Iris Rezende e Waldir Soares podem ficar fora do 2º turno na disputa pela Prefeitura de Goiânia?

Como pesquisas sugerem que são favoritos, parece heresia sugerir que podem ser derrotados. A verdade é que os eleitores não conhecem os demais candidatos, não sabem quais são suas propostas e por isso não têm como avaliá-los

Iris Rezende, Waldir Delegado Soares, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt, Francisco Júnior e Djalma Araújo: os dois primeiros são mais conhecidos e por isso são apontados como favoritos, mas os demais são pouco conhecidos e por isso eles e suas ideias ainda não foram avaliados pelos eleitores | Foto: Fotomontagem

Iris Rezende, Waldir Delegado Soares, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt, Francisco Júnior e Djalma Araújo: os dois primeiros são mais conhecidos e por isso são apontados como favoritos, mas os demais são pouco conhecidos e por isso eles e suas ideias ainda não foram avaliados pelos eleitores | Foto: Fotomontagem

Nenhum país fica paralisado inteiramente devido a fenômenos candentes. A sociedade continua funcionando, embora, por vezes, pareça mais letárgica ou concentrada em determinados assuntos. Os Estados Unidos, depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001, quando a al-Qaeda matou perto de 3 mil pessoas, quase “pararam”. Durante meses não se falou de outra coisa. De maneira dolorosa, o país praticamente entrou em transe. A nação é democrática, uma das mais abertas do mundo, e, mesmo assim, concedeu amplas liberdades para o governo vasculhar a vida dos cidadãos e, em seguida, para atacar o Oriente Médio de modo intensivo, causando uma devastação ainda não devidamente calculada no Iraque e no Afeganistão. A Operação Lava Jato, que investiga o maior escândalo de corrupção da história do país — envolvendo os principais partidos políticos —, guardadas as proporções, é uma espécie de 11 de Setembro não cruento, no sentido de gerar uma certa paralisia no país, tanto em termos políticos quanto econômicos.

Pode-se dizer que uma sociedade avança, ainda que por vezes aos trancos e barrancos, à revelia da ação meramente política. No momento, a sociedade — empresários e trabalhadores — está sobrevivendo, embora a impressão que se tem é que se vive numa sociedade anarquista, sem governo e Estado. Ou melhor, com o governo atrapalhando o crescimento e o desenvolvimento daqueles que produzem. Um governo inerte, que assume posições equivocadas, atrapalha a expansão dos agentes produtivos. Porém, ainda assim, os indivíduos avançam. Há um Brasil que está no primeiro mundo, que se tornou uma potência global, e há um Brasil que, conspurcado pela corrupção e por decisões erráticas, não saiu do século 18, pré-iluminista. Trata-se do mundo político, aquele que, em determinadas circunstâncias, é avesso ao respeito das instituições e que avalia que pode passar por cima das leis.
Pode-se, portanto, sugerir que a Operação Lava Jato paralisou o país. Talvez seja mais adequado dizer que deixou-o quase em suspenso; parado, não. A sociedade continua se movimentando e, apesar de uma crise econômica poderosa, produzindo. A crise seria muito maior, e o país teria mais dificuldade de se recuperar, se a paralisação fosse geral. A indústria, por exemplo, reduziu sua capacidade de fabricar, mas continua colocando produtos no mercado. O agronegócio, apesar da crise do financiamento, especialmente para os produtores de commodities, resiste bravamente.

Mas, se a sociedade não para, se a vida continua — as pessoas permanecem produzindo, trabalhando, comendo, estudando, viajando —, por que a disputa pela Prefeitura de Goiânia parece em sistema de stand by? Ouvidos pelo Jornal Opção, políticos dizem que é preciso definir o quadro nacional — sobretudo esperar o comportamento e os resultados do quase certo governo de Michel Temer, do PMDB — antes de se pensar nas definições municipais. Sublinham que, em alguns casos, até as alianças políticas poderão mudar.

No caso específico de Goiânia, o que poderá mudar? É preciso ressalvar que os pré-candidatos estão trabalhando, estão frequentando os bairros da capital, dialogando com seus moradores e colhendo subsídios para a formatação de seus programas de governo e mesmo para a elaboração de um discurso. Há várias reuniões com segmentos organizados e com as próprias militâncias. Articulam-se alianças políticas, com a atração de novos parceiros. O tempo não é dos supersônicos, mas ninguém — nem mesmo Iris Rezende, que parece inerte — está parado.

Os pré-candidatos que mais trabalham são os menos conhecidos. Eles estão se apresentando à sociedade, desde já, porque a campanha eleitoral oficial será curta — 45 dias, com 30 dias de programa de televisão (15 dias para prefeito e 15 dias para vereador). Quem não é conhecido, se deixar para se exibir apenas na campanha, dificilmente será assimilado pelos eleitores. Por isso, longe de estarem parados, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Luiz Bittencourt, Giuseppe Vecci, Francisco Júnior e Djalma Araújo estão com seus blocos nas ruas. Mesmo Waldir Delegado Soares (PR), que aparece nas primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto, ao lado de Iris Rezende, está se apresentando aos eleitores. Como a classe média parece que não está aberta para suas ideias, o republicano certamente fará um discurso específico para ela, deixando de pregar tão-somente para os convertidos — os setores mais populares da sociedade. Iris Rezende, embora receba dezenas de pessoas para conversar em seu escritório, no Setor Marista, é o que se move menos — por ser o mais conhecido de todos os candidatos.

Políticos e jornalistas adotaram um novo credo ou nova bíblia — as pesquisas de intenção de voto. Pesquisas qualitativas, até por serem mais caras, raramente são feitas e, se realizadas, nem sempre são consultadas com o devido interesse e rigor. Prefere-se, quase sempre, os levantamentos quantitativos. Neste momento, a cinco meses das eleições, as pesquisas quantitativas, devido ao fato de a maioria dos candidatos não ser conhecida e de o eleitorado não saber o que propõem para melhorar e requalificar Goiânia, não dizem muito. Sugerem quase nada. Quando apresentam Iris Rezende e Waldir Delegado Soares nos primeiros lugares, é possível que se trate de uma intenção de voto que tenha mais a ver com conhecimento do que com aprovação. Portanto, pode-se falar numa frente inercial.

Como avaliar um candidato, como Giuseppe Vecci e Francisco Júnior, que não são conhecidos? Como avaliar suas propostas se elas ainda não foram elaboradas e, portanto, não foram expostas? Os eleitores sabem o que querem e, neste momento, entendem que não têm o que avaliar. Na dúvida, quando o pesquisador apresenta uma cartela estimulada, escolhem os mais conhecidos. Avaliam e avalizam mais o fato de eles serem conhecidos do que suas realizações e propostas.

O Jornal Opção examinou três pesquisas, cujos números não são mencionados porque não foram devidamente registradas na Justiça Eleitoral. Pelo menos quatro postulantes que são apontados como escassamente conhecidos aparecem como altamente rejeitados. Isto significa que se trata de uma rejeição real? Não. Significa, isto sim, que, como não são conhecidos, foram avaliados negativamente. Os eleitores estão sugerindo, quem sabe, que os rejeitam porque não sabem quem são e porque, em tese, nada fizeram por eles ao longo do tempo. Uma campanha bem feita, com apresentação dos currículos e propostas criativas e consequentes, pode mudar este quadro.

Que tipo de político os eleitores querem para administrar Goiânia? As pesquisas indicam que querem um gestor eficiente — até mais eficiente do que criativo —, nada pirotécnico e aventureiro. Eles cobram um gestor que, durante os quatro anos do mandato, melhore a cidade ou pelo menos mantenha um padrão mínimo de qualidade (ruas limpas e iluminadas, por exemplo). Não querem que a cidade melhore durante alguns meses e piore noutros meses. Exigem estabilidade.

Há indícios também de que, na eleição deste ano, os eleitores vão apostar na renovação e em métodos modernos de gestão. Aqueles que se apresentarem seriamente, que evitarem o discurso populista, messiânico — que não disserem que vão resolver os principais problemas da cidade em seis meses —, e que passarem a imagem de credibilidade certamente serão mais bem avaliados pelos eleitores. Quem disser que com uma canetada vai resolver o problema do transporte coletivo e do trânsito em Goiânia pode acabar se tornando mal avaliado pelos eleitores. Aqueles que conseguirem apresentar propostas críveis poderão crescer durante a campanha — mudando o quadro delineado agora pelas pesquisas.
Há quem acredite, com certa ingenuidade, que Iris Rezende e Waldir Delegado Soares são imbatíveis. Pode até ser que cheguem ao segundo turno. Mas dificilmente os eleitores votam em dois políticos com os mesmos perfis — populistas — para a etapa seguinte da disputa. A tendência — repita-se: tendência — é que um deles fique no meio do caminho, cada vez mais para trás, abrindo espaço para um candidato modernizador, com discurso mais técnico, enfrentar um dos populistas.

Como os populistas estão em baixa, com os eleitores apostando mais em gestores modernos, é possível que Iris Rezende e Waldir Delegado Soares fiquem fora do segundo turno? É possível. Se perceberem que os discursos deles são meramente eleitoreiros — inclusive sem avaliar o orçamento mensal e anual da prefeitura —, os eleitores podem abandoná-los durante a campanha. Os eleitores levam a sério um candidato a prefeito de uma cidade, mesmo que seja uma capital, que afirma que vai resolver o problema da segurança pública? Não acreditam e não o levam a sério. Ressaltamos que se está tratando de tendências e que o quadro, ao final do pleito, pode ser outro.

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