Alunos com deficiência visual recebem materiais em braile e apoio tecnológico em Goiás
18 setembro 2026 às 13h20

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Dos 7.495.033 goianos estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 580 mil possuem algum tipo de deficiência, seja ela intelectual, motora ou sensorial.
Parte destas pessoas convive com essas condições desde a infância. Para aquelas com deficiência visual, por exemplo, o acesso à educação pode exigir materiais adaptados, tecnologias de leitura e o aprendizado do braile, sistema que permite ler e escrever por meio do tato.
Na rede pública estadual, esse atendimento passa pela Gerência de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc). Segundo o gerente Weberson Oliveira, o trabalho envolve desde a alfabetização até a produção de materiais e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes.
Ao Jornal Opção, ele explica que uma das estruturas responsáveis por esse serviço é o Núcleo de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual, instalado no Centro de Atendimento Educacional Florescer, no Setor Pedro Ludovico, próximo ao Terminal Isidória, em Goiânia.
O núcleo, que anteriormente funcionava no Setor Oeste, integrado ao Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (Cebrav), possui política pública e financiamento próprios, segundo o gerente. A administração cabe à Seduc, com recursos do governo federal.
Entre os serviços oferecidos estão a intervenção precoce com crianças pequenas, o ensino do braile e atividades de orientação e mobilidade. O objetivo é permitir que o estudante tenha condições de acessar os conteúdos escolares e desenvolver sua independência. “Não adianta o livro chegar na escola se o estudante não sabe lê-lo”, afirma Weberson.
Segundo ele, parte dos alunos chega à rede estadual, no sexto ano do ensino fundamental, sem ter sido alfabetizada em braile. O gerente atribui essa dificuldade, entre outros fatores, à falta de profissionais com formação específica nos municípios.
Quando o estudante chega para nós na rede, muitos ainda não são alfabetizados em braile. Aí começa todo o processo de alfabetização dele em braile”, explica.
Produção de materiais
Para atender às necessidades das escolas, o núcleo mantém um centro de produção de materiais em braile e com letras ampliadas. O serviço funciona mediante solicitação das unidades de ensino, que encaminham os conteúdos a serem adaptados.
Segundo Weberson, uma escola do interior pode pedir a impressão do material que será utilizado pelo estudante durante o semestre. A equipe faz a adaptação e encaminha o conteúdo à unidade solicitante.
Essa produção também é apontada pelo gerente como uma alternativa para reduzir os impactos de eventuais atrasos na distribuição de livros acessíveis pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). “Não vem naquele formato do livro bonito, mas é uma apostila em braile que a gente imprime aqui para poder sanar e pelo menos mitigar os impactos da falta desse livro a nível nacional”, afirma.
O gerente ressalta, contudo, que o trabalho local não substitui o programa federal. “O Programa Nacional do Livro Didático é um programa fantástico, e o que a gente faz aqui não substitui. O que a gente faz aqui complementa.”
De acordo com Weberson, o centro tem capacidade para atender à demanda estadual, desde que as escolas respeitem o prazo necessário para a produção. Isso porque o processo exige a conversão dos textos e a preparação do conteúdo antes da impressão. “É um trabalho que é feito sob solicitação”, destaca. “Se for obedecido esse tempo de solicitação e execução, o núcleo consegue suprir com tranquilidade.”
Tecnologia de leitura
Outra ferramenta utilizada pela rede é o Orcam MyEye, dispositivo de leitura adquirido pelo estado desde 2020, segundo o gerente. O equipamento fica acoplado aos óculos, reconhece textos impressos e reproduz o conteúdo em áudio, por um alto-falante próximo ao ouvido.
A tecnologia permite acessar materiais impressos em tinta e pode auxiliar, inclusive, estudantes que ainda não dominam o braile. Weberson ressalta, porém, que o equipamento não substitui essa alfabetização. “Ele é só uma tecnologia que faz um scanner do texto escrito à tinta e faz a leitura por um alto-falante”, explica.
Dessa forma, o atendimento combina diferentes recursos conforme as necessidades do estudante: materiais em braile, impressão ampliada e leitura por áudio.
Já a atuação da Seduc também alcança as redes municipais por meio de parcerias. Segundo Weberson, a cooperação desenvolvida no programa AlfaMais Goiás, voltado à alfabetização na idade certa, abre espaço para a oferta de serviços e recursos da educação especial.
Entre essas ações está o acesso ao Orcam MyEye para estudantes com deficiência visual das redes municipais, mediante articulação com o estado.
O gerente reconhece, contudo, que a localização do núcleo em Goiânia dificulta o atendimento presencial de famílias do interior. Embora a produção de materiais possa atender escolas de todo o estado, os serviços que dependem da presença do estudante enfrentam limitações de deslocamento e de equipe. “Muitas vezes a família não tem condição de trazer a criança até o núcleo”, afirma.
Segundo ele, alguns municípios ajudam no transporte dos estudantes, mas a estrutura não consegue oferecer atendimento presencial em todas as cidades goianas. Nesse cenário, a cooperação busca reduzir as dificuldades de acesso aos recursos educacionais.
Gestão e autonomia
Além do atendimento direto, Weberson afirma que a Gerência de Educação Especial trabalha na formação dos profissionais da rede. Segundo ele, Goiás desenvolve ações de formação desde 2020 e lançou, em 2024, um documento orientador sobre o atendimento aos estudantes que compõem o público da educação especial.
Esse trabalho abrange pessoas com deficiência, estudantes com transtorno do espectro autista e aqueles com altas habilidades ou superdotação. As ações incluem eventos, seminários e congressos para discutir as práticas de inclusão.
Para o gerente, a ampliação dos serviços depende de investimento e de uma mudança na forma como as possibilidades desses estudantes são percebidas. “Quando a gente fala de educação especial, ela custa, ela custa e vale”, afirma.
Weberson defende que o atendimento pedagógico ajude a construir condições de autonomia, independência e participação no mercado de trabalho, considerando as capacidades de cada pessoa.
Vamos olhar para a pessoa com deficiência como sendo potencial. Quais são os potenciais dela? Essa é a política que nós temos hoje na Secretaria de Estado da Educação”, conclui.


