Indicação política ainda é adotada em quase metade das escolas das redes estaduais de todo o Brasil. Isso é o que revela o Relatório de Política Educacional “Seleção e formação de diretores: mapeamento de práticas em estados e capitais brasileiras”. Apesar disso, o estudo indica um crescimento na adoção de processos seletivos qualificados para seleção de diretores escolares nos últimos dez anos, tanto em estados como capitais.

De acordo com a pesquisa, cerca de 80% dos diretores de escolas no Brasil são responsáveis por uma escola e 10,8% são responsáveis por quatro ou mais escolas. Além disso, 88% têm formação superior e 12% participaram de curso de gestão escolar com pelo menos 80 horas.

Outro dado interessante é que 54,9% dos diretores escolares foram escolhidos exclusivamente por indicação, modalidade mais presente nas regiões Norte e Nordeste; e 26,7% foram escolhidos por eleição com participação da comunidade escolar, combinada ou não a um processo seletivo qualificado. 86% dos gestores têm mais de 5 anos de experiência como professor e 55% estão no cargo há 5 anos ou menos.

O lançamento oficial do relatório será feito oficialmente neste quinta-feira, 11, às 13h45, durante a 5ª Edição do Simpósio Nacional de Educação (V Sined), com parceria do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO).

Como foi feita a pesquisa

Para desenvolver o estudo, inicialmente, os pesquisadores fizeram um levantamento com base nos dados oficiais do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2019 e do Censo Escolar 2020, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em seguida, realizaram, em parceria com a Atricon, amplo levantamento de dados junto às secretarias de Educação estaduais e das capitais brasileiras no primeiro semestre de 2022.

O material em questão é uma atualização da pesquisa pioneira realizada por Heloísa Lück, em 2011. E a justificativa é entender como os processos abordados estão estruturados na atualidade é relevante, pois permite a indicação de caminhos para aprimorar as políticas públicas e a observação de tendências na formação e seleção de diretores ao longo do tempo.