Virada em Goiânia não pode ser descartada. Vanderlan cresce sem parar e Iris estagnou

As pesquisas estão mostrando que os eleitores da capital querem experimentar e renovar mas com segurança. A avaliação do candidato do PSB como gestor privado e gestor público é altamente positiva

Iris Rezende e Vanderlan Cardoso: tendência é que disputem o segundo turno | Fotos: Fernando Leite e Renan Accioly/ Jornal Opção

Vanderlan Cardoso e Iris Rezende: os dois foram escolhidos pelos eleitores para polarizar porque são considerados gestores experimentados. Mas o crescimento do primeiro e a estagnação do segundo sugerem que os eleitores querem renovar | Fotos: Fernando Leite e Renan Accioly/ Jornal Opção

O tempo dos eleitores não é o mesmo dos políticos e dos jornalistas. No momento em que os políticos estão firmando alianças, estruturando e até começando as campanhas, os eleitores estão mais interessados em seus próprios assuntos — como a sobrevivência material, o que fazer para pagar as dívidas, a possibilidade de trocar de emprego e melhorar a renda, a nova série da Netflix, as virtudes do Tinder, o time de futebol que pode se classificar ou ser rebaixado, a novela que está no seu auge, os filmes “Aquarius”, com Sônia Braga, e “Café Society”, de Woody Allen, a Reforma da Previdência (a mudança de idade para a aposentadoria de homens e mulheres), os preços mais baixos do Uber (em comparação com os táxis). É assim que a vida funciona: os políticos cuidam de seus jogos, articulando suas táticas e estratégias, e as pessoas, digamos “normais” — no sentido de viver “outra realidade” —, cuidam de seus afazeres. Porém, a partir de certo momento, há, por assim dizer, um despertar e, sabendo que a política é importante para mudar suas vidas — para melhor ou para pior —, os eleitores começam a prestar atenção no que estão dizendo os candidatos, observando com interesse suas propostas, sobretudo averiguando, com os instrumentos que avalia como adequados, se têm condições técnicas de colocá-las em prática de maneira eficiente e produtiva. Os eleitores estão mais focados em resultados do que imagina a vã filosofia de alguns analistas políticos.

Pelé disse que o brasileiro não sabe votar. Ao contrário do que afirma o maior craque da história do futebol mundial, o eleitor sabe votar — e como. O que ocorre é que, por vezes, faltam alternativas de qualidade e aí se é obrigado a escolher entre o ruim e o pior (João Dória está crescendo para prefeito de São Paulo porque lá os candidatos são, no geral, muito ruins). As pesquisas se intenção de voto indicam, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, que os eleitores sabem votar.

Entre sete candidatos — Iris Rezende, do PMDB, Vanderlan Cardoso, do PSB, Delegado Waldir, do PR, Adriana Accorsi, do PT, Francisco Júnior, do PSD, Flávio Sofiati, do PSOL, e Djalma Araújo, da Rede —, os eleitores estão optando, segundo todas as pesquisas de intenção de voto, por dois postulantes que são conhecidos como gestores experimentados. Fala-se exatamente de Iris Rezende, que foi prefeito de Goiânia por três vezes, portanto tem experiência, e de Vanderlan Cardoso, que foi prefeito de Senador Canedo e mudou a feição do município — que, antes, parecia um bairro abandonado de Goiânia e hoje é uma cidade próspera e organizada.

O postulante do PSB tem outra peculiaridade, que parece do agrado do eleitorado: tem experiência na iniciativa privada. O eleitor costuma valorizar aquele político que, antes de se tornar político, adquiriu sucesso fora da política, com muito trabalho. A partir de Senador Canedo, com o Grupo Cicopal, Vanderlan Cardoso se tornou um empresário poderoso no país, com ramificações em Pernambuco, Pará e Bahia. Recentemente, fundos de investimento americanos, dos mais capitalizados, tentaram comprar sua empresa, porque é vista como enxuta, bem administrada e, claro, lucrativa.

Delegado Waldir (PR), Adriana Accorsi (PT), Francisco Júnior (PSD), Flávio Sofiati (PSOL) e Djalma Araújo (Rede): os cinco postulantes estão apresentando ideias instigantes para Goiânia, mas não estão sendo observados com a devida atenção pelos eleitores. É a “sina” da dualidade | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Delegado Waldir (PR), Adriana Accorsi (PT), Francisco Júnior (PSD), Flávio Sofiati (PSOL) e Djalma Araújo (Rede): os cinco postulantes estão apresentando ideias instigantes para Goiânia, mas não estão sendo observados com a devida atenção pelos eleitores. É a “sina” da dualidade | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Pode-se pensar que os eleitores estão depreciando Waldir Soares, Adriana Accorsi, Francisco Júnior, Flávio Sofiati e Djalma Araújo. Não estão. Eles só não estão observando os cinco candidatos. Porque fizeram opção, quase de cara, por aqueles que avaliam que têm experiência na área de gestão. É possível que, como o prefeito Paulo Garcia é mal avaliado como gestor, os eleitores tenham se definido por seu oposto, quer dizer, políticos experimentados como gestores. Como sabem que os demais (que até podem apresentar projetos interessantes para melhorar a cidade e a vida das pessoas) não têm experiência com gestão, estão descartando-os de imediato.

O eleitor brasileiro raciocina a partir de certo dualismo, dificilmente acrescentando uma terceira opção. Assim, além de não avaliar a maioria dos candidatos, deixando de observá-los com atenção, descartaram Waldir Soares, possivelmente percebendo-o como adequado para o Legislativo, dado seu radicalismo político, mas inadequado para o Executivo, e especificamente porque não tem uma história de gestor (nem bom, nem mau). Ao mesmo tempo que ignoram a maioria e descartam um deles, depois de tê-lo colocado nas alturas, os eleitores definiram que apenas Iris Rezende e Vanderlan Cardoso estão em discussão. Pode parecer que não, mas, considerando a história de gestor do peemedebista e do socialista, há lógica no raciocínio.

Ao mesmo tempo que escolheram Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, para a polarização, os eleitores estão enviando um novo recado — este mais sutil, aparentemente. O que se vai dizer a seguir trata-se de uma especulação, a ser confirmada ou não pelos dados. O Jornal Opção avalia como ético fazer este esclarecimento. Fica-se com a impressão de que o leitor quer “experimentar” e “renovar” em Goiânia. As pesquisas de intenção de voto indicam Iris Rezende em primeiro lugar, porém estagnado — na faixa de 37%. Trata-se, evidentemente, de um índice elevado, mas o peemedebista não passa disso, considerada a margem de erro dos levantamentos. Ao mesmo tempo em que o peemedebista se mantém numa estabilidade perigosa, porque ultrapassável, Vanderlan Cardoso está crescendo.

Nas primeiras pesquisas, Vanderlan Cardoso aparecia com 11%. Era desanimador para seus aliados. Mas, com o início da campanha, os eleitores decidiram observá-lo com atenção e parecem ter percebido que é a alternativa não apenas eleitoral a Iris Rezende. Trata-se de uma alternativa que, experimentada, se for eleito, não vai dificultar a vida dos goianienses. Tende, talvez, a melhorá-la — indo além do arroz com feijão (que é uma síntese do pensamento irista).

Ao elevar Vanderlan Cardoso para patamares superiores a 22%, dobrando sua intenção de voto, os eleitores estão dizendo que, sim, têm outra alternativa política e em termos de gestão. Como o candidato do PSB cresce, e o postulante do PMDB mantém-se estagnado, pode-se falar na possibilidade de “virada”? Os dados das pesquisas indicam um crescimento consistente — o empresário está conquistando votos e não está perdendo a maioria deles — e, aparentemente, não bloqueável. Ele não para de crescer. A 15 dias das eleições, se mantiver o atual ritmo de crescimento, a expectativa de poder pode passar de Iris Rezende para Vanderlan Cardoso.

Sobretudo, conquistando os votos dos indecisos e retirando alguns votos dos candidatos que estagnaram, não é implausível a possibilidade de Vanderlan Cardoso colar em Iris Rezende. Cada vez que cresce nas pesquisas, como tem ocorrido de levantamento para levantamento, aumenta a expectativa de poder do empresário. Que estará no segundo turno, contra Iris Rezende, ninguém discute mais. O que se discute é se Iris Rezende irá para o segundo turno em primeiro lugar ou atrás de Vanderlan Cardoso. Exagero? Talvez sim. Talvez não. Fica-se com a impressão de que, se se pode falar em inconsciente coletivo, este tem a ver com Vanderlan Cardoso. O postulante do PSB parece que está surfando numa onda, altamente positiva, como se fosse uma espécie de Gabriel Medina da política.

Os dados atuais ainda não autorizam a se falar em virada. Porque a diferença entre Iris Rezende e Vanderlan Cardoso é considerável, examinando-se a partir das últimas pesquisas dos três institutos que mais acertam em Goiânia — Fortiori, Grupom e Serpes. Mas a ascensão constante do candidato do PSB certamente está assustando o irismo. Candidato que está crescendo às portas do dia da eleição (2 de outubro), como ocorre agora, é sempre um perigo para o candidato que está em primeiro lugar, mas não cresce. Uma virada pode até ser surpreendente, mas não deve ser descartada.

Mas uma coisa parece quase certa: mesmo se não virar já no primeiro turno, Vanderlan Cardoso irá para o segundo turno com uma expectativa de poder superior à de Iris Rezende. Porque irá para a etapa fiscal em ascensão e, insista-se, com o eleitorado com vontade de experimentar e renovar. Os eleitores só experimentam com segurança — em 2012, só votaram em Paulo Garcia porque o petista era avalizado por Iris Rezende — e, avaliando as pesquisas, é possível concluir que, no momento, estão “experimentando” Vanderlan Cardoso. E, pior para o peemedebista, parece que está “apreciando” — e sem moderação.

Depois do Delegado Waldir, Iris Rezende pode ser o próximo a ser descartado. A diferença é que o peemedebista tem mais capital eleitoral, individual mesmo, do que o postulante do PR.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.