Entenda por que Daniel Vilela pode ser eleito no primeiro turno daqui a oito dias
26 setembro 2026 às 21h00

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O governador de Goiás, Daniel Vilela, do MDB, pode ser reeleito no primeiro turno? Pode, claro. Com ressalva de que, como bola de cristal não funciona, é preciso verificar o resultado das urnas — os votos serão apurados em 4 de outubro, daqui a oito dias. Juízos peremptórios não combinam com política e com a vontade dos eleitores.
Ainda assim, pelos números apresentados pelos institutos Quaest, Real Time Big Data, Paraná Pesquisas, Atlas Intel, há mesmo possibilidade de Daniel Vilela ser eleito no primeiro turno. Não há dados conclusivos em pesquisa de intenção de voto — definitivos só os números que saem das urnas —, mas os atuais levantamentos mostram duas coisas.
Wilder Morais, Marconi Perillo e Luis Cesar Bueno permanecem estagnados. Nenhum subiu de maneira ameaçadora. Ao contrário da política nacional, em Goiás não há polarização. Daniel Vilela está bem na frente — descolado
Primeiro, na reta final, quem está crescendo é Daniel Vilela. Num dos levantamentos, da Paraná Pesquisas, o governador de 42 anos aparece com 45,1% das intenções de voto. Todos os adversários somados têm 44,7%. É um indicativo de que se caminha para a eleição ser decidida no primeiro turno.

Segundo, Wilder Morais, do PL, Marconi Perillo, do PSDB, e Luis Cesar Bueno, do PT, permanecem estagnados. Nenhum subiu de maneira ameaçadora. Ao contrário da política nacional — na qual há um enfrentamento pau a pau entre o presidente Lula da Silva, do PT, e o senador Eduardo Bolsonaro, do PL —, em Goiás não há polarização. Daniel Vilela está bem na frente — descolado.
A disputa entre Wilder Morais e Marconi Perillo nem é para tentar ganhar de Daniel Vilela, e sim para ir, um deles, para o segundo turno contra o postulante emedebista. Os dois, com marketing equivocado, não souberam gestar uma polarização polêmica entre si para chamar a atenção dos eleitores.
Pelo contrário, Wilder Morais e Marconi Perillo se irmanaram contra Daniel Vilela com o objetivo de tentar evitar que seja eleito no primeiro turno. Pois o problema é exatamente este: Daniel Vilela pode ganhar a disputa já primeira etapa. Porém, mesmo que a eleição não seja decidida no primeiro turno, a tendência é a vitória de Daniel Vilela, no segundo turno.

A ciência política certamente responderá com mais propriedade, pós-eleição, por quais motivos Wilder Morais e Marconi Perillo não empolgaram o eleitorado. Mas vale arriscar alguns comentários.
Marconi Perillo/PSDB
Conta-se que Marconi Perillo aprecia ouvir apenas os aduladores, aqueles que lhe dizem palavras reconfortantes, sugerindo que seria eleito governador. Os aliados que sugeriram que retornassem à política — a dos que têm mandato — pela Câmara dos Deputados foram solenemente ignorados.
O tucano Marconi Perillo corre o risco de se tornar o novo Iris Rezende. Os eleitores podem retirá-lo da política estadual — no momento, estão retirando. Talvez, em 2028, volte à cena como político municipal — irizando-se
Não há dúvida de que Marconi Perillo é um político que, embora experimentado, se tornou irrealista. Em Brasília, no Congresso, poderia se destacar e, com as emendas e projetos, empolgar os eleitores do interior, e inclusive da capital.
Para voltar ao cenário das disputas majoritárias, com chance de vitória, Marconi Perillo terá, antes, de se recolocar na política. Parece claro que não se recolará, ao menos em 2026, por meio do Executivo.
Iris Rezende, um político de valor — como o próprio Marconi Perillo (fez dois bons governos — os primeiros) —, perdeu três eleições para o governo do Estado, todas para o tucano. As derrotas o retiraram da política estadual e o aposentaram como um político municipal — três vezes prefeito de Goiânia (não contando o mandato da década de 1960).

Marconi Perillo corre o risco de se tornar o “novo” Iris Rezende. Os eleitores podem retirá-lo da política estadual — no momento, estão retirando. Talvez, em 2028, volte à cena como político municipal — “irizando-se”.
Ao abraçar a política do rancor — derivada do desejo de vingança —, o tucano-chefe perdeu aquilo que chamam de “timing”. Sobretudo, talvez porque passou muito tempo em São Paulo — mudou-se para lá, distanciando-se dos goianos —, parece não ter percebido o avanço político, administrativo, econômico e cultural de Goiás. Tanto que, quando fala do Estado, o faz depreciando-o — nada vendo de positivo.
A fala de Marconi Perillo é toda voltada para o passado, não para o presente e o futuro. Um passado que, a rigor, não está em jogo para os eleitores — que, todos, vivem no presente. O tucano parece não ter percebido que está desconectado de Goiás, de seus habitantes. Não parece contemporâneo dos goianos. Passa a impressão de ser um fantasma político.
Goiás se modernizou, avançou muito, mas parece que Marconi Perillo ficou para trás, perdeu o foco. Logo ele que, de alguma maneira, principalmente nos dois primeiros governos, contribuiu para a modernização de Goiás.
Observe-se que a chapa de candidatos a deputado federal do PSDB está se dissolvendo — Flávia Teles, Henrique Arantes e Jeferson Rodrigues saltaram do barco, prevendo o naufrágio. Entre 1999 e 2018 — um ciclo de 20 anos —, quando Marconi Perillo reinou em Goiás, isto aconteceria? Não.

Entre 1999 e 2018, Marconi Perillo foi, disparado, o político mais forte, eleitoralmente, de Goiás. No entanto, em 2026, com uma candidatura que não avança, o tucano não empolga nem mesmo seus aliados. A debacle da chapa para deputado federal decorre do que fato que, longe de “puxar”, o tucano-chefe, com sua campanha fragilizada, está retirando votos de seus aliados.
De alguma maneira, Marconi Perillo se tornou um peso para seus aliados — contrariando toda sua história anterior, quando era general eleitoral. Hoje, é um recruta eleitoral. Por isso a fuga de Flávia Teles, Henrique Arantes e Jeferson Rodrigues. Antes, nem os “doentes” o abandonavam. Agora, se brincar, até uma gripe afugenta “aliados”.
Wilder Morais/PL
Senador, eleito com uma votação baixa (leia o Editorial da semana passada: https://tinyurl.com/6tkrdx64), Wilder Morais tem menos expressão política do que Marconi Perillo.
Wilder Morais busca mais o bolsonarismo externo, em tese seu capital político, do que os próprios aliados locais. Sua esperança é que Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, o ajude. O que espera nem é ir para o segundo turno em primeiro lugar. O que quer é ir para o segundo turno. Pode ir? Pode, claro.
Quem é mais “amigo” dos Bolsonaros: Wilder Morais ou o vereador Major Vitor Hugo? O segundo, que é o primeiro-amigo de Jair Bolsonaro em Goiás.
Ainda assim, Major Vitor Hugo, político mais bem preparado do que Wilder Morais, ficou em terceiro lugar na disputa para o governo em 2022, com 14,81% dos votos válidos. Praticamente o mesmo percentual do senador no levantamento da Paraná Pesquisas.

Não há dúvida de que o bolsonarismo é forte, mas o candidato a governador também precisa ser forte e fazer a sua parte. A oito dias das eleições, mesmo se apresentando como bolsonarista, Wilder Morais só tem 16% — segundo o instituto Paraná Pesquisas — das intenções de voto. Sinal de que, longe de absorver, está sendo rejeitado pelos eleitores bolsonaristas. Tanto que Flávio Bolsonaro tem cerca de 30% das intenções de votos em Goiás. Não tem mais talvez por que seu candidato a governador o está puxando para baixo.
Wilder Morais é um empresário bem-sucedido — a Orca é uma construtora respeitada pelo mercado (presta serviço para o Carrefour, supermercado francês). Seus shoppings — talvez menos o Bougainville — são empreendimentos que deram certo. Mas governar um Estado — cujos investimentos são, no geral, a fundo perdido — não é o mesmo que gerir uma empresa privada.
O senador parece a avaliar que o setor público e o setor privado são equivalentes. Não são. O lucro de Wilder Morais é dele, vai para suas contas bancárias. O lucro do governo não é financeiro — é social.

Não se está falando exatamente de Wilder Morais, mas há empresário que opera para ser eleito não para atender o interesse público. Mas para ficar mais rico e fortalecer seus negócios.
Luis Cesar Bueno/PT
O candidato do PT a governador, Luis Cesar Bueno, não cumpriu seu principal papel: atrair votos para Lula da Silva. O petista-chefe continua em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto em Goiás — bem atrás de Ronaldo Caiado, do PSD, de Flávio Bolsonaro.
Luis Cesar Bueno é um político preparado, mas não é popular e sua campanha, até agora, não está contribuindo para fortalecer o candidato do PT a presidente. A “culpa” talvez nem seja dele, e sim da rejeição de Lula da Silva e do PT em Goiás. As direitas são fortes e há um antipetismo enraizado e visceral no Estado.
Daniel Vilela/MDB
Ao contrário de outros postulantes, Daniel Vilela tem tradição política em Goiás. Seu pai, Maguito Vilela, foi deputado federal, governador, senador, prefeito de Aparecida de Goiás e foi eleito prefeito de Goiânia. Daniel Vilela foi vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-governador e, agora, é governador. Ou seja, tem uma história própria, bem-sucedida.
Wilder Morais e Marconi Perillo esperavam que, ao assumir o governo, Daniel Vilela se desgastaria rapidamente. Avaliaram também que não conseguiria montar uma aliança político-eleitoral ampla. Os dois, sobretudo o tucano, acreditaram que iriam herdar aliados que, insatisfeitos, poderiam compor suas chapas.
O Daniel Vilela que Marconi Perillo e Wilder Morais criticam não existe — é ficção criada por um marketing equivocado, analógico. Amadurecido, o emedebista deu o salto qualitativo. Ele é digital, por assim dizer
Entretanto, Daniel Vilela não perdeu sequer um aliado que tenha expressão política. Deu ruim para as oposições.
A maioria dos prefeitos do PL apoia o candidato do MDB. O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, e de Novo Gama, Carlinhos do Mangão — para citar apenas dois —, estão entre os mais empolgados na campanha do emedebista.
Marconi Perillo, além de não ter conseguido o apoio de Zacharias Calil, José Mário Schreiner e Gustavo Mendanha, assiste, sem nada fazer, o desmonte de sua chapa de candidatos a deputado federal. A federação PSDB & Cidadania corre o risco de não eleger nenhum parlamentar para a Câmara.
Nos debates, Daniel Vilela está se saindo muito bem. Responde de maneira propositiva, quando não é atacado. Responde duramente se é atacado. O que parece ter surpreendido Wilder Morais e, sobretudo, Marconi Perillo. Quem o subestimou, longe de avançar, acabou tendo de recuar.
O Daniel Vilela que Marconi Perillo e Wilder Morais criticam não existe — é ficção criada por um marketing equivocado, analógico. Amadurecido, o emedebista deu o salto qualitativo. Ele é digital, por assim dizer.
Como governador, Daniel Vilela deu continuidade ao governo de Ronaldo Caiado e está avançando, desde já, em alguns pontos, como a área de tecnologia. O eleitor aprova a continuidade e parece que tem notado de que se trata de um passo adiante.
Por fim, Daniel Vilela tem o que nenhum candidato tem: o apoio de um general eleitoral como Ronaldo Caiado, que, em sete anos e três meses, resolveu o que o país não conseguiu: o problema da segurança pública.
O que tantos cariocas (um deles sommelier do Cucina Mia, de Claude Troisgros), maranhenses, pernambucanos (como o barbeiro Gideão), baianos, paraenses e sergipanos (muito deles trabalhando no restaurante Madero) buscam em Goiás? Empregos, é certo — o que prova a vitalidade da economia do Estado (o que Wilder Morais e Marconi Perillo, só eles, não querem perceber). Mas também buscam segurança, proteção do Estado.
Daniel Vilela manteve a segurança eficiente (por isso mesmo Marconi Perillo desencavou propostas para a área). Não deixou a peteca cair — como dizem as pessoas nas ruas. A renovação em Goiás é oriunda da continuidade — prova o candidato do MDB a governador.
Há indícios de que, na reta final, o voto útil tende a caminhar célere para Daniel Vilela. Os demais candidatos não são ruins — pelo contrário, são bons —, mas Daniel Vilela parece ter maior conexão com seus contemporâneos. Estão na mesma vibe, diz o ex-deputado Vilmar Rocha, do PSD. O emedebista não parou no tempo.
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