O Brasil vai agradecer se Jair Bolsonaro abrir a caixa preta do BNDES

Se recuperar dinheiro dos empréstimos para vários países, até a crise do Estado poderá ser reduzida. É preciso investigar também os campeões nacionais, como a JBS e Eike Batista

Joesley Batista, Emilio Odebrecht, Marcelo Odebrecht e Eike Batista: por meio do BNDES, o governo agiu como um avô rico e poderoso para beneficiar donos de empresas que cresceram à sombra do poder público | Fotos: reprodução

O presidente Jair Bolsonaro não é intelectual, não usa a linguagem iluminista da academia, mas, na escolha dos ministros, está se revelando um integrante da escola racionalista. Há quem critique a extinção do Ministério do Trabalho, mas pouco admitem que se tornou um poderoso feudo da corrupção e do corporativismo. “Do Trabalho”, é preciso admitir, não é há muito tempo. Desmonstá-lo — assim como a desarticulação dos grupos políticos que controlam o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o setor de energia elétrica — significa ter co­ragem para enfrentar críticas dos beneficiários, direta ou indiretamente, dos esquemas que assaltam os cofres públicos e prejudicam a sociedade.

A escolha de Paulo Guedes, que planeja encolher o Estado para fortalecer a sociedade — não há a mínima possibilidade de menos impostos com a persistência de um Estado gigante e pantagruélico (a privatização é ressaltada como uma maneira de render dinheiro ao Estado, mas deve ser vista também como um modo torná-lo mais barato para a sociedade) —, é um dos principais méritos de Bolso­naro. Porque o economista tem uma visão objetiva, muito bem informada, do que são o Estado e o mercado.

Sergio Fernando Moro no Mi­nis­té­rio da Justiça-Segurança significa um Es­tado mais duro em relação à criminalidade — inclusive a política — e tam­bém uma garantia de legalismo em todos os campos. Uma aventura golpista está inteiramente fora do esquadro do magistrado de Curitiba. Por­tan­to, sua indicação sugere que Bol­so­naro vai governar com a Constituição nas mãos, respeitando a interdependência dos poderes constituídos.

É preciso enfatizar a informação de que Bolsonaro sinaliza que pretende “desprivatizar” o Estado, que está inteiramente “feudalizado” por determinados grupos — e há várias décadas. A “privatização” é tão antiga que está “naturalizada”, quer dizer, todo mundo acha normal, quase ninguém questiona. Entram e saem governos e nada muda. Os “donos do poder” não saem do lugar, às vezes mudam apenas os epígonos. Se o trio Bolsonaro-Paulo Guedes-Sergio Moro conseguir “reconquistar” o Estado para a sociedade, para que represente todos e não grupos de pressão, será um grande feito. Não será nada fácil, pois o Con­gresso, embora supostamente renovado, representa, no geral, tais grupos de pressão tanto no campo empresarial e político quanto corporativo (funcionários públicos, sindicatos).

Caixa preta do BNDES

O BNDES é um banco público, mas esteve, nos governos do PT, praticamente “privatizado” para os campeões nacionais, como Eike Batista (espécie de personagem literário, talvez de Georges Simenon, que saltou para a vida e, um dia, voltará à literatura), a JBS da família de Joesley Batista e a Odebrecht da família de Marcelo Odebrecht, entre outros, e para líderes políticos de Cuba, da Venezuela, de Angola e outros países. Há, portanto, uma caixa preta que precisa ser decifrada para se criminalizar os que assaltaram o dinheiro público, durante anos, com o discurso de que estavam promovendo o crescimento e o desenvolvimento do país. Talvez seja possível sugerir que a retirada de capital para outros países pode ter contribuído para a crise econômica do Brasil (no governo de Dilma Rousseff), que, iniciada no setor público, espalhou-se para a economia privada, gerando a maior recessão da história patropi.

O presidente Michel Temer não demonstrou nenhum interesse em abrir a caixa preta do BNDES. O motivo preciso, a partir de um exame responsável dos fatos, não se sabe. Suspeita-se — frise-se que não há certeza — que os que se beneficiaram da “privatização” do dinheiro do banco são ligados tanto ao PT de Lula da Silva quanto aos emedebistas representados por Michel Temer. Daí a proteção máxima à caixa preta.

O governo brasileiro patrocinou a re­modelação do Porto de Mariel em Cuba e indicou a empreiteira, a Ode­brecht de Emilio Odebrecht e Mar­celo Odebrecht, para fazê-la. O esquema era assim: o governo petista em­pres­tava o dinheiro e a Odebrecht fa­zia as obras. Quer dizer, lucraram Cu­ba, que ganhou uma obra importante pa­ra a expansão de sua economia, e a O­debrecht, que recebeu uma fortuna. Só que faltou combinar uma coisa: quem vai pagar o governo brasileiro, que dizer, ao povo do Brasil? Ninguém.

Fala-se que o “embargo econômico” americano prejudica Cuba. Pu­ro mito. Se Cuba tivesse dólares, como o Irã e a Rússia têm — são grandes produtores de petróleo —, poderia comprar produtos em vários lugares do mundo. A questão chave é que o país da família Castro — embora dirigido por um não-Castro, no momento — não tem dólares nem euros e, por isso, não tem como comprar alimentos e produtos para sua sucateada “indústria” (se indústria é). Quando a União Soviética foi extinta, em 1991, Cuba, que era um paciente que morava na UTI, quase morreu. Só não faleceu porque a Venezuela de Hugo Chávez passou a “doar” petróleo para o país do Caribe. Sem a Venezuela, Cuba teria entregado os pontos. Se Nicolas Maduro cair, o comunismo cai na terra de Lezama Lima, Alejo Carpen­tier e Guillermo Cabrera Infante. A saída da família Castro do poder — na verdade, Raúl Castro ainda é o titeriteiro-mor — prepara a transição para outro regime. Há quem queira o modelo chinês (ditadura com mercado) e há quem queira o modelo americano (democracia com mercado).

Raul Castro e Nicolás Maduro: Cuba e a Venezuela foram beneficiadas pelo governo brasileiro, mas não há notícia de que pagarão os financiamentos | Foto: reprodução

Se Cuba está quebrada, como vai pagar o Brasil? Se não vai pagar, o que vai acontecer? Os ocupantes de proa do governo Lula da Silva-Dilma Rousseff serão ou não responsabilizados por terem emprestado dinheiro a um país que não tem condições de pagar ao Brasil? A caixa preta do negócio com Cuba é gigante, por certo, e, para o bem da ética e respeito à sociedade, precisa ser aberta e esclarecida. Os bilhões emprestados ou doados a Cuba poderiam ter sido usados para construir escolas e hospitais para os brasileiros.

O Brasil terá como recuperar parte do dinheiro que emprestou para Cuba? Como foi dito, o país da família Castro não costuma pagar suas dívidas. Portanto, quem emprestou (e quem fez a obra, no caso, a Odebrecht) terá de ser criminalizado.

A caixa preta do BNDES envolve bilhões de reais — fala-se até numa astronômica cifra de 500 bilhões de dólares. Pode ser menos. Pode ser mais. O fundamental é que se trata de dinheiro público dos brasileiros que escapou para o ralo tanto da corrupção quanto de negócios malfeitos. Foram feitos negócios com Angola e Venezuela e não se sabe de dinheiro que voltou para os cofres do país.

Há também o caso das empresas ditas campeãs nacionais. Elas pegaram dinheiro do BNDES — insista-se: dinheiro público, sim, do cidadão brasileiro — e fizeram fortunas tanto no Brasil quanto no exterior. O que o Brasil ganhou de fato com a expansão da JBS, da Odebrecht e de Eike Batista? Os negócios foram positivos para as empresas e seus proprietários. Para o setor público, ou seja, para a sociedade, ficaram os prejuízos. Um rombo gigantesco.

Jair Bolsonaro, se abrir a caixa preta do BNDES, sobretudo se conseguir recuperar recursos financeiros, pode até mesmo aliviar a crise do Estado. Uma investigação cerrada não será, portanto, vindita, e sim uma defesa crucial dos interesses dos brasileiros.

Cesare Battisti

Até a revista “CartaCapital”, petista quase de carteirinha, defende a extradição do terrorista de esquerda Cesare Battisti. Porque, como provam as investigações exaustivas da polícia da Itália, ele cometeu assassinatos e deixou um homem paraplégico. Ele nega, o que é “normal”. Mas há provas materiais contundentes. O esquerdista é mantido no Brasil, trabalhando não se sabe em que, porque o PT de Lula da Silva tomou como mis­são defendê-lo — o que se refletiu até no Supremo Tribunal Federal.

Cesare Battisti matou pessoas na Itália e, com o apoio dos governos do PT, não foi extraditado | Foto: reprodução

Com a vitória de Bolsonaro, até o STF parece que está mudando sua posição em relação ao criminoso italiano. O presidente eleito é favorável à sua extradição. Que ninguém fique surpreso se Cesar Battisti fugir para a Bolívia, Equa­dor, Venezuela ou Cuba antes de 1º de janeiro de 2019, data da posse do líder do PSL. No meio da es­querda, comenta-se isto abertamente — o que certamente será contestado pelos advogados do terrorista.

A Itália é uma democracia e Cesare Battisti, se extraditado, irá para a cadeia, isto é, não será morto. No governo do PT, durante as Olimpía­das, lutadores de boxe de Cuba tentaram ficar no Brasil, mas foram deportados. Detalhe: não haviam cometido nenhum crime. Só não queriam mais viver sob uma ditadura.

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