Em 19 dias de campanha do segundo turno, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 988 denúncias por assédio eleitoral. Esse número é quase 20 vezes maior que no 1º turno, quando foram registrados 52 ilícitos. Elas relatam coação para votar em algum candidato específico, uso de camisas de cores do postulante e ameaça de perda de emprego ou de que o estabelecimento feche as portas em caso de vitória de um ou outro postulante. Os relatos estão relacionados ao assédio de patrões que querem impor aos funcionários que votem em pessoas que disputam o cargo de governador ou de presidente.

O número não para de crescer. Até 2 de outubro, quando ocorreu o primeiro turno das eleições gerais de 2022, 52 ilícitos tinham sido informados ao MPT. Hoje, a quantidade chega a 988, quase 20 vezes mais. Contanto que isso ocorreu em um prazo de 19 dias, são 52 denúncias por dia.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, ressaltou que é necessário coibir a ação que é crime eleitoral. Chamou ainda a coação e o exercício dessa prática de “nefasta”.

Moraes ressaltou ainda que “é inadmissível, em pleno século 21, que empregadores pretendam coagir o empregado em relação ao seu voto”.

Na ocasião, o procurador-geral do Trabalho José de Lima Ramos Pereira conversou com jornalistas, na sede do TSE, e afirmou que a temática é preocupante, pois os números batem todos os recordes. À época, os números de assédio relatados eram de 431 denúncias contra 400 empresas. Em três dias, aumentou para 988 contra 808 companhias.

“Para se ter uma ideia, em 2018, foram 212 denúncias envolvendo 98 empresas. Em 2022, a tendência de alta é evidenciada”, ressaltou Ramos.

O maior número de denúncias de assédio eleitoral vem da região Sudeste, com 414, sendo que Minas Gerais é o estado recordista de relatos dos ilícitos, com 274 ocorrências. A região Sul tem 280; o Nordeste, 163; Centro-Oeste, 79; e a região Norte, 52.