saudade da ditadura e da tortura… afirmou. O candidato também criticou o atual governo, citando a inflação e o número de mortos pela covid-19. “O Brasil tem 3% da população do mundo e teve 10% de mortes na pandemia”.

Agenda

Alckmin cumpriu uma série de agendas na Capital. Ele chegou por volta das 9 horas no Aeroporto Santa Genoveva e do Centro de Convenções seguiu para um centro de educação comunitária para um compromisso às 10h30. Às 11h30, se reuniu com empresários na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O retorno ao aeroporto estava agendado para as 13h30.