Anápolis é uma cidade do interior? De fato, é. Mas é mais do que isto. Anápolis é a capital da indústria de Goiás, com seu emblemático Daia — o maior distrito industrial do Estado e, no momento, em fase de expansão.

Durante anos, Anápolis se tornou conhecida, no país, como a Manchester goiana (tem até uma rádio com o nome). É uma referência à cidade industrial da Inglaterra. Hoje, começa a ser chamada de a Suzhou do Cerrado.

Suzhou é uma cidade industrial-tecnológica da China — muito mais rica do que o município goiano. Mas o polo farmacêutico de Anápolis tem chamado a atenção dos chineses — dada a alta qualidade dos medicamentos e à capacidade de produção.

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Carol do Amiltinho: a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa na história de Goiás | Foto: Divulgação

Prova da vitalidade da economia de Anápolis é que começa atrair hotéis — de 3 a 5 estrelas, como o Radisson — e condomínios horizontais, como o Alphaville, além de outros negócios.

Política e economia eram desconectadas. Se a economia impulsionava Anápolis, aumentando a arrecadação pública e redimensionando a renda dos trabalhadores, a política não impulsionava a economia. A política era regressiva

A pergunta acima, “Anápolis é uma cidade do interior?”, não é mera retórica. O que se quer dizer é que, se tem a tranquilidade de uma cidade do interior, é tão cosmopolita, em termos de negócios e universidades, quanto Goiânia, a capital do Estado.

Empresários locais e chegantes — várias empresas se preparam para instalar novos negócios na Suzhou do Centro-Oeste — costumavam dizer que havia um problema. A economia de Anápolis era forte, desde sempre, mas o setor político não ajudava, não tinha visão do crescimento empresarial.

Major Vitor Hugo e Márcio Corrêa: Anápolis revigorou o vereador | Foto: Divulgação do MDB

Política e economia eram incompatíveis. Se a economia impulsionava a cidade, aumentando a arrecadação pública e redimensionando a renda dos trabalhadores, a política não impulsionava a economia. Era um paradoxo: economia desenvolvida; a política, nem tanto.

O que faltava? Um prefeito conectado com a modernidade, com os interesses coletivos, não com os interesses pessoais ou de grupos. Deu-se adeus aos esquemas.

O empresário Márcio Corrêa, do PL, assumiu a Prefeitura de Anápolis há um ano e nove meses — quase dois anos. Muita coisa mudou. A economia, que já era dinâmica, passou a ser impulsionada pela política.

Noutras palavras, economia e política voltaram a falar a mesma linguagem. Conectaram-se. Quem ganhou com isto? Todos — do empresário mais rico ao trabalhador mais pobre.

Márcio Corrêa criou uma política de desenvolvimento para Anápolis. Por que se diz desenvolvimento e não apenas crescimento? Porque desenvolvimento é quando se distribui os frutos do crescimento. O setor público da cidade se tornou mais proativo e voltou a ser colocado a serviço da sociedade e do mercado.

Márcio Corrêa e Célio Silveira: apoio do prefeito foi decisivo para o parlamentar Fotos: Câmara dos Deputados

Pode-se sugerir que, nos últimos tempos, Anápolis respira “progresso”. Aquele ambiente turvo, envolto até em assassinatos mal explicados, desapareceu. Há um ambiente de paz, de abertura para aqueles que precisam instalar ou expandir seus negócios com ampla segurança jurídica — sem mediações típicas do “fisiologismo”.

Por assim dizer, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa gabaritou tudo nas eleições de 2026 em Anápolis, em Goiás (Daniel Vilela e Gustavo Gayer) e no Brasil (Flávio Bolsonaro). Ajudou políticos a vencerem de cabo a rabo

Há, por fim, por outro aspecto. Com a reorganização da máquina pública, com o fim das amarras para a economia, a política local — seus políticos — voltou a ter importância no cenário estadual.

Os Santillo, tanto Adhemar quanto Henrique, sobretudo este, colocaram Anápolis no centro da política estadual. Com o declínio do grupo, Anápolis perdeu força política. Não se está indicando que os políticos locais eram ruins. Não é isto.

O que se está dizendo é que Anápolis perdeu força política. Deixou de ser uma força determinante da política estadual.

Marcio Corrêa e Daniel Vilela e Gracinha Caiado Foto Divulgação
Márcio Corrêa, Daniel Vilela e Gracinha Caiado: aliança deu certo pro governador e pra senadora eleita | Foto: Divulgação

Entretanto, com a eleição de Márcio Corrêa, as coisas mudaram. Anápolis voltou a ter centralidade na política de Goiás. Houve uma mudança de rota — de volta ao presente e de olho num futuro possivelmente promissor.

Não há dúvida de que a figura central na campanha do governador Daniel Vilela (MDB) — de apenas 42 anos —, reeleito com quase 60% dos votos, foi o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Além, claro, do próprio emedebista — que tem uma trajetória política já longeva e, acima de tudo, vitoriosa. Tanto que foi o único político de Goiás que conseguiu derrotar Marconi Perillo — que foi governador quatro vezes. Derrotou, inclusive, o bolsonarismo “de” Wilder Morais.

Mas o papel de Márcio Corrêa, de 46 anos, foi relevante. Filiado ao Partido Liberal, o prefeito decidiu não apoiar o senador Wilder Morais. Por três motivos básicos. Primeiro, tem uma história política em comum com Daniel Vilela. Segundo, avaliou que o postulante do PL não tinha preparo adequado para gerir um Estado como Goiás. Terceiro, por não considerá-lo nem agregador nem bolsonarista.

Em 2030, Márcio Corrêa disputará mandato? É provável que não, pois, se reeleito, dificilmente deixará a prefeitura. Mas, em 2034, certamente se colocará na disputa de cargo majoritário — possivelmente senador ou governador

Político de cariz autoritário, Wilder Morais tentou expulsar Márcio Corrêa do PL. Não conseguiu nenhum apoio considerável para fazê-lo. Os bolsonaristas-raiz de Goiás — Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo — ficaram ao lado do prefeito.

O Daia é um dos mais importantes distritos industriais do país | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

O resultado da eleição mostrou que Márcio Corrêa estava certo e Wilder Morais equivocado. Sua derrota, considerada vexatória, chegou a atrapalhar vários candidatos do partido — como Major Araújo, um deputado posicionado que acabou não sendo reeleito. O senador puxou a chapa para baixo.

Quem ganhou bem no PL foram os políticos realmente ligados a Márcio Corrêa. Desde o início, o prefeito se tornou uma espécie de coordenador informal da campanha de Gustavo Gayer, que, aos poucos, entendeu que uma campanha para senador é muito diferente de uma campanha para deputado federal. Precisa de mais apoios.

Com o apoio de Márcio Corrêa, que o apresentou a prefeitos e líderes políticos do Estado — como os Vale de Rio Verde e figuras consagradas do Entorno de Brasília —, Gustavo Gayer mudou o eixo de sua campanha. Resultado: foi o mais votado para senador. Em Anápolis, recebeu quase 122 mil votos.

Os dois candidatos a deputado federal apoiados por Márcio Corrêa — Major Vitor Hugo, do PL, e Célio Silveira, do MDB —, além de eleitos, obtiveram uma votação respeitável em Anápolis. O primeiro conquistou 16.055 votos e o segundo 14.936 votos no município. Tais votações foram decisivas para elegê-los.

O PT tem dois políticos icônicos e históricos em Anápolis — Rubens Otoni e Antônio Gomide, ambos reeleitos. Ainda assim, Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL, obteve 63,08% dos votos do município. O presidente Lula da Silva conquistou apenas 21,84% dos votos.

Qual foi o diferencial da disputa presidencial em Anápolis? O apoiador. Márcio Corrêa trabalhou para Flávio Bolsonaro.

A força de Márcio Corrêa enfraqueceu seus adversários locais. Mulher do ex-prefeito Roberto Naves, a deputada estadual Vivian Naves, do Republicanos, conquistou apenas 5.993 votos em Anápolis e, sem apoio na sua base, não foi reeleita. O deputado estadual Coronel Adailton, do Solidariedade, teve desempenho bisonho na cidade: só 4.729 votos e também foi derrotado.

Eleita senadora, Gracinha Caiado também foi apoiada por Márcio Corrêa e ficou em segundo lugar na cidade, bem à frente de Zacharias Calil, Gustavo Mendanha, Oséias Varão e Vanderlan Cardoso.

Então, por assim dizer, Márcio Corrêa gabaritou tudo nas eleições de 2026 em Anápolis, em Goiás e no Brasil (Flávio Bolsonaro). Ajudou políticos a vencerem de cabo a rabo.

De alguma maneira, Márcio Corrêa “elegeu” Anápolis, que voltou a ser uma cidade decisiva na política do Estado.

Qual será o futuro de Márcio Corrêa na política de Goiás. Não se sabe, claro. Em 2028, deve ser candidato à reeleição, enfrentando mais uma vez, quem sabe, Antônio Gomide.

Em 2030, Márcio Corrêa disputará mandato? É provável que não, pois, se reeleito, dificilmente deixará a prefeitura.

Mas, na eleição de 2034, certamente se colocará na disputa de algum cargo majoritário — possivelmente senador ou governador.

Há outros políticos que provavelmente estarão no jogo para 2034? Sim, vários: Daniel Vilela, Issy Quinan, Bruno Peixoto, Gustavo Gayer, Sandro Mabel, entre outros. Qual é o jogo para 2030? O mais provável é que Ronaldo Caiado seja candidato a governador; possivelmente, imbatível.