Marconi Perillo é um par de Geraldo Alckmin e supera João Doria Jr. como político e gestor

Político da estirpe dos estadistas, o governador de Goiás é um player nacional e contribuiu para que seu Estado não se tornasse um Rio Grande do Sul e um Rio de Janeiro

Marconi Perillo: o gestor tucano enxugou a máquina pública, enfrentou o populismo até de aliados e aposta no crescimento com desenvolvimento

Em nações continentais, como o Brasil e os Estados Unidos, os Estados são praticamente países. O que não quer dizer, evidentemente, que há uma espécie de separatismo. Mas pode se afiançar que, dadas certas ações diferenciadas, há graus de crescimento e desenvolvimento distintos. No momento, devido aos equívocos do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, o país vive uma crise de matiz recessivo, com relativa inércia econômica. O governo do presidente Michel Temer corta daqui e tenta equilibrar dali, mas a crise entranhou-se na sociedade e, por isso, o Estado não tem como debelá-la isoladamente. É aceitável mencionar que há melhoria nos indicadores, mas crises profundas não são apenas econômicas. Elas geram um comportamento e, por isso, teme-se o investimento, pois, sem retorno, pode gerar a falência do empreendedor. Os grandes investidores externos e internos voltaram a aplicar no país, mas não basta isto para debelar o quadro recessivo.

Há quem postule a tese de que há uma espécie de parlamentarismo no Brasil, com Michel Temer no comando da política e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na direção da economia. O presidente tem procurado, apostando com firmeza nas reformas, bancar as medidas propostas pelo “primeiro-ministro”. Enquanto o Brasil tenta levantar a cabeça, reordenando seus investimentos e ações, alguns Estados ricos e poderosos, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e mesmo Minas Gerais, passam por uma crise que não merece outra palavra para denominá-la a não ser falimentar. Por que Goiás, maior do que o Uruguai e com uma população superior à deste país da América do Sul, está em melhor situação? Frise-se que não se pode falar em Shangri-la. No entanto, a crise no Estado do Centro-Oeste é menos devastadora.

Não é falso sugerir que a crise nacional, que atinge todos os setores, é uma crise que o Estado — o governo de Dilma Rousseff — “legou” para o mercado, para a sociedade. O Estado, como nos caso dos Estados Unidos sob Barack Obama, às vezes é decisivo para arrancar o mercado das crises. Outras vezes, dados erros contumazes, contribuam para aprofundar as crises. Em Goiás, há uma crise derivada da crise nacional, mas a crise não é mais profunda porque o Estado, o governo de Marconi Perillo, do PSDB, não contribui para intensificá-la.
Em que, exatamente, Marconi Perillo difere de outros governadores? Trata-se de um homem de Estado; numa palavra, é estadista.

Há políticos que até são gestores eficientes: fazem obras e, claro, política. Mas às vezes não são estadistas. São homens que têm passado e presente, mas falta-lhes uma concepção do futuro. Em 2014, durante o processo eleitoral, aliados de Marconi Perillo — candidato à reeleição — recomendavam-lhe que reduzisse o impacto do ajuste fiscal, o enxugamento da máquina pública. Porque temiam que o rigor no trato da coisa pública levassem-no a uma derrota eleitoral. O tucano ouvia as advertências, ponderava, mas, homem de Estado, sabia que recuar, fazendo concessões ao típico populismo patropi, seria prejudicial a Goiás e, mesmo, ao país. Por isso manteve a forte política de contenção e mais uma vez foi eleito, o que sinaliza que a sociedade entendeu que eventualmente é preciso tomar medidas duras.
Sem o ajuste na estrutura da máquina, tornando-a menos dispendiosa para o governo e para a sociedade, teria acontecido a Goiás o que está ocorrendo no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, Estados que, se fossem empresas privadas, já teriam falido ou ao menos estariam em processo de recuperação judicial. Ao estadista cabe fazer aquilo que é preciso fazer. Adepto da ética da responsabilidade, de que tratou tanto Max Weber e Hannah Arendt, de perspectivas diferentes, Marconi Perillo fez aquilo que os economistas chamam de lição de casa: pôs o Estado em ordem, a ferro e fogo, e o resultado é que os goianos vivem uma situação bem melhor do que a dos gaúchos e dos fluminenses. Há Estados que não pagam salários em dia — há servidores públicos passando fome no Rio de Janeiro —, mas em Goiás é diferente. Para ficar num exemplo.

Entretanto, Marconi Perillo não seria estadista se fizesse apenas cortes — que sacrificam a sociedade — e não pensasse de maneira integrada na vida dos indivíduos. Está na moda falar mal do desenvolvimentismo, que se tornou sinônimo de gastança, sobretudo de gastança equivocada. Mas a “função” do crescimento econômico não é meramente o crescimento, ao menos do ponto de vista do estadista. O crescimento deve ter por finalidade o desenvolvimento, quer dizer, a distribuição dos frutos da expansão da economia. Por isso, sem sacrificar as finanças do Estado — sublinhe-se que a dívida, em larga escala, deriva de governos anteriores —, o tucano criou, ao longo de governos anteriores, programas inclusivos, como a Bolsa Universitária. O Produzir, um incentivo fiscal, contribuiu, de maneira maciça, para alavancar o desenvolvimento industrial de Goiás. Portanto, no momento em que incentiva o crescimento, o estadista, como Marconi Perillo, aposta no desenvolvimento, quer dizer, na inclusão.

O país está de olho no programa Goiás na Frente. Por quê? Porque há uma discussão, quase sempre teórica, sobre pacto federativo e municipalismo. Sabe-se que a União concentra fortemente os recursos extraídos de todos os Estados, por intermédio dos impostos, e devolve muito pouco aos municípios e Estados. Há uma hipertrofia de recursos no governo federal e, ao mesmo tempo, um empobrecimento crescente dos Estados e municípios. Porém, enquanto o país teoriza sobre pacto federativo e municipalismo — palavras que, de tão usadas, acabam por perder o sentido —, o governador Marconi Perillo criou o programa Goiás na Frente.
Há quem pense no programa como uma ação meramente política, o que é uma visão redutora. Na verdade, o Goiás na Frente, embora tenha a ver com política, vai além disso. Trata-se de um poderoso instrumento desenvolvimentista e municipalista. Trocando em miúdos, é uma espécie de pacto federativo na prática. O governo do Estado organizou seus recursos e, no lugar de aplicá-los isolada ou discricionariamente, convocou os prefeitos dos municípios para partilhá-los. O governo convida os prefeitos a definirem suas prioridades e, a partir de então, começa a dividir os recursos.

Não fosse o Goiás na Frente, a maioria das prefeituras, notadamente as médias e pequenas, passaria os próximos anos quebrada, com os gestores municipais achincalhados, mesmo quando bem intencionados. Ao ter recursos, e já no primeiro ano de gestão, quando a tradição reza que é o momento só de colocar a casa em ordem, os prefeitos podem investir, recuperar a credibilidade e, também, contribuir para impulsionar o crescimento econômico de seus municípios. O Goiás na Frente, portanto, é uma política de Estado que aposta no crescimento econômico e no desenvolvimento.

Se alguém, como Marconi Perillo ou José Eliton, que será candidato a governador pelo PSDB em 2018, vai tirar proveito político de uma ideia que é positiva para Goiás, para todo o Estado, que mal há nisto? É assim que pensam, de maneira pragmática, os prefeitos e a sociedade.
Se é comprovadamente um gestor eficiente, acima da média, Marconi Perillo não fica atrás como político. Ele ganhou quatro eleições para governador e, em 2006, foi decisivo para eleger Alcides Cidinho Rodrigues para sucedê-lo. Durante certo período, com o objetivo de consolidar um projeto de modernização de Goiás — o que levou-o a ter profunda conexão com seus contemporâneos, o que as oposições parecem não perceber —, optou por fazer política mais no próprio Estado. Nos últimos anos, porém, tornou-se um player político nacional, requestado por líderes de vários Estados. Trata-se de um político carismático, mas, ao contrário de outros carismáticos, não é populista.

Em entrevistas para as revistas “Veja” e “IstoÉ”, Marconi Perillo tem apresentado suas ideias e se posicionado com firmeza a respeito tanto da crise econômica e da crise política quanto dos problemas internos do PSDB. Fala-se, até, que, no tucanato, estaria em terceiro lugar na linha sucessória para presidente da República.

Em Goiás, como em outros Estados — fica-se com a impressão de que presidentes têm de sair tão-somente de São Paulo ou Minas Gerais, como se a política do café-com-leite ainda estivesse vigente —, por vezes há um comportamento provinciano a respeito de seus políticos e empresários. “Ah”, dizem, “Goiás não pode ter um presidente da República, pois não chega a ter 4 milhões de eleitores”. Ora, São Paulo tem o maior eleitorado do Brasil e, ainda assim, Geraldo Alckmin e José Serra, tucanos paulistas, não foram eleitos para presidente. É preciso repensar a questão: ninguém se elege só os votos de Goiás e de São Paulo. Precisa ter votos, muitos votos, em todo o país. Então, para dizer o mínimo, é uma tolice avaliar que Goiás não pode lançar um candidato a presidente porque tem pouco mais de 3 milhões de eleitores.
O governador de São Paulo, Geral­do Alckmin, já foi derrotado para presidente da República e, se candidato em 2018, pode perder mais uma vez. Não por causa de sua imagem de picolé de chuchu, e sim porque é paulista demais e brasileiro de menos. João Doria Jr., prefeito de São Paulo, é, por enquanto, produto do azeitado marketing dos paulistas ou dos paulistanos. Não tem experiência administrativa global. Porque está no seu primeiro ano como prefeito e, governar uma prefeitura, não é o mesmo que governar um Estado. Aquele que governa um Estado, tendo de se responsabilizar pelos municípios, tende a ser um presidente com mais visão do país, dos Estados.

João Doria não tem a experiência política e administrativa de Marconi Perillo. Não tem histórias suficientes para contar aos eleitores brasileiros, não apenas para os paulistanos. O tucano goiano, se mais exposto nacionalmente, cada vez mais surpreender o país, seus eleitores. Por que, então, tratá-lo como terceiro na linha sucessória e não um par de Geraldo Alckmin e João Doria? A rigor, é um par do governador paulista, que é experimentado, mas está acima, bem acima, do prefeito de São Paulo.

Se apresentado como o “novo com experiência”, como o gestor que prefere não falar em crises, mas em resolvê-las, Marconi Perillo poderá obter mais identificação com o eleitorado brasileiro do que os tucanos paulistas — que, diria o mexicano Porfirio Díaz, estão longe do povo e próximos da soberba. Se os tucanos querem perder, e nem precisa ser para o desgastado Lula da Silva, do PT, basta lançar, mais uma vez, um candidato paulista. Insistamos, os políticos de São Paulo não têm identidade com os eleitores do país. l

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RAIMUNDO. LOURENÇO DA SILVA.

goias ja conheçe o brasil precisa conheçer
marcone perilo para mim e pra voçe.